Algumas curiosidades dos Reis de Portugal!

Ao longo dos anos já muito aqui foi falado sobre os reis de Portugal, desde os seus cognomes até algumas das suas histórias hoje pouco conhecidas (como a do castigo do bispo). Porém, quem tiver estudado as suas desventuras ao longo dos séculos também já terá encontrado, aqui e ali, algumas outras histórias verdadeiramente caricatas. Aqui ficam algumas delas:

Algumas curiosidades dos Reis de Portugal

D. Afonso Henriques

 

    1. Medo de galinhas – O primeiro rei de Portugal tinha um medo inexplicável de galinhas. Acreditava que elas traziam má sorte, e então evitava ter qualquer contato com elas.

       

 

    1. Espada imbatível – Reza a lenda que a “Espada de Afonso” era tão pesada que ninguém, além dele, poderia ergui-la. Se existem reproduções, a espada verdadeira apenas foi encontrada recentemente na Sé de Braga.

       

 

    1. Excomunhão secreta – Documentos perdidos sugerem que D. Afonso Henriques teria sido excomungado pelo Papa, mas essa carta foi misteriosamente retirada dos arquivos do Vaticano.

       

 

 

D. Sancho I

 

    1. Canhoto disfarçado – Sancho I era canhoto, mas devido às normas da época treinou-se para ser destro, adoptando uma postura diferente da sua natureza.

       

 

    1. Coleção de pedras raras – O rei colecionava pedras de todas as localidades que visitava e algumas ainda podem ser encontradas em arquivos antigos.

       

 

    1. Um mapa secreto do Algarve – Há uma teoria de que D. Sancho I escondeu um mapa secreto indicando planos de expansão do reino para o sul, que nunca foram levados a cabo.

       

 

 

D. Afonso II

 

    1. Alergia a tinta – D. Afonso II tinha uma reação alérgica severa à tinta utilizada na época, o que o obrigava a assinar documentos de forma indireta, utilizando um assistente.

       

 

    1. Visões místicas – Relatos históricos afirmam que o rei teria tido visões proféticas, especialmente sobre a destruição de Lisboa, que coincidem com o grande terramoto e incêndio de 1755.

       

 

    1. O figo fatal – Alguns historiadores acreditam que a causa da morte do rei foi o consumo excessivo de figos secos, devido ao seu vício por essa iguaria.

       

 

 

D. Sancho II

 

    1. Dormia de olhos abertos – De acordo com os relatos dos seus servos, o rei sofria de um raro distúrbio do sono e frequentemente dormia com os olhos abertos, o que assustava a corte.

       

 

    1. Fuga disfarçada – Quando foi deposto, D. Sancho II fugiu disfarçado de camponês, escondido numa carroça carregada de feno.

       

 

    1. Castelo de Leiria e o túnel perdido – Existe uma lenda de que o Castelo de Leiria escondia um túnel secreto, que ligava a fortaleza à igreja local, mas esse túnel nunca foi encontrado.

       

 

 

D. Afonso III

 

    1. Anões e gigantes na corte – D. Afonso III mantinha uma coleção de pessoas de estaturas extremas, incluindo anões e gigantes, para entreter a corte real.

       

 

    1. Primeiro rei a usar lentes – Embora os óculos como os conhecemos hoje não existissem, há registros históricos que sugerem que D. Afonso III usava lentes rudimentares para leitura.

       

 

    1. Tesouro enterrado em Tavira – Diz-se que o rei escondeu uma fortuna de ouro na cidade de Tavira, que nunca foi encontrada, apesar das várias tentativas de escavações.

       

 

 

D. Dinis

 

    1. Conversava com as árvores – D. Dinis, também conhecido como o “Rei Poeta”, passava horas no futuro Pinhal de Leiria, acreditando que as árvores lhe falavam ao vento.

       

 

    1. Código secreto nos seus poemas – Escrevia poemas que, à primeira vista, pareciam inofensivos, mas escondiam mensagens políticas secretas sobre a corte.

       

 

    1. O túmulo misterioso – Durante uma investigação arqueológica em 1938, os pesquisadores encontraram sinais de que o caixão de D. Dinis havia sido mexido do seu local original, sem explicação aparente.

       

 

 

D. Afonso IV

 

    1. Sonambulismo de guerra – Diz-se que D. Afonso IV, em algumas noites, caminhava sonâmbulo pelos corredores do castelo, murmurando estratégias militares.

       

 

    1. Silêncio voluntário – Para demonstrar disciplina, o rei fez um voto de silêncio por 30 dias, comunicando apenas por gestos durante esse período.

       

 

    1. A caveira perdida – No momento da exumação de D. Afonso IV, foi notado que o crânio no túmulo não correspondia ao esqueleto do monarca.

       

 

 

D. Pedro I

 

    1. O coração perdido – Após a sua morte, o coração de D. Pedro I foi retirado e enterrado secretamente num local desconhecido.

       

 

    1. A última carta de Inês – A famosa carta de despedida de Inês de Castro nunca foi encontrada, e muitos acreditem que ela foi queimada pela corte.

       

 

    1. Execução dupla – Uma história controversa sugere que D. Pedro I mandou executar o mesmo homem duas vezes, depois de este ter sobrevivido à primeira tentativa.

       

 

 

D. Fernando I

 

    1. O oráculo veneziano – D. Fernando confiava cegamente nas previsões de um astrólogo veneziano, que, segundo relatos, ajudou a tomar decisões importantes para o reino.

       

 

    1. O leão do Palácio – Durante o seu reinado, D. Fernando mantinha um leão vivo nos jardins do Palácio Real para simbolizar poder e coragem.

       

 

    1. O retrato desaparecido – O retrato mais fiel de D. Fernando desapareceu misteriosamente da coleção real, com rumores de que foi roubado por um membro da corte.

       

 

 

D. João I

 

    1. Nunca foi visto descalço – Há relatos de que D. João I nunca foi visto sem calçado, até mesmo nas situações mais informais, devido a uma superstição de que a terra poderia roubar o seu poder.

       

 

    1. Medo de espelhos – Curiosamente, D. João I tinha um medo irracional de espelhos, e evitava olhar para eles, acreditando que os reflexos lhe poderiam trazer má sorte.

       

 

    1. Livro secreto de poesia – Supõe-se que D. João I tenha escrito um livro de poemas secretos, contendo códigos políticos e planos de batalha, que nunca foram revelados ao público, mas que ainda existem na Torre do Tombo.

       

 

 

D. Duarte

 

    1. Vidente do futuro – Alguns relatos afirmam que D. Duarte possuía uma habilidade rara para prever o futuro, o que o ajudou a tomar decisões durante crises.

       

 

    1. Escrevia em segredo – O rei escrevia diários secretos sobre a política do reino, que só foram descobertos muito tempo depois da sua morte.

