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Porque é o leão o rei dos animais?
Deste tempos da nossa meninice que pensamos que o leão é o rei dos animais. Já Esopo, nas suas famosas fábulas, lhe dava essa designação muito particular. Mas de onde vem ela? Porque é o leão o rei de todos os animais, já pensaram nisso?
Bem, a verdade é que não temos uma história comum específica para esse facto, mas somente algumas tradições distintas. Uma delas considera-o como tal pelo facto de ele, numa fábula particular e em que esse epíteto ainda não lhe é aplicado, ter decidido reproduzir as acções dos monarcas humanos com os outros animais. Outra, provinda da Cinegética de Opiano, diz que os leões eram os Coribantes metamorfoseados, tornados reis como forma de agradecimento pelos serviços prestados ao jovem Zeus. Uma outra versão, de origem desconhecida, diz apenas que os outros animais tinham medo de defrontar os leões pelo trono, face à sua força natural. Mas qual a razão mais certa, ou a que levou à designação do leão como rei dos animais nos tempos antigos de Esopo, desconhecemos por completo.
“Cinegética”, de Opiano
Em quatro livros e como o seu próprio título indica, esta obra Cinegética de Opiano aborda o tema da caça. O primeiro é uma introdução à caça, os dois seguintes são sobre os animais, enquanto que o quarto explica como caçar algumas dessas espécies. Não o faz para todas – por exemplo, o autor nunca explica como capturar uma girafa ou uma avestruz – mas somente para as mais previsíveis, que ele próprio já parecia ter visto com os próprios olhos, como o leão ou a raposa. Mas, de um ponto de vista mitológico, esta mesma obra tem dois elementos interessantes:
– Conta algumas histórias que não conhecemos de outras fontes. Uma delas, por exemplo, é a de um príncipe que perdeu todos os seus cavalos, com excepção de uma égua e seu descendente. Com vista a recuperar a sua manada, decidiu mascarar ambos os animais, untá-los com outro cheiro e tentar que se unissem no acto sexual. Conseguiu fazê-lo, mas mal os animais se aperceberam do que tinham feito, dirigiram-se para uma pedra e bateram com a caça repetidamente, até morrerem. O autor equipara-a à história de Édipo.
– Tratando-se de uma obra sobre animais, é curiosa que aqui exista uma inversão de algumas convenções dos poemas épicos. Quando, por exemplo, dois touros se preparam para o combate e arrastam um pouco de chão com as patas dianteiras, o autor equipara-os a dois lutadores que se preparam com areia.
Apesar destas características, a Cinegética é uma obra um tanto ou quanto singular, que apenas apelará a uma audiência muito específica.
Como é possível que Protesilau tenha morrido?
O mito de Protesilau já aqui foi contado, mas quem o tiver lido de uma forma mais reflectida deverá ter notado um pequeno problema – havendo uma profecia que dizia que o primeiro soldado grego a pisar o solo de Tróia ia morrer, porque o teria feito Protesilau sem qualquer tipo de reservas, ainda para mais quando uma esposa o esperava em casa? Face a essas circunstâncias, como é possível que Protesilau tenha morrido?
A resposta é dada por um autor latino, Ausónio. Segundo ele Protesilau foi vítima de um ardil por parte de Ulisses. Este segundo herói atirou o seu escudo para a praia, saltando depois para cima dele e dando a ilusão de que estaria a ser o primeiro a pisar a superfície de Tróia. Vendo isso, Protesilau saltou também ele para a praia, pisando o solo e sendo então rapidamente morto por um adversário – se um guerreiro mais anónimo ou o próprio Heitor, as nossas fontes já parecem discordar.
Podemos reconstruir o caminho de Odisseu/Ulisses?
As viagens de Ulisses (ou Odisseu) são-nos tão famosas da Odisseia de Homero que muitos já tentaram reconstruir os passos do herói. Para o fazerem basearam-se em diversas informações patentes nesse poema épico, mas Eratóstenes de Cirene deixou-nos uma pista fulcral para esse objectivo – “As cenas das viagens de Odisseu só serão encontradas quando encontrarem o homem que coseu a bolsa dos ventos”, numa evidente referência à bolsa que o rei Éolo deu ao herói.
Ora bem, Eratóstenes foi um dos responsáveis da Biblioteca de Alexandria e era considerado um dos pais da Geografia, pelo que se alguém estava em boa posição para encontrar os caminhos do herói homérico seria ele. Sabia que não conseguiria fazê-lo, mas a sua espécie de aviso parece não ter sido suficiente para muitos de nós.