Quem inventou o dinheiro?

Tanto os Gregos como os Romanos parecem ter tido um enorme fascínio com a origem das coisas. Em muitas das suas obras históricas existem repetidas referências ao inventor, ou propagador, das mais diversas artes. O que nos leva a uma questão – afinal de contas, quem foi que inventou o dinheiro, ou como é que este surgiu?

 

Por estranho que pareça, essa é uma das origens que é muito pouco referida. Porém, a Farsália, de Lucano, faz-lhe uma pequena referência, dizendo que foi Ionos – rei da Tessália e uma figura bastante obscura, sobre a qual quase nada conseguimos descobrir – o primeiro a dar forma aos metais, fazendo moedas de ouro e conduzindo os homens à avareza e à guerra.

 

Será a informação de Lucano fidedigna? Será que os Gregos e Romanos acreditavam que tinha sido este Ionos o criador do conceito e forma do dinheiro? Isto não tem uma resposta simples, já que grande parte dos autores, como já referimos, tendem a ignorar esta criação em específico, não parecendo existir fontes muito concretas que possam refutar a ideia. Por isso, teremos de nos resumir a um singelo talvez, à mera possibilidade de que tenha sido mesmo Ionos a fazê-lo.

“A history of chess”, de Harold Murray

Há pouco mais de quatro anos foi por aqui deixada uma pequena referência ao xadrez. Certamente que continha alguns factos interessantes, mas não estavam completos. É nessa sequência que aqui mencionamos agora o livro A history of chess, de Harold Murray, que pode ser obtido gratuitamente nesta página. O principal ponto atractivo da obra prende-se essencialmente com o facto de apresentar uma história completíssima – arriscamo-nos a dizer… em alguns pontos talvez até completa demais? – deste jogo, desde os seus primórdios na Índia e na Pérsia até às evoluções “mais recentes”. É o livro perfeito para todos aqueles que gostem de xadrez e que queiram aprender muitos outros factos como aqueles que anteriormente cá deixámos!

 

Para quem não tiver muito interesse nesse livro, deixamos apenas aqui um outro facto curioso – se hoje se diz “xeque-mate” quando um jogo está prestes a ser ganho, a expressão vem originalmente da língua persa, em que shah mãt significava algo como “o xá [peça equivalente ao nosso rei] está derrotado”.

“Sobre o funcionamento dos daemones”, de Miguel Pselo

Este pequeno livro de Miguel Pselo conta, de uma forma muito sucinta, como funcionam os daemones, e daí o seu título. É estruturado como um diálogo entre uma pessoa que sabe (indirectamente) o que está a dizer sobre esse tema e uma que parece querer aprender um pouco mais. Nada apresenta de muito complexo, mas contém alguma informação interessante para quem, como uma das personagens, quiser saber mais sobre como essas intervenções funcionavam. Por exemplo, como é feito um pacto com um daemon? Parafraseando a informação deste livro:

 

Numa data de especial importância, algumas raparigas são levadas para uma casa preparada para o efeito. Depois, transgridem as leis divinas envolvendo-se sexualmente com membros da sua própria família. Quando dessa relação muito pouco natural nasce uma criança, as grávidas encontram-se novamente no mesmo lugar, é feita uma cesariana mortal e o sangue daí resultante é guardado. As crianças são consumidas, o restante dos seus corpos é queimado e as cinzas são misturadas com o sangue das próprias mães. Essa mistela é depois metida em comidas e bebidas, conspurcando quem as consome.

 

É um ritual macabro, horrendo, como o são quase todos do género, mas é mesmo esse aspecto assustador, ilegalmente transgressivo, que supostamente contribui para o seu poder. Felizmente a obra não contém muitos outros momentos tão chocantes como este, sendo uma boa fonte de informação sobre a forma como os daemones (que, aqui, até poderíamos traduzir já como “demónios”) eram vistos no século XI. Ainda assim, convém que leitores mais sensíveis a evitem, por razões óbvias.

Uma frase em que pensar

Atribuída a um autor bizantino que apenas conhecemos sob o nome de “Elias”, esta frase provinda de um comentário às Categorias de Aristóteles dá muito que pensar:

 

“O autor [de um livro] é um caro amigo, mas também a verdade o é, e quando ambos estão à minha frente a verdade é a melhor amiga”.

 

O que queria ele dizer com isto? Muitas poderiam ser as interpretações mas… fica ao leitor a sua interpretação, como sempre.