O mito nórdico de Yggdrasil

Na Mitologia Nórdica, Yggdrasil era o nome dado à árvore que constituía o eixo de todo o mundo. Como pode ser visto em muitas imagens disponíveis online (podem até ver um exemplo abaixo), este elemento natural do Yggdrasil ligava os nove mundos apresentados nessa mitologia, apresentado um importante papel em grande parte dos seus mitos.

Yggdrasil

Porém, também há que mencionar que esta curiosa palavra, Yggdrasil, é usada em muitos outros contextos nos nossos dias, e raramente em referência a esta gigantesca árvore. Contrariamente ao que sucede a elementos mitológicos como Excalibur, o famoso escudo de Atena, ou a Caixa de Pandora, cujas características são constantemente mantidas, este nome é usado para denominar os mais diversos objectos, frequentemente com características místicas, sem qualquer respeito pela sua função original.

Os Deuses Desconhecidos

Apesar de já não existir, hoje em dia, muita informação sobre aquilo a que podemos chamar os Deuses Desconhecidos da Antiguidade, ainda existem algumas coisas que podem ser aqui escritas sobre eles.

Uma espécie de deus desconhecido...

Diz-se que na antiga cidade de Atenas existia um templo dedicado ao Deus Desconhecido, i.e.  Agnostos Theos, no qual as figuras divinas que ainda não tinham um local de culto próprio no local podiam ser veneradas. Este local podia, ainda, ser usado para venerar a existência de deuses que a população desconhecia até então, impedindo-lhes que caíssem nos más graças dessas outras divindades, só porque os habitantes ainda nada sabiam sobre elas. Uma interessante referência a este recinto é feita nos “Actos dos Apóstolos”, capítulo 17, em que Paulo menciona este altar e o parece considerar como um local de culto para o deus que pregava.

 

Também em Roma Antiga existiam lugares de culto semelhantes a este, em que ainda hoje podem ser encontradas inscrições que mencionam a expressão “sei deo sei deivae“, i.e. “seja [a entidade venerada no local] deus ou deusa”, que denotam uma certa incerteza sobre os pormenores de uma determinada divindade.

Ainda assim, considero que o propósito deste local de culto é deveras curioso – ao venerarem um deus cujo nome ou características desconheciam, os Atenienses – e, mais tarde, também os Romanos, podiam preparar-se para a eventual existências de outros deuses, impedindo que sofressem qualquer tipo de penalização religioso tanto em vida como após a morte.

É talvez este o ponto fraco da sociedade de hoje, uma gigantesca intolerância religiosa, em que cada pessoa parece acreditar que a sua religião é a verdadeira, sendo todas as outras falsas e desprovidas de qualquer importância. Tal como os Antigos Gregos, também nós devíamos aprender a venerar os antigos Deuses Desconhecidos, numa tentativa de paz em que a religião não é um factor de discriminação mas sim um ponto de interesse, que deve ser partilhado por todos.

Recordar “Hercules: The Legendary Journeys”

Hoje lembrei-me desta interessante série, Hercules: The Legendary Journeys, a qual foi exibida na SIC há já uns bons anos. Apesar do enredo nem sempre ser baseado nos mitos associados a Herácles, apresentava detalhes que tornavam a série um espectáculo digno de ser visto, com aventuras que apelavam não só aos fãs de mitologia mas também a todos os espectadores em geral.

Para matar as saudades, aqui fica um vídeo do genérico da série:

O mito de Caco

O mito de Caco, que o une à grande figura de Héracles, tem um papel interessante na literatura grega e latina, já que pode ser considerado como o de uma figura que vai ganhando mais importância com o tempo.

Originalmente, na Mitologia Grega, este gigante era filho de Hefesto e aterrorizava a região onde hoje se situa a cidade de Roma. Contudo, quando este roubou parte do gado de Gérion (ou Gerião), que Héracles estava a transportar para outro local como parte de um dos seus famosos trabalhos, o herói acabou por encontrá-lo e matá-lo.

Caco a ser vencido por Hércules

Assim, este poderá parecer um mito simples e breve, mas se na versão mais popularizada entre os Romanos toda esta história se mantém, também é acrescentando um papel mais importante a Caco, em que ele até passa a ser considerado como um deus regional do fogo, além de associado de uma forma ainda mais directa à capital do Império Romano e profusamente venerado entre esse povo.

O mito de Adónis

O mito de Adónis, talvez um dos mais famosos de entre os Gregos, narra uma simples ligação desta figura mitológica com uma possível crença na existência de uma vida após a morte. Infelizmente, ao mesmo tempo este também é um daqueles mitos assolados por muitas versões diferentes, que apenas mantêm um traço principal. Por isso, segue-se um pequeno resumo do mito, mas que também tenta evitar os pontos mais conflituosos abrangidos pelas diversas versões.

Adónis e o javali

Após o nascimento, Adónis foi recolhido por Afrodite. Esta deusa do amor, encantada com a enorme beleza do jovem, teve depois de o enviar para o reino de Hades , no qual também Perséfone passou a admirar a beleza deste.
Incapazes de escolher com quem ficaria o jovem, que aqui parecia não ter opinião própria, ambas as figuras divinas decidiram consultar Zeus. O deus dos deuses decidiu então que ele passaria quatro meses com cada uma das deusas, tendo também um terço do ano para si próprio.
Com ciúmes , um outro habitante do Olimpo enviou um javali, que viria a matar Adónis. Do sangue deste jovem nasceria uma nova flor, a Anémona , e um rio.

Apesar de relativamente simples nesta sua forma muito basilar, este mito apresenta-nos uma crença significativa na existência de vida após a morte. O jovem Adónis, ao ter a possibilidade de ir ao submundo e voltar por diversas vezes, demonstra-nos a possibilidade da morte e reencarnação cíclica do ser humano, mas também nos recorda outros mitos muito mais antigos, como aquele em que a deusa Ishtar desceu ao submundo pelo seu amado Dumuzid. É até provável, mas não completamente certo, que o mito grego desta figura seja uma transposição para a cultura dos Gregos dessa famosa história da Mesopotâmia, mas isso já será um tema que, apesar de fascinante, terá de ficar para um outro dia.