A lenda de Bhrigu e os três grandes deuses hindus

Os três principais deuses hindus

Na cultura ocidental sabe-se, de uma forma muito geral, que os Hindus são politeístas e veneram centenas de deuses. Se, por um lado, essa ideia está correcta, por outro as grandes figuras do Hinduísmo são essencialmente três – Brahma, Vishnu e Shiva, que podem ser vistos na imagem acima. Esta ideia, de três divindades entre centenas, poderia levar-nos a uma questão adicional – destas três, qual a mais importante, ou a mais digna de ser venerada?

 

Um dia, foi feita essa mesma pergunta ao sábio Bhrigu. Partindo em busca de respostas, decidiu ir visitar cada um dos três deuses.

Primeiro passou por Brahma, mas enquanto se dirigia a esse deus criador esqueceu-se de endereçar um cumprimento a uma das suas muitas formas. O deus zangou-se com ele. Então, pedindo desculpa, Bhrigu foi rapidamente perdoado.

Em seguida visitou Shiva, deus da destruição. Também aqui o sábio não prestou a reverência necessária ao deus, e então quase que foi destruído, só tendo sido poupado após os mais profusos pedidos de desculpa.

Finalmente, Bhrigu foi a casa de Vishnu, deus da preservação. Encontrando-o a dormir, tentou acordá-lo com um pequeno toque de pé no peito. O deus rapidamente acordou, mas perguntou logo se esse toque tinha magoado o pé de Bhrigu, e dispôs-se até a massajar-lhe esse membro.

Face a estas ocorrências, Bhrigu rapidamente compreendeu a resposta que andava a procurar. Para ele, o maior dos três deuses era Vishnu, porque conquistava pela bondade.

 

Naturalmente que a visão desta lenda – provinda do Bhagavata Purana – não é horizontal a toda a cultura hindu. Se assim o fosse, seria óbvio que toda a gente veneraria Vishnu, deixando um pouco mais de parte as duas divindades restantes. Mas, ainda assim, esta lenda que envolve o sábio Bhrigu e os três grandes deuses não deixa de ser interessante, até de um ponto de vista ocidental, porque nos deixa compreender que mesmo entre tantos deuses existiam alguns que eram mais apreciados e venerados que outros.

Quem foi a deusa Ammit, e qual o seu contexto?

Falar sobre a Ammit implica, talvez até antes de mais, introduzir todo o seu contexto original, sob pena de os leitores terem dificuldade em compreender o seu verdadeiro papel. Começando então por aí, quem olhar atentamente para imagens em que estão representados alguns mitos do Antigo Egipto poderá encontrar, aqui e ali, elementos muito curiosos. As estranhas formas dos deuses na imagem abaixo dificilmente surpreenderão quem conhece um mínimo da Mitologia Egípcia, mas o que dizer da estranha e animalesca criatura visível bem no canto direito da imagem? É dela que aqui falamos hoje!

A deusa Ammit, um ser misterioso...

Segundo acreditavam os habitantes do Antigo Egipto numa dada altura da sua história, quando alguém morria a sua essência, algo que poderíamos definir como a sua “alma”, passava para outro mundo. Nesse mundo tomavam lugar vários eventos, entre os quais eram julgados os actos da pessoa quando ainda estava viva. E é isso que pode ser visto na imagem acima – essa “alma”, representada no lado esquerdo da balança sob a forma de um coração estilizado, é pesada por Anúbis, deus dos mortos, e o seu peso deveria ser inferior ao de uma pena (representada no lado direito, um símbolo de justiça). Do lado direito, o deus Tote/Thoth anota o resultado dessa pesagem das almas.

Mas a acompanhar toda esta cena mitológica pode, por vezes, ser vista uma terceira figura, como pode ser visto quando aqui falámos da confissão negativa dos egípcios. É uma criatura com cabeça de crocodilo e quatro patas, as frontais de um felino e as traseiras de um hipopótamo. É um ser animalesco, contrariamente aos deuses antropomórficos que tanto caracterizavam o Antigo Egipto, mas… de quem se trata?

Outra versão da deusa Ammit, esta em Cavaleiro da Lua

Segundo conseguimos apurar há já alguns anos, esta é uma criatura divina – não é correcto defini-la como uma deusa – conhecida como Ammit, cujo grande papel era o de destruir definitivamente quem não passasse no teste da balança, sofrendo então uma espécie de segunda morte.

