Qual a origem e significado da expressão “macaco de imitação”?

Três Macacos

Sobre a origem e significado da expressão macaco de imitação, contaram-nos esta pequena história há alguns dias. Segundo a pessoa, teria existido, em outros tempos e terras da África, um homem que vendia chapéus. Um dia, adormeceu debaixo de uma árvore e uns macacos que residiam na mesma roubaram-lhe os muitos produtos que ainda tinha para venda. Desconhecendo como os poderia recuperar, num gesto de completa frustração e rancor atirou o seu próprio chapéu ao chão, levando, inesperadamente, a que os macacos fizessem o mesmo. Recuperou então os seus chapéus e foi à sua vida.

 

Terá sido esta história, ou uma a ela semelhante, a origem da expressão “macaco de imitação”, ou macaquinho de imitação? O facto de ela também existir em outras línguas, associada a diferentes animais – recorde-se, por exemplo, o termo inglês copycat – pode dar a entender que deriva do hábito que diversos animais têm de copiar as acções dos outros, sejam eles os da própria espécie (como no caso do gato), ou de outras (como no macaco). No caso português acima, a semelhança entre o macaco e o próprio ser humano é notável, sendo possível que esta história, ou uma outra a ela semelhante, tenha sido inventada para tornar essa semelhança ainda mais notável.

Carpe diem – origem, significado e tradução

Carpe diem é uma daquelas expressões latinas muito famosas, que quase toda a gente conhece mas cuja origem, significado e tradução poucos parece compreender realmente. Muitos parecem conhecê-la do filme O Clube dos Poetas Mortos, e pouco mais que isso. Por essa razão, qual foi a sua origem, o seu significado em Português, e como pode esta expressão ser traduzida para a nossa língua?

Carpe diem, o seu signficado e tradução!

Esta expressão pode ser traduzida de uma forma literal para Português como “Aproveita o dia!” – e, se alguém estiver curioso, já a expressão “Aproveita a noite!” poderia ser traduzida para Latim como carpe noctem. Nesse sentido, ambas as expressões querem dizer significativamente o mesmo, i.e. que devemos fazer o melhor possível com o que tempo que temos disponível, que devemos saber aproveitar cada instante das nossas vidas – seja durante o dia ou mesmo durante cada uma das noites que vivemos.

 

Agora, se esta expressão se tornou renovadamente famosa no filme Dead Poets Society, qual é a sua verdadeira origem? Se a ideia já o antecede em vários séculos, estas palavras específicas aparecem pela primeira vez no primeiro livro das odes do poeta romano Horácio (a ordem dos poemas tende a variar de edição para edição), em que no original latino é dito precisamente o seguinte:

Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.

Naturalmente que a última frase é a que nos interessa especialmente aqui. Ou seja, neste seu contexto original, ela significa algo que pode ter por tradução algo como “aproveita o dia [de hoje], confia no mínimo no dia seguinte”.

Neste contexto original, a agora-famosa expressão instava-nos então não só a que apreciássemos cada novo dia, a aproveitar o presente, mas que o fizéssemos igualmente num contexto em que não deveríamos deixar as coisas que temos para fazer para uma altura posterior. Isto contrasta um pouco com a ideia dos nossos dias, em que a expressão é tomada para significar que devemos aproveitar cada dia como se fosse o último, como se não houvesse amanhã, mas no sentido não de o aproveitar para o que temos para fazer, mas sim para nos divertirmos e fazermos aquelas coisas que sempre quisemos fazer.

 

É natural que esta… digamos, este corrompimento do significado original de carpe diem, tenha surgido de uma citação descontextualizada, como acontece no filme, o que induz em erro aqueles que procuram o seu significado original.

