Em busca da Bruxa Évora

Há algum tempo vieram-nos pedir mais informação sobre uma tal Bruxa Évora. Não é uma figura simples, até porque à primeira vista nem é totalmente claro se Évora era o seu nome ou a sua origem (i.e. “Bruxa de Évora”), mas por muito que procurássemos só encontrámos informação pouco fidedigna e muito inconsistente. E isso, como já é costume, não pôde deixar de nos fascinar mais e mais. Portanto, decidimos partir em busca da verdadeira origem dessa figura, hoje ainda famosa no Brasil mas pouco conhecida em Portugal.

Será um deles a Bruxa Évora?

Relembre-se que mesmo no tempo da perseguição das bruxas por toda a Europa nunca foram muitas as figuras culpadas desse crime em Portugal. Mas, curiosamente, entre as poucas condenadas à fogueira contou-se, no ano de 1626, uma pessoa da cidade de Évora, de seu nome… Luís de La Penha – ou seja, não era uma mulher, mas sim um homem, este condenado eborense por bruxaria e feitiçaria.

E que fez ele, para que merecesse um tal castigo? Segundo as sentenças da Inquisição que nos chegaram, essencialmente este homem previa o futuro e fazia feitiços, todos eles com intervenção do Diabo ou de uma figura feminina muito bonita (cuja identificação não é clara nos documentos que lemos). Face a essas ideias anti-cristãs, ele foi condenado uma primeira vez e, eventualmente, perdoado. Mas depois, possivelmente até porque não tinha outra forma de fazer dinheiro, voltou a insistir no mesmo, foi denunciado múltiplas vezes, e voltou a ser preso, sendo desta vez condenado mesmo à fogueira.

Assinatura de Luís de La Penha

Neste contexto, se é possível que tenham existido outras figuras famosas da arte da feitiçaria em Évora, Luís de La Penha é certamente o mais famoso, até em consequência do seu destino. Mas será ele quem está por detrás da figura que procuramos? É muito provável que sim – a figura é famosa no Brasil mas está hoje quase esquecida em Portugal. Se a sua história tiver sido levada para o Brasil no século XVII, é provável que os nativos desconhecessem a cidade de Évora, transformando as menções que ouviam a um famoso “bruxo de Évora” num “bruxo Évora”, que depressa se poderá ter tornado uma “Bruxa Évora” pelo simples facto da feitiçaria ser mais associada ao género feminino.

Ao mesmo tempo, isto poderá explicar o porquê de pouco ou nada se saber sobre a figura da Bruxa Évora – se ela nasceu de um mero nome com uma existência quase fantasmagórica, de uma compreensão incorrecta de algumas palavras, não é possível que tenha por base alguma história real, abrindo caminho a que possam ter sido geradas múltiplas histórias apócrifas associadas a ela, que terão de diferir quase por completo face ao facto de lhes faltar qualquer fundamento de realidade em que se possam basear.

 

Podemos estar errados nesta possibilidade para uma identidade da chamada “Bruxa Évora”, mas frise-se que o nome não é comum – de facto, só existe uma cidade de Évora em Portugal, nenhuma no Brasil, e existiu uma Evora em Queensland (Austrália). Enquanto nome próprio, também é muitíssimo raro – não conhecemos qualquer exemplo do seu uso, além da cidade dos eborenses. Por isso, se a figura existe e é popular no Brasil, terá vindo de Portugal, sendo por isso possível que se tenha baseado em eventos ou figuras do nosso país. E, na ligação entre a bruxaria e a cidade alentejana, Luís de La Penha é certamente o seu exponente mais famoso, podendo ter dado lugar a esta figura numa forma como a que já discutimos acima.

Já conheces o segredo de Peter Pan?

