A origem dos dias da semana (e São Martinho de Dume)

Em diversos países europeus os nomes dos dias da semana, e a sua respectiva origem, remetem-nos directamente para divindades pagãs com um grande significado local. Isso já não acontece em Portugal (“segunda-feira”, …, “sexta-feira”, “sábado”, “domingo”), pelo que achámos que poderíamos explicar sucintamente o porquê, e qual a verdadeira origem dos dias da semana.

Calendário

No século VI da nossa era S. Martinho de Dume (também conhecido por Martinho de Braga) escreveu uma epístola Da Correcção dos Rústicos, em que instava os leitores a abandonarem os erros da cultura pagã. Segundo ele, se eram muitas as pessoas que já se tinham convertido ao Cristianismo, estas também continuavam ainda a aderir a diversos costumes pagãos, como celebrar os dias da semana associados aos vários deuses ou depositar pequenas pedras em altares a Mercúrio. O título da epístola vem, naturalmente, da necessidade cada vez maior em “corrigir” esses antigos costumes, que o autor insere num contexto religioso e descreve de forma breve.

 

Não sabemos que efeito real terão tido as palavras de S. Martinho, mas há que frisar que ele não propõe qualquer solução real para o problema, apenas dizendo que os dias deveriam ser dedicados a Deus. No entanto, certamente que poderá ter influenciado a busca por essa solução, já que menos de 100 anos após a escrita das suas linhas surge-nos a primeira referência a uma “segunda-feira”, que ainda hoje pode ser vista na Igreja de S. Vicente, em Braga – a mesma cidade associada ao santo. Estaria essa nova designação já em uso no seu tempo? Até é possível que sim, mas não temos provas directas que o atestem com uma total certeza.

Que transformações adoptou Zeus para seduzir o sexo feminino?

As muitas seduções de Zeus são provavelmente um dos aspectos mais conhecidos dos mitos gregos. Porém, este deus raramente encantava as mulheres ou os homens na sua forma real – de facto, quando Sémele pediu para o ver em toda a sua glória olímpica acabou destruída. Mas então, que transformações adoptou Zeus para seduzir as suas muitas conquistas? Ovídio, nas suas Metamorfoses, faz uma pequena lista, a que aqui adicionamos informações de outras fontes:

– Uma águia, para Ganimedes;

– Uma formiga, para Eurimedusa (e daí nasceu Mirmídon, mas pouco nos chegou sobre este mito);

Um touro, para Europa;

– Uma águia, para Astéria (esta forma do mito não nos chegou);

– Um cisne, para Leda;

– Um sátiro, para Antíope;

– A forma de Anfitrião, para Alcmena;

– Uma chuva de ouro, para Dánae;

– Uma chama, para Égina (esta forma do mito não nos parece ter chegado);

– Um pastor, para Mnémosine (esta forma do mito não nos parece ter chegado);

– Uma serpente, para Proserpina.

 

Pouco sabemos sobre três destes mitos, mas a forma como o poeta os entrelaça nos restantes leva-nos a acreditar que se teriam tratado de histórias famosas na sua época, bem conhecidas dos seus conterrâneos.

O Monstro de Loch Ness existe?

O Monstro de Loch Ness, também conhecido por “Nessie”, é um dos grandes mistérios dos nossos dias. Há gente que jura por tudo o que existe que o viu, bem como pessoas que dizem tratar-se de um embuste para trazer mais turismo a essa região. O nosso objectivo, aqui, não é falar de nenhuma dessas hipóteses, mas de apontar uma curiosidade bem mais estranha.

 

Segundo nos conta a Vida de São Columba, da autoria de Adomnán, existia um monstro no Rio Ness (ou seja, próximo do famoso loch) que atacava as populações que se aventuravam nesse curso de água. Quando o santo o viu, usou o sinal da cruz e algumas palavras para o afastar, tendo a criatura se afastado sem qualquer alarido.

 

Não sabemos se este terá sido um dos avôs de “Nessie”, o Monstro de Loch Ness, mas não deixa de ser curiosa, essa associação de uma criatura monstruosa ao local, há já mais de um milénio. Por outro lado, considerar esta evidência como credível também implica, por exemplo, acreditar na possibilidade de uma existência de criaturas como a Hidra de Lerna ou os Pássaros do Lago Estínfalo. Assim, a busca por uma resposta continua…

Quem foi o primeiro a dizer que a terra orbita em volta do sol?

A teoria heliocêntrica do nosso sistema solar é normalmente atribuída a Nicolau Copérnico, em inícios do século XVI, mas algumas fontes da antiguidade já tinham conhecimento dessa hipótese. Aristarco de Samos é referido numa das obras de Arquimedes como tendo postulado a teoria de que o sol e as estrelas se encontravam fixos e apenas a Terra girava em redor do primeiro. Também parece ter apoiado a ideia de que as estrelas eram sóis que estavam muito distantes.

 

Sabemos (hoje) que este autor estava correcto, mas poucos foram os autores da Antiguidade que lhes prestaram essa devida atenção. Só Copérnico, muitos séculos mais tarde, voltaria a essa ideia, popularizando-a de uma forma tão significativa que hoje lhe atribuimos essa (re)descoberta, como se fosse algo de totalmente novo.

A canção de Nero no filme “Quo Vadis”

Todos aqueles que já tenham visto o filme “Quo Vadis” de 1951 terão visto uma cena em que Nero canta uma breve música:

 

 

Se esta música nada parece ter de notável, a sua melodia provém do Epitáfio de Sícilo, uma das mais antigas músicas que nos chegou preservada de forma completa. Pode ser ouvida abaixo:

 

 

É claro que a letra original nada tem a ver com a cantada por Nero na primeira sequência, mas não deixa de ser curioso que tenham reaproveitado a melodia para o filme, mostrando que quem o produziu sabia bem o que estava a fazer.