Qual a religião certa?

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As religiões, no seu geral, têm muitos fundamentos semelhantes. Cada uma é válida para os seus seguidores, mas o que aconteceria se, como neste pequeno comic, quando chegássemos ao outro mundo lá estivesse uma religião tão desaparecida como a do Antigo Egipto? Fica a ideia.

Fátima e as aparições divinas

Fazendo hoje cem anos das aparições de Nossa Senhora na cidade portuguesa de Fátima achámos que poderíamos escrever um pouco sobre o tema. De uma forma muito simplificada, diz-nos a história (se verdadeira ou não, é uma questão de fé) que Nossa Senhora, a mãe de Jesus Cristo, apareceu a três pastorinhos. Não nos cabe a nós julgar a veracidade dessas aparições, mas é indisputável que Lúcia Santos, Jacinta e Francisco Marto creram ter visto a mãe de Cristo e acreditavam que esta, ao longo de alguns meses, lhes transmitiu algumas mensagens.

 

Porém, situações como essas nada têm de novo. Uma vez, quando Atenas ia ser atacada por um qualquer invasor, Artémis e Apolo apareceram e afugentaram os opositores. Cícero menciona que em algumas batalhas da sua época os dois gémeos divinos, Castor e Pólux, foram vistos a combater entre as fileiras romanas. Contam-nos também algumas crónicas que Apolónio de Tiana uma vez se transportou, magicamente, de um local em que estava para um navio em pleno mar. E se aparições de Jesus fora do Novo Testamento são pouco comuns, várias são as aparições de alguns santos, com o caso específico da Virgem Maria a ser particularmente frequente.

 

A que se devem todas estas aparições? Alguns autores até as atribuem a períodos de grande stress societal, mas… é tudo uma questão de fé.

Próculo Júlio e a morte de Rómulo

Os vários mitos que temos dizem-nos que Rómulo, um dos fundadores de Roma, não morreu. As circunstâncias do seu  desaparecimento terreno divergem entre as versões, mas surge frequentemente a ideia de que algo menos correcto possa ter acontecido a este herói. É nessa sequência que aparece a breve figura de Próculo Júlio, um simples homem a quem Rómulo apareceu e a quem, agora sob o novo nome de Quirino, revelou a sua divinização, afastando todas as dúvidas que existiam em relação ao seu destino.

Se bem que curto, o papel deste homem foi fulcral para apaziguar os ânimos da população!

Outra pequena história do roubo do fogo por Prometeu

O roubo do fogo por Prometeu é um dos mais famosos mitos gregos, estando bem representado na obra de Hesíodo. Porém, Íbico adiciona-lhe um episódio pouco conhecido – segundo este poeta, quem reportou o roubo do fogo recebeu, em troca, uma droga que permitia o rejuvenescimento. Esta foi depois colocada, juntamente com o resto da carga, no dorso de um burro.

Estando um período de grande calor, este animal acabou por parar perto de uma pequena fonte, altura em que uma cobra o tentou atacar. Para preservar a sua própria vida, deu-lhe então o líquido mágico, numa espécie de troca – o burro teve a sua água e a cobra passou a “perder” a sua idade, mas também começou a ser provida de uma mordedura que causava uma sede intensa.

 

Esta história não faz parte da versão original do mito, parecendo ter sido escrita para justificar a invulgar capacidade de uma espécie de cobra a que os antigos chamavam dipsas.

O que significa o peixe representado na traseira de muitos carros?

O seguinte símbolo pode, hoje em dia, ser encontrado em muitos carros, mas o que significa o mesmo peixe representado na traseira de muitos carros?

Símbolo do Peixe

Claro que representa um pequeno peixe, como é evidente, mas qual o seu verdadeiro significado? Não temos a certeza se todos aqueles que o usam ainda o fazem pela mesma razão, mas originalmente este símbolo era usado para que os verdadeiros cristãos se reconhecessem uns aos outros. Diz a história que um dos crentes desenhava metade do peixe e se um outro fosse capaz de completar o desenho seria, também ele, um cristão oculto num tempo de perseguição.

 

Mas porquê um peixe e não uma âncora, uma cruz, ou um qualquer outro símbolo? A resposta não é óbvia, mas provém da palavra grega para peixe – ichtys. Tratava-se de um acróstico que, convenientemente, demonstrava a crença do verdadeiro verdadeiro cristão num Iesous Christos, Theou Yios, Soter (que é como quem diz “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”). Sobre essa explicação simples, Tertuliano – autor cristão falecido no século III – adiciona até que o peixe era o símbolo dos cristãos porque este, tal como os praticantes da sua religião, nascia nas águas – as naturais para o animal, mas as do baptismo para os Cristãos.

 

Assim se explica este curioso fenómeno cultural, mas deixamos uma pequena questão – se tiverem um emblema destes no vosso carro, porque razão o usam? Conheciam esta história, ou usam-no por uma razão totalmente distinta? Agradeçemos, como sempre, qualquer participação!

 

[Esta informação foi adicionada posteriormente:]

Há algumas semanas escrevemos algumas linhas sobre o peixe que pode ser visto representado na traseira de muitos carros. Nessa sequência, um leitor brasileiro deixou-nos um comentário em que dizia que esse símbolo era muito associado à Igreja Metodista. Foram eles que nos passaram a seguinte informação:

 

“O uso do símbolo do peixe nos carros vem de tradição evangélica e é uma forma de afirmar que os seus proprietários são cristãos.
O peixe é um dos símbolos do cristianismo uma vez que muitos dos discípulos de Jesus eram pescadores e Jesus os desafiou a serem pescadores de homens.
O uso deste símbolo é informal no sentido que apenas o usa quem quer não havendo qualquer indicação por parte das Igrejas Evangélicas para o seu uso.
Espero que tenhamos ajudado.”

 

Ajudaram sim, e aqui fica o nosso obrigado! Este parece, portanto, ser um daqueles casos em que uma tradição vai sendo reinterpretada ao longo dos séculos, perdendo-se parte da sua simbologia original.