Informação importante sobre o passado, presente e futuro deste espaço

Já há algum tempo que pensava anunciar esta alteração, mas hoje tive finalmente tempo e disposição para tal. Como é fácil constatar, este blog começou por ser uma mera compilação de informação sobre figuras mitológicas, retiradas de outros locais. Contudo, nos últimos tempos isso deixou de acontecer, por uma razão que será explicada em seguida.

Se um qualquer leitor quiser ler sobre mitos como o de “Eros e Psique”, os Trabalhos de Hércules ou mesmo sobre as aventuras de Teseu , existem os mais diversos sites e livros aos quais pode recorrer. Por exemplo, uma simples pesquisa por “Psique” revela dezenas de links diferentes, e este é um dos mitos que é usualmente desenvolvido em muitas obras relativos aos mitos greco-romanos.

Assim sendo, eu acho que não há muito interesse em estar a escrever sobre temas que já estão talvez demasiado abordados. Claro que continuarei a escrever sobre os mitos gregos, egípcios e nórdicos, mas de uma perspectiva que considero mais interessante, ao apresentar não só as suas histórias mas também análises e possíveis interpretações das mesmas, tal como já tem vindo a acontecer nos últimos artigos.

É óbvio que quaisquer mitos ou pedidos de informações serão tratados como anteriormente, mas aparte desses casos pontuais, acho que é certamente mais interessante dedicar este espaço a conteúdos que são mais infrequentes neste género de espaço. Caso alguém discorde desta minha mudança, é obviamente livre de a expressar, e eu tomarei em conta qualquer comentário.

O que é um mito?

O que é um mito, afinal de contas?

Outro dia dei por mim a pensar na impossibilidade de efectuar uma divisão temática da Mitologia Greco-Romana. É claro que existem, em termos gerais, infinitas divisões possíveis de seguir, mas não me ocorre nenhuma que permita uma cisão mais geral, possibilitando a colocação de um qualquer mito numa categoria de um pequeno universo. Tais pensamentos levaram-me a uma discussão interna sobre o que é, efectivamente, um mito, e como se poderá defini-lo … mas, na verdade, o que é um mito?

Segundo o Dicionário Online de Língua Portuguesa, o mito é narrativa fabulosa transmitida pela tradição, referente a deuses que encarnam simbolicamente as forças da natureza, os aspectos da condição humana. Tal definição é claramente consistente com os mitos de Narciso, de Baúcis e Filémon ou mesmo de Pigmalião, entre muitos outros. Contudo, levanta um enorme problema, ao impedir que a vida de Hércules, enquanto história conexa e simples ligação de diversos episódios, seja considerada como um mito. A Guerra de Tróia, por exemplo, partilharia desse mesmo problema.

De acordo com uma outra definição, mito é tradição que, sob a forma de alegoria, simboliza um facto natural, histórico ou filosófico, algo que considero um pouco fiável.

Contudo, ambas as definições aqui presentes nos levam a uma palavra chave – tradição. Sem a correcta interpretação desta, um qualquer leitor contemporâneo poderia culpar Zeus por um raio que atinja a árvore em frente de sua casa, historieta que poderia ser considerada, ironicamente, um mito. Assim, entende-se a impossibilidade de considerar um qualquer texto escrito nos dias de hoje como um mito, mesmo que inclua conteúdos similares aos dos textos antigos. Recorrendo ao dicionário anteriormente citado, tradição é conhecimento ou prática que provém da transmissão oral ou de hábitos inveterados.

Voltando à questão inicial, o que é efectivamente um mito? Citando Fernando Pessoa no seu poema Ulisses, “O Mito é o nada que é tudo”.

O que é um mito?!

A morte da Mitologia Greco-Romana e a Ascensão do Cristianismo

De uma forma estranha, devo admitir que este é um tema que me fascina. Contrariamente ao que sucedia na Mitologia Nórdica, com o Ragnarök, e ao carácter cíclico da Mitologia Egípcia, a ausência de um final na Mitologia Greco-Romana é um pouco enigmática.

Em diversos mitos, alguns dos quais já foram por cá referidos, era mencionada a morte ou queda de Zeus. Apesar de um tal evento jamais ter ocorrido, é um pouco triste o final que esta mitologia viria a ter. Nenhum mito narra o seu improvável final, mas é hoje fácil de entender o que realmente se passou.

Séculos após o aparecimento de Zeus e das outras entidade gregas, o Cristianismo teria o seu advento. Seguindo a trama já explicitada em artigos anteriores, existiu uma adopção gradual de alguns símbolos greco-romanos por parte da nova religião, com figuras como Apolo a serem associadas a Cristo.

Contudo, esta modificação vai muito mais longe. Muitos outros aspectos Greco-romanos seriam adoptados pela nova religião que, ao ter elementos em comum com as anteriores, teria a sua disseminação facilitada para a propagação ao longo da Europa. Assim, e de uma forma inesperada, é possível entender algumas semelhanças entre Moisés e Poseidon. O próprio Cristo pode ser visto como uma fusão entre Dioniso e Perséfone, com a associação ao vinho e ao pão a ter relação directa com os mitos de ambos. É ainda possível que os Mistérios de Elêusis, bem como os cultos a Dioniso e muitas outras divindades, estejam directamente ligados à origem do próprio Cristianismo. Infelizmente, os registos a esses cultos encontram-se hoje perdidos, permitindo-nos pensar que poderá lá existir mais do que a história hoje narra.