       

 

    1. O esconderijo no Mosteiro de Batalha – Dizia-se que D. Duarte possuía uma passagem secreta dentro do Mosteiro de Batalha, onde guardava objetos pessoais e documentos secretos.

       

 

 

D. Afonso V

 

    1. Medo de cavalos – Apesar de ser um grande conquistador, D. Afonso V tinha um medo secreto de cavalos, o que o fazia preferir viajar em carroças.

       

 

    1. A obsessão pelo ouro – O rei era tão obcecado pelo ouro que tentou descobrir uma mina de ouro nas montanhas da Beira Alta, mas nunca encontrou nada de significativo.

       

 

    1. A carta de excomunhão – Durante o seu reinado, uma carta de excomunhão foi descoberta em sua posse, mas foi imediatamente destruída pelo Vaticano.

       

 

 

D. João II

 

    1. O homem das sombras – João II era conhecido por andar às escondidas pela corte, vestindo-se com roupas comuns para ouvir as conversas dos seus súbditos sem que eles soubessem.

       

 

    1. A prisão secreta – O rei mandou construir uma prisão secreta no Alentejo, onde mantinha prisioneiros que considerava “perigosos” para a sua autoridade.

       

 

    1. A obsessão pela matemática – D. João II tinha uma obsessão por cálculos e astrologia, e acreditava que a posição dos astros controlava o destino de todos.

       

 

 

D. Manuel I

 

    1. O rei dos azulejos – D. Manuel I foi o responsável por encomendar a criação dos primeiros azulejos portugueses, acreditando que as suas cores ajudariam a proteger os edifícios reais.

       

 

    1. A obsessão pelo ouro – Durante as suas viagens ao Oriente, o rei desenvolveu uma obsessão pelo ouro, levando-o a decretar a “corrida ao ouro” nas suas colónias.

       

 

    1. O misterioso legado de Tomar – Acredita-se que D. Manuel I tenha escondido um valioso manuscrito nos arquivos do Convento de Cristo, mas nunca foi encontrado.

       

 

 

D. João III

 

    1. O rei que falava com animais – Diz-se que D. João III tinha uma habilidade rara de comunicar com animais, principalmente aves, e passava longas horas a interagir com os papagaios na sua corte.

       

 

    1. Visões sobre a América – D. João III teria tido visões sobre o continente americano, que ele acreditava ser um novo lugar para expandir o império, muito antes das grandes navegações de outros países.

       

 

    1. O segredo de suas roupas – Usava semore roupas muito simples, mas com um tecido secreto feito de um material raro, que, segundo ele, o protegia de qualquer mal. O tecido nunca foi identificado por especialistas.

       

 

 

D. Sebastião

 

    1. O rei sonhador – D. Sebastião era obcecado por profecias, e muitos acreditam que sua famosa expedição ao Norte de África, que terminou tragicamente na Batalha de Alcácer-Quibir, foi impulsionada por um sonho que ele acreditava ser uma mensagem divina.

       

 

    1. Desaparecimento misterioso – Existem teorias de que D. Sebastião nunca morreu na batalha e teria fugido para um lugar secreto, onde viveria até hoje, aguardando o momento certo para retornar e restaurar a glória de Portugal.

       

 

    1. O elixir da juventude – O rei tinha uma receita secreta de um elixir de juventude, supostamente feita com ingredientes raros, que ele acreditava ser a chave para prolongar a sua vida.

       

 

 

D. Henrique

 

    1. O monarca alquimista – D. Henrique era fascinado pela alquimia e passava longas horas nos seus aposentos realizando experimentos com metais preciosos.

       

 

    1. A coroa encantada – Diz-se que a sua coroa real tinha um poder místico que o protegia de perigos iminentes, mas foi perdida após a sua morte.

       

 

    1. Comerciantes invisíveis – Durante o seu reinado, havia rumores de que D. Henrique negociava com mercadores invisíveis, cujos negócios eram feitos através de mensagens secretas.

       

 

 

D. Filipe I (Felipe II de Espanha)

 

    1. O rei que queria ser português – D. Filipe I tinha o desejo secreto de ser mais português do que espanhol, e tentou adotar costumes e tradições portuguesas, o que gerou controvérsias na corte.

       

 

    1. Estátuas de cera – Para se manter oculto durante as reuniões secretas, D. Filipe I fazia estátuas de cera de si próprio para enganar os seus inimigos.

       

 

    1. O pergaminho perdido – Diz-se que D. Filipe I encontrou um pergaminho com instruções para a criação de uma nova dinastia, mas o documento foi misteriosamente perdido.

       

 

 

D. João IV

 

    1. O rei músico – D. João IV era um compositor talentoso e, segundo fontes antigas, escrevia música nas suas horas livres, embora as suas composições nunca tenham sido publicadas.

       

 

    1. Visões de um império global – Durante o seu reinado, D. João IV acreditava que Portugal poderia dominar não só o Brasil e as colónias africanas, mas também a Ásia, e tinha planos secretos para expandir os domínios portugueses.

       

 

    1. A chave dourada – D. João IV tinha uma chave dourada, que ele afirmava ser a chave para o “centro do poder” de Lisboa, onde um tesouro imenso estava escondido. Até hoje, a chave nunca foi encontrada, mas alguns dizem que o respectivo cofre esteve muitos anos escondido em casa de José Sócrates.

       

 

 

D. Afonso VI

 

    1. O rei invisível – D. Afonso VI era tão recluso que raramente era visto por aqueles que o rodeavam, levando muitos a acreditar que ele não era o verdadeiro rei, mas sim um impostor.

       

 

    1. O retrato da verdade – Durante o seu reinado, D. Afonso VI mandou pintar um retrato dele em que aparecia com uma coroa invertida, considerado um símbolo de um reino em desordem.

       

 

    1. A busca por um livro perdido – O rei teria passado anos a procurar um livro misterioso que, segundo a lenda, continha todos os grandes segredos do império português.

       

 

 

D. Pedro II

 

    1. O rei jardineiro – D. Pedro II tinha uma paixão secreta por jardinagem e passava horas em jardins privados do Palácio de Mafra, criando espécies de plantas raras que nunca foram vistas antes.

       

 

    1. Comerciantes fantasmagóricos – Havia rumores de que D. Pedro II negociava com mercadores fantasmas de terras distantes, cujas transações jamais foram confirmadas.

       

 

    1. A invenção do “aquecedor solar” – Durante o seu reinado, D. Pedro II desenvolveu um protótipo de aquecedor solar, mas o projeto foi abandonado por motivos desconhecidos.

       

 

 

D. João V

 

    1. O tesouro secreto – D. João V escondeu um enorme tesouro de ouro e pedras preciosas em Lisboa, mas até hoje ninguém conseguiu descobrir onde ele está guardado.

       

 

    1. A obsessão pela relojoaria – O rei mandou construir relógios complicadíssimos para os palácios reais, acreditando que o controle do tempo era o segredo para governar bem.

