Ugetsu Monogatari, de Ueda Akinari, foi uma obra escrita no século XVIII no Japão. O que ela tem aqui digna de nota é que se trata de uma compilação de histórias com elementos fantásticos. Raramente são assustadoras, no sentido que hoje damos a essa palavra na cultura ocidental, mas são relativamente curtas e têm o seu charme, já que nunca se sabe o que vai acontecer a seguir.

Podemos dar dois pequenos exemplos de histórias deste Ugetsu Monogatari. Numa delas, um homem faz uma promessa a outro, a uma pessoa que o ajudou bastante quando ele mais necessitava. Depois, completamente incapaz de a cumprir num sentido físico, deixou-se morrer e conduziu o seu espírito ao antigo ajudante, mostrando-nos que nem a própria morte tem o poder de parar aqueles que são honestos nas promessas que fazem aos outros.
Numa outra, de título Himpuku-ron, é apresentado um homem que parecia ter uma enorme paixão pelo ouro. Assim, numa dada noite o deus do ouro apareceu-lhe e, juntos, tiveram um debate sobre a verdadeira essência da riqueza e da pobreza. O que não soa muito aventuroso, mas capta bem o que já referimos antes, o carácter muito único de toda a compilação, em que nem sempre as personagens do costume saem vitoriosas.
Será que vale a pena, este Ugetsu Monogatari, de Ueda Akinari? É, sem qualquer dúvida, uma obra interessante para quem gosta de histórias curtas, até porque já existe em tradução inglesa, e permite ao leitor conhecer um conjunto de estratégias de composição de histórias muito infrequentes na cultura ocidental, em que se espera demasiadas vezes um andamento e desfecho previsíveis.
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin "O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos.jpg)




