“Bishops who dissented from the Christological findings of the First Council of Nicea”?

Na internet pode encontrar-se todo o tipo de coisas, algumas delas verdadeiramente fascinantes. Uma delas pode ser vista na imagem abaixo, em que a um qualquer viajante virtual foi pedido para seleccionar, numa representação bizantina do Primeiro Concílio de Niceia, os quadrados em que estejam representados bispos que discordaram da Cristologia estabelecida nesse concílio. É uma mera brincadeira, só uma pessoa com conhecimentos muito específicos seria capaz de cumprir esta estranha tarefa, num sistema que habitualmente até só pede para seleccionar sinais de trânsito, autocarros, etc., mas… na verdade, se não se tratasse de uma brincadeira, qual seria a resposta correcta para a questão “Bishops who dissented from the Christological findings of the First Council of Nicea”? E, ainda melhor, será que ela estava acessível aos “comuns mortais”?

"Bishops who dissented from the Christological findings of the First Council of Nicea"?

Curiosamente… é até possível a qualquer pessoa responder com sucesso a esta questão! Para isso basta prestar-se alguma atenção à imagem – mesmo que se desconheça a identidade de qualquer uma das figuras representadas, é possível ver que na parte inferior da imagem se encontra uma figura caída no chão, numa espécie de expressão de mais plena derrota. Ela não tem qualquer auréola, ou coroa solar, o que é raro nesta imagem. Depois, quem continuar a olhar bem para ela, poderá ver do lado esquerdo uma segunda figura sem auréola, com umas vestes esverdeadas; à direita do centro uma terceira, com um chapéu estranho e o que parece ser um bastão, também sem essa distinção; e em quarta do lado direito, de que apenas o chapéu pode ser visto na imagem. Bastaria seleccionar esses seis quadrados e toda a questão ficaria resolvida, é tão simples como isso!

 

Mas… afinal de contas, quem foram essas quatros figuras, os tais “Bishops who dissented from the Christological findings of the First Council of Nicea”? O mais evidente de todos eles é aquele que está no chão – só pode ser Ário, o fundador da doutrina dita-“herética” do Arianismo, que lhe tomou o nome (e nada tem a ver com Hitler). Esta ideia, muito sucintamente, dizia que Deus e Jesus Cristo não são apenas um só e o mesmo, e foi o principal inimigo do Primeiro Concílio de Niceia – para a combater, foi então adicionado à oração do Credo que Jesus era “consubstancial ao Pai”.

Os restantes três não são tão simples de descobrir… dois deles têm chapéus semelhantes ao de Ário, mostrando que vinham da mesma zona geográfica, e portanto é provável que sejam Theonas de Marmarica e Secundus de Ptolemais. Ao centro, e até por parecer ser jovem, é provável que esteja o diácono de nome Euzoios.

 

Como se sabe tudo isto? No concílio em questão estiveram pelo menos 200 bispos, e quando se tratou de aprovar o agora-famoso “Credo Nicénico”, apenas três deles se recusaram a fazê-lo, nomeadamente Ário [de Ptolemais], Theonas de Marmarica e Secundus de Ptolemais (Euzoios era apenas diácono, por isso não votou). Agora, se alguém quiser arriscar a identidade de todas as outras figuras representadas na imagem, com a natural excepção do Imperador Constantino (ao centro, com coroa e vestes vermelhas), aí é que toda a tarefa se torna muito mais complicada, e certamente que não iremos aqui fazê-la.

