As 7 Maravilhas do Mundo Antigo

Confesso que tinha um artigo sobre a Mitologia Egípcia planeado para hoje mas, no espírito das “Novas 7 Maravilhas do Mundo”, resolvi escrever um artigo sobre as já desaparecidas maravilhas, até porque um criança de 10 anos faria melhor trabalho do que aquele que foi apresentado na televisão portuguesa.

Após pensar bastante no assunto, achei que não me seria correcto fazê-lo sem deixar bem clara a minha posição em relação ao evento de hoje, pelo que tentarei ser breve:

Deixando isto de uma forma muito clara, uma tal eleição é simplesmente ridícula. É, a meu ver, impossível comparar o Coliseu de Roma, um edifício com mais de 1500 anos, com o  Castelo Neuschwanstein ou a Estátua da Liberdade, monumentos com menos de 200 anos. Tais escolhas remetem-se a meras formalidades, possivelmente dadas para promover um ou outro monumento.
Sinceramente, será que algum Americano vai escolher as Estátuas da Ilha da Páscoa em detrimento da Estátua da Liberdade? Duvido!
Será que os habitantes do Camboja, grande parte dos quais nem deve saber o que é um computador, virá à internet para votar em Angkor Wat , ou seja no que for? Duvido!
Cristo Redentor? Bem, se é para votar nesse monumento, porque não se vota no tão lisboeta Cristo-rei ?
Claro que compreendo os benefícios de uma votação online, mas nem toda a gente tem computador, discriminando todos aqueles que, apesar da sua cultura, intelecto ou interesse, não têm acesso a meios para nela votar…
Para acabar este “desabafo”, quero deixar uma crítica ao programa em questão: se eu quisesse palhaçada, ia ao circo. Num evento com esta importância (….) esperava ver mais informação sobre cada uma das Maravilhas, em detrimento de ouvir a Shakira , a “Tia Amélia” ou algum cantor que vendeu alguns discos a tentar ganhar a vida. Ainda para mais, um evento que misture o Cristiano Ronaldo com o  Neil Armstrong só tem um adjectivo para o classificar: ridículo!

Agora, indo ao que realmente importa, um artigo sobre as Sete Maravilhas do Mundo. Devo dizer que esta lista nunca foi votada, aparecendo inicialmente no trabalho do grego Antípatro de Sídon . Existe alguma informação sobre a existência de outras listagens realizadas na Antiguidade, mas infelizmente as suas componentes estão hoje perdidas.

O Colosso de Rodes, estátua de cerca de 30 metros de altura, adornava o porto da famosa cidade. Diz-se que esta estátua de Hélios era feita de bronze, apresentava numa das mãos uma tocha que servia de farol e estava situada acima da entrada para o porto, pelo que todos os barcos teriam de passar por baixo das pernas do deus.
Apesar da sua grandiosidade, esta estátua foi destruída por um terramoto menos de 100 anos após a conclusão da sua construção. Quanto aos seus vestígios, diz-se que foram vendidos a mercadores árabes, pouco tempo tempo após esta catástrofe.

A Estátua de Zeus em Olímpia era, de acordo com as descrições, uma figura com cerca de 12 metros de altura, feita de ébano e marfim. De acordo com as descrições, olhar para uma tal estátua fazia os mortais esquecerem todos os seus problemas, o que poderá ser uma interessante prova da sua beleza.
Tal como sucederia a muitos outros templos, também este teria todo o seu conteúdo destruído. Não se sabe as circunstâncias exactas, com grande parte dos autores a admitirem que pode ter sido destruída pelos cristãos, de modo a garantir um maior afastamento das religiões pagãs.

O Farol de Alexandria, com uma estrutura de cerca de 130 metros e cuja luz chegava a uma distância de mais de 50 Km , estava situado na ilha de Faros, perto do Egipto.
Por volta do ano 1350 d.C. a estrutura seria vítima de um terramoto, que eventualmente conduziria à sua destruição.

Os Jardins Suspensos da Babilónia, localizados no actual Iraque, eram um interessante complexo de terraços que apresentava os mais belos jardins da Antiguidade, apesar de ter sido construído no meio de um deserto. Infelizmente, pouco mais se sabe sobre os mesmos, até porque as provas da sua existência se remetem a documentos antigos.
Foram destruídos na sequência de um terramoto, por volta do século 1 a.C.

O Mausoléu de Halicarnasso (ou Mausoléu de Mausolo ) era um gigantesco túmulo feito para o falecido Mausolo pela sua mulher, Artemisia . Estava decorado com motivos da mitológicos grega em toda a sua extensão e, segundo reza a lenda, foi concluído mesmo após a morte da própria Artemisia , pelo que se tornaria não só um monumento aos dois amantes (como viria a acontecer , séculos mais tarde, com o Taj Mahal ) mas aos próprios construtores.
Situado na actual Turquia, foi destruído por um terramoto por volta do ano 1500 d.C., tendo os seus restos sido usados para a construção de outros edifícios. Hoje em dia os seus vestígios resumem-se a algumas pedras a assinalar o local.