A história de Peter Pan é bastante famosa nos dias de hoje, mas também esconde um grande segredo de que poucas vezes ouvimos falar. Se, tanto quanto nos foi possível apurar, a figura e as suas histórias não são baseadas em qualquer mito, lenda ou tradição oral – serão, portanto, somente uma criação do inglês J. M. Barrie nos primeiros anos do século XX – a forma como a história chegou aos nossos dias, em versões como a da Disney, está muito sanitizada, censurada, esquecendo “misteriosamente” alguns elementos mais estranhos da obra original.

O sinistro Peter Pan

Esta agora-famosa história é contada em duas obras da autoria exclusiva de J. M. Barrie, Peter Pan in Kensington Gardens e Peter and Wendy. Quem quiser conhecê-la por completo deverá ler ambas, mas quando o fizer acabará por encontrar faces muito sinistras da história que, naturalmente, parecem ir desaparecendo ou sendo amenizadas nas versões mais modernas.

 

Por exemplo, o primeiro desses livros conta as origens de toda esta figura. E quem é ele? Uma criança com menos de um ano de idade que fugiu de casa da mãe, esvoaçando, e que passou a viver escondido nos Kensington Gardens londrinos. Até aqui tudo bem, é apenas uma história de fantasia, mas mais à frente o herói começa a sentir falta da sua mãe e decide visitá-la. Encontra-a ainda a chorar, com a janela de casa ainda aberta, etc., e então decide fazer uma derradeira aventura e voltar mais tarde. Retornando depois, encontra a mãe no mesmo quarto, já feliz, com um novo filho nos braços – e, repita-se, até aqui tudo bem – mas tendo posto barras de ferro na janela do quarto, para que nada possa entrar ou sair. Nesse sentido, o herói sente que a mãe se esqueceu dele, tal como o leitor provavelmente já se terá esquecido que está a ler uma história para crianças.

 

Na mesma história, Peter Pan conhece também uma menina de quatro anos, chamada Maimie Mannering, e têm algums aventuras juntos. Trocam dedais e beijos, até que o herói lhe pede para casar com ele. Ela rejeita, dizendo que iria ter saudades da mãe, mas continua a voltar aos jardins de tempos a tempos, deixando prendas ao antigo amado. E vai crescendo… mas o herói, esse, continua sempre com a idade que tinha originalmente – ou seja, acabaram de testemunhar uma história de amor entre um menino com menos de um ano (recordem-se, ele não envelhece!), e uma menina de quatro anos que, quando vai crescendo, mantém uma espécie de paixão por uma figura estranha que conheceu há anos e que se mantém igual ano após ano.

 

Poderíamos estar a tentar ver mal onde não o há, mas quem conhecer a história presente na segunda obra notará que estes temas se mantêm – Wendy terá cerca de 12 anos, o herói não envelhece (será que continua com um ano de idade?! Não é claro), eles têm aventuras juntos na Terra do Nunca, no final os restantes Meninos Perdidos acabam adoptados pela família Darling, mas a figura que dá o nome a estas histórias, essa, volta sozinha para o local de onde vinha e parece esquecer esta jovem. É novamente abandonada (quantas mais vezes o terá sido?!), e parece esquecer também esta companheira. Isto até que, muitos anos mais tarde, quando Wendy já é mais velha e tem uma filha, aparece subitamente e parece querer levar a menina em novas aventuras… quantas mais crianças terá ele levado consigo, e trazido depois de volta à medida que se tornam mais velhas?!

 

Quando os Irmãos Grimm censuraram muitas das histórias que recolheram, talvez tenham tido uma certa razão no que faziam. Há um conjunto de possíveis leituras muito inquietantes em algumas histórias infantis, um vector muito sinistro nestas histórias de Peter Pan, que se até podem levantar várias razões para debate nos mais velhos, poderão inquietar as crianças. A nós, sinceramente, levaram-nos a muitas questões – por exemplo, há um subtexto nestas obras que levanta a possibilidade de que quase todas as personagens estejam mortas… mas será que essa era uma das leituras pretendidas pelo autor? Fica a questão…

