“Tomada de Ílios”, de Trifiodoro

Esta Tomada de Ílios de Trifiodoro, também conhecida como a Tomada de Tróia, como o próprio nome já dá a entender fala da queda da cidade de Tróia, também conhecida como Ílion ou Ílios (entre vários outros nomes). O autor começa por recordar os episódios da guerra, a que se segue uma sucessão dos episódios da própria queda da cidade. Porém, esta obra talvez seja mais conhecida pelo episódio do cavalo, cuja construção Trifiodoro aqui descreve de uma forma bastante detalhada.

 

Se, de um ponto de vista literário, esta obra nem é nada de muito significativo, parece-me ser essa descrição da construção do cavalo, em cerca de 50 versos, que lhe dá alguma importância, já que, apesar de serem incontáveis os autores que mencionam a forma do artifício usado pelos gregos para a invasão de Tróia, este parece-me ser um dos que o faz de uma forma mais detalhada.

Jogo “Cavaleiros do Zodíaco: Cards” para Android

Mais um jogo… infelizmente, este nem tem muito conteúdo mitológico, mas é baseado na famosa série Saint Seiya, conhecida em Portugal como Cavaleiros do Zodíaco, cujas histórias muitas vezes estão associadas a alguns mitos gregos.

Segundo consegui entender, este jogo foi feito por uma empresa brasileira, a propósito de um novo filme baseado na série, e só peca por ser curto na sua vertente offline, que pode ser terminada em menos de meia dúzia de horas.

Pode ser encontrado aqui.

Regras de um cavaleiro

Encontrei hoje esta expressão interessantíssima, relativa às regras de um cavaleiro da Idade Média, que bem poderia ter sido retirada de um manual de cavalaria, e que achei que deveria deixar por cá:

 

A knight should be modest, love one maiden only, not play at love with many women. He should help the oppressed, and show kindness to all. When he has conquered an enemy he should show mercy; and when he is conquered he should not beg for life. To face death boldly is a hero’s glory, and such death is better than a dishonoured life.

fonte

O túmulo da “Helena de Jerusalém”

Quando, no ano passado, cá falei da Descrição da Grécia, de Pausânias (ver aqui), tinha algumas dúvidas sobre quem seria a Helena com um tão singular túmulo, a que Pausânias referia em VIII.16.5 . Há alguns dias, foi cá deixado um comentário anónimo (e fica o agradecimento a quem quer que o tenha deixado) que referia Helena de Adiabene. Seria ela a mulher no túmulo? Após alguma pesquisa, parece-me possível que sim. Fica, então, o mistério resolvido.

O mito de Laodâmia e Protesilau

As figuras do mito de Laodâmia e Protesilau estão tão intimamente ligadas que me pareceria aqui injusto separá-las aqui:

 

Protesilau é famoso por ter sido o primeiro grego a sair dos navios, em Tróia, e como dizia uma profecia, foi também o primeiro a ser morto. A história poderia ter acabado por aqui, mas face ao grande amor que Laodâmia tinha por esse seu marido, pediu aos deuses que o deixassem ver uma última vez, por três horas, para se despedir dele. Os deuses permitiram-no, por razões desconhecidas, e com ajuda de Hermes Laodâmia pode ver Protesilau durante esse limitado tempo. Depois, passadas essas horas, suicidou-se, incapaz de viver sem o homem que tanto amava.

Higino, nas suas Fábulas, adiciona alguma informação ao mito, dizendo que Laodâmia viveu algum tempo com uma estátua do marido, após a morte deste, e que quando os familiares tentaram queimar a estátua, também a mulher se lançou às chamas, morrendo nesse seu derradeiro acto.

 

Este é, muito certamente, um dos mitos mais invulgares de que me consigo lembrar, por mostrar a figura de uma mulher e esposa tão fiel, tão ligada ao marido, que, como qualquer ser humano, anseia por ver um falecido uma última vez, desejar despedir-se dele. E, quando, por razões que nunca ficam muito claras, lhe é concedida essa oportunidade, compreende que esse último adeus não é suficiente, e acaba por morrer só para se poder juntar ao marido que tão profundamente amava.

 

Laodâmia é, nesse ponto, cada um de nós, quando confrontados com a morte de alguém que amamos. O que não daríamos nós, se tal fosse possível, para ter só um último momento com essa pessoa? O que faríamos, só para fitar os olhos do falecido, para lhe ouvir a ténue voz, uma última vez? Mas, tal como nos ensina este mito, mesmo que essa fosse uma real possibilidade, seria tão cruel e insuficiente para nós como o foi para a mulher do falecido Protesilau.