Alguns ditados e provérbios portugueses pouco conhecidos

Para celebrar esta quadra de Natal trazemos, desta vez, algo bastante inesperado – numa espécie de prenda, decidimos recordar alguns provérbios ou ditados portugueses dos Antigos que já poucos parecem conhecer nos nossos dias. Para quem estiver curioso, estes vieram de obras como Tradições Populares de Portugal (de Leite de Vasconcelos), de um texto com esses conteúdos da autoria de Perestrello da Camara, e de outras fontes literárias e orais a que fomos tendo acesso:

Ditados Portugueses Pouco Conhecidos

  • “Até ao Natal salto de pardal, de Natal a Janeiro salto de carneiro e de Janeiro a Fevereiro salto de outeiro.” (Ou, em alternativa, “De Santa Luzia ao Natal, um salto de pardal, de Natal a Janeiro, um salto de carneiro.”)
  • “Falar com sete pedras na mão.”
  • “Joaninha voa voa, leva as cartas a Lisboa.”
  • “Deus lhe dê tantos anos de vida como de palmos tem uma formiga.”
  • “Pita que canta quer galo.”
  • “Casa de pombos, casa de tombos.”
  • “Bafo de cão até com pão.”
  • “Bafo de gato que nem chegue ao fato.”
  • “Miguel Monteiro, não és santo e queres ir no andeiro.”
  • “Merda e o cagalhão não entram na confissão.”
  • “Antes burro vivo que cavalo morto.”
  • “Madrasta, o nome lhe basta.”
  • “Ovelha que berra, bocado que perde.”
  • “Das largas ceias estão as sepulturas cheias.”
  • “Abade de onde canta, daí janta.”
  • “Demasiada afeição cega a razão.”
  • “Nunca digas ‘desta água não beberei, deste pão não comerei’.”
  • “Amigo, amigo, de longe te trouxe um figo, assim que te vi, comi-o.”
  • “Não há melhor espelho que amigo velho.”
  • “Anão dos assobios [i.e. entre ridículo e de diminuta estatura].”
  • “Antigo como a Sé de Braga.”
  • “Arrufos de namorados são amores dobrados.”
  • “Dia de barba, semana de porco, ano de casado [são momentos trabalhosos].”
  • “Boca de mel, coração de fel.”
  • “Prata é o bom falar, ouro é o bom calar.”
  • “Tanto a propósito como canção de noivado em cemitério.”
  • “Cão que muito ladra, pouco morde.”
  • “Esperar pelas cebolas do Egipto [i.e. por coisa impossível].”
  • “Entrar como Pilatos no Credo.”
  • “A cruz nos peitos e o Diabo nos feitos.”
  • “A gulodice tem matado mais gente do que a espada.”
  • “Os jornalistas vivem de folhas, mas não produzem seda como as lagartas.”
  • Ninfa de lupanar.”
  • “Mal por mal, antes Pombal.”
  • “Marido banana e efeminado, depressa emparelha com o veado.”
  • “Primeiro está a obrigação que a devoção.”
  • “Ensinar o pai a fazer filhos.”
  • “Isso existia já antes de haverem pardais.”
  • “O ídolo das mulheres não é o marido, mas sim a moda.”
  • “Lágrimas de um herdeiro são um riso disfarçado.”
  • “Nunca faltou um paspalhão para uma paspalhona.”
  • “É costume em Portugal comer bem e dizer mal.”
  • “A quem Deus quer bem, o vento lhe apanha a lenha.”
  • “Rei por natureza, Papa por ventura.”
  • “A familiaridade é a sepultura do amor.”
  • “A formiga, ainda que pequena, mata o crocodilo.”
  • “As saudades são filhas do amor e enteadas do engano.”
  • “Macaco velho não trepa em ramo seco.”
  • “Não tem eira, nem beira, nem ramo de figueira.”
  • “Os erros dos médicos a terra os cobre.”
  • “Cavalo que voa não carece espora.”
  • “Zangado como um diabo que bebe água-beta.”
  • “Não sou camaleão, que me mantenha com vento.” [Na altura, e desde tempos da Antiguidade, se acreditava que os camaleões comiam apenas vento.]
  • “O elogio mais bem merecido é o do nosso inimigo.”
  • “O fim da vida é triste, o meio nada vale, e o começo é ridículo.”
  • “Homem sem feitiços é como cavalo sem freio.”
  • “Mulher feia, à luz da candeia.”
  • “De conselhos e mulher feia tenho eu a barriga cheia.”
  • “Arco-íris à tarde, não vem cá em balde.”
  • “Aberta em Castela, água na terra.”
  • “Mal vai ao cavalheiro quando não chove em Fevereiro.”
  • “Em não chovendo em Fevereiro, nem bom prado, nem bom palheiro.”
  • “Fevereiro quente, não o vejas tu nem o teu parente.”
  • “Março, mal quanto molhe o rabo ao gato, se de Fevereiro ficou farto.”
  • “Natal ao soalhar, Páscoa à roda do lar.”
  • “Mulher que dá no marido, é porque Deus é servido.”
  • “O frio e a fome fazem o gado galego.”
  • “Bocado comido não granjeia amigo.”

