Se anteriormente já cá falámos de Monteiro Lobato e do Saci, achámos que hoje seria apenas justo que falássemos também do Sítio do Picapau Amarelo, uma série de literatura fantástica que é também da sua autoria. Ela é muito famosa no Brasil, ainda nos dias de hoje, mas em Portugal quase que é apenas recordada em virtude de uma série de televisão infantil, com imagem real, que deu na televisão há uns anos (já lá voltaremos). Então, para a escrita desta página de hoje, decidimos comprar um dos livros de Monteiro Lobato – a obra Reinações de Narizinho, Edição de Luxo – com onze histórias da conhecida colecção brasileira e ver onde isso nos levava.

De uma forma um tanto ou quanto irónica, face ao tema do espaço que aqui conduzimos, a Cuca, o Saci e a Mula Sem Cabeça nem aparecem em nenhuma das histórias da obra que comprámos… porém, o que não deixámos de encontrar nas linhas deixadas por Monteiro Lobato foi um conjunto de histórias que são muito apropriadas não só para crianças como também para adultos, e em que os níveis de leitura dos dois públicos se entrelaçam de uma forma que, em dados momentos, não pode deixar de fazer toda a gente rir.
Por exemplo, numa dada altura, Narizinho, que é uma das personagens principais, diz às suas familiares mais velhas que aceitou um pedido de casamento do Príncipe dos Peixes. Elas insurgem-se contra a ideia, não pela idade da criança (que devia ter mais ou menos uns 10 anos nessa altura?), mas pela dificuldade que seria ter um genro peixe, ou até porque poderiam, sem querer, acabar por fritar um dos seus próprios netos (e, na verdade, uma personagem do reino dos peixes até acaba frita por acidente).
Nestas histórias existem alguns momentos para rir, outros mais tristes, uns para os pais (que criança dos nossos dias conhecerá o “Cavaleiro da Triste Figura”?), e outros para os filhos (que traquinices fariam eles com uma varinha de condão?). Mas, de uma forma geral pareceram-nos histórias bastante bonitas, um misto de realidade e fantasia que entrelaça mitos, lendas e famosas histórias de ficção com criações totalmente originais por parte do autor. Mereciam estar mais divulgadas neste lado do oceano, essas aventuras de personagens do Sítio do Picapau Amarelo como as que podem ser vistas naquela imagem ali em cima – respectivamente o Saci, o [Marquês de] Rabicó, a Emília, a Narizinho, o Pedrinho, a Dona Benta, o Tio Barnabé, o Visconde de Sabugosa, e tantos outros…
Bem, mas, para terminar, acima referimos uma série de televisão do Sítio do Picapau Amarelo que deu em Portugal. Aqui fica o seu primeiro episódio, para quem a quiser recordar dos tempos de infância. Para quem gostar deste, os restantes episódios também podem ser vistos no mesmo canal do Youtube, de uma forma completamente gratuita!
(E não, frise-se que não recebemos um cêntimo por nada do que está escrito ou apresentado aqui)
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos-300x199.jpg)





Maurício de Sousa também pode ser uma excelente fonte de informação. A personagem Chico Bento lida com o Saci, com a Cuca, com a Mula Sem Cabeça, e até o Sucupira aparece de quando em vez.
São meus amigos de infância. Pedrinho, Narizinho, Emília, Vó Benta, Visconde, Nastácia e a Cuca também.
Eu sempre preferi o Jotalhão, os meus colegas não sei. Mas sim, recordo-me que essas personagens aparecem em algumas das histórias da “Turma da Mónica”. O grande problema nessa outra fonte, como nesta, é distinguir onde começam as invenções do autor e onde termina a parte mitológica “real” da cultura brasileira. Até existem gibis da Mónica sobre os Trabalhos de Hércules!
Falei especificamente do Chico Bento porque estas personagens são frequentemente evocadas cf a tradição oral – a forma de apanhar o Saci, o que fazer perante o Sucupira, … além disso, nas histórias em que entram nota-se a construção em torno da personagem, a personagem (e suas características) não é apenas mais um elemento usado na história (a Cuca do Sítio do Picapau Amarelo é, entra na história como elemento adjuvante – quase sempre a vilã, desempenhando papel em histórias que, segundo a tradição, lhe são alheias)
Atenção, que cresci com ambos os Sítios, o do Pica-pau da Vó Benta e o da roça do Chico Bento (cujo nome foi, segundo li há muito, uma homenagem a Monteiro Lobato). E não prefiro um sobre o outro 🙂
Hum… pois, disso já não nos lembramos. Fica prometido que iremos explorar o tema um dia destes.
Há pouco respondi, mas penso que terá seguido como anónimo. Serei desconhecida, mas não anónima 🙂
Que bom foi recordar o Sítio do Picapau Amarelo e todo o imaginário de Monteiro Lobato…
Obrigada pela partilha!
De nada, é para isso que aqui estamos! Agora, vamos partir em busca das histórias em que ele fala da Cuca e do Saci…
Ond posso ler isto???
Estes livros não estão disponíveis legalmente online. Para os comprar pode tentar numa livraria mais próxima, ou tentar encomendá-los pela internet, mas não achamos correcto recomendar nenhuma edição específica.
Monteiro Lobato era muito mais que um escritor, era um visionário nacionalista que descobriu que o Brasil tinha petróleo em abundância.
Critico do movimento modernista brasileiro tem em “Urupês”, obra publicada originalmente em 1918, reúne ao todo 14 contos, é uma coletânea de contos e crônicas do escritor brasileiro, considerada sua obra-prima. Inaugura na literatura brasileira um regionalismo crítico e mais realista do que o praticado anteriormente, durante o romantismo. A crônica que dá título ao livro traz uma visão depreciativa do caboclo brasileiro, chamado pelo autor de “fazedor de desertos”, estereótipo contrário à visão romântica dos autores modernistas.
Não sabíamos, até porque o autor em questão não é muito famoso em Portugal… mas fica prometido que iremos ler essa outra obra que mencionou!