A Origem do Doutor da Mula Ruça

Como já cá foi sendo mostrado ao longo dos anos, são muitas as expressões nacionais em que se escondem histórias de outros tempos. Desde o “tempo da Maria Cachucha” até histórias do “arco da velha“, muitas personagens se escondem por detrás do nosso falar do dia a dia. Hoje, por exemplo, para se dizer mal de alguém supostamente credenciado, fala-se de um médico ou doutor da mula ruça… mas de onde vem a expressão?

 

Encontrámo-la, por exemplo, numa breve história popular que nos ficou preservada do tempo de Dom João III, i.e. em meados do século XVI, e que diz o seguinte:

Um físico de el-rei, a quem o povo chamava o Doutor da Mula Ruça porque não havia quem lhe soubesse o seu nome, tendo muita amizade com outro físico que vivia em uma vila, vendo-o uma vez na cidade onde el-rei residia, disse-lhe que se viesse para a corte, onde os homens como ele eram conhecidos e estimados.
— Pois por essa mesma razão — lhe respondeu o outro — vivo eu em outra terra; porque nela sou conhecido por minha pessoa, e não pela minha besta.

 

Por outras fontes da época, é possível identificar esta mesma figura como um tal António Lois (ou Lopez), também apelidado “físico de [ou da] mula ruça”, que tinha estudado nove ou dez anos em Alcalá (Espanha), mas juntando-se essa informação à história anterior, podemos presumir que a ligação se tenha devido ao facto de ele se fazer transportar por uma mula já muito grisalha… e o nome foi ficando, seja pela sua falta de dinheiro para comprar uma mais nova, ou porque se poderá supor que ele nunca fez nada digno de um mérito maior. E assim, podemos supor que a designação, tal como é usada hoje, se deve mesmo ao facto de determinadas pessoas terem um curso universitário, mas não fazerem com ele absolutamente nada digno de nota.

 

Mas… afinal, e porque algumas pessoas ainda têm essa dúvida, deve dizer-se “mula ruça” ou, em alternative, “mula russa”? A expressão correcta é, de facto, a primeira, por se tratar de um animal ruço – ou seja, grisalho – e não haver qualquer razão real para acreditar que o animal de carga tenha vindo de terras da Rússia. E assim, entre a anedota cortesã e o uso popular, o “doutor da mula ruça” atravessou séculos sem precisar de diploma novo. A sua mula — grisalha, paciente e talvez teimosa — acabou por se tornar mais memorável do que o próprio nome do físico. Porque é esse, afinal, o grande destino das figuras que a tradição oral consagra: não ficam na História grande dos livros, mas sobrevivem na pequena história das palavras. E cada vez que hoje falamos desta figura, evocamos, muitas vezes até sem o saber, um tempo em que até na corte se sabia que o verdadeiro mérito não se mede pela montada… mas pelo que se faz com o saber que ela carrega duplamente.

Lenda de Santo Domingo de la Calzada – o galo e a galinha miraculosos!

Há algumas semanas que aqui nos apontaram uma possível ligação entre o “nosso” Galo de Barcelos e um milagre semelhante que teve lugar em Espanha, mais precisamente na localidade de Santo Domingo de la Calzada. Seria verdade? Será que copiámos os Espanhóis, será que foram eles que nos roubaram este famoso milagre nacional, ou será a resposta a toda esta questão algo de totalmente diferente?

Cruzeiro do Senhor do Galo

Não é fácil apurar qual a mais antiga referência literária que temos à lenda do Galo de Barcelos – já por volta de 1867 A. M. do Amaral Ribeiro, na sua Noticia Descriptiva da Muito Nobre e Antiga Villa de Barcellos, dizia que na altura não havia, “que nos conste, nada escrito a tal respeito”. Segundo o autor, a história era apenas composta por “episódios que andam na boca do vulgo”, e que parecem ter nascido do cruzeiro de “muita antiguidade” – ele “devia ter custado bastante dinheiro (…), não sendo por isso de crer que fosse erecto para outro fim senão para memorar o facto (…) de ter cantado um galo assado, etc.” Não encontrámos, de facto, essa lenda em quaisquer fontes literárias até meados do século XIX. Por isso, que o foco caia então na lenda do galo e da galinha de Santo Domingo de la Calzada!

