“E pluribus unum” – significado e origem

Um dado clube português, o Benfica, tem no seu emblema uma expressão latina – “E Pluribus Unum”. Mas qual a sua origem, e o que significa?

Símbolo do Clube

A sua aparição mais famosa na Antiguidade é no verso 102 de um poema chamado Moretum, atribuído (falsamente?) a um jovem Virgílio. Nesse poema gastronómico, enquanto é preparada a refeição que lhe dá o título, é dito que color est e pluribus unus, algo como “a cor é uma de entre muitas”. Ou seja, enquanto misturava os ingredientes, o sujeito poético vê as cores de cada um deles a se irem dissipando, acabando por formar uma só tonalidade final.

E, na verdade, essa ideia da mistura dos ingredientes, que se vão assimilando para formar uma só refeição, capta perfeitamente o significado de toda a expressão – também dos constituintes se espera que se unam como um só, “de muitos, um”, sob a égide de quem decide adoptar este lema.

A origem do “Panfleto”

Relativamente à origem da palavra “panfleto”, se consultarmos um dicionário ele tende a informar-nos que esta vem do inglês pamphlet. O que nos leva, obrigatoriamente, à questão adicional da origem da palavra no inglês. Na verdade, ela parece vir de um texto medieval chamado Pamphilus de amore, cuja enorme popularidade contribuiu para disseminar a expressão e constituir, de uma forma mais geral, o panfleto como um pequeno texto satírico.

 

Mas de que tratava, afinal, esse Pamphilus de amore? É, naturalmente, um texto satírico, em que um jovem amante procura a afeição da sua amada recorrendo aos serviços de uma sábia idosa. Não sabemos quem o terá escrito, mas a influência das produções poéticas de Ovídio, tão comum num determinado momento da Idade Média, é aqui, sem qualquer dúvida, notável.

O sempre-popular Ovídio

Origem da expressão “banho-maria”

Quem gosta de culinária certamente que já ouviu a expressão banho-maria. O dicionário português da Priberam define-a essencialmente como um “Líquido quente em que se mete um recipiente que contém aquilo que se quer aquecer”, como pode ser visto na imagem abaixo. Mas, afinal de contas, de onde vem esta estranha expressão?

Banho-maria

A “Maria” a que se refere o processo é uma personagem histórica conhecida como “Maria, a Judia”, uma alquimista do primeiro século da nossa era e que, supostamente, o teria inventado, numa altura em que este banho-maria ainda era conhecido como κηροτακίς, i.e. kerotakis. Se ela parece ter sido extensamente citada em texto de conteúdo alquémico, hoje pouco mais sabemos sobre essa figura, ou os seus ensinamentos, com a excepção do que está preservado num breve extracto conhecido como Diálogo de Maria e Aros sobre o Magistério de Hermes.

Uma possível origem da “Menopausa”

Existem alguns momentos estranhos na criação deste espaço. Aqueles que, de tempos a tempos, até nos fazem rir um pouco, pela sua singularidade. Este é, de certa forma, um deles.

 

O dicionário da Priberam diz-nos que a palavra menopausa tem por origem dois vocábulos gregos, “menós” e “pausa”, sendo que o primeiro significava mês (o segundo tem o mesmo significado que nos nossos dias). A situação ficaria por aqui, não fosse o facto de Varrão nos informar que Júpiter também tinha uma filha chamada Mena. A que presidia ela? Ao fluxo menstrual, juntamente com a nora, Juno (infelizmente, desconhecemos a identidade da mãe).

 

Não somos informados de qualquer mito associado a Mena, mas é sem dúvida possível que a menopausa tenha recebido essa designação por marcar o término da influência desta deusa. Ou então, que a própria deusa tenha obtido o seu nome do conceito grego. Em qualquer dos dois casos, não deixa de ser uma ideia que fascina, pelo facto de muitos vocábulos dos nossos dias ainda esconderem antigos deuses no seu interior…

Qual a origem da palavra “Lusíadas”?

Quando ouvimos falar desta palavra todos nos recordamos da famosa obra de poesia épica composta por Luís de Vaz Camões. Mas, afinal de contas, qual é a verdadeira origem da palavra Lusíadas?

Origem da palavra lusíadas, ilustrada com uma esfera armilar

Na verdade, a palavra já antecede até o tempo de Camões. Foi André de Resende que, perto de finais do século XV, começou por utilizá-la, a mesma posteriormente reusada para título do famoso poema de Camões. Como esse primeiro nos explica numa das suas obras, “A Luso, unde Lusitania dicta est, Lusiadas adpellavimus“. É, por isso, um apelativo, um nome comum que designa um elemento de uma classe ou categoria, que em última instância deriva de Luso, uma figura mitológica associada a Baco e um suposto fundador das terras da Lusitânia, a quem até é feita uma breve alusão no terceiro canto do poema que todos conhecemos, esses Lusíadas de que tanto ouvimos falar no contexto da literatura portuguesa.

 

Mas, como uma leitora posteriormente nos perguntou, quem foi esse tal Luso? Em teoria, ele seria uma figura de alguma forma relacionada com Baco, mas a sua (suposta) história não nos chegou atestada em nenhum mito da Antiguidade. Assim sendo, é muito mais provável que se trate não de um qualquer herói ou deus feito esquecer pelo peso dos tempos, mas de uma leitura incorrecta de um passo na História Natural de Plínio o Velho, em que Lusus foi lido como nome próprio, em vez de como referência a um jogo, ou jogos, rituais associados ao famoso deus do vinho e da vinha.