Significado de “si vis pacem, para bellum” e “parabellum”

A famosa expressão latina si vis pacem, para bellum [ou “parabellum“, numa forma um tanto ou quanto incorrecta, como a do filme de John Wick, em que significa algo como “prepara-teparaaguerra!”] pode ser traduzida para Português dos nossos dias como “se desejas a paz, prepara-te para a guerra!”, na medida em que por vezes as nossas verdadeiras intenções só podem cumprir-se com recurso a algo que nos pode parecer, à primeira vista, totalmente indesejável.

 

E de onde vem ela? Não conseguimos encontrá-la directamente em qualquer obra latina da Antiguidade, mas na sua obra militar Vegécio, autor do século IV da nossa era, diz algo muito semelhante – qui desiderat pacem, praeparet bellum – ou seja, “quem deseja a paz, que se prepare para a guerra”. A ideia acima parafraseia esta com um significado quase igual.

Origem da expressão “Quem vive pela espada morre pela espada”

A expressão Quem vive pela espada morre pela espada, mais comum em Inglês do que em Português, parece advir da tragédia esquiliana Agamémnon, num momento em que Clitemnestra, ao justificar ao coro o porquê dos seus actos abomináveis, diz algo semelhante a “Acto por acto, ferida por ferida (…) trabalhaste com a espada e pela espada morres”. Por isso, trata-se de uma expressão que nos remete à ideia de que quem faz uma dada acção tem, muitas vezes, um retorno semelhante.

Origem, significado e sinónimo de “Eureca!”

A história da origem e do significado de Eureca! (ou Eureka, no seu original, a que outros agora chamam “Heureca”), a que depois aqui juntamos um seu sinónimo, é relativamente famosa, mas no entanto nunca é demais recordá-la nas nossas linhas.

Origem, significado e sinónimo de Eureca!

A origem de Eureca!

Conta-se que o rei Hieron II (ou Hierão) um dado dia decidiu mandar fazer uma coroa votiva para um dado templo. Esta deveria ser feita com todo o ouro que o rei tinha fornecido (e que até era bastante), mas como ter a certeza absoluta de que essa promessa foi mesmo cumprida? Poderia parecer uma questão complicada, razão pela qual o rei se aproximou de Arquimedes e pediu a sua ajuda para descobrir a verdade.

Mas também Arquimedes teve alguma dificuldade em descobrir a resposta, até que, um dado dia, ao ir tomar banho, notou que quando se imergia na banheira o nível da água subia. Ficou tão surpreso com a situação que, segundo nos é dito, gritou “Eureca! Eureca!” enquanto corria nu pelas ruas de Siracusa.

 

O significado e sinónimo de Eureca!

Mas, de facto, o que significa esta estranha palavra? Não é mais do que uma interjeição em Grego Antigo, Εὕρηκα, que tem o grande significado de “Eu descobri, eu descobri!”, e por isso pode ter como sinónimo algo tão simples como essas palavras, i.e. descobri, encontrei, fui capaz, etc.

 

Mas, afinal… a coroa de Hieron II era de ouro maciço?

Se foi este mesmo o princípio que Arquimedes usou para saber a densidade da coroa de Hieron II, o que lhe resolveu o problema, esta mesma história de Eureca também tem um aspecto muito menos conhecido – afinal de contas, era a coroa de ouro maciço ou não? Se a história até é repetida por muitos autores da Antiguidade, apenas Vitrúvio nos parece contar que o comerciante tinha mesmo enganado o rei, ficando com parte do ouro para si mesmo e fazendo a coroa com menos ouro e mais prata. E assim se resolveu todo o mistério original, mas se contou, também, aqui a história por detrás da origem desta famosa expressão!

Uma pequena história de Momo e da Lâmia

Numa das suas obras Tzetzes menciona uma frase proverbial em uso na sua altura – “os Momos vêem tudo menos a si próprios”. O mito desta figura é bastante conhecido, mas este autor também explica a frase, justificando-a com um facto curioso – o deus Momo carregava uma bolsa dupla às costas, guardando as suas coisas na zona das costas, enquanto levava as dos outros na parte frontal, impedindo-o, naturalmente, de ver aquilo que lhe pertencia.

 

Dentro do mesmo tema o autor conta-nos uma história menos conhecida da Lâmia. Segundo ele esta tinha a capacidade de retirar os olhos da face (uma característica que, recorde-se, nem todos os autores lhe dão); assim, quando ia a casa tirava-os e guardava-os numa pequena jarra, tornando a usá-los somente quando saía, razão pela qual também ela desconhecia o que tinha em casa, impedindo-a de se auto-criticar, enquanto o fazia facilmente para com as outras pessoas com quem se cruzava.

Origem da expressão “Pomo da discórdia”, e seu significado

A expressão Pomo da discórdia advém de um famoso mito grego. Segundo nos contavam, originalmente, os agora perdidos Poemas Cíprios, numa dada altura teve lugar o casamento de um mortal com uma deusa, Peleu com Tétis, que acabaria por gerar Aquiles. Todos os deuses foram convidados, com excepção da Discórdia (i.e. “Éris”); esta, para se vingar, fez entregar no local uma maçã de ouro na qual estava inscrito “Para a mais bela”. Afrodite, Atena e Hera disputaram o invulgar fruto, o que levou depois ao Julgamento de Páris e à Guerra de Tróia, ambos temas que já cá foram tratados múltiplas vezes.

 

O “pomo da discórdia” é então esta invulgar maçã, um metafórico fruto ou elemento que gera algum tipo de incompatibilidade entre aqueles que o disputam, sejam eles as deusas do Olimpo ou simples mortais. É esse o significado da expressão, a ideia de que “algo” pode gerar enorme confusão entre diversas pessoas.