 

Claro que toda esta imagem, e a estranha “captcha” que lhe está associada, são meras brincadeiras. Presumimos que nunca ninguém tenha tido MESMO de realizar esta curiosa tarefa antes de enviar uma mensagem a uma empresa, ou de aprovar um pagamento bancário, mas é digno de nota que apesar dessa brincadeira, a questão até tem – como demonstrámos acima – uma resposta completamente real, bem como a presença de pistas que poderiam ter sido seguidas por quem nada perceba de todo este tema. É até provavelmente isso que uma boa brincadeira faz, “delectare et docere“…

A origem dos Pontos Cardeais

Falar da origem dos pontos cardeais, ou da chamada “rosa dos ventos”, pode ser um pouco complicado. Quem tentar fazer uma pesquisa por essa informação na internet encontra, aqui e ali, informações muito variadas e vagas, essencialmente dizendo que estas coisas foram todas elas criadas pelos Gregos da Antiguidade, mas sem que se explique ora sobre o porquê dessa criação, ou se apresentem quaisquer tipo de provas reais. Visto que não gostamos muito que se teorizem as coisas só “porque sim”,

A origem dos Pontos Cardeais ou da Rosa dos Ventos

Na imagem acima pode ser visto o chamado “Fígado de Placência”, que obteve esse nome pelo local em que foi reencontrado em finais do século XIX. A sua data de origem não é completamente clara, mas a cidade, em si, parece ter sido fundada no século II a.C. Agora, o que isto tem de interessante e de relevante para todo o tema é que este se trata de um modelo de um fígado de uma ovelha em tamanho real, com alguma escrita – em Etrusco – com intenções lectivas. Já não é claro como os fígados, e outros orgãos internos dos diversos animais, eram utilizados na altura para prever o futuro, mas o que pode ser visto, sem muita dificuldade, ali em cima é que existe uma tentativa de divisão do orgão em diversas partes.

Isto é importante porque, segundo ainda se sabe, os Etruscos acreditavam numa interpretação de sinais divinos com base no local em que tinham lugar. Assim, uma trovoada a nordeste teria um significado diferente de uma a sudeste, ou de uma a norte; um pássaro que cantava a sul devia ser interpretado de forma diferente de um que o fazia a leste, e assim por diante.

 

Esta necessidade religiosa de uma divisão dos céus e do mundo, na altura com um total de 16 partições, levou à criação de algo que poderíamos chamar os pontos cardeais por parte dos Etruscos. Nessa sua forma inicial, isto nada tinha a ver com os ventos, como outros artigos insistem em fazer crer, mas com a necessidade de compreender que deus enviava um determinado sinal divino. Uma dada subdivisão pertencia ao Sol ou a Jano, outra pertencia a deuses quase esquecidos como Fufluns ou “leθns“… e para poderem interpretar correctamente todos esses presságios, os sacerdotes de altura tinham de ter um conjunto de vocabulários para designar cada uma dessas posições, o que levou tanto àquilo que chamamos pontos cardeais, mas também – e muito posteriormente – à chamada rosa dos ventos.

 

O que é muito curioso, mas também muito digno de nota, em toda esta história é que ela não está escrita. Não existe qualquer prova indisputável que diga, contrariamente ao que aconteceu com a origem dos nossos dias da semana em Portugal, que a direcção anteriormente associada a Fufluns agora ia passar a ser denominada “Sul”. O que sabemos, sem dúvidas e porque alguns autores latinos nos foram legando essa informação, é que os Etruscos previam o futuro com base nas tempestades e suas localizações, bem como através da utilização de fígados de animais, e a existência de vestígios como os mostrados ali na imagem acima atestam o seu interesse no estudo dessas divisões. Daí até à alteração de nomes de cada uma das divisões vai um passo muito pequeno, e se não sabemos quando ele teve lugar, o processo parece ter resultado de uma readaptação de um conjunto de pesquisas, outrora religiosas, ao mundo secular… e a sua associação aos ventos, necessária para a navegação marítima, também faz bastante sentido.

 

Portanto, em suma, qual é a mesma a origem dos pontos cardeais e da rosa dos ventos? Na nossa opinião – mas frise-se que, como já apontado acima, não existem provas 100% concretas – essas ideias nasceram dos Etruscos, e da sua comprovada necessidade religiosa de subdividir tanto o mundo terreno como os orgãos internos dos animais em diversas secções, cada uma delas associada por este antigo povo a uma entidade divina diferente.