 

Festas Felizes para todos, com estes ditados portugueses que hoje são até muito pouco conhecidos!

A origem do Presépio de Natal

Um presépio

Na Língua Portuguesa poucas palavras são tão singulares como presépio. Quase toda a gente parece saber o que significa, mas ao mesmo tempo é também um vocábulo quase completamente esquecido durante 11 meses do ano. E, na verdade, o nome “presépio” vem do Latim; entre os seus significados originais encontra-se o do local em que os animais domésticos comem, não somente a própria manjedoura (vista na imagem acima como o berço de Jesus Cristo), mas também todo um imaginário que a envolve.

 

Agora, se o local do nascimento de Jesus Cristo não é totalmente estável nas fontes literárias que temos – alguns autores falam de um estábulo, enquanto que outros se referem a uma caverna – porque é esta cena religiosa tão representada nos nossos dias? Bem, conta-nos a Vida de São Francisco de Assis (da autoria de São Boaventura), que por volta do ano 1233, na cidade italiana de Greccio, o santo decidiu representar a Natividade com o objectivo de recordar ás pessoas a verdadeira essência do Natal.

Segundo a mesma fonte, esse primeiro Presépio tinha já uma manjedoura, feno, um boi e um burro, mas não nos é dito se já apresentava outras figuras (sob a forma de pessoas reais ou estátuas). Foi celebrada uma missa em seu redor, cuja beleza levou os crentes às lágrimas, e após ser desmanchado foram vários os milagres suscitados pelo feno que aí tinha sido utilizado.

 

Foi através de esta singular ideia de São Francisco de Assis, feita com aprovação papal, que a representação do nascimento de Jesus Cristo entrou para o imaginário da Igreja, sendo depois disseminada para toda a Europa ao longo dos séculos. E foi também assim que o Presépio veio a entrar em nossas casas, tanto em Portugal como em muitos outros países pelo mundo fora.

Origem e significado da expressão “Bicho de sete cabeças”

Esta expressão, bicho de sete cabeças, parece ser utilizada tanto no masculino como no feminino, referindo-se frequentemente a uma bicha com as mesmas características. Mas, seja uma bicha ou um bicho, tanto o seu significado como a sua origem parecem ser as mesmas.

A Hidra de Lerna e Hércules

A expressão tem a sua origem no difícil confronto de Hércules com a Hidra de Lerna, de que já falámos anteriormente. Essa interrelação entre a expressão dos nossos dias e o antigo mito é fácil de notar se tivermos em conta que ela admite um certo grau de cepticismo, significando não só a uma situação complicada, mas uma também com um fundo mais imaginário do que real, em que provavelmente nem tudo é o que parece.

Assim, dizer a alguém algo como “Essa situação não é um bicho de sete cabeças” equivale a dizer-lhe que se encontra numa posição que não é tão difícil de superar como lhe poderá estar a parecer.