Uns versos gregos entregues a Dom Sebastião

O tema de hoje, de uns versos gregos que outrora foram entregues ao rei Dom Sebastião, têm uma breve história por detrás deles. Eles encontram-se atestados entre as muitas anedotas – no sentido de breves histórias – da história de Portugal encontradas em diversos manuscritos do nosso país, e que neste caso em particular foram coligidas pelo Professor José Hermano Saraiva. Segundo a fonte em questão, os versos abaixo foram encontrados em Grego num monte da ilha do Chipre e depois enviados para Dom João III, cuja esposa posteriormente os entregou ao nosso “Desejado“. Eles continham as seguintes palavras, uma espécie de recomendação que o falecido deixava àqueles que vieram depois dele:

— O que pude fazer por bem, nunca o fiz por mal;
— O que pude alcançar com paz, nunca o tomei com guerra;
— O que pude vencer com rogos, nunca o espantei com ameaças;
— O que pude remediar em segredo, nunca o castiguei em público;
— Os que pude emendar com avisos, nunca os castiguei com açoites;
— Nunca castiguei em público, o que primeiro não avisasse em segredo;
— Nunca consenti à minha língua que dissesse mentira; 
— Nunca permiti a meus ouvidos que ouvissem lisonjeios;
— Refreei meu coração, para que não desejasse o alheio, e acabei com ele que se contentasse com o seu próprio;
— Velei por conservar os meus amigos, e desvelei-me por não ter inimigos;
— Não fui pródigo em gastar, nem tive cobiça em receber;
— Nunca de coisa fiz castigo, q não perdoasse quatro;
— Do que castiguei tenho paixão, e do q perdoei alegria;
— Nasci homem entre os Homens, portanto comem os bichos as minhas carnes;
— Vivi virtuoso com os virtuosos, portanto descansará a minha alma com Deus.

Parecem palavras que continuam a ser apropriadas para estes dias de hoje, sobre a forma como todos nós devíamos viver as nossas vidas…

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