Segundo aquela que parece ser a mais famosa versão da história, na Idade Média um casal e o seu filho iam em peregrinação a Santiago de Compostela. Em dada altura pararam na povoação de Santo Domingo de la Calzada, a cerca de 530 Km de distância, e decidiram pernoitar numa pousada. Foi nesse local que uma jovem, a filha do estalajeiro, se apaixonou pelo filho do casal… mas este, talvez movido pelo sentimento religioso da sua viagem, recusou completamente a jovem. Zangada, ela decidiu vingar-se escondendo uma travessa de prata na mala desse viajante. Depois, os locais acusaram o jovem de lhes ter roubado uma travessa, que lhe foi encontrada na mala, e então ele foi rapidamente condenado a uma morte na forca.

Diz depois a lenda que o casal, muito triste, foi a Compostela e voltou… e quando o fez, ainda encontrou o filho na forca, miraculosamente vivo por intervenção de São Domingo (religioso falecido em 1109), que lhes pediu que o retirassem do local, para ir para casa com eles. Quando o foram pedir ao juíz local, este disse-lhes que o filho estaria certamente tão vivo como o galo e galinha que lhe tinham posto a ele no prato. Então, os dois animais recriaram penas, voltaram à vida, e cantaram… salvando a vida do jovem e levando à expressão local “Santo Domingo de la Calzada, donde cantó la gallina después de asada.

As vagas semelhanças entre esta lenda de Santo Domingo de la Calzada e a do nosso Galo de Barcelos são evidentes… mas quando aparece esta história atestada na literatura? Encontrámo-la na obra Historia de la vida y milagros de Santo Domingo de la Calzada, escrita por Luis de la Vega e datada de 1606. A mesma obra também diz que a casa em que tomou lugar este milagre foi comprada por um mosteiro local em 1439 – e parece ainda existir hoje, sob o nome de “Casa de la Cofradía del Santo y albergue de peregrinos“. E ainda, noutras fontes fala-se de uma suposta bula papal de 1350, que já referia a presença contemporânea de um galo e um galinha na Catedral del Salvador de Santo Domingo de la Calzada, mas não conseguimos verificar a existência ou conteúdo desse texto latino em tempo útil. O certo é que o hábito de ter um galo e uma galinha no interior dessa catedral já existia na Idade Média e prolongou-se até aos nossos dias. Isso suporta a ideia de que “algo” aconteceu mesmo no local – possivelmente por volta dos séculos XII ou XIII –  para gerar uma tão incomum tradição. Na altura, os peregrinos até tinham por hábito levar penas dos dois animais para casa, dizendo-se que as aves ainda descendiam das miraculosas!

Agora, comparando esta história com a de Barcelos, é certo que o cruzeiro parece atestar uma lenda local, mas mais nada no local o faz. Se a lenda já existisse na Idade Média, e fosse bem conhecida, esperaríamos encontrar mais referências a ela, mas nada conseguimos localizar nesse sentido. Até o próprio monumento não apresenta qualquer inscrição ou texto explicativo, sendo difícil determinar o que ele representava mesmo. Pode representar uma forma da lenda de Santo Domingo de la Calzada, ou algum evento que tomou (mesmo) forma no local português… mas disso não encontrámos qualquer prova real, ficando a leitura do monumento para quem o olhar!