Sobre a Pirâmide de Guiza, Guizé ou Quéops (entre outros nomes), não há muito que se lhes possa dizer. Como é óbvio, ainda por lá estão e podem ser facilmente visitadas, pelo que existe extensa informação sobre a mesma.

O Templo de Ártemis, situado na actual Turquia, era um dos maiores templos Gregos. Originalmente consagrado à famosa deusa da caça, apresentava mais de uma centena de colunas de uma altura mítica e uma lindíssima estátua da deusa. Segundo os relatos da época, o magnífico templo dava a sensação de chegar aos céus, sendo considerado por alguns como a mais bela de todas as Maravilhas.
Após sobreviver a séculos de conflitos, e por estranho que pareça, este templo foi destruído por um único homem, que em busca de fama eterna lhe pegou fogo. Assim, hoje em dia só os vestígios de uma única coluna do templo podem ser vistos no local.

É interessante constatar o destino geral destas Maravilhas – quatro delas foram destruídas por terramotos, duas pelo ser humano, e uma ainda subsiste, no seu deserto de sempre…

Informação importante sobre o passado, presente e futuro deste espaço

Já há algum tempo que pensava anunciar esta alteração, mas hoje tive finalmente tempo e disposição para tal. Como é fácil constatar, este blog começou por ser uma mera compilação de informação sobre figuras mitológicas, retiradas de outros locais. Contudo, nos últimos tempos isso deixou de acontecer, por uma razão que será explicada em seguida.

Se um qualquer leitor quiser ler sobre mitos como o de “Eros e Psique”, os Trabalhos de Hércules ou mesmo sobre as aventuras de Teseu , existem os mais diversos sites e livros aos quais pode recorrer. Por exemplo, uma simples pesquisa por “Psique” revela dezenas de links diferentes, e este é um dos mitos que é usualmente desenvolvido em muitas obras relativos aos mitos greco-romanos.

Assim sendo, eu acho que não há muito interesse em estar a escrever sobre temas que já estão talvez demasiado abordados. Claro que continuarei a escrever sobre os mitos gregos, egípcios e nórdicos, mas de uma perspectiva que considero mais interessante, ao apresentar não só as suas histórias mas também análises e possíveis interpretações das mesmas, tal como já tem vindo a acontecer nos últimos artigos.

É óbvio que quaisquer mitos ou pedidos de informações serão tratados como anteriormente, mas aparte desses casos pontuais, acho que é certamente mais interessante dedicar este espaço a conteúdos que são mais infrequentes neste género de espaço. Caso alguém discorde desta minha mudança, é obviamente livre de a expressar, e eu tomarei em conta qualquer comentário.

O que é um mito?

O que é um mito, afinal de contas?

Outro dia dei por mim a pensar na impossibilidade de efectuar uma divisão temática da Mitologia Greco-Romana. É claro que existem, em termos gerais, infinitas divisões possíveis de seguir, mas não me ocorre nenhuma que permita uma cisão mais geral, possibilitando a colocação de um qualquer mito numa categoria de um pequeno universo. Tais pensamentos levaram-me a uma discussão interna sobre o que é, efectivamente, um mito, e como se poderá defini-lo … mas, na verdade, o que é um mito?

Segundo o Dicionário Online de Língua Portuguesa, o mito é narrativa fabulosa transmitida pela tradição, referente a deuses que encarnam simbolicamente as forças da natureza, os aspectos da condição humana. Tal definição é claramente consistente com os mitos de Narciso, de Baúcis e Filémon ou mesmo de Pigmalião, entre muitos outros. Contudo, levanta um enorme problema, ao impedir que a vida de Hércules, enquanto história conexa e simples ligação de diversos episódios, seja considerada como um mito. A Guerra de Tróia, por exemplo, partilharia desse mesmo problema.

De acordo com uma outra definição, mito é tradição que, sob a forma de alegoria, simboliza um facto natural, histórico ou filosófico, algo que considero um pouco fiável.

Contudo, ambas as definições aqui presentes nos levam a uma palavra chave – tradição. Sem a correcta interpretação desta, um qualquer leitor contemporâneo poderia culpar Zeus por um raio que atinja a árvore em frente de sua casa, historieta que poderia ser considerada, ironicamente, um mito. Assim, entende-se a impossibilidade de considerar um qualquer texto escrito nos dias de hoje como um mito, mesmo que inclua conteúdos similares aos dos textos antigos. Recorrendo ao dicionário anteriormente citado, tradição é conhecimento ou prática que provém da transmissão oral ou de hábitos inveterados.

Voltando à questão inicial, o que é efectivamente um mito? Citando Fernando Pessoa no seu poema Ulisses, “O Mito é o nada que é tudo”.

