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Henriqueta Emília da Conceição e Sousa, nascida na cidade do Porto no ano de 1840, é uma figura complexa, na medida que as circunstâncias da sua vida estão hoje envoltas num misto de realidade e mito. Sabemos que foi órfã, que foi violada quando ainda era criança, e que posteriormente se dedicou aos roubos, à prostituição, e a outros ilegalidades, dando origem a um conjunto de circunstâncias a que alguns romances da época muito vieram a adicionar. Quando ainda não tinha sequer 30 anos, apaixonou-se por uma mulher de nome Teresa Maria de Jesus, que viria a falecer em 1868. E aqui começa a história de hoje.

 

Com o falecimento de Teresa, Henriqueta viu-se envolta no maior sofrimento. Não sabia como viver sem a "amiga". Chorava, lamentava-se, sentia-se incapaz de continuar a viver. Então, decidiu mandar construir-lhe um túmulo digno, ainda hoje adornado com uma belíssima estátua de São Francisco.

(C) Nils Pickert 2016

Restava a transladação do corpo. Henriqueta seguiu todos os trâmites legais, até ao dia da deposição da falecida na nova campa. Porém, quando foi altura do novo enterro, pediu para ficar alguns momentos a sós com a amiga, de forma a se poder despedir com maior emoção. Depois, só e face ao cadáver, arrancou-lhe a cabeça e levou-a. E, durante algum tempo, viveu com a cabeça da sua amada na sala de sua casa, colocando-a à mesa, beijando-a, falando até com ela, como se de uma pessoa viva ainda se tratasse.

 

Mais tarde foi apanhada neste seu crime, mas não sofreu qualquer pena de maior - tratava-se, segundo o juíz, de um crime de amor, da simples loucura e desespero de uma mulher muito apaixonada. Diz-se que a cabeça do cadáver foi posteriormente devolvida à sua proveniência, mas contrariamente aos desejos de Henriqueta não vieram a partilhar um mesmo túmulo na eternidade. E, por isso, duas noites por ano é ainda possível ouvir nesse cemitério o triste lamento de Henriqueta por Teresa...

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