Uma notícia recente (pode ser lida em Inglês aqui) indica que o Manuscrito Voynich, um dos poucos manuscritos que existem escritos numa linguagem “estranha”, foi finalmente descodificado. Mas será verdade? Teremos de aguardar para ver.
O mito de Ifis e Anaxarete (ou de Arceofonte e Arsíone)
Este mito, de Ifis e Anaxarete, é contado tanto por Ovídio como por Antonino Liberal, essencialmente mudando apenas o nome das duas personagens principais, que também podem ser chamados pelos nomes de Arceofonte e Arsíone – em ambos os casos, o primeiro é o homem e o segundo a mulher de uma mesma história.

Segundo ambos os autores, um homem (Ifis ou Arceofonte) apaixonou-se por uma mulher (Anaxarete ou Arsíone), mas esta insistiu em rejeitá-lo repetidamente, muitas vezes de formas profundamente cruéis. Chegando ao seu maior desespero, o apaixonado enforcou-se na porta de entrada da sua amada. Ainda assim, esta mulher nunca se compadeceu, nunca verteu uma única lágrima pelo seu antigo apaixonado. Então, quando o cortejo fúnebre do falecido passava em frente de sua casa, a influência divina de Afrodite levou à transformação desta mulher numa estátua de pedra, dando a todo o seu corpo o mesmo material frio que antes habitava no seu coração.
Esta é, portanto, uma história que nos adverte do perigoso poder de Afrodite. Tal como aconteceu com Anaxarete e Ífis, ou com Arceofonte e Arsíone – teriam sido, talvez, dois pares de amados que sofreram um mesmo destino? – absolutamente nada nos obriga a que amemos outro ser humano, mas nunca temos quaisquer razões reais para uma maior crueldade no amor.
Quem foi o faraó do Egipto que aparece na história de Moisés?
Qualquer pessoa que conheça as histórias do Antigo Testamento estará bem familiarizado com a sequência de eventos que liga um faraó do Egipto a Moisés, e a forma como através da influência do profecta o povo judaico foi libertado da sua grande escravidão (depois deambulando no deserto por 40 anos, mas isso já é aqui secundário). Porém, poucos parecem interrogar-se sobre a identidade do monarca, quase como se o considerassem uma figura puramente mítica. Mas será que o é? Ou, em caso negativo, quem foi o faraó do Egipto que aparece na história de Moisés?
Não existem provas indisputáveis seja para o afirmar ou negar, mas sabe-se que o Egipto teve, famosamente, um monarca monoteísta, Akhenaten. Sobre ele existem diversas opiniões na literatura – alguns afirmam que ele teria sido o próprio Moisés; outros, que a figura cristã podia ter sido o seu irmão Tutmose (o texto afirma que as duas figuras foram criadas “como irmãos”), que desapareceu dos registos; e até existem aquele que afirmam que Moisés poderá ter sido um sacerdote desse mesmo culto monoteísta que, posteriormente, foi expulso do Egipto. Não temos forma de saber se estas teorias vão além disso, de meras hipóteses, mas não deixa de ser curioso que o Antigo Egipto tenha tido um único faraó monoteísta, cujo culto quase que nasceu e morreu com ele. É invulgar, demasiado invulgar para se poder acreditar que isso aconteceu apenas “porque sim”. Por isso, se a história de Moisés tem um fundo de verdade, faz todo o sentido que ela seja ligada ao culto (solar, relembre-se!) originado por Akhenaten.
Que opiniões têm sobre o tema?
Nunca se interrogaram como pôde a lebre ser vencida pela tartaruga?
A corrida entre uma lebre e uma tartaruga, extremamente famosa das fábulas de Esopo, é ainda hoje conhecida por todo o mundo. Por isso, quem nunca se interrogou sobre a verosimilhança desse mítico confronto? Quem nunca se interrogou se é mesmo possível uma veloz lebre ser derrotada por uma lenta tartaruga? Hoje, mostramos a resposta, porque, como diz a sabedoria popular, “uma imagem [ou, neste caso, um vídeo] vale mil palavras”.
Porém, fica também uma pequena questão – o que terá acontecido à tartaruga? Terão existido outras corridas após esta famosa vitória?

O mito de Ifis e a transexualidade
São poucos os mitos gregos que abordam o tema de uma possível transexualidade, mas mesmo dentro desse tema o de Ifis é provavelmente o menos conhecido.
Conta-nos Ovídio que Ligdo não queria ter um filho, pelo que quando a sua esposa engravidou este lhe ordenou que caso desse à luz uma menina deveria matá-la. Como qualquer mulher Teletusa ficou em pleno desespero, mas alguns deuses egípcios surgiram-lhe num sonho e pediram-lhe que criasse a criança, já que eles fariam com que tudo corresse bem.É evidente que esta futura mãe seguiu as indicações divinas.
Vários anos mais tarde, quando a jovem Ifis [atente-se no nome masculino] se preparava para casar, também o seu estado de desespero a levou a dirigir-se aos deuses, num lamento curiosíssimo reproduzido pelo poeta latino. Foi Isis que a transformou num homem, permitindo o casamento, mas o mito pouco mais nos diz sobre a vida desta figura.
A presença de diversas divindades egípcias tornam este um mito curioso. É provável que o poeta só o conhecesse em segunda mão, até pelo facto de muitas perguntas ficarem por responder, dando uma sensação de se tratar de uma rescrita. Nenhum outro autor menciona este mito, nem sabemos se Ifis estava totalmente de acordo com esta metamorfose (amaria ela a sua futura esposa? Não é totalmente claro), mas existem várias outros mitos em que mulheres eram transformadas em homens, de que o caso de Ceneia/Ceneu é o mais famoso.