O que é um mito?!

A morte da Mitologia Greco-Romana e a Ascensão do Cristianismo

De uma forma estranha, devo admitir que este é um tema que me fascina. Contrariamente ao que sucedia na Mitologia Nórdica, com o Ragnarök, e ao carácter cíclico da Mitologia Egípcia, a ausência de um final na Mitologia Greco-Romana é um pouco enigmática.

Em diversos mitos, alguns dos quais já foram por cá referidos, era mencionada a morte ou queda de Zeus. Apesar de um tal evento jamais ter ocorrido, é um pouco triste o final que esta mitologia viria a ter. Nenhum mito narra o seu improvável final, mas é hoje fácil de entender o que realmente se passou.

Séculos após o aparecimento de Zeus e das outras entidade gregas, o Cristianismo teria o seu advento. Seguindo a trama já explicitada em artigos anteriores, existiu uma adopção gradual de alguns símbolos greco-romanos por parte da nova religião, com figuras como Apolo a serem associadas a Cristo.

Contudo, esta modificação vai muito mais longe. Muitos outros aspectos Greco-romanos seriam adoptados pela nova religião que, ao ter elementos em comum com as anteriores, teria a sua disseminação facilitada para a propagação ao longo da Europa. Assim, e de uma forma inesperada, é possível entender algumas semelhanças entre Moisés e Poseidon. O próprio Cristo pode ser visto como uma fusão entre Dioniso e Perséfone, com a associação ao vinho e ao pão a ter relação directa com os mitos de ambos. É ainda possível que os Mistérios de Elêusis, bem como os cultos a Dioniso e muitas outras divindades, estejam directamente ligados à origem do próprio Cristianismo. Infelizmente, os registos a esses cultos encontram-se hoje perdidos, permitindo-nos pensar que poderá lá existir mais do que a história hoje narra.

No entanto, tais hipóteses levariam a uma curiosa hipótese, a da inexistência de Cristo, ou mesmo um exagero dos dons do mesmo, assunções que são impensáveis para as sociedades modernas. Uma interessante hipótese, que talvez valesse a pena debater…

O Mito das Cinco Idades

O Mito das Cinco Idades, constante numa das obras de Hesíodo, é dos mais famosos da Mitologia Grega. Simplificadamente, bastante tempo após génese a dos deuses gregos viria a ser criada a humanidade. Numa das versões, esta seria concebida por Prometeu e Epimeteu, que criaram os seres humanos à sua imagem, usando barro. Segue-se então um resumo do mito, que escrevi há já uns bons meses.

O mito das Cinco Idades

A primeira das cinco idades, denominada “Idade de Ouro”, teve lugar durante o reino de Cronos (ou Saturno). Nessa altura, os humanos viviam entre os deuses e morriam durante o sono, de forma pacífica e sem qualquer espécie de temores.
Quando Zeus passou a ser o rei do Olimpo, atingiu-se a “Idade de Prata”, em que os humanos viviam 100 anos sob a forma de crianças, antes de envelhecerem rapidamente e morrerem. Era uma geração mais impiedosa que os seus predecessores e, por vezes, desrespeitavam os deuses, pelo que Zeus decidiu extinguí-los.
Depois, seria este deus a criar uma nova casta, na chamada “Idade de Bronze”. Nesse momento, os humanos limitavam-se a guerrear, utilizando as suas armas feitas de bronze, acabando por se matar uns aos outros.
De acordo com algumas versões, seguiu-se a “Idade dos Heróis”, em que os heróis e os semideuses viveram. Há que ter em conta que esta Idade nem sempre é considerada na contagem, o que reduz o seu número para quatro, segundo alguns autores.
Finalmente, surgiu a “Idade do Ferro”, em que a degradação da humanidade estagnou. Os humanos passaram a temer os deuses e apesar de tal situação nunca ter vindo a acontecer, dizia-se que esta raça também iria ser destruída por Zeus, numa altura em que os bebés nascessem com cabelo cinzento.

Apesar desta versão não nos falar exactamente do momento em que a humanidade nasceu, deixa-nos entender a criação do Homem à imagem de deus, algo que o Cristianismo e muitas outras religiões antigas professavam. Tendo em conta a sequência aqui seguida, seria não só possível justificar as imperfeições a que toda a humanidade estava sujeita, bem como também explicar a ausência de povos lendários, como os Hiperbóricos ou os habitantes dos jardins das Hespérides.
A “Idade dos Heróis”, possivelmente uma adição tardia ao mito, seria importante para explicar a ausência de criaturas míticas e heróis lendários na época em que esses Gregos viviam. Assim, seria compreensível o desaparecimento dos Ciclopes e dos Centauros (entre muitas outras figuras), bem como a ausência de Circe, Atlas e figuras similares.

Um tal Mito das Cinco Idades não deve obviamente ser encarado como verdadeiro, mas é uma história certamente interessante.