       

 

    1. O pacto com as estrelas – D. João V acreditava que, por meio de uma série de rituais astrológicos, ele poderia controlar o destino do império. Os resultados, porém, nunca foram documentados.

       

 

 

D. José

 

    1. Os passeios secretos – D. José gostava de se disfarçar de plebeu e andar incógnito pelas ruas de Lisboa, observando a vida comum, o que gerava grande confusão entre os habitantes.

       

 

    1. A máquina do tempo – Diz-se que D. José possuía um dispositivo antigo, de origem misteriosa, que ele acreditava ser capaz de prever o futuro.

       

 

    1. O terramoto previsto – Há quem diga que D. José sabia do grande terramoto de 1755, mas manteve a informação em segredo para não causar pânico.

       

 

 

D. Maria I

 

    1. A rainha que lia mentes – D. Maria I era considerada uma verdadeira “leitura de mentes”. Muitos acreditam que ela possuía uma habilidade paranormal que lhe permitia saber exatamente o que os outros pensavam.

       

 

    1. O espírito do Palácio de Queluz – Reza a lenda que, durante a sua regência, D. Maria I teve visões de fantasmas do passado que a guiavam nas suas decisões.

       

 

    1. A coroa de cristal – D. Maria I teria mandado construir uma coroa de cristal, que, segundo ela, trazia sabedoria eterna, mas desapareceu misteriosamente.

       

 

 

D. João VI

 

    1. O rei escritor – D. João VI escreveu vários livros secretos sobre governação e filosofia, que nunca foram divulgados, mas estão guardados em arquivos secretos no Brasil.

       

 

    1. O fim da monarquia? – Há rumores de que D. João VI sabia que a monarquia em Portugal estava condenada e, por isso, fez acordos secretos para garantir a preservação de sua família.

       

 

    1. A fuga para o Brasil – Quando fugiu para o Brasil, D. João VI alegadamente escondeu o verdadeiro motivo de sua saída, afirmando que era por questões de saúde, quando na verdade se tratava de uma tentativa de salvaguardar a monarquia.

       

 

 

D. Pedro IV

 

    1. Revolução silenciosa – D. Pedro IV, além de ser conhecido pela sua coragem, também teve um talento oculto: escreveu discursos revolucionários secretos que foram lidos apenas por algumas pessoas próximas dele.

       

 

    1. A espada mágica – Segundo relatos, D. Pedro IV possuía uma espada lendária que, se usada corretamente, poderia invocar protecção divina.

       

 

    1. Visões de exílio – Quando se exilou no Brasil, D. Pedro IV alegadamente teve visões do futuro de Portugal e do Brasil, prevendo momentos cruciais para ambos os países.

       

 

 

D. Miguel

 

    1. O rei dos enigmas – D. Miguel adorava enigmas e desafiava os membros da corte a resolverem charadas complexas antes de tomar decisões importantes.

       

 

    1. O cetro perdido – Durante sua breve estadia no trono, D. Miguel escondeu um ceptro real, acreditando que ele possuía poderes mágicos, mas nunca foi encontrado.

       

 

    1. A cidade subterrânea – D. Miguel teria construído uma cidade subterrânea no Palácio de Mafra, onde se refugiava para escapar das intrigas da corte.

       

 

 

D. Pedro V

 

    1. O rei filósofo – D. Pedro V era obcecado por filosofia e passava horas a debater ideias com pensadores da época, acreditando que as suas decisões políticas seriam mais sábias com essas influências.

       

 

    1. O relógio do destino – D. Pedro V usava um relógio de bolso especial que acreditava ser capaz de manipular o tempo, embora nunca tenha explicado como.

       

 

    1. A flor rara – D. Pedro V mandou cultivar uma flor rara no Jardim Botânico de Lisboa, acreditando que ela traria prosperidade ao país, mas a flor morreu repentinamente.

       

 

 

D. Luís

 

    1. O inventor do “dólar português” – D. Luís inventou, como parte de um plano secreto, um sistema de moedas chamado “dólar português”, mas a ideia foi descartada sem explicações.

       

 

    1. A arte perdida – D. Luís era também pintor amador e teria pintado várias obras, algumas das quais desapareceram misteriosamente depois de sua morte.

       

 

    1. A coroa de ferro – Durante o seu reinado, D. Luís possuía uma coroa de ferro, que ele acreditava ser capaz de trazer estabilidade ao seu governo.

       

 

 

D. Carlos I

 

    1. O monarca entusiasta – D. Carlos I tinha um interesse peculiar pela fotografia e adorava capturar imagens da vida da corte, que mais tarde se tornaram documentos históricos valiosos.

       

 

    1. O castelo invisível – Existem lendas de que D. Carlos I mandou construir um castelo secreto em algum ponto remoto do país, mas ninguém jamais conseguiu encontrar a sua localização.

       

 

    1. A escrita cifrada – Durante os últimos anos de seu reinado, D. Carlos I usava uma escrita cifrada para se comunicar com aliados secretos, e os documentos nunca foram totalmente decifrados.

       

 

 

D. Manuel II

 

    1. O último rei e o relógio quebrado – D. Manuel II teria tido um relógio de ouro que parou no momento da sua abdicação, simbolizando o fim da monarquia em Portugal.

       

 

    1. O diário perdido – D. Manuel II escrevia diários secretos, e um deles, onde confessava os dilemas que enfrentava sobre a abdicação, foi perdido pouco depois de sua morte.

       

 

    1. O rei que pintava – Além de ser monarca, D. Manuel II tinha grande paixão pela pintura, e algumas de suas obras estão escondidas em coleções privadas.

       

 

 

 

 

P.S.- Caso não seja óbvio, este artigo tratou-se de uma mera brincadeira do Dia das Mentiras. Se algumas das informações acima até têm um certo fundo de verdade, no seu geral são falsas e não devem ser tomadas a sério!

Como sabemos quem foi Vimara Peres?

Mesmo em frente à Sé do Porto pode ser encontrada uma curiosa estátua de um guerreiro com contornos gauleses (como os imaginamos hoje). Está a cavalo, e por baixo da estátua encontra-se o seu nome – Vimara Peres – e pelo menos uma data referente ao ano de 868. Quem tiver alguma curiosidade sobre esta figura ou a respectiva data poderá descobrir, sem grande dificuldade, que ele foi (supostamente) o conquistador definitivo da cidade de nome Portus ou Portucale – o actual Porto – aos Mouros, e que terá realizado esse seu mais famoso feito na data aproximada de 868 d.C. Se isto até nos permite localizar a famosa lenda de Gaia, ou do Rei Ramiro, em limite, por volta dos séculos IX ou X da nossa era, o que nos interessa aqui hoje é algo um pouco diferente – afinal de contas, como é que se sabe deste tal Vimara Peres e dos seus feitos?

Afinal, quem foi Vimara Peres?

