Origem da expressão “O Homem é um lobo para o Homem”

Sobre esta expressão, que originalmente dizia homo homini lupus, aqui fica uma pequena tradução das linhas que Erasmo lhe dedica, nos seus Adágios:

 

“Antropos antropou lukos”, o Homem é um lobo para o Homem. Quase o contrário da anterior [i.e. “Homo homini deus”] e aparentemente derivada da mesma, é uma frase de Plauto na Asinaria. Aqui somos avisados a não confiar numa pessoa desconhecida, mas a ter cuidado com ela como se de um lobo se tratasse. “O Homem é um lobo e não um homem”, diz Plauto, “para aquele que nada sabe sobre o seu carácter”.

O que significa “Quo Vadis”, e qual a origem da expressão?

O que significa Quo Vadis, e qual a origem da expressão? Se hoje muitos conhecerão o famoso filme com este título, é igualmente possível que sejam já poucos os que ainda conhecem uma curiosa história que, alegadamente, se terá passado na cidade de Roma há muitos, muitos séculos atrás. Ou talvez seja mais justo chamar-lhe uma lenda… esta é uma breve lenda que, para explicar o verdadeiro significado de Quo Vadis (expressão que, traduzida literalmente, significa apenas “onde vais?”), será aqui recordada:

O filme Quo Vadis

Segundo os Actos de Pedro, um texto apócrifo dos primeiros séculos da nossa era, São Pedro ia a escapar de Roma, a fugir de uma morte que tinha por quase certa, quando encontra um Jesus Cristo ressuscitado no seu caminho. Espantado com um tal milagre, o antigo pescador teve de lhe perguntar para ele ia, dizendo-lhe, obviamente que em Latim, Domine, quo vadis? Traduzindo-se para Português, “