Uma possível origem da “Menopausa”

Existem alguns momentos estranhos na criação deste espaço. Aqueles que, de tempos a tempos, até nos fazem rir um pouco, pela sua singularidade. Este é, de certa forma, um deles.

 

O dicionário da Priberam diz-nos que a palavra menopausa tem por origem dois vocábulos gregos, “menós” e “pausa”, sendo que o primeiro significava mês (o segundo tem o mesmo significado que nos nossos dias). A situação ficaria por aqui, não fosse o facto de Varrão nos informar que Júpiter também tinha uma filha chamada Mena. A que presidia ela? Ao fluxo menstrual, juntamente com a nora, Juno (infelizmente, desconhecemos a identidade da mãe).

 

Não somos informados de qualquer mito associado a Mena, mas é sem dúvida possível que a menopausa tenha recebido essa designação por marcar o término da influência desta deusa. Ou então, que a própria deusa tenha obtido o seu nome do conceito grego. Em qualquer dos dois casos, não deixa de ser uma ideia que fascina, pelo facto de muitos vocábulos dos nossos dias ainda esconderem antigos deuses no seu interior…

“Sobre as Mulheres Famosas”, de Giovanni Boccaccio

Niobe e Anfion

Nesta obra, Boccaccio apresenta-nos breves biografias de 106 mulheres, contando-se entre elas um grande número de figuras mitológicas – Ceres e Minerva, Isis, Europa, Medeia, Jocasta, ou Helena de Tróia, entre muitas, muitas outras. Mas, com a excepção notável de Eva, figuras mais ligadas ao Cristianismo estão totalmente ausentes da obra, como também o estão de outra obra do mesmo autor, Sobre os Destinos dos Homens Famosos.

 

Mas, mais do que uma obra de carácter biográfico, este é um texto com uma intenção moralizante, já que pelo exemplo de todas essas mulheres o autor pretende demonstrar um conjunto de características que já não encontrava no sexo feminino dos seus dias. Para mencionar um único caso, numa dada biografia é exaltada a eterna fidelidade de uma determinada heroína, antes de serem criticados os múltiplos casamentos das mulheres do seu tempo.

 

Finalmente, uma referência inesperada – a Papisa Joana é uma das mulheres cuja biografia aparece constante nesta obra, sendo ela tratada como uma figura totalmente real. Será que o foi? Essa é uma questão que, como antes, preferimos deixar para os leitores.

O Chupa-cabra existe?

Para quem não conhecer esta pequena história, o Chupa-cabra… bem, é uma figura tão conhecida no Continente Americano, em particular nos EUA e no México, que o nosso dicionário até lhe dedica um artigo, definindo esta criatura com os seguintes contornos: “Animal ou entidade que é considerado responsável pela morte misteriosa de animais domésticos, nomeadamente de cabras, no continente americano, em especial na América Central e América do Sul.” A esses elementos apenas adicionaríamos um elemento importante – mata os animais, sim, mas supostamente fá-lo chupando a totalidade do seu sangue, e daí vem o seu nome, como é natural.

O Chupa-cabra existe?

Mas será o Chupa-cabra um animal real? Uma publicação recente, que pode ser lida aqui para quem estiver interessado no tema, dá a entender que até poderá existir um conjunto de fundamentos reais por detrás das histórias associadas a esta criatura. Nesse contexto, estará Benjamin Radford correcto nas suas conclusões? É possível que sim, mas deixamos a resposta final aos leitores.

Virgílio e a “Divina Comédia”

Muitos são os mistérios que se escondem nos versos da Divina Comédia, mas hoje focamo-nos na ideia de Virgílio – o mesmo que escreveu a Eneida, entre outras obras – enquanto guia de Dante. Porquê ele, e não Homero, ou Ulisses, ou Eneias, ou uma Sibila, ou até alguma outra figura mais ligada aos conhecimentos do submundo?