Relembre-se, antes de mais, que este é um espaço sobre mitos e lendas, não sobre história real e bem comprovável. E o que podemos dizer, nesse sentido, é que sabemos muito pouco sobre a vida desse tal Vimara Peres, mas sabêmo-lo porque existem algumas breves referências aos seus feitos aqui e ali, em diversas crónicas e nobiliários da Idade Média. Por exemplo, o Chronicon Laurbanense – que é como quem diz, a “Crónica do Lorvão”, onde existia então um famoso mosteiro – contém as seguintes palavras:

 

Era DCCCCVI prenditus est portugale ad uimarani petri.
Era DCCCCXI uenit rex Adefonsus in Uama, et in VIº die Uimara mortuus est.

 

Na era de 906, Portugal foi capturado por Vimara Peres.
Na era de 911, o rei Afonso [III das Astúrias] veio a Vama, e ao sexto dia faleceu Vimara [Peres].

 

 

Elas referem-se, respectivamente, aos Anos de Jesus Cristo de 868 e 873, e permitem-nos saber que Vimara Peres faleceu no segundo desses anos. Nesse seguimento, seria muito interessante percorrer todas as outras crónicas existentes e ver o que elas adicionam verdadeiramente a uma possível história desta figura, mas – relembre-se, mais uma vez – este é um espaço sobre mitos e lendas, pelo que esse trabalho é melhor indicado para quem quiser saber mais sobre a fundação do Condado Portucalense, nos séculos que antecederam a ascensão ao trono de Afonso Henriques.

 

 

Pode, no entanto, é perguntar-se aqui uma coisa muito interessante – até que ponto é que sabemos que estas fontes literárias preservam uma história real da figura que nos ficou conhecida pelo nome de Vimara Peres? A mais pura verdade é que… não sabemos, porque se tivermos em conta outras fontes muito mais conhecidas, como o Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, é fácil ver que elas frequentemente misturam factos com ficção, ao ponto de nos apresentarem, quase lado a lado, histórias (supostamente) reais com imaginações relativas a figuras como a Dama dos Pés de Cabra ou a misteriosa Dona Marinha. Podemos crer que existe uma verdade escondida por detrás de todos esses relatos, e não temos grandes dúvidas para questionar a existência deste homem, mas há que deixar muito claro que nem sempre é tão óbvio que os factos “históricos” apresentados nelas sejam tão históricos como nos podem parecer a nós.

Porque é Poseidon o deus dos cavalos?

O tema de hoje, relativo a Poseidon como deus dos cavalos, tem de ser introduzido com uma pequena história mais pessoal. Há cerca de 15 anos dois colegas decidiram fazer um pequeno evento no Jardim Botânico de Coimbra, que passou por juntar diversas pessoas com interesse na Mitologia Grega e passarem dois dias a discutir temas mais complicados, como “porque se dizia que Hera tinha olhos de vaca?” (o que até tem uma explicação interessante, mas que ficará para outro dia.) Alguns desses temas até puderam ser levados à sua conclusão, outros continuam sem uma resolução real até aos dias de hoje, mas entre um dos mais notáveis contava-se a identificação de Poseidon como deus dos cavalos. Sim, ele é deus dos mares e tem um tridente com o qual causa terramotos, ambos esses elementos aparecem repetidamente em diversos mitos dos tempos da Antiguidade, mas de onde vem a sua associação às criaturas equídeas?

Porque é Poseidon o deus dos cavalos?

De acordo com um mito quase perdido, apenas preservado num breve escólio (e com alguns elementos menos apropriados para o público mais jovem), em dada altura da história da humanidade os cavalos pura e simplesmente ainda não existiam. Depois, quando o deus Poseidon se masturbou nos seus domínios aquáticos, parte da substância que foi libertada do seu corpo caiu numa pedra e dela brotou o primeiro de todos os cavalos, de nome Cífio. Quase ao mesmo tempo, quando uma onda passou por esse mesmo local, arrastou parte da mesma substância para as profundezas dos mares e dela nasceram também os chamados “cavalos marinhos”, com a parte superior da criatura original e a inferior semelhante a um peixe, que o mesmo deus depois passou a utilizar como os transportadores do seu domínio.

 

 

É uma história relativamente breve e muito interessante… mas até que ponto é ela real? Terá sido, como é demasiado fácil supor-se sem grandes provas, uma história de tão grande antiguidade que foi progressivamente esquecida, ou deixou de ser contada, ao longo do tempo? É bastante provável que sim, por três grande razões:

 

Primeiro, a referência à espuma das ondas do oceano como geradoras de vida terrena aparece em diversas obras da Antiguidade, e portanto faz um certo sentido associá-las à semente vital do deus dos mares, até pelo nascimento de Afrodite de uma forma semelhante.

 

Em segundo, até nos chegaram outros mitos em que coisas muito semelhantes a estas têm lugar, e.g. o antigo mito de Erictónio, demonstrando um padrão que nos poderá parecer estranho, mas que tem um fundamento concreto nos mais antigos mitos dos Gregos.

 

E em terceiro, existem casos em que os autores romanos admitem explicitamente que algumas sequências de dados mitos mais antigos já lhes causavam um certo desconforto (e.g. o que anteriormente escrevemos sobre o mito de Órion), explicando-se uma possível razão pela qual todos pareciam conhecer esta divindade como associada aos cavalos, mas sem que a história original fosse recordada – Sérvio, por exemplo, faz do cavalo a invenção do deus quando este pretendia dar o seu nome à cidade de Atenas (em vez uma fonte, como é mais comum), no que poderá ter sido uma adaptação do mito original.

 

Como tal, é de facto muito possível que este breve mito tenha captado, pelo menos, a parte substancial de uma antiga história dos Gregos que foi sendo perdida ao longo dos séculos, mas que em tempos mais antigos explicava a razão pela qual o deus Poseidon também era a divindade associada aos cavalos. Existem outras, mas foi esta a que se contou há todos aqueles anos atrás, entre muitas outras histórias sobre outras questões menos simples nos mitos dos Gregos…

“O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]”, de Garin

Para terminar as celebrações [em 2019, quando este artigo foi originalmente publicado], hoje trazemos cá uma obra pouco conhecida, de título O cavaleiro que fazia falar as vaginas e os rabos. Quando se pensa em literatura da Idade Média, pensa-se nas aventuras arturianas, num determinado conjunto de poesia amorosa e de criações cristãs e, para alguns, talvez até num derradeiro Dom Quixote de Cervantes. Mas, ao mesmo tempo, também existia um conjunto de criações medievais que já tentava, de certa forma, satirizar os outros conteúdos da época.

Se nada sabemos sobre “Garin”, suposto autor desta pequena obra (terá ele vivido no século XIII, como pensou um estudioso dos nossos dias?), O cavaleiro que fazia falar as vaginas e os rabos é, sem qualquer dúvida, uma dessas obras satíricas, cuja popularidade pode ser apreciada em sete manuscritos. Mas de que fala esta obra, afinal?