Kitty Genovese e o nascimento dos números telefónicos de emergência

É provável que em Portugal e no Brasil o nome de Kitty Genovese seja muito pouco conhecido, mas mesmo assim ela teve um papel importante na história mundial. Mas já lá iremos, por agora bastará dizer que esta senhora nasceu Catherine Susan Genovese em 1935, em 1961 foi presa pela sua participação em uma esquema de apostas desportivas ilegais, e na madrugada de 13 de Março de 1964 saiu do seu local de trabalho, para ir para casa, quando lhe aconteceu algo bastante grave…

Kitty Genovese e o nascimento dos números telefónicos de emergência

Em suma, e poupando os leitores aos pormenores mais chocantes, nessa noite, por volta das 2h ou 3h da manhã, Kitty Genovese estava a voltar para casa depois do seu trabalho nocturno num bar quando foi esfaqueada por um ladrão, um tal Winston Moseley. Se, primeiro, esse bandido até foi afugentado por uma pessoa que presenciou a cena, depois ele voltou para acabar o seu trabalho, não só matando esta senhora mas também lhe roubando o pouco que ela tinha consigo. Agora, claro que isto é triste, mas este ainda é um espaço sobre mitos e lendas, pelo que o aqui particularmente relevante é o que aconteceu a seguir.

 

Kitty Genovese, como ela ainda é conhecida hoje, faleceu nessa madrugada de 13 de Março de 1964, e no dia 27 de Março do mesmo ano o jornal The New York Times publicou uma notícia inquietante, na qual revelou que existiram 37 testemunhas diferentes desse crime, mas nenhuma delas interviu para salvar esta senhora, ou sequer telefonou para a polícia. Posteriormente, veio a apurar-se que as coisas não tinham sido bem assim, como este jornal tinha apregoado, que os números reais eram significativamente diferentes, mas este fenómeno, que é bem real, ficou então conhecido como “Efeito de Espectador” ou “Síndrome de Genovese” – ele diz, essencialmente, que quando muitas pessoas presenciam algo de significativo (como um crime), tendem a pensar que outra pessoa irá reportar a ocorrência, e portanto não fazem nada.

 

Agora, tendo nós aqui falado recentemente de um falso crime, face ao suposto número de “37 testemunhas que não fizeram nada”, é claro que isto gerou um certo pânico e muitos debates sobre o tema. Todas as pessoas como que foram inventando as suas desculpas para não terem agido da forma mais correcta (como também ainda é comum nos nossos dias), e algumas delas desculparam-se dizendo que até queriam chamar a polícia, mas não sabiam para que número de telefone ligar. E foi essa sequência de eventos que levou a uma necessidade crescente da instituição de números telefónicos de emergência.

Importa esclarecer que eles não nasceram, em específico, com este caso de Kitty Genovese (o número “999” já existia no Reino Unido desde 1937 para esta mesma tarefa), mas ele parece ter sido o mais importante de todos os casos que contribuíram a disseminação de todo o conceito – em Portugal viemos a ter o “115” pelo menos desde Novembro de 1965, que hoje já é “112”, o número comum europeu para este tipo de chamadas. Desconhecemos se existiu algum caso semelhante em Portugal, semelhante ao acima, que tenha contribuído para o estabelecimento deste número nas nossas terras nacionais, mas a mais relevante de todas as histórias que encontrámos em relação a este número é, sem qualquer dúvida, a que apresentámos acima.

O primeiro mito do Zoroastrianismo (e a origem do bem e do mal)

Falar deste primeiro mito do Zoroastrianismo é, talvez mais que tudo, falar de um tempo já tão recuado que ninguém parece saber muito bem quando foi. Diz-se, hoje, que o fundador dessa religião, um tal Zoroastro ou Zaratustra, viveu há cerca de 3000 anos atrás, mas nem disso se tem qualquer certeza. O que se sabe bem, no entanto, é que foi ele o criador de um conjunto de ideias filosóficas e religiosas que tiveram um impacto tão profundo na humanidade que já ninguém sequer pensa de onde vieram, tão naturais que acabaram por se tornar.