O mistério do Flautista de Hamelin

A história do Flautista de Hamelin é provavelmente uma daquelas de que todos ouvimos falar quando éramos mais novos. Aparece em incontáveis livros, sob a forma de um conto ou lenda, mas independentemente do que lhe quisermos chamar por detrás dela esconde-se um verdadeiro e gigantesco mistério, que funde ficção com realidade. Mas já lá iremos, por agora resumimos aqui a versão mais famosa de toda a trama:

O Flautista de Hamelin

Há muitos, muitos anos atrás a cidade alemã de Hamelin estava a sofrer uma enorme praga de ratos. Um dia, os seus habitantes foram visitados por um homem misterioso em roupas coloridas, que se dispôs a resolver a praga que afectava a cidade a troco de algum dinheiro. E então, os cidadãos de Hamelin, felizes com a proposta, depressa a aceitaram, e o homem que viria a ficar conhecido como o Flautista de Hamelin rapidamente resolveu o problema – através do som da sua música de flauta atraiu todos os ratos para um dado local e, conduzindo-os depois para um rio, afogou-os a todos.

O problema estava resolvido, mas quando o honesto trabalhador voltou à cidade e pediu o dinheiro que lhe era devido, os habitantes recusaram dá-lo. Por três vezes insistiu no que era dele por direito, e por três lhe recusaram o que pedia justamente. Então, tocando novamente a sua flauta, desta vez o estranho herói atraiu [130?] crianças para fora da cidade e elas nunca mais voltaram a ser vistas.

 

Esta poderia ser uma história como tantas outras, de flautas mágicas e homens misteriosos que resolvem problemas mundanos com recurso a um qualquer deus ex machina, mas dizem as crónicas que ela efectivamente tomou lugar no dia 26 de Junho de 1284, altura em que um homem que tocava flauta levou as crianças para um monte próximo e, depois, todos eles desapareceram sem deixar qualquer espécie de rasto (a sequência aos ratos parece ser mais tardia). Se isto não for suficientemente intrigante, as crónicas da cidade de Hamelin contaram, durante algum tempo, a passagem dos anos com base neste evento, e.g. “faz agora 32 anos que as nossas crianças desapareceram”. E, se também isto não vos tornar curiosos por mais, existe uma rua nessa cidade, chamada então Bungelosenstrasse, em que a música continua proibida, supostamente porque foi a rua que o Flautista de Hamelin tomou com as crianças, e onde elas foram vistas pela última vez.

 

Face a estas provas, acreditando então que esta história tem um fundo de verdade, o que sabemos sobre ela? O relato completo mais antigo que ainda temos, presente no Manuscrito de Lueneburg (de meados do século XV), diz apenas que a 26 de Junho de 1284 130 crianças foram levadas por “um tocador de flauta vestido com muitas cores”, e que desapareceram para o interior de um monte cuja localização é hoje desconhecida. Só isso. O que lhes aconteceu continua a ser completamente desconhecido até aos nossos dias, um que não pode deixar de nos fascinar – o que acham que aconteceu ao misterioso viajante, que ficou conhecido como Flautista de Hamelin, e às crianças que o seguiram? Alguém tem alguma opinião que gostasse de partilhar, ou alguma ideia do que se poderá esconder por detrás deste estranho mistério?

Apolo ou Hélio, quem era o deus grego do sol?

Afinal de contas, entre Apolo ou Hélio quem era o deus grego do sol? Ou, para voltar ao tema de há alguns dias, se escrevemos sobre Selene, e na altura nos referimos a ela como “a Lua”, depois de pensarmos um pouco mais no tema… a Lua não era Ártemis, a Diana dos Romanos?

Apolo ou Hélio, quem era o deus grego do sol?