Apresenta-nos um cavaleiro que já tinha pouco dinheiro e passava fome. Quando o seu escudeiro viu três belas mulheres a tomarem banho, roubou as suas roupas, as quais pretendia vender num mercado próximo. Porém, o amo não o deixou fazer isso, optando por devolver as vestes às três desconhecidas. Depressa se revelaram fadas, e decidiram depois premiar aquele que as ajudou com três dons – a primeira, garantiu-lhe que ele viria a ser sempre bem recebido onde quer que fosse; a segunda deu-lhe o poder de fazer falar as vaginas; a terceira deu-lhe o poder adicional de que, quando uma vagina não lhe pudesse responder, um rabo o faria.

O cavaleiro, tal como um potencial leitor, não pôde deixar de achar que estas mulheres/fadas só poderiam estar a gozar com ele, mas no desenrolar da aventura é provada a completa veracidade das três promessas, levando o herói do seu infortúnio original até uma vida bem mais afortunada e feliz. Para quem quiser saber mais, neste texto, que goza com algumas das convenções literárias que esperaríamos encontrar em romances de cavalaria, aqui fica, pela primeira vez, uma tradução imperfeita deste conto poético medieval para Português dos nossos dias:

As histórias agora multiplicam-se.
Muito dinheiro embolsaram
aqueles que as contam e as carregam,
pois trazem grande consolo
aos enfadados e aos preguiçosos,
quando não há gente demasiado barulhenta,
e até àqueles que estão cheios de ira,
se ouvirem uma boa fábula,
isso lhes traz grande alegria
e os faz esquecer a dor e a tristeza,
assim como a maldade e as preocupações.
Assim diz Garin, que não mente,
ao contar-nos a história de um cavaleiro
uma aventura neste conto,
que teve uma sorte maravilhosa,
e eu digo-vos com toda a certeza
que ele fazia as vaginas falar
sempre que as chamava,
e o traseiro que estava na abertura
respondia bem ao seu chamamento.

Esta sorte lhe foi concedida
no ano em que foi armado cavaleiro,
e contar-vos-ei como aconteceu.
O cavaleiro tornou-se pobre
antes de atingir idade avançada,
embora fosse considerado sábio,
mas não possuía nem vinhas nem terras.
Em torneios e em guerra
punha toda a sua dedicação,
pois sabia bem golpear com a lança.
Era audaz e combatente,
e, na necessidade, socorria bem.
Então aconteceu, naquele tempo,
como encontrei ao ler na história,
que as guerras em toda parte cessavam:
ninguém mais se atacava,
e os torneios foram proibidos.
Assim, gastou tudo o que tinha,
o cavaleiro, nesse período:
não lhe restou manto de arminho,
nem gibão nem capa forrada,
nem qualquer outro bem
que não tivesse já empenhado.
Não o considero sábio por isso,
pois empenhou a sua armadura,
e gastou tudo em comida e bebida.

Hospedava-se num castelo
que era muito belo e próspero,
tal como era Provins,
e ali bebia frequentemente bons vinhos.
Aí permaneceu por muito tempo
até que um dia aconteceu
que se anunciou um torneio
por todo o país, publicamente,
para que todos lá estivessem sem desculpa,
diretamente em LaHaie-en-Touraine.
Devia ser grande e feroz,
O cavaleiro ficou muito alegre com isso.
Chamou Huet, o seu escudeiro,
e contou-lhe a novidade
sobre o torneio que aconteceria ali,
e Huet respondeu: “Que vos importa
falar de torneios
se todo o vosso equipamento
está empenhado para pagar as despesas?”
– Ah, Huet, por Deus, pensa nisso,
disse o cavaleiro, se quiseres!
Sempre me aconselhaste bem.
Melhor teria sido se te tivesse ouvido!
Agora pensa em como poderei conseguir
o meu equipamento sem demora,
e arranja algum dinheiro,
o melhor que puderes conseguir.
Sem ti, não sei como resolver isto!”
Huet viu que tinha de agir,
e tratou do assunto o melhor que pôde.
Vendeu o palafrém do seu senhor,
sem fazer outro acordo,
mas saiu-se muito bem.
Nada ficou por pagar;
todo o dinheiro do penhor estava na sua mão.
E quando chegou o dia seguinte,
ambos se puseram a caminho,
sem que ninguém os seguisse ou acompanhasse,
e cavalgaram por uma planície.
O cavaleiro perguntou a Huet
como tinha conseguido o dinheiro do penhor.
Huet respondeu-lhe, pois era muito sensato:
“Nobre senhor”, disse Huet, “pela minha fé,
vendi o vosso palafrém,
pois não podia ser de outra maneira.
Não tereis agora cavalo à direita,
nem podereis seguir adiante montado.”
– Quanto te resta, Huet?
perguntou o cavaleiro.
– Pela minha fé, senhor, doze dinheiros
é tudo o que nos resta para gastar.
– Então não temos porque esperar,
disse o cavaleiro, ao que me parece!”
Então, ambos seguiram juntos.

e quando já tinham percorrido um longo caminho,
entraram num vale.
O cavaleiro ia pensativo,
e Huet cavalgava à frente
sobre o seu rocim a grande velocidade,
até que viu, por acaso,
numa campina, uma fonte
que era bela, clara e pura,
de onde corria um grande regato,
e à volta havia arvoredos
verdes e frondosos de grande beleza,
tal como no mês de Verão.
As árvores eram muito belas.
Na fonte banhavam-se
três donzelas nobres e sábias.
De tão belas pareciam fadas.
Os seus vestidos e todas as suas camisas
tinham colocado debaixo de uma árvore,

Tradução
que eram bordadas a ouro.
Valiam mesmo um grande tesouro:
nunca se viram [roupas] mais ricas!
Quando Huet viu as mulheres nuas,
que tinham a pele tão branca,
os corpos bem formados, os braços, as ancas,
para aquele lado seguiu a galope,
mas não lhes disse nem sim nem não,
antes pegou nas suas roupas,
deixando-as todas estupefactas.
Quando veem que ele leva as suas roupas,
a que era a líder desespera-se,
pois ele se vai com grande velocidade
e não tem intenção de voltar.
As donzelas lamentam-se muito,
gritam, desesperam-se e choram.
Enquanto elas se desesperam,
eis que o cavaleiro se aproxima,
que segue atrás do escudeiro.
Uma das donzelas falou
e disse: “Vejo cavalgar ali
o senhor do maldoso escudeiro
que nos roubou as roupas
e nos deixou todas nuas.
Supliquemos-lhe sem mais demora
que nos devolva as nossas roupas!
Se for um homem honrado, fá-lo-á.”
Então uma delas falou
e contou-lhe o ultraje.
O cavaleiro ficou indignado
pelas donzelas e teve grande pena.
Então esporeou tanto o cavalo
que alcançou Huet e disse-lhe:
“Entrega isso já, se Deus te ajude!
Essas roupas não as levas!
Seria uma grande vileza
envergonhar estas donzelas!”
– “Ora, pensa noutra coisa,
disse Huet, e não estejas louco!
As roupas valem bem cem libras,
pois nunca vi outras mais ricas.
Nem em catorze anos e meio
ganharás tu tanto,
por mais que vás a torneios!”
– “Por minha fé”, disse o cavaleiro,
“eu lhes devolverei as roupas,
aconteça o que acontecer.
Não me interessa esse tipo de ganho.
Jamais venderia tal coisa!”
– “Com razão sois um miserável!”
disse Huet, com grande irritação.
O cavaleiro pegou nas roupas.
Assim que pôde, foi ter com as donzelas,
que eram muito belas e encantadoras,
e devolveu-lhes as roupas.
Elas vestiram-se logo,
pois para cada uma já era muito tarde.
Então o cavaleiro partiu.

