O filme “Excalibur” (1981)

Poster do filme

Calhou, há alguns dias atrás, termos a oportunidade de rever o filme Excalibur, datado de 1981. É, como não poderia deixar de ser, baseado nos mitos do Rei Artur, em particular na versão de Thomas Malory (séc. XV), mas um elemento muito interessante do filme é a forma como pega nessas antigas lendas e, em alguns momentos, as reinventa e reaproveita de outras formas, gerando diversos subtextos que só são perceptíveis àqueles que conhecem os originais. Para dar três exemplos mais óbvios dessa característica nesta versão cinematográfica, as figuras de Artur e do Roi Pêcheur parecem confundir-se numa só, são apenas feitas alusões a Guinevere se juntar a uma ordem religiosa, e Lancelot não tem o mesmo fim.

 

Se essa característica do filme até é interessante, ao mesmo tempo leva-nos a um problema notável – em virtude da sua velocidade, a trama do filme é difícil de seguir, sendo deixados de lado diversos elementos que nos permitiriam compreender melhor a narrativa. Quem já conhece a história pode, naturalmente, compreender sem dificuldade os saltos que vão sendo dados, mas não é um filme tão fácil de seguir para o restantes… apesar de nunca deixar de ser, admita-se, um filme muitíssimo interessante, e que não podemos deixar de recomendar aos leitores!

As “Odes” de Píndaro

"Odes" de Píndaro

De entre as obras de Píndaro que nos chegaram, a principal é uma compilação alexandrina de 45 odes de vitória (ou “epinícios”). Não são, em si mesmas, obras puramente mitológicas, mas têm diversos elementos que não poderão deixar de interessar a quem gosta dos mitos gregos.

 

O poeta faz, aqui e ali, diversas alusões breves a bastantes mitos – “as clareiras de Pélops”, “o companheiro de Iolau”, “o glorioso túmulo de Anfitrião”, etc. – mas também reconta, de uma forma mais alongada, vários episódios mitológicos. Pelo menos um deles, o de Iamo, parece só nos ser conhecido da Sexta Ode Olímpica, mas também aqui são contados episódios como os da morte de Neoptólemo (Sétima Ode Nemeia),  a partilha da imortalidade por Castor e Polídeuces (Décima Ode Nemeia), a construção das muralhas de Tróia (Oitava Ode Olímpiaca), o mito de Belerofonte (Décima-terceira Ode Olímpica), ou até o dos Argonautas (Quarta Ode Pítica), entre muitos outros.

 

De uma certa forma, esta obra é um pequeno tesouro de mitos gregos, tal como estes existiam por volta do século V a.C., e em que podem ser encontradas, aqui e ali, várias pérolas inesperadas.

A lenda da Abóbada da Batalha

Quando se trata de grandes espaços religiosos em Portugal, o Mosteiro da Batalha, cuja construção começou por volta de 1387, é provavelmente um dos mais famosos, e esta lenda da Abóbada da Batalha transporta-nos precisamente para esse local.

Lenda da Abóbada da Batalha

O projecto original do mosteiro foi da autoria de Afonso Domingues, mas à medida que o tempo foi passando ele mostrou-se incapaz de continuar, diz-se que por uma doença que lhe estava a causar cegueira. Assim, o seu trabalho foi continuado por David Huguet, que achava que o plano original para a Abóbada da sala do capítulo jamais iria funcionar… então, desenhando uma nova solução para o local, implementou-a e… a Abóbada caiu! Consideraram-se outras soluções, até que Afonso Domingues foi chamado novamente para fazer esta Abóbada da Batalha… e implementando-se a sua ideia original, ela não caiu quando os apoios foram retirados. Diz-se então que este arquitecto se sentou abaixo do local por três dias, certo de que a sua Abóbada não caíria, dizendo repetidamente “A Abóbada não caiu, a Abóbada não cairá!” – e, de facto, ela nunca caiu.

 

É esta a mais famosa das lendas do chamado Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória, na Batalha, ao ponto de ter inspirado filmes e uma versão nas Lendas e Narrativas de Alexandre Herculano. Por isso, se algum dia forem visitar este mosteiro, procurem a sala em questão, olhem para esta famosa Abóbada da Batalha, e recordem-se de toda a lenda por detrás dela…

A origem do “Panfleto”

Relativamente à origem da palavra “panfleto”, se consultarmos um dicionário ele tende a informar-nos que esta vem do inglês pamphlet. O que nos leva, obrigatoriamente, à questão adicional da origem da palavra no inglês. Na verdade, ela parece vir de um texto medieval chamado Pamphilus de amore, cuja enorme popularidade contribuiu para disseminar a expressão e constituir, de uma forma mais geral, o panfleto como um pequeno texto satírico.

 

Mas de que tratava, afinal, esse Pamphilus de amore? É, naturalmente, um texto satírico, em que um jovem amante procura a afeição da sua amada recorrendo aos serviços de uma sábia idosa. Não sabemos quem o terá escrito, mas a influência das produções poéticas de Ovídio, tão comum num determinado momento da Idade Média, é aqui, sem qualquer dúvida, notável.

O sempre-popular Ovídio

Fim da página no Facebook

Final da Página no Facebook

Decidimos acabar com a nossa página no Facebook. É uma espécie de tradição que nestas alturas se diga que “não foi uma decisão fácil”, mas até o foi – nunca fomos muito dessas tecnologias, mas o facto de termos essa página implicava que tivessemos de utilizar o site em questão, para ver se alguém tinha questões, o que representava uma significativa perda de tempo. Adicionando o facto de essa empresa ter práticas que nos parecem extremamente reprováveis (por exemplo, sabiam que eles roubam dados dos vossos dispositivos, mesmo quando não estão a usar a respectiva aplicação? Ou que só têm empregados para o apoio ao cliente comercial? Ou que podem decidir, só “porque sim”, bloquear todo o acesso à vossa conta?), decidimos deixar de promover a página que tínhamos por lá.

 

Mas, então, se nos quiserem continuar a seguir, o que podem fazer? Essencialmente, têm três alternativas. A primeira é virem cá visitar a página, de tempos a tempos. A alternativa é virem à nossa página e, ali em baixo, subscreverem as actualizações por e-mail, para receberem um e-mail sempre que existir uma nova publicação.