Em ambos os casos, a resposta não é simples. É muito fácil encontrar diversos mitos gregos em que nos é dito que o deus grego do sol, ou o próprio Sol em si mesmo, era Hélio – isso acontece no mito de Faetonte, no Rapto de Proserpina, e sabemos até que o chamado Colosso de Rodes, que um dia guardou e entrada do porto dessa cidade grega, era inquestionavelmente este deus.

Mas, ao mesmo tempo, também é possível encontrar diversos mitos em que a mesma função solar era atribuída a Apolo – notavelmente, o facto de ele disparar flechas (como também o fazia a irmã, Ártemis) pode ser visto como uma metáfora para os próprios raios do sol – muitas vezes até sendo este deus designado por “Febo Apolo”, do Grego φοῖβος (phoibos, “brilhante”).

Face a esta dupla dificuldade, quem era o deus grego do sol, Apolo ou Hélio?

 

A resposta poderá surpreender alguns leitores, mas na verdade tanto Apolo como Hélio eram deuses do sol. O erro de se considerar que apenas poderia existir um único deus associado a esse astro – ou até mesmo à Lua – provém de um conhecimento incompleto dos mitos da Antiguidade, já que muitas vezes somos levados a acreditar, falsamente, que não só existia um único deus para cada coisa, como também essa figura divina se manteve completamente estável durante os séculos e séculos em que estes deuses foram venerados. Isso não é verdade!

Sol Invictus, outro deus do sol

Podemos até mostrar um grande exemplo deste problema. Quando, já no Império Romano, o culto a Sol Invictus se foi disseminando, ninguém duvida que essa se tratasse de uma divindade solar, até pelo seu nome. Mas, a acreditar-se que existia um único deus solar, será que os Romanos “expulsaram” um outro do seu panteão, para depois então adicionar este novo deus no seu lugar? A resposta é um óbvio não, até porque existiam pessoas que ainda veneravam o famoso Apolo de Delfos. Em vez disso, o que aconteceu foi que alguns cidadãos romanos veneravam uma dada figura que identificavam como o sol, e outros tinham para esse lugar um outro deus completamente distinto.

Falamos de Roma, sim, mas na Grécia o mesmo se passava. O deus grego do Sol em Rodes era, como não poderia deixar de ser, Hélio. Em Delfos certamente que seria Apolo, como é provável que também o fosse em Atenas, e assim por diante. Apolo, Hélio, Amon Rá (na Mitologia Egípcia), Sol Invictus, eram quatro divindades solares de tempos da Antiguidade, veneradas por pessoas diferentes de locais distintos, e para quem cada uma delas representava aquele sol que vemos no céu. Não havia um só deus grego do sol, uma entidade única com essa tarefa, mas sim um conjunto de figuras divinas que para diferentes pessoas simbolizavam esse mesmo astro. Eu poderia dizer que o Sol era Apolo, o meu colega do lado podia dizer que era Hélio, um familiar distante já podia referir-se antes a Mitra (ou Mitras, se preferirem esse nome), sem que nos zangássemos verdadeiramente por isso. Era tudo uma questão de opinião, pura e simples, e nada mais – e não era apenas uma escolha entre Apolo ou Hélio, Hélio ou Apolo, mas entre vários outros deuses que também podiam simbolizar divindades solares!

 

Não faz então sentido falar-se simplesmente de um deus grego do sol, de um deus do sol grego, ou mesmo de um só deus do sol nos tempos da Antiguidade. Existiam vários, de que Apolo e Hélio eram apenas dois, e cada pessoa era livre de os venerar como se fossem o sol – ou mesmo a lua, no caso particular de Selene e Ártemis – a seu belo prazer. É essa a melhor resposta que podemos dar a Apolo ou Hélio, quem era o deus grego do sol?, mas se alguém discordar dela pode, como sempre, deixar um comentário abaixo com a sua opinião pessoal, que certamente teremos todo o prazer em debater.

O segredo do Unicórnio

Será que já conhecem o grande segredo do Unicórnio?