Tradução
Com a sua licença, voltou para trás.
A primeira das donzelas
falou às outras e disse-lhes:
“Donzelas, por Deus!
Este cavaleiro é muito cortês.
Muitos outros teriam preferido
vender bem caro as nossas roupas
antes de as devolver.
Teria ganho bastante dinheiro.
E sabei que este cavaleiro
nos tratou com grande cortesia,
enquanto nós fomos ingratas,
pois nada lhe demos
pelo que nos devesse agradecer.
Chamemo-lo de volta e recompensemo-lo bem,
pois ele é tão pobre que nada tem.
Que nenhuma de nós seja avarenta para com ele,
antes façamo-lo rico como um homem de bem!”
As outras concordaram com ela.
Chamaram então o cavaleiro,
e ele voltou de imediato.
A mais velha falou primeiro,
pois tinha o consentimento das outras:
“Senhor cavaleiro, pela minha fé,
não queremos, pois é justo,
que vos vás embora assim.
Servistes-nos generosamente.
Devolvestes-nos as vidas,
e agistes como um verdadeiro homem de bem,
e eu vos darei uma rica dádiva,
e sabei que não a perdereis.
Nunca voltareis a este lugar
sem que todo o mundo se alegre convosco,
e todos terão alegria por vós,
e vos oferecerão
tudo o que tiverem.
Nunca mais conhecereis a pobreza.
“Dama, isto é uma rica recompensa”,
disse o cavaleiro. “Muito obrigado!”
“O meu dom não será pequeno”,
disse a segunda donzela em seguida.
“Nunca mais ireis, seja perto ou longe,
sem que, ao encontrar mulher ou animal,
desde que tenha dois olhos na cabeça,
se chamares a sua vagina,
ela terá de vos responder.
Tal será doravante a sua sorte.
Que ele esteja certo disso,
pois nem rei nem conde tiveram tal dom.”
Então o cavaleiro sentiu vergonha,
e tomou a donzela por louca.
E a terceira então falou,
e disse ao cavaleiro:
“Belo senhor, sabeis o que vos direi?
Pois bem é razão e justiça
que, se a vagina por acaso
ficasse impedida de falar,
e não pudesse responder de imediato,
que o cu respondesse por ela,
seja qual for a situação.
se vos o chamásseis sem demora.”
Então o cavaleiro envergonhou-se,
pois pensou que zombavam dele
e que o estavam enganando.
Sem mais demora, pôs-se a caminho.
Quando contou tudo a Huet,
narrou-lhe a rir o ocorrido:
exactamente como ouvistes no conto:
“Zombaram de mim, aquelas do prado!”
E Huet disse: “Acho isso muito engraçado,
pois é tolo, por São Germano,
quem deita ao chão o que tem na mão
e o desperdiça sem pensar!”
“Huet, creio que tens razão.”

“disse o cavaleiro, isso me parece!”
Então surgiu, parece-me,
um sacerdote sem mais gente
que cavalgava uma jumenta.
O sacerdote era poderoso e rico,
mas ele era ávaro e mesquinho.
Queria atravessar o caminho
e ir para outra vila
que estava bastante perto dali.
O sacerdote vê o cavaleiro.
Ele vira a sua jumenta em direção a ele,
então desceu rapidamente
e disse-lhe: “Senhor, bem-vindo!
Agora peço que fiquem comigo
por um tempo, para vos entreter.
Tenho grande desejo e vontade de vos servir
com honra e alegria.
Tudo o que tenho está à vossa disposição,
não duvideis disso!
O cavaleiro se maravilhou
com o sacerdote que não conhecia,
e pediu para ficar mais um pouco.
Huet o sabia, e disse-lhe:
“Senhor, disse ele, se Deus me ajudar,
as fadas vos disseram a verdade!
Agora podeis perceber!
Mas chama rapidamente
A vagina da grande jumenta.
Ireis ouvi-la falar, creio eu!”
Disse o cavaleiro: “Eu o farei.”
Agora começa a dizer-lhe:
“Senhora vagina, onde vai o vosso senhor?
Dizei-me, não mentais!
“Pela minha fé, ele vai ver sua amiga,
disse a vagina, senhor cavaleiro,
e leva-lhe boas moedas,
dez libras de boa moeda
que ele tem em um saco
para comprar um manto para terça-feira.”
E quando o sacerdote entendeu
que a vagina falava tão bem,
ficou surpreso, sem saber o que fazer.
Pensou que fosse encantamento e traição.
Com medo, ficou um pouco perdido,
e, para escapar rapidamente,
tirou a capa apressadamente,
e as moedas e o saco
jogou tudo no meio do caminho.
Sua jumenta parou e fugiu rapidamente.
Huet viu e correu rapidamente.
E o sacerdote, sem dizer uma palavra,
Abandonou o jogo rapidamente,
fugindo por um atalho.
Por cem marcos, ele não voltaria!
O cavaleiro pegou as moedas,
e Huet agarrou a jumenta
que estava muito bem alimentada,
depois encontrou a capa forrada.
Riram muito dessa aventura!
Então partiram com grande alegria.
Agora o cavaleiro está todo feliz.
E deu as moedas a Huet,
das quais ele tinha cerca de dez libras.
Disse a Huet: “Seria muito ingrato de minha parte,
se eu tivesse agora retido
as roupas e deixado as donzelas nuas,
as donzelas livres e desprotegidas.
Sei bem que elas eram fadas.
Um rico prémio me foi dado.
Antes que tivéssemos gasto
toda essa riqueza e esbanjado tudo,
teremos mais do que suficiente
pois tal pagará nosso tributo
quem não sabe de nada disso!
Huet, ele não ganha nada
quem conquista pela vilania,
antes perde honra diante de todos.
Nunca haverá boa fala ou boa história
que venha dele em corte ou retrato.
Melhor seria ter sido enganado
do que ter acreditado em ti antes.
Meu nome teria sido desacreditado
e desonrado, na minha opinião!”
Assim continuam os dois a conversar
até chegarem a um castelo
muito bem situado, forte e belo.
Não sei como continuaram a história.
No castelo havia um conde
e a condessa com sua esposa,
que era muito bela e uma dama corajosa,
e tinha mais de trinta cavaleiros
Imediatamente entrou no castelo
aquele que fazia as vaginas falarem.
Todos correram para saudá-lo
porque queriam muito acompanhá-lo,
com isso ele ficou muito feliz.
No meio da vila havia um espaço
onde toda a gente estava,
ali estavam o conde e a condessa,
que não eram loucos nem faladores,
soldados, damas e cavaleiros,
e donzelas e escudeiros.
Então o cavaleiro entrou,
e Huet, que ficou ao seu lado.
Eles não pararam para descansar,
e quando as pessoas os olharam,
cada um correu para seu lado.
O próprio conde foi atrasado
até que o abraçou e beijou.
Beijou-o na boca.
Assim também a condessa o abraçou.
Mais prontamente do que ouviu a missa
beijou-o vinte vezes, bem perto
se o conde não estivesse tão perto!
E ele desce em direção às pessoas.
Não há cavaleiro ou soldado
que não o tenha saudado de coração.
Com grande alegria, o conduziram
diretamente para o salão do conde,
depois não demoraram para continuar,
antes se sentaram para o jantar
todos os cavaleiros e os servos
que tinham grandes encargos com seu anfitrião,
depois conversaram sobre ir dormir
pois estava uma noite escura e densa.
A condessa se preocupou muito
com seu anfitrião, muito satisfeito.
Certamente fez muito para agradar!
Em um quarto de grande prazer
fez preparar um leito para todos.
Todos se deitaram e descansaram.
E a condessa, ao fim da noite,

