The Dream of the Rood, que poderia ser traduzido/adaptado para o nosso português como O Sonho da Cruz, é um poema medieval provindo de Inglaterra, e que até tem alguns dos seus versos gravados numa cruz desse país, a chamada Ruthwell Cross, que pode ser vista na imagem abaixo – tenha-se especialmente em atenção o texto gravado nos lados esquerdo e direito das representações pictóricas.

Mas de que fala este Dream of the Rood? Tem uma trama muito simples – um homem, de identidade desconhecida e que até poderá ser o poeta, adormece e nos seus sonhos aparece-lhe a famosa cruz em que Jesus Cristo foi crucificado. Isto pouco ou nada teria de especial, num contexto de sonhos, não fosse o facto de neste poema a cruz ter a capacidade de falar. Assim sendo, ela conta ao sujeito poético, numa espécie de estranha primeira pessoa, as aventuras por que passou, desde que foi cortada de uma floresta (presume-se que não tenha sido do Paraíso, como conta outra história desta “Vera Cruz”), passando pelo momento em que o Filho de Deus foi crucificado nela, a forma como foi redescoberta (por Santa Helena?), e acabando por profetizar o que irá acontecer no final dos tempos.
Em suma, este breve Dream of the Rood é um poema simples, com pouco mais de 170 versos, mas merece ser mencionado por cá em virtude da estranha história que nos preserva, em que é até a própria cruz que nos conta as suas aventuras. Se essa ideia não é completamente nova – relembre-se que a cruz de Cristo já tinha uma breve fala no Evangelho de Pedro – ela é aqui utilizada de uma forma particularmente interessante, recordando o cerne da mensagem cristã através do mesmo instrumento que levou à morte glorificadora de Jesus Cristo.
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin "O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos.jpg)




