Alguns deuses de todo o mundo

Aqui ficam alguns dos menos conhecidos.

 Fonte

O que era um deus para Empédocles?

Nenhuma cabeça humana emerge acima dos membros

Nem um par de ramos sai das suas costas

Nem pernas, nem joelhos activos, nem genitais peludos,

Mas é apenas um mente sagrada e inexprimível,

Rapidamente assistindo aos problemas de todo o mundo.

Exposição “Tutankhamon – Tesouros do Egipto”

O Pavilhão de Portugal, em Lisboa, tem até ao dia 1 de Maio uma exposição sobre a descoberta do túmulo de Tutankhamon, chamada Tutankhamon – Tesouros do Egipto. Mais informação pode ser encontrada neste link; depois de lá irmos deixarmos mais comentários sobre a mesma.

 

 [Adicionado posteriormente:] A exposição acabou por nos desapontar bastante, na medida em que apenas tenta mostrar ao visitante como era o panorama geral do túmulo no instante em que ele foi aberto pela primeira vez. Se esta ideia até poderá parecer interessante, é feita com os visitantes a caminharem por um corredor escuro, sem qualquer espécie de explicação sobre nada, deixando os que não perceberem do tema a fazer a infame acção de “olhar para o boneco”.

Se, também, podem ser vistos na exposição um conjunto de coisas que foram encontradas no local (se são as originais, ou simples reproduções, nunca parece ser dito), também elas não têm qualquer explicação por perto.

No geral, parece ser uma exposição só para encher o olho, para dizer que se viu X, mas sem que jamais se consiga perceber muito bem o que se está a ver, ainda mais se o visitante pouco ou nada perceber do tema. Deve ser evitada, até porque a entrada não é propriamente barata…

A origem e a história de Lilith

Sobre a origem e a história de Lilith, aqui está uma história pouco conhecida mas nem por isso menos interessante. Quem ler bem o Antigo Testamento acabará por notar um pequeno problema na trama do Génesis – Adão e uma sua companheira foram criados ao mesmo tempo (1:27), mas depois Eva é criada da costela de Adão (2:22). De um ponto de vista académico isto pode ser facilmente justificado tendo em conta as múltiplas fontes usadas para a criação desse livro, mas recorrendo somente à própria trama este problema seria difícil de explicar.

A tentação de Lilith

É nesse contexto que é introduzida a figura de Lilith, que não aparece no Antigo Testamento nem na Mitologia Grega (como alguns parecem pensar), mas sim num texto satírico medieval chamado Alfabeto de Ben-Sira. Quem é ela? A primeira mulher de Adão, que se recusava a ficar subjugada ao marido, considerando-os a ambos como iguais. Fugiu dele, mas foi apanhada por anjos e mesmo assim recusou-se a voltar. Tornou-se então uma figura que passou a ter poder sobre todas as crianças recém-nascidas, matando-as, num total de 100 por dia, excepto se estas fossem protegidas por amuletos com figuras (ou nomes) dos anjos que a tentaram capturar.

 

Parece ser esta uma figura muito apreciada em contextos da cultura gótica moderna, talvez pela sua recusa em aceitar a superioridade do marido, mas há que ter muito bem em conta que o Alfabeto de Ben-Sira é, mais que tudo, um texto de conteúdo satírico, que não era levado a sério por absolutamente ninguém, e que até traduzimos parcialmente aqui. Considerá-lo como mais que isso é ver interesses particulares onde originalmente não os havia. A origem de Lilith é somente uma história fictícia medieval, e se até existem outras referências, muito anteriores, a outras figuras do mesmo nome, nunca existe qualquer identificação directa de um demónio (real?) com esta suposta primeira esposa de Adão. Ainda não estão convencidos disso? Então, podem ler a continuação desta publicação em Toda a verdade sobre Lilith, a “primeira esposa de Adão”.

A “Tebaida” de Estácio

Estácio, nesta sua obra de poesia épica conhecida por Tebaida, recorda o mito dos Sete Contra Tebas, em que os dois filhos de Édipo disputam o trono do próprio pai. Se o autor cumpre o seu papel, também não é uma obra muito interessante, em que as sequências de batalha são muito simples e pouco nos recordam do encanto das obras de Homero. É, ainda assim, uma obra de alguma importância, por ser a única que nos reconta, de uma forma completa, a história desta guerra em particular, o que a levaria a ter alguma impacto na produção da Idade Média sobre o mesmo tema, sendo até o Roman de Thèbes nela baseado de uma forma indirecta.

 

Em termos da trama, este poema começa com a maldição lançada por Édipo a ambos os filhos, terminando com a morte dos dois irmãos e os eventos que se lhe seguem, bem mais famosos da Antígona de Sófocles. Pelo caminho retrata a forma como os sete heróis tentam conquistar Tebas e reaver o trono legítimo de um dos filhos de Édipo. Mas… infelizmente, já não conta é os eventos da segunda guerra de Tebas, a dos Epigoni, em que a cidade é finalmente conquistada pelos filhos dos combatentes da primeira guerra…

Depressa se nota, face a estas palavras, que este não é um mito simples, que possamos recordar num punhado de linhas, pelo que voltaremos a ele, de forma mais concreta e detalhada, no futuro, só então recordando alguns dos seus episódios principais.