chamou uma de suas donzelas,
a mais valente e a mais bela.
Em conselho lhe disse: “Bela amiga,
vá, e que não vos possa impedir,
com o cavaleiro deitar-se
toda alegremente e com calma,
para que amemos muito a chegada.
Deite-se com ele toda nua,
pois ele é muito belo, o cavaleiro.
Eu iria com prazer,
– mas não deixaria por vergonha –
se não fosse pelo meu senhor, o conde,
que ainda não está adormecido.”
E ela foi com grande vontade,
mas não ousava se esconder.
No quarto onde ele dormia
entrou trêmula como uma folha.
Quando ela pôde se despir,
deitou-se ao lado dele, e se estendeu.
E quando o cavaleiro a sentiu,
imediatamente acordou,
e ficou surpreso.
“Quem é esta, disse ele, ao meu lado?
Senhor, não fique irritado,
disse ela, que foi simples e tranquila,
pois a condessa me enviou aqui.
Sou uma de suas donzelas.
Não vos causarei mal nem aborrecimento,
ao invés disso, tocarei vossa cabeça.
“Por fé, isso não me incomoda!”
disse o cavaleiro, que a abraçou.
Beijou-lhe a boca e o rosto,
e apalpou-lhe os seios
que ela tinha muito brancos e belos,
e colocou a mão sobre o ventre.
E logo o cavaleiro disse:
“Senhora vagina, agora fale comigo!
Quero perguntar-vos por que
a vossa dama veio até aqui.
“Senhor, disse a vagina, obrigado!
Pois a condessa me enviou aqui
para vos trazer alívio e alegria.
Não quero mais esconder isso de vós.”
Quando ouviu a vagina falar,
ficou muito surpresa.
Saltou da cama completamente nua,
foi para a estrada, atrás,
e não levou nada além de sua camisa.
E a condessa a chamou de volta,
e perguntou-lhe a novidade.
“Por que deixaste o cavaleiro
que ontem se hospedou aqui?”
“Dama, disse ela, vou contar-vos
que não vos mentirei.
Fui deitar-me com ele,
despindo-me completamente.
Ele começou a interpelar a minha vagina,
fê-la falar com ele por bastante tempo.
Tudo o que ele pediu
ouvi eu, a minh vaginalhe contou!
Quando a condessa ouviu a maravilha,
que nunca antes ouvira algo igual,
disse que não acreditava,
e ela jurou-lhe e garantiu
que isso é verdade, o que ela lhe conta.
Então deixaram o conde
até o amanhecer, quando ele acordou,
e o cavaleiro se levantou.
A Huet, seu escudeiro, disse,
que já estava na hora de cavalgar.
Huet foi colocar as selas.
A condessa ouviu a novidade
sobre o cavaleiro que queria partir.
Mais cedo do que ela esperava,
veio até o cavaleiro e disse-lhe:
“Senhor, disse ela, se Deus me ajude,
não podeis ir ainda
antes do almoço!”
“Dama, disse ele, se Deus me vê,
não esperarei o almoço por nada,
se isso não vos desagradar muito,
pois tenho um longo dia pela frente.
“Tudo isso”, disse ela, “não vale nada.
Farás bem a vossa jornada!”
Ele vê que não pode ser diferente,
e ficou, pois precisava fazer o que deveria.
E quando ouviram a missa,
o conde e a condessa,
e todos os outros cavaleiros
logo se sentaram à mesa.
E quando o almoço chegou,
começaram a falar
os cavaleiros sobre vários assuntos,
mas aquela que não podia se calar,
a condessa, falou em voz alta:
“Senhores, disse ela, se Deus me proteja,
ouvi falar de cavaleiros,
soldados, burgueses e escudeiros,
e contando aventuras,
mas ninguém poderia se vangloriar
de uma aventura que ouvi ontem,
que houve um cavaleiro
que subiu toda a montanha,
pois ele tem tal poder
que faz a vagina falar para ele.
Tal homem merece muito louvor!
E saibam bem, por São Richier,
é o cavaleiro que chegou ontem!”

Quando os cavaleiros o ouviram,
ficaram surpresos com a maravilha.
Perguntaram ao cavaleiro
se a condessa disse a verdade.
“Sim”, disse ele, “sem dúvida alguma.”
O conde riu, assim como todos os outros,
e a condessa falou novamente,
que não era tola nem insensata:
“Doutos cavaleiros, como quer que aconteça,
eu quero fazer um acordo convosco,
colocarei 60 libras aí;
jamais a minha vagina seria parva ou bêbada
Para dizer uma única palavra!”
Assim que o cavaleiro ouviu,
“Dama, disse ele, se Deus me veja,
não tenho 60 libras,
mas colocarei de imediato
meu cavalo e todo meu equipamento
Aí o colocarei agora mesmo.
Metei o valor equivalente.
“Não peço mais”, disse ela,
mas não trarei dinheiro de ninguém
que não seja 60 libras,
se conquistarem o acordo.”