E de onde vem essa sua estranha forma, para quem tiver essa curiosidade? O facto do seu corpo ser composto por elementos de um crocodilo, um felino (provavelmente um leão), e um hipopótamo faz-nos considerar o que terão todos esses animais em comum – são animais carnívoros, todos eles muito perigosos, que vivem em terras do Egipto. É, por isso, possível que se tratassem de símbolos de perigo, da morte, que se eram evitados em separado ainda maior temor não poderiam deixar de causar numa forma conjunta, sob a forma de Ammit.

 

O que mais pode ser dito sobre esta pesagem das almas no Antigo Egipto, e em particular sobre a figura de Ammit, que hoje em dia até já nos é famosa pela sua presença em séries como Cavaleiro da Lua? A existência desta criatura divina e a punição que reservava aos pecadores assustava, quase certamente, os crentes da altura da mesma forma como as punições do Inferno assustam os crentes cristãos dos nossos dias. Pouco mais se sabe sobre a sua origem e os seus possíveis actos nos tempos mais antigos, mas quem não se assustaria na presença de uma criatura tão monstruosa como esta?!

“Homem dos sete ofícios”, origem e significado

As Sete Artes Liberais

Ainda hoje é costume dizer-se que quem é muito bom em diversas coisas é um homem dos sete ofícios. Naturalmente que a mesma expressão também pode ser aplicada ao sexo feminino, referindo-se então a uma mulher dos sete ofícios, mas se o significado por detrás desta ideia é bem claro, qual é a sua origem?

 

Muito possivelmente, a expressão “homem dos sete ofícios” tem a sua origem nos primeiros séculos da nossa era, quando autores como Varrão e Marciano Capela instituíram a famosa ideia das sete artes liberais – i.e. o trivium (Gramática, Lógica e Retórica), seguido pelo quadrivium (Aritmética, Astronomia, Geometria e Música) – como uma espécie de sintetização de todas as grandes áreas do saber que então existiam. Quem as dominasse a todas poderia considerar-se como alguém verdadeiramente sábio; e é, naturalmente, esse o significado da expressão nos nossos dias, sendo ela normalmente usada para com uma pessoa que percebe de muitas coisas diferentes, por oposição tácita a alguém que se foca somente numa única área do saber.

O que está escrito nas paredes das Pirâmides do Egipto?

Texto numa pirâmide

Na imagem acima pode ser visto um fragmento da parede de uma Pirâmide do Egipto. Na parte inferior está um bela representação do submundo, com dois deuses a serem transportados na barca em que era feita essa derradeira viagem, segundo os mitos do Egipto. E claro que é uma representação bastante bonita, mas os mais interessados poderão igualmente aperceber-se de que existe aí bastante texto sob a forma de hieróglifos – e, como nós, poderão até ter a curiosidade de se perguntar o que aí está escrito, que palavras acompanham estes desenhos…

 

Como exemplo, decidimos explorar as Pirâmides de Saqqara (ou “Sacara”) através de uma obra que nos foi oferecida recentemente, The Pyramid Texts, de Samuel A. B. Mercer. Através dos seus vários volumes, o autor não só traduz estes textos como tece vários comentários e possíveis interpretações dos mesmos. E então, o que dizem esses textos, neste exemplo em particular?

 

Bem… muitas, muitas coisas. De um modo muito geral podem ser resumidos como textos de carácter religioso, mas existem neles sequências mitológicas (que, infelizmente, nunca nos parecem contar nenhuma história de forma completa e contínua…), breves rituais, poemas, referências históricas, elementos cosmológicos, entre outras coisas. Nesse contexto, as imagens como aquela partilhada acima parecem representar uma sequência igualmente presente no texto. Não temos forma de averiguar se isso acontece sempre, mas pelo menos conseguimos ver que acontece em alguns exemplos particulares. Acima, por exemplo, faria todo o sentido que o texto relate parte de uma viagem celestial, em que dois deuses – possivelmente Rá (veja-se o sol e a serpente) e Quenúbis (ou Quenum, com cabeça de carneiro) – tinham um papel principal.

 

De um modo geral, faz sentido que textos como estes estivessem gravados nas pirâmides. Tratando-se de enormes túmulos, a representação de – por exemplo – viagens no submundo, ou das muitas belezas que existiam após esta vida, apresenta-se como contextualmente digna, tal como nos nossos dias são por vezes colocados versos da Bíblia, ou crucifixos, nos túmulos dos falecidos. Quem quiser saber mais pode sempre consultar os diversos livros, ou projectos online, que hoje existem relativos a este tema…

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