Mas atenção… Isto não quer dizer que as duas lendas estão mesmo ligadas! É provável, de facto, que exista alguma ligação entre elas, mas outros milagres semelhantes também se atribuem a outros locais europeus na Idade Média, muitas vezes com ligação ao Caminho de Santiago. O elemento mais digno de nota, no final deste breve artigo, é que se o suposto milagre de Barcelos não está bem atestado na literatura, existe um semelhante em Espanha que o está, e que partilha, de facto, alguns elementos curiosos com a nossa lenda nacional. Por isso, seja qual for a origem do “nosso” Galo de Barcelos, a lenda mantém-se viva, encantando e suscitando perguntas séculos depois…

 

[Adicionado posteriormente:] Descobriu-se, mais recentemente, num livro da primeira metade do século XVI uma referência curiosa a este milagre – ou, para sermos mais precisos, uma referência a como realizar o “milagre”. Ela sugeria obter algum pão, meter aipo e aguardente no interior, e dá-lo de comer ao galo. Ele irá cair adormecido, e durante esse período pode ser depenado. Deverá então ser untado com mel e açafrão, para passar a ter um aspecto “cozido”. Depois, já na mesa, se o bico for untado com algum vinagre forte, o animal acabará por acordar, e uma situação semelhante à dos milagres aqui contados irá tomar lugar… interessante, não é?!

A origem dos Pós de Perlimpimpim

Os Pós de Perlimpimpim são uma daquelas expressões em que muita pouca gente ainda parece pensar nos dias de hoje. Como os “Fenómenos do Entroncamento“, o “sexo dos anjos“, ou o “conto do vigário“, talvez alguém até pense nisso quando ouve a expressão na televisão, ou a lê de passagem num qualquer livro, mas é, sem qualquer dúvida, mais uma ideia curiosa da língua portuguesa. No Brasil, é sobejamente conhecida dos livros de Monteiro Lobato, em particular do Sítio do Picapau Amarelo, mas é natural e previsível que ela aí tenha chegado através da cultura portuguesa. E, se assim o é, de onde nasceu essa expressão, tal como ela ainda é utilizada nas nossas terras lusitanas?

A origem dos Pós de Perlimpimpim

Em busca de uma resposta, fomos à procura das mais antigas referências à expressão, que depressa descobrimos que provém da língua francesa. Por exemplo, em 1750, o Dictionnaire comique, satyrique, critique, burlesque, libre et proverbial já se referia à expressão “poudre de perlimpinpin” (ou pó de perlimpimpim, se o preferirem, no nosso português) como algo que se dizia “des choses qui n’ont aucune vertu” (i.e. “das coisas que não têm qualquer virtude”). Uma espécie de banha da cobra, se preferirem, o que facilmente nos explica o significado que ainda tem nos dias de hoje. Mas, então, de onde provém o próprio “perlimpimpim”, que deve ser uma das palavras mais incomuns da língua portuguesa dos nossos dias?

 

 

Partindo dessa mesma língua francesa e tomando por pista a sua composição em pó, descobrimos então que essa estranha palavra, na língua original, nasceu da junção de “prêle” com “pimpin“. São duas plantas distintas, respectivamente de nomes científicos Equisetum Pandanus Montanus, e o contexto sugere que se fossem reduzidas a pó e aplicadas com um propósito medicinal, não teriam qualquer espécie de efeito. Admita-se que não fomos testar, por motivos de tempo, mas a ideia dos Pós de Perlimpimpim remete-nos, portanto, para um tempo em que se acreditava mais numa medicina assente na virtude das plantas e na sua capacidade para curar (quase) tudo. É natural que isso tenha levado, na altura, muita gente a criar “pós” e “mistelas” sem quaisquer efeitos reais, mas que soavam muito bem a quem delas ouvia falar!

 

 

Os tais Pós de Perlimpimpim são, portanto e para se esclarecer o tema de uma vez por todas, uma mistura de duas plantas que, na verdade, não surtia qualquer efeito medicinal. Não é fácil apontar precisamente quando surgiu a expressão, mas pelo menos já existia na França de 1750. E, no fim de contas, talvez os tais pós sejam mesmo e apenas isso: o mito perfeito de uma poção que não serve para nada, mas que resiste há séculos só porque todos, no fundo, ainda gostamos de acreditar num bocadinho de magia nas nossas vidas.