“Se eu ganhar, vocês irão
a pé e o equipamento deixarão.”
O cavaleiro concordou.
Depois discutiu a questão,
e nada fez além disso.
“Dama,” disse ele, “por três vezes
A vagina falará entre nós.”
“Sejam três, ou sete.”
Se quiserem mais, será mais.”
Mas antes de vocês chamarem,
irei ao meu quarto por um momento.”
Neste momento não houve contradição.
O acordo foi feito
e a condessa se levantou.
Foi diretamente para o seu quarto.
Ouçam o que ela planejou.
Pegou num punhado de algodão,
e com ele preencheu bem a sua vagina.
Ela tampou bem a abertura!
Com a mão direita fez pressão.
E colocou ali uma libra.
Agora a vagina não está aberta!
Quando a preencheu e arrumou,
e envolveu com o algodão,
Voltou à grande sala.
Disse logo ao cavaleiro
que fizesse o pior que pudesse,
que a sua vagina não responderia,
nem lhe contaria novidades.
O cavaleiro chamou a vagina:
“Senhora vagina”, disse ele, “pergunto-me
o que a vossa dama fez no seu quarto
Onde foi tão rapidamente.”
Mas a vagina não podia responder,
porque a boca estava entupida
com algodão bem tampado,
e ela não podia dizer nada.
E quando o cavaleiro viu isso,
que ela não respondeu à primeira,
chamou-a novamente,
mas a vagina não podia dizer nada.
Os cavaleiros não se contiveram de rir
quando ouviram que ela não falava.
Chamou o seu escudeiro,
e disse: “Agora perdi tudo”,
e Huet respondeu-lhe:
“Senhor, não tenha medo!
Não sabeis que a mais nova
das três donzelas que vos prometeu?
Ela vos disse,
que se a vagina não puder falar,
que o cu responderia por ela.
Ela não vos iria enganar!”
“Pela minha cabeça, Huet, tu dizes a verdade!”
disse o cavaleiro, rindo.
Chamou agora o cu,
e pediu-lhe com urgência
para que rapidamente lhe dissesse a verdade
sobre o porquê da vagina não falar.
O cu disse: “Porque ela não pode,
pois sua boca está totalmente cheia
não sei se é com algodão ou lã,
que minha dama colocou lá antes
quando entrou na sua câmara,
mas se o algodão estivesse fora,
saibam que ela então falaria!”
Quando o cavaleiro ouviu isso,
imediatamente disse ao conde:
“Senhor, juro por minha fé,
a dama me desprezou,
quando ela envolveu a sua vagina.
Agora sabeis que ela teria falado
se não fosse por ela ter colocado lá.”
O conde disse à condessa
que ela precisava de a liberta.
Ela não ousou recusar,
então foi libertar a sua vagina,
de todo o pano de algodão.
Com um gancho, o retirou de lá.
Arrependendo-se muito quando o retirou!
Então voltou para trás sem falhar.
Sabe bem que perdeu a partida
que tinha feito, e foi parva.
O cavaleiro falou com a vagina,
e perguntou o que devia
mas não respondeu imediatamente.
A vagina disse: “Eu não posso,
porque estou entupida
com o algodão que minha dama colocou.”
Quando o conde ouviu isso, riu muito
e todos os cavaleiros riram com ele.
Disseram muito bem à condessa
que ela perdeu. Ela não disse mais nada,
mas agora fez a paz com o cavaleiro,
e ele fez assim. Não demorou mais,
pagou-lhe 60 libras,
e ele as recebeu com grande alegria,
pois precisava de dinheiro
e teve tanta sorte
E todos o amaram
e fez tanto quanto viveu.
Felizes foram aqueles que nasceram assim
e a quem tais bens foram dados!
Assim termina o conto.

A lenda de Urashima Taro

A história de Urashima Taro é uma de muitas que são bem conhecidas no chamado “País do Sol Nascente”, como a lenda de Momotaro. Apresenta-nos uma trama relativamente simples, mas nem por isso menos interessante, quanto mais não seja pelo facto dos seus elementos principais, salvo algumas excepções, se terem mantido relativamente estáveis ao longo dos séculos.

O mito ou lenda de Urashima Taro

Conta-se então que Urashima Taro era um jovem como os outros, possivelmente um pescador, até que um dia viu crianças a destratar uma pequena tartaruga na praia. Salvou-a de alguma forma, repondo-a no oceano, e uns dias depois foi-lhe dado conhecimento por outra criatura marinha que, na verdade, ele tinha salvo de uma morte certa a filha mais bela de um dragão que era senhor dos mares. Sendo convidado para tal, ele fez então a viagem a um palácio submarino, casou – ou dispôs-se a casar – com a jovem de nome Otohime, e (quase) foram felizes para sempre.

 

A história poderia ficar por aí, e talvez o ficasse num contexto ocidental, mas com o passar do tempo este Taro começou a ter saudades da sua família. Queria revisitá-los, falar com eles uma última vez que fosse. Otohime ficou um pouco triste com esse pedido, mas ainda assim entregou ao seu apaixonado uma pequena caixa, que ele nunca deveria abrir e que, supostamente, o protegeria de todo e qualquer mal.

 

Com essa caixa em sua posse, foi então permitido a este herói voltar a casa… mas quando chegou à aldeia onde tinha vivido, viu que tudo estava muito diferente de antes! Após algumas inquisições sobre o que se tinha passado, lá descobriu que tinha passado mais de uma centena de anos, e então… sem saber muito bem o que fazer, ou talvez esperando alguma espécie de solução mágica, decidiu abrir a caixa que lhe tinha sido dada por Otohime… e transformou-se em pó, assim morrendo.

 

 

Agora, se esta história nipónica tem alguns elementos comuns a muitas outras histórias orientais (e.g. o Coelho que Visitou o Palácio do Mares), um muito curioso e digno de nota passa pelas pequenas diferenças que podem ser encontradas nas várias versões que nos chegaram ao longo do tempo. Por exemplo, elas divergem em:

 

    • Como a tartaruga é salva;

 

    • Quem informa o herói de que este animal era, na verdade, Otohime;

 

    • Como é feita a viagem para o Palácio Submarino (uma das versões diz, de forma inesperada, que ele “criou guelras”);

 

    • Quanto tempo as duas figuras passaram juntas, antes do herói querer ir revisitar os seus pais;

 

    • Quanto tempo passou desde o seu desaparecimento do mundo terreno;

 

    • Apresentar o destino final de Taro após abrir a caixa. Pelo menos uma versão diz que ele se transformou numa garça, outra fá-lo voltar ao palácio, et al.

 

    • Revelar o que estava no interior da caixa, com uma das versões a referir que era “a velhice” do herói, que, libertada ao mundo, precipitou portanto a sua morte.

 

 

 

Talvez apeteça relembrar aquele adágio bem português, “quem conta um conto aumenta um ponto”, pois ele pode explicar estas divergências ao tronco principal da história, mas também levar os leitores a considerar as suas próprias leituras dos diversos pontos em desacordo. Seria, por isso, até particularmente interessante perguntar a possíveis leitores de ascendência japonesa que versão desta história de Urashima Taro conhecem…