Há algum tempo vimos uma pessoa que tinha no seu perfil de uma rede social um pormenor de um conjunto de tapeçarias medievais que é conhecido sob o nome de La Dame à la licorne, ou seja, A Dama e o Unicórnio. Isso relembrou-nos que há anos que estamos para contar o que se segue.

Uma Dama com um Unicórnio (e outros animais)

Para quem ainda não o souber, o Unicórnio não é uma criatura estática. O Leão é sempre o rei dos animais, a Raposa é sempre muito traiçoeira, o Cordeiro é muito mansinho, mas já o Unicórnio – ou, se preferirmos dar-lhe outro nome dado o contexto de hoje, o Licorne – é um animal cujas características foram mudando ao longo dos séculos. Na Idade Média, por exemplo e como já cá dissemos uma vez, uma representação muito vulgar é a desta criatura a ser abraçada no regaço de uma dama, enquanto que um caçador lhe dá um golpe mortal. É uma representação que faz algum sentido, porque na época se acreditava que apenas as mulheres virgens podiam capturá-lo. Mas nem sempre assim o foi – pelo menos um autor dizia que os homens poderiam fazê-lo se se disfarçassem muito bem (numa espécie de travestismo de outros tempos), e depois se ungissem com todos os melhores cheiros acessíveis aos seres humanos. E esta ideia, por estranha que nos pareça, permite-nos compreender uma existência sequencial de pelo menos três formas de um mesmo animal:

 

  • Já existia, pelo menos em tempos da Pérsia Antiga, a ideia de um animal semelhante ao cavalo mas com cornos. Dizemos cornos, no seu plural, porque ele tendia a ser representado de perfil, sendo difícil de saber se apenas tinha um ou já vários, mas a localização do único corno visível parece indicar o segundo caso;
  • Foi-se gerando, mais tarde, a ideia de que apenas as mulheres podiam amansar e capturar esta criatura, que se pensava ser muito brava. Não sabemos precisamente de onde veio essa ideia, mas é repetida por diversos autores pagãos;
  • Já na época cristã é que surgiu a ideia de que a captura do animal estava ligada à própria virgindade de uma mulher. Novamente, desconhecemos de onde vem essa inovação, mas muitas vezes é estabelecido um paralelismo entre a história do animal e a pureza perpétua da Virgem Maria.

 

Talvez seja esse o estranho segredo do Unicórnio medieval, um segredo como o que se esconde nas tapeçarias mencionadas acima. Na última da sequência de seis, que até reproduzimos parcialmente acima, a dama pode ser vista em frente a um pequeno pavilhão onde está escrito À mon seul désir, algo como “pelo meu próprio desejo”. A frase pode ter mil significados diferentes, até dado o seu contexto, mas podemos ligar a ideia ao animal central dizendo que essa sua mansidão – veja-se que o equídeo até está numa pose de submissão, acompanhado por um feroz leão numa pose semelhante – apenas podia ser obtida por uma dama que pelo seu próprio desejo se mantivesse virgem. Seria toda a história deste animal, já em tempos da Idade Média, uma estranha metáfora para algo que não podemos repetir aqui?

 

Ou seria, de um modo mais geral, o estranho segredo do Unicórnio medieval o facto de ele se tratar de uma espécie de fantasia, de papão, perpetuada para incentivar a virgindade das jovens das classes altas da altura? Não sabemos se sim ou se não, mas a verdade é que quando pensamos neste animal nos nossos dias, já não o fazemos com qualquer conotação moral. O Licorne, ou como quisermos chamar a este animal, é agora uma criatura supostamente muito rara, em alguns momentos até associada à pureza dos tempos de criança, mas já não parece ter qualquer conotação mais moral, numa espécie de quarta existência da figura, que se segue às três de que falámos acima. E talvez seja melhor que assim o seja, porque uma criatura sempre tão bela não merece ser morta nem conspurcada como a que Marco Polo diz ter visto nas suas viagens, quando a confundiu com um rinoceronte que chafurdava na lama…