Discutir o sexo dos anjos – o significado e a verdadeira origem

O significado da expressão discutir o sexo dos anjos já não tem muito que se lhe diga, nos dias de hoje – ela refere-se, como incontáveis outras fontes poderão informar o leitor, à tarefa de falar com alguém sobre algo que não tem, ou não parece ter, qualquer espécie de importância real. O tema ficaria por aí, nem valeria a pena estar a dedicar-lhe estas linhas, não fosse o facto da maior parte das fontes consultadas ocultar aos leitores, provavelmente por desconhecimento, a verdadeira origem desta agora famosa expressão. Portanto, decidimos dedicar-lhe estas linhas de hoje.

 

 

Se o significado da expressão referente ao sexo dos anjos é agora bem conhecido, a sua história começou há mais de dois mil anos. O Judaísmo acredita na existência de anjos (e.g. Livro do Genesis 16:9), e o Cristianismo também (recorde-se o caso do anjo que anunciou a gravidez de Maria), tal como o Islão (famosamente, foi o Anjo ou Arcanjo Gabriel que ditou uma mensagem a Maomé). Porém, nenhuma dessas religiões, entre muitas outras possíveis, alguma vez parece definir claramente o que é, ou não é, um “anjo”. Etimologicamente, o nome leva-nos à ideia de um mensageiro, mas sem que isso nos comunique muito mais sobre a sua identidade. Assim, essa falta de informação real sobre o tema levou os mais diversos pensadores dos primeiros séculos da nossa era ao tema.

Discutir o sexo dos anjos - origem, significado e história

Seria de supor, como é natural, que em dada altura alguém tivesse considerado a própria questão do sexo dos anjos, mas… se isso aconteceu, nunca lhe conseguimos encontrar qualquer referência significativa, ou algum grande trabalho sobre o tema. Nunca parece ter sido uma grande questão para qualquer uma dessas religiões! Em vez disso, autores como João Damasceno ou [Pseudo-]Dionísio, o Areopagita (que nada tem a ver com o deus do vinho) dão é a entender que os anjos, arcanjos e seres semelhantes são de uma substância incorpórea – trocando por miúdos, pura e simplesmente não tinham um género sexual.

 

 

Em vez disso, a expressão relativa ao “sexo dos anjos”, e uma outra, bem menos conhecida nas culturas portuguesa e brasileira (“Quantos anjos podem dançar na cabeça de um alfinete?”), é uma referência ao absurdo da cultura bizantina de meados do século XV. Segundo a lenda, enquanto os Turcos Otomanos lutavam pela posse de Constantinopla, e o último imperador fazia tudo o que podia para salvar a cidade (ainda nos chegou um discurso que se diz, sem grandes certezas, ter sido o último de Constantino XI Paleólogo), os grandes religiosos da cidade se sentavam num palácio, muito confortavelmente, a discutir estas questões completamente inúteis.

 

 

Não encontrámos qualquer fonte real para suportar a ideia de que isso tenha mesmo acontecido, e também não encontrámos qualquer outra em que seja verdadeiramente discutido aquele tal outro tema, o da dança dos anjos. Tratam-se de puras lendas, que, se associadas ao significado actual da expressão, até nos podem relevar um pouco mais sobre ela – não se refere apenas à discussão de temas qualquer espécie de importância real, mas sim ao facto desse debate ter lugar em circunstâncias nas quais se poderia e deveria estar a falar de algo muito mais importante. Como tal, ela nem sempre é empregue da forma correcta nos nossos dias, algo que esperamos que, agora, os leitores consigam corrigir…!