 

Não é uma resposta simples, nem uma que se possa sequer dar com 100% de certezas, mas sabemos é que na Idade Média Virgílio era visto como um mago, talvez até como uma das mais famosas figuras mágicas do sexo masculino. Isso poderá dever-se ao facto de as suas obras conterem profecias, uma delas até (supostamente) relativa à vinda de Cristo. Se, então, se acreditava que ele tinha conhecimentos sobrenaturais, faria por isso algum sentido que fosse uma figura pagã indicada para apresentar o mundo dos mortos a um potencial visitante.

 

Mas será, sem qualquer dúvida, esta a razão pela qual Virgílio foi o escolhido? Realisticamente, não sabemos. O seu papel na Comédia poderá ter sido tanto uma consequência, como uma causa, da sua fama enquanto mago. Porém, também poderá ter sido escolhido por se tratar do mais famoso poeta latino de então e, por isso, um bom modelo para o próprio Dante. Muitas outras poderão ter sido as razões, mas as aqui apresentadas são aquelas que, de um modo geral, nos parecem as mais lógicas.

A lenda de Linda-A-Velha (e Linda-A-Pastora)

Perto da cidade de Lisboa existe uma pequena povoação de nome Linda-A-Velha. Uma tão-invulgar designação tende a suscitar a curiosidade daqueles que por lá passam – por isso, pergunte-se, qual a origem deste estranho nome?

Pequena torre perto de Algés

Conta-nos uma versão da lenda que nessa povoação, entretanto ainda sem nome, vivia uma jovem lindíssima. Habitava uma torre semelhante à da imagem, e por muitos homens que buscassem o seu amor, ela rejeitava-os a todos. Um dia, conheceu um formosíssimo cavaleiro e apaixonou-se por ele. Viveram alguns tempos do mais intenso amor, até que um dia ele teve de voltar para uma qualquer guerra. Aguardando sempre pelo retorno do seu amado, a jovem colocou-se à janela e fitou o Tejo.

O tempo foi passando e a jovem tornou-se mulher, continuando a aguardar que o seu amado voltasse.

E o tempo passou, e passou, e passou. A mulher tornou-se velha, mas continuou sempre a vigiar o Tejo, com uma infinita esperança de que aquele homem que amava um dia voltasse para os seus braços. Enquanto isso, abaixo da sua janela passavam jovens todos os dias, que, fitando o rosto sempre miraculosamente imaculado da velha, jamais se cansavam de dizer ” Que linda a velha!” – e assim foi sendo dado o nome ao local em que a formosa e famosa amante um dia viveu, a terra de Linda-A-Velha…

 

Mas esta não é a única lenda associada ao local. Uma outra diz que o seu nome original era [A]Ninha-a-Velha, pelo facto de um qualquer rei, de identidade agora desconhecida, supostamente ter passado no local e, ao ver uma velha que passava muito frio, ter ordenado a alguém que “aninhasse” – ou seja, desse um agasalho – a pobre idosa. É uma de muitas lendas nacionais que, como a de Benfica, tenta explicar um topónimo através de alguma frase enigmática que se pensava que um monarca tinha dito no local…

 

E… Linda-A-Pastora?

Próxima da localidade anterior pode também ser encontrada uma com o curioso nome de “Linda-A-Pastora”. Não fomos capazes de encontrar uma lenda completa que explique esse nome, mas uma breve alusão que lhe é feita por Leite de Vasconcelos poderá indicar que a designação era anteriormente explicada relatando-se o caso de um homem que abandonou a esposa e foi viver para o Brasil, voltando muitos anos mais tarde, e encontrando no local em que tinha vivido uma belíssima pastora… sem a reconhecer, disse então “Que linda, a pastora!”, contribuindo para dar esse apelativo ao local onde reencontrou a antiga esposa.

 

A semelhança desta lenda com a anterior é inegável, sendo por isso provável que existissem em redor deste local várias lendas muito semelhantes, em que uma mesma explicação era aplicada ou a uma pastora jovem, ou a uma velha de beleza intemporal. É muito difícil saber qual veio primeiro, mas estas parecem ser as duas principais lendas que se associam a estes locais geograficamente muito próximos!