No entanto, tais hipóteses levariam a uma curiosa hipótese, a da inexistência de Cristo, ou mesmo um exagero dos dons do mesmo, assunções que são impensáveis para as sociedades modernas. Uma interessante hipótese, que talvez valesse a pena debater…

O Mito das Cinco Idades

O Mito das Cinco Idades, constante numa das obras de Hesíodo, é dos mais famosos da Mitologia Grega. Simplificadamente, bastante tempo após génese a dos deuses gregos viria a ser criada a humanidade. Numa das versões, esta seria concebida por Prometeu e Epimeteu, que criaram os seres humanos à sua imagem, usando barro. Segue-se então um resumo do mito, que escrevi há já uns bons meses.

O mito das Cinco Idades

A primeira das cinco idades, denominada “Idade de Ouro”, teve lugar durante o reino de Cronos (ou Saturno). Nessa altura, os humanos viviam entre os deuses e morriam durante o sono, de forma pacífica e sem qualquer espécie de temores.
Quando Zeus passou a ser o rei do Olimpo, atingiu-se a “Idade de Prata”, em que os humanos viviam 100 anos sob a forma de crianças, antes de envelhecerem rapidamente e morrerem. Era uma geração mais impiedosa que os seus predecessores e, por vezes, desrespeitavam os deuses, pelo que Zeus decidiu extinguí-los.
Depois, seria este deus a criar uma nova casta, na chamada “Idade de Bronze”. Nesse momento, os humanos limitavam-se a guerrear, utilizando as suas armas feitas de bronze, acabando por se matar uns aos outros.
De acordo com algumas versões, seguiu-se a “Idade dos Heróis”, em que os heróis e os semideuses viveram. Há que ter em conta que esta Idade nem sempre é considerada na contagem, o que reduz o seu número para quatro, segundo alguns autores.
Finalmente, surgiu a “Idade do Ferro”, em que a degradação da humanidade estagnou. Os humanos passaram a temer os deuses e apesar de tal situação nunca ter vindo a acontecer, dizia-se que esta raça também iria ser destruída por Zeus, numa altura em que os bebés nascessem com cabelo cinzento.

Apesar desta versão não nos falar exactamente do momento em que a humanidade nasceu, deixa-nos entender a criação do Homem à imagem de deus, algo que o Cristianismo e muitas outras religiões antigas professavam. Tendo em conta a sequência aqui seguida, seria não só possível justificar as imperfeições a que toda a humanidade estava sujeita, bem como também explicar a ausência de povos lendários, como os Hiperbóricos ou os habitantes dos jardins das Hespérides.
A “Idade dos Heróis”, possivelmente uma adição tardia ao mito, seria importante para explicar a ausência de criaturas míticas e heróis lendários na época em que esses Gregos viviam. Assim, seria compreensível o desaparecimento dos Ciclopes e dos Centauros (entre muitas outras figuras), bem como a ausência de Circe, Atlas e figuras similares.

Um tal Mito das Cinco Idades não deve obviamente ser encarado como verdadeiro, mas é uma história certamente interessante.

O mito de Astérion

Segundo o mito de Astérion, figura também conhecida em Português por Astério, este era o nome do esposo de Europa, a mesma mulher que fundou a civilização de Creta e que se tornaria a primeira monarca da ilha. Até aqui, a história é já conhecida e não apresenta qualquer surpresa.

Será este o herói do mito de Astérion?

Apesar de uma tal predibilidade, a continuação do mito apresenta-nos algumas dúvidas bastante curiosas. De acordo com alguns dos mitos, Astérion também era o nome dado ao Minotauro, uma das mais famosas criações que a ilha tinha para oferecer. Esta igualdade de nomes permite-nos teorizar uma relação entre ambos, de forma que ambas as figuras até se podem confundir e tornar uma só. Deste modo é-nos possível pensar se Europa não terá casado com o hediondo Minotauro, que tendo em conta a mais famosa versão do mito os faria parentes de sangue, numa relação em que a famosa heroína seria avó adoptiva do monstro, bem como uma amante do mesmo.

 

Analisando esta teoria, há que ter em mente que os casamentos que efectuavam numa idade muito anterior à actual. Assim, vamos presumir que todos os intervenientes teriam 15 anos, na altura dos respectivos casamentos. Isto daria uma idade de 45 anos a Europa, que lhe permitiria casar com o Minotauro quando este tivesse uma idade de apenas 15 anos. Tal situação poderia obviamente ocorrer, mas devido à rigidez excessiva da regra assumida acima, é demasiado improvável.Deve-se ter em conta que a figura de Europa parece desaparecer por completo durante o reinado de Minos, um dos seus três filhos, ausência que dá a entender uma possível morte, invalidando esta teoria.
Vendo a questão de outro prisma, a atracção desta monarca pelos bovinos era já conhecida, como pode ser visto no mito que a liga a Zeus, o que possibilitaria uma relação entre a mesma e curiosa criatura que viria a habitar a ilha de Creta. Contudo, continua a existir a problemática de uma cronologia errónea, em que demasiado é assumido sem provas.

Um pormenor muitas vezes ignorado é a falta de informação sobre o próprio Astérion, que apesar de se ter casado com a famosa Europa é uma figura demasiado ausente, relativamente à qual pouco se sabe. Será talvez esta a maior falha da teoria que aqui se propõe, um problema que nos leva a uma provável solução: a existência de uma personagem que toma este nome  torna-se improvável, se a considerarmos como marido de Europa. Poderá ter sido uma adição tardia ao mito, sob a forma de um nome que se viria a confundir, mais tarde, com o do famoso Minotauro.
Assim sendo, é improvável a existência de uma relação, em termos amorosos e sexuais, entre esta besta e Europa, existindo apenas uma confusão nos nomes de dois personagens que, a meu ver, são totalmente distintos.