A origem do Masoquismo (e do Sadismo)

Falar da origem do Masoquismo e do Sadismo nestas linhas é, muito sinceramente, admitir que nem todos os nossos temas vão sendo planeados de antemão. Alguns deles apenas nos vão aparecendo pelo mais completo acaso, aquando de uma pesquisa sobre um qualquer outro tema. Neste caso em particular, quando aqui falámos sobre a lenda de Le Loyon, a carta de suicídio dessa figura (supostamente) lendária fazia uma breve alusão a Sacher-Masoch. Não é, hoje, um criador literário particularmente conhecido, e muito menos nos países lusófonos, pelo que o seu nome é, agora, mais ligado ao Masoquismo, que dele obteve o nome. Como…? É precisamente esse o tema de hoje!

 

Confesse-se que não fomos ler todas as obras do Senhor Sacher-Masoch, que pode ser visto na imagem acima, mas a mais importante para o tema de hoje parece ser uma que tem o título de A Vénus das Peles (ou A Vénus em Peles). Nela, surge uma história dentro de uma história, a de um homem, de nome Severin, que se oferece à mulher que parece amar, uma tal Wanda, para ser o seu mais completo escravo, passando até por alguns episódios da mais completa humilhação. A moral da história, conforme até discutida pelas duas personagens principais, aparece bem explícita no final do texto:

“Mas [qual é] a moral?”
“Essa mulher, tal como a natureza a criou e tal como o homem a está a educar actualmente, é sua inimiga. Ela só pode ser sua escrava ou sua déspota, mas nunca sua companheira. Isso só poderá acontecer quando ela tiver os mesmos direitos que ele, e for sua igual em educação e trabalho.”
“Por agora só temos a escolha entre sermos o martelo ou a bigorna, e eu fui o tipo de burro que deixou uma mulher fazer dele um escravo, percebes?”
“A moral da história é esta: quem se deixa ser chicoteado, merece ser chicoteado.”
“Os golpes, como vês, fizeram-me bem; a névoa rosada da supersensualidade dissipou-se, e ninguém jamais me fará acreditar de novo que esses ‘sagrados macacos de Benares’, ou o galo de Platão, são a imagem de Deus.”

Concorde-se, ou não, com estas ideias – discuti-las passa além dos nossos objectivos de hoje – elas estão ligadas à origem do Masoquismo pelo facto de uma personagem da obra, o tal Severin, aparentemente sentir os maiores prazeres em ser humilhado pela mulher que sentia amar. Depois as coisas até lhe dão para o torto, como a citação acima dá a compreender, mas é um tema a que já voltaremos.

 

Esta primeira origem está então ligada ao Sadismo (cujo nome provém do Marquês de Sade, autor francês do século XVIII), pelo facto da ideia do prazer sentido em humilhar alguém ser um tema muito recorrente das suas várias obras. Portanto, se a definição anterior se referia ao prazer sentido por alguém ao ser humilhado, já esta segunda alude a uma espécie de oposto, um prazer que é sentido apenas ao humilhar alguém.

 

O tema poderia ficar por aqui, mas há ainda um aspecto curioso a ter em conta. A citação que fizemos de A Vénus em Peles não foi ao acaso. Apesar de ter já mais de um século de existência, ela capta bem uma ideia que nos foi sendo transmitida por quem ainda hoje se envolve nos caminhos do Masoquismo e do Sadismo. Não nos compete a nós julgar, mas várias dessas pessoas foram-nos dizendo que sentiam uma enorme dificuldade em explorar esse aspecto da sua sexualidade numa relação estável e feliz, precisamente pelas mesmas razões que Sacher-Masoch referiu na sua obra – ambos os conceitos implicam uma relação de poder muito desigual entre os intervenientes, e isso torna difícil que possa existir, fora do metafórico quarto, a igualdade necessária para uma relação amorosa de sucesso. É provável que tenha sido por isso mesmo, por essa perfeição dos autores francês e austríaco em captar a essência destes “problemas”, que os psicólogos deram o seu nome aos respectivos conceitos…