Sobre o filme “Tróia”, com Brad Pitt

Sobre o filme Tróia, em que Brad Pitt faz de Aquiles, só queria aqui deixar um comentário, visto já alguém o ter referido nos comentários. É o seguinte, eu sinceramente achei algum interesse no filme, nomeadamente por terem tentado condesar algo que demorava mais de 10 anos num filme de menos de 3 horas… no entanto, eles certamente cortaram bastantes coisas da história, algumas das quais certamente iriam ter bastante interesse para as pessoas que fossem ver o filme. Além das diversas razões que me levaram a não apreciar totalmente o filme foi o corte de todas as menções à mitologia clássica, mas apartir do filme dificilmente se entenderia que a mãe de Aquiles era uma deusa. Também, será que este era realmente imortal (excepto para o seu fatídico calcanhar)? Não parece, nada no filme inclina para isso…

 

Certamente que na própria Ilíada é dado bastante relevo á personagem de Aquiles, mas daí até o converterem num super-herói, que luta contra os mais diversos monstros (leia-se o gigantesco adversário que este confronta no início do filme…) e os vence a todos ainda vai algum espaço. Também, onde está Filoctetes e os outros heróis que tiveram papéis não muito importantes? E ainda mais importante, que é feito de todos os importantes deuses que interviram na guerra? Quer dizer, no filme eles referem que Apolo se iria certamente vingar de Aquiles devido á conduta deste, mas é-nos dada alguma pista sobre o morte do herói? Nem por isso, as pessoas a quem eu perguntei disseram que ele tinha morrido porque tinha levado bastantes flechadas…

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5 comentários em “Sobre o filme “Tróia”, com Brad Pitt”

  1. Caríssimo, o filme é BASEADO na “Ilíada”, não é a transposição da obra para a tela. Caso o fosse, chamar-se-ia “Ilíada” e não “Tóia”. Acho que, a partir do título, depreende-se logo que não se pretendeu fazer um filme sobre deuses e criaturas fantásticas (talvez por isso tenham deixado Cassandra de fora, uma personagem que tive pena de não ver). “Tróia” é, acima de tudo, um filme sobre a guerra, a paixão, a entrega; daí a visão mais mudana e humanizada de todo o contexto da grande guerra. O facto de advir de uma epopeia mitológica não implica que tenha de a abordar apenas por esse prisma. Não é um filme propriamente lacónico; simplesmente mostra as partes que mais interessaram ao relaizador. Cada um tem a sua percepção da obra.
    O Mel Gibson, em todo o seu fervoroso catolicismo, poderia ter feito um filme sobre os ensinamentos fundamentais de Cristo e a pessoa que Ele foi. Mas não; focou as Suas últimas 12 horas e o martírio por que passou. Por isso é que lhe deu o nome “A Paixão de Cristo”. Ora, não é paixão um sinónimo de sofrimento?

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  2. O facto de não ter sido explicado que Aquiles tinha um calcanhar vulnerável porque a sua mãe não se lembrou de usar a outra mão é completamente irrelevante. Dar uma aula de cultura geral aos que ignoram a origem do nome do tendão que rege a maior parte dos exercícios em pontas – hehe, dancer talk – não era certamente a intenção do Sr. Petersen. Como foi dito no comentário acima, o filme não é uma transcrição cinematográfica da obra de Homero; é uma abordagem, uma perspectiva, que foca os elementos mais humanos, menos fantasiados. Quem não gosta põe na borda do prato. 😛

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