Pense-se, por exemplo, na oposição composta pelo “bem” e pelo “mal”. Um desses elementos implica necessariamente a existência do outro. Ou “luz” e “trevas” – mais uma vez, cada um dos dois pode ser definido como a ausência do outro. E poderíamos aqui dar N outros exemplos, mas pretendemos é chegar à ideia de que a existência de dualidades, divinas ou mais terrenas, parece ter nascido com o Zoroastrianismo, ou pelo menos sido muito popularizada por este. Antes desta religião os deuses e heróis parecem ter sido figuras essencialmente amorais (e.g. o mito de Lugalbanda), quase humanos como nós (e.g. vejam-se, por exemplo, as paixões de Zeus, em que ao deus grego nunca é apontada qualquer necessidade de fidelidade!), mas aparenta ter sido com esta religião que um aspecto fulcral da sua existência se alterou e modificou o pensamento da humanidade no Ocidente para sempre.

O primeiro mito do Zoroastrianismo

Segundo a revelação de Zoroastro, numa dada altura muito remota nada existia excepto duas divindades – “Ahura Mazda” (ou “Ormasde”) e Arimã (ou “Angra Mainiu”). Elas eram completamente opostas em tudo, pelo que quando a primeira gerava “algo”, a outra tinha igualmente o poder de gerar o seu contrário, como se de uma espécie de sombra constante se tratasse, num processo que se repetiria até ao fim dos tempos. Por exemplo, em dada altura a primeira cria um determinado animal, como um cão, e a outra gera uma espécie de contrário, como um lobo, para que ambos se pudessem defrontar num combate eterno. A ideia repete-se opondo um mangusto a uma cobra, etc. E então, justificava-se pelo conflito contínuo entre estas duas figuras todos os problemas do nosso mundo… e assim se gerou a grande ideia de um “bem” e um “mal”, opostos em tudo!

 

Toda a ideia é muitíssimo bem captada no Bundahishn, um texto zoroastriano possivelmente do século VIII da nossa era (mas baseado em fontes literárias anteriores, já perdidas), no qual aparece a seguinte sequência:

Arimã contra Ormasde;
[Outras divindades aqui]
(…)
Mentira e falsidade contra a verdade;
Excesso e deficiência contra moderação;
Maus pensamentos, palavras e actos contra bons pensamentos, palavras e actos;
O mau caminho contra o bom caminho;
(…)
Indolência contra diligência;
Vingança contra a paz;
Dor contra o prazer;
Mau cheiro contra a fragrância;
Escuridão contra a luz;
Veneno contra o antídoto;
(…)
O Inverno contra o Verão;
O frio contra o calor;
A secura contra a frescura;
(…)

Esse constante estabelecimento de oposições entre as duas grandes figuras do Zoroastrianismo é um elemento muitíssimo repetido na teologia dessa religião, mas nas suas muitas histórias vão aparecendo, aqui e ali, outros elementos curiosos. Por exemplo, as mulheres começaram a ter a sua menstruação por influência do deus “maldoso”; pela acção do séquito do tal vilão dois gémeos fizeram amor após 50 anos de espera para que toda a humanidade pudesse ser gerada; e o deus “bondoso” criou as mulheres com uma característica muitíssimo curiosa, que até pode ofender algumas das pessoas que nos lêem mas é digna de ser recordada aqui, numa outra citação do Bundahishn:

[As mulheres terão] uma boca perto do ânus para que a relação sexual pareça aos seres humanos o mais doce dos sabores da comida na boca.

 

Tudo histórias interessantes, não haja qualquer dúvida, que um outro dia talvez venhamos a recordar por aqui, mas o que nos interessa hoje é somente o primeiro mito do Zoroastrianismo, o da criação de tudo o que existe por duas figuras completamente opostas mas curiosamente complementares. Essa ideia, por simples que hoje nos pareça, teve um impacto significativo em figuras ocidentais como Platão e em religiões como o Maniqueísmo, e foi tão famosa que ainda chegou ao nossos dias, por muito que tenhamos esquecido de onde ela vem – aponte-se que a religião de Zoroastro ainda existe, mas os seus crentes são cada vez menos frequentes, e não encontrámos sequer um único em Portugal.

 

Mas, ainda sobre todo este tema, uma última curiosidade. Quando gerámos a imagem ali em cima, que deveria representar a oposição destes dois deuses essenciais, um sistema informatizado colocou uma terceira figura, branca, entre eles. Não é possível descobrir porque o fez, mas corresponde, de facto, a uma evolução curiosa desta religião – se os textos, hoje quase perdidos, diziam que apenas zurvan existia antes das criações feitas por estes dois deuses, alguns crentes humanizaram essa figura – que originalmente significava apenas “o tempo” – e criaram o Zurvanismo, que mais do que venerar os dois “irmãos”, tinha por grande e único deus aquela estranha entidade que os parecia ter criado. Mas isso já são outras histórias, demasiado afastadas do tema de hoje…

A Criptozoologia e a lenda do Mokele-mbembe

Para aqui falarmos de uma possível lenda do Mokele-mbembe temos obrigatoriamente de falar de Criptozoologia. A palavra não é muito conhecida ou utilizada no nosso país, mas refere-se a um ramo científico que supostamente estuda, ou procura tentar estudar, os animais que ainda não são conhecidos entre nós. Alguns, como o (peixe) Celacanto, acabaram por provar-se completamente reais; outros, como o Bigfoot ou o Kelpie, ainda hoje se procuram; e num terceiro grupo poderiam colocar-se aqueles supostos animais que a Ciência já parece ter provado não existirem, criaturas como a Mantícora ou o Hipogrifo.

A Criptozoologia e a lenda do Mokele-mbembe

Muito poderíamos aqui escrever sobre cada um desses grupos, as suas origens e outras coisas que tais, mas para o tema de hoje é particularmente relevante falar-se do Mokele-mbembe, uma suposta criatura que se pensa viver nas terras do Congo e que é normalmente representada como um dinossauro de pescoço comprido, como o visto ali na fotografia acima. O que ele tem de especial, de particularmente digno de nota, é ser frequentemente utilizado em debates na Criptozoologia para se argumentar que criaturas dinossáuricas podem ter chegado aos dias de hoje. Há alguma prova? Absolutamente nenhuma, nem alguma vez esta criatura foi vista na primeira pessoa por algum ocidental, mas existem é muitas tradições e lendas locais que referem a existência, seja actual ou passada, de uma criatura com estas características.

 

Qual é, então, essa lenda do Mokele-mbembe? Claro que valeria muito a pena contá-la aqui, mas o grande problema é que não existe uma versão “oficial” de toda a sua história. Pelo contrário, existem é diversos relatos que referem a criatura, lhe dão características físicas muito semelhantes (aquele enorme pescoço é sempre constante), mas divergem na sua origem e acções – recordamos, a título de exemplo, que numa dada versão ele é um espírito que pune aqueles que pescavam no rio local sem antes terem realizados um conjunto de rituais de carácter religioso.

 

Por isso, será que o Mokele-mbembe existe mesmo? A melhor forma de responder a essa questão passa por dizer que ele provavelmente existe tanto como o Monstro de Loch Ness. Existem poucas ligações entre ambos, com a exclusão da forma dinossáurica, mas se um deles verdadeiramente existir, torna-se repentinamente muito mais fácil acreditar na existência do outro; ao mesmo tempo, se de alguma forma se conseguir provar a inexistência do primeiro ou do segundo (o que é difícil…), isso em absolutamente nada afecta a crença no outro.

 

Para terminar, talvez valha a pena descrever a Criptozoologia como uma ciência do possível mas incerto. Isto porque é certamente possível que criaturas como aquela a que dedicamos as linhas de hoje existam, mas ainda não foram encontradas excepto nos resquícios de fósseis de outros tempos. Essa incapacidade de os encontrar não vale a favor da sua inexistência, mas levanta é a possibilidade de que um dia possam efectivamente ser encontrados, como aconteceu ao Celacanto, que muitos designam hoje como um fóssil vivo…