Pouco se sabe sobre Semónides de Amorgos (que não deverá ser confundido com o, mais famoso, Simónides [de Ceos]), excepto que entre os poucos fragmentos que dele nos chegaram se conta um poema Contra as Mulheres. Nele, o autor equipara jocosamente diversos tipos de mulheres a diversos animais. Termina o seu poema, na forma em que o temos hoje e que até poderá não ser o final original, dizendo algo como:
Cada homem irá elogiar activamente a sua própria
E culpar a mulher do próximo; mas não vemos
Que todos partilhamos esta pobre sorte.
Pois Zeus fez desta a maior de todas as dores
E fechou-nos numa corrente forte como ferro,
Para nunca ser quebrada,
Desde aquele dia em que Hades abriu os seus portões
A todos os homens que lutaram a guerra daquela mulher.

É para nós um pouco chocante, essa ideia da mulher como destruidora do homem, mas também era uma ideia bastante repetida nas mais diversas obras da Antiguidade – temos a Eva cristã, que levou à expulsão do Paraíso, mas também figuras como Pandora (representada acima), e Helena, esposa de Menelau, aqui criticada no último verso. Por isso, por muito ofensivo que esse poema (hoje) nos possa parecer, devemos é interpretá-lo como um sinal dos seus tempos, e de quanto a cultura europeia foi mudando ao longo dos séculos.
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin "O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos.jpg)




