Origem da expressão “A verdade no vinho”

A verdade no vinho – ou como diziam os antigos, in vino veritas. Isto quer dizer, essencialmente, que toda a verdade das pessoas podia ser obtida através da influência do vinho.

 

A expressão leva-nos essencialmente à ideia, difícil de refutar, de que as pessoas que já beberam demasiado frequentemente revelam muito mais do que deveriam, chegando até ao ponto de dizer coisas que, mais cedo ou mais tarde, até acabarão por prejudicá-las. Essa é uma dualidade da bebida do famoso deus que bem pode ser apreciada nas mais diversas obras, entre elas a Dionisíaca de Nono.

Mas qual a origem da expressão “A verdade no vinho”? Muitos são os autores da Antiguidade que a repetem, não só em letra como em espírito, sendo bastante provável que se tenha tratado de uma expressão muito popular já desde esses tempos. Bebamos, então, aos encantos trazidos pelo deus, mas sem excessos!

Origem da expressão “Morrer a rir”

A fama desta expressão pode levar-nos a uma questão invulgar – será que já alguém morreu a rir? Que verdade existe por detrás da ideia? Infelizmente, se autores como Homero, no livro 18 da Odisseia, ou Terêncio até usam expressões a ela muito semelhantes, parecem fazê-lo de uma forma que é exclusivamente metafórica, um puro exagero com o objectivo de indicar que alguém se riu bastante.

Nas obras que investigámos parecem ter existido pelo menos duas figuras da Antiguidade que morreram a rir – o pintor Zeuxis, depois de uma velhota lhe ter pedido para ser o modelo por detrás de um retrato de Afrodite, e o filósofo estóico Crísipo, após ver um burro a comer figos (acção que até pontuou com uma piada, “agora dêem-lhe também algum vinho”). Por isso, se até pode existir um caso bem real por detrás de toda a expressão, esta parece ter tido, como ainda hoje, uma essência figurada.

Sobre as expressões “A primeira andorinha” e “Uma andorinha não faz a primavera”

As expressões A primeira andorinha e Uma andorinha não faz a primavera falam de um mesmo pássaro mas têm significados quase opostos, sendo aqui associadas por essa mesma razão.

“A primeira andorinha” apresenta-nos este animal como o símbolo da primavera, na medida em que, ainda hoje, quando começamos a ver as primeiras andorinhas nos céus, mais facilmente nos apercebemos da chegada dessa estação do ano. A sua mais antiga referência que temos pode vir dos Cavaleiros de Aristófanes, em que é dito que um dado evento tomou lugar “antes da chegada das andorinhas”, ou seja, como prévio a essa altura do ano.

A segunda expressão, em latim “hirundo non facit ver“, transporta-nos a uma ideia quase inversa, na medida de que a presença de uma só andorinha não pode significar, por si só, a chegada da primavera – é precisamente isso que já Aristóteles nos dizia, na sua Ética a Nicómaco, quando afirmava que essa presença, “como a de um único dia de sol”, não era um símbolo fidedigno da chegada de toda essa nova estação.

 

Se bem que de formas opostas, estas duas expressões levam-nos à importância de não tomar o todo somente por uma das suas partes. São ambas de uma beleza e simplicidade singular, sendo provável que essa se tenha tratado de uma das razões para terem chegado aos nossos dias.

Origem da expressão “Falar às paredes”

Erasmo de Roterdão diz-nos que “falar às paredes” (ou aos muros) é algo que os amantes muito tendiam a fazer, e sabemos que esse acto até é uma parte importante da trama do mito de Píramo e Tisbe, mas o autor não nos dá qualquer fonte explícita para a sua informação, frisando apenas que a expressão já ocorria numa das peças de Plauto. O seu significado é simples – “falar às paredes” é o mesmo que fazer algo de muito absurdo, sem qualquer sentido real.

Quimera – a expressão e o mito grego

Sobre a Quimera, a expressão e um famoso mito grego, no seu Livro dos Adágios Erasmo de Roterdão dizia que este estranho monstro era também um epiteto que se poderia associar a um homem que é inconstante, instável, imprevisível. A mesma expressão também podia ser usada – como hoje – em relação a obras literárias de conteúdo muito incoerente (i.e. aquilo a que poderíamos chamar um “texto quimérico”). Mas esta quimera tem ainda como sinónimo geral e significado português o de uma pura fantasia, até por associação com a estranha criatura das histórias dos Gregos, que não poderia existir excepto nas suas imaginações. Mas quem era, afinal de contas, a figura mitológica grega por detrás de todo este conceito? Podemos recordar, num breve resumo, o mito grego de toda esta estranha criatura:

A Quimera do mito grego

Dizem-nos os diversos autores da Antiguidade que estaa Quimera era um monstro mitológico composto por partes de diversos animais distintos, quase sempre (e como até pode ser visto na imagem acima) um leão, uma cabra e uma serpente. Ela era filha dos monstruosos Tífon e Equidna e foi criada por Araisodaro (não se sabe bem como, ou em que consistia esse mito hoje perdido…), mas o mito mais famoso que temos em relação a este monstro passa pelo seu combate com o herói Belerofonte, que acabou por a destruir com o auxílio de Pégaso, como já cá contámos anteriormente. Os contornos dessa batalha nem sempre estão bem fixos, mas o seu final é sempre muito bem conhecido e repetidamente o mesmo – o monstro foi destruído por esse herói, para nunca mais surgir em qualquer outro mito.

 

E, nesse sentido, para quem ainda estiver curioso, “histórias de quimeras” são não mais que histórias completamente ficcionais e fantasiosas, como o era este monstro de tempos da Antiguidade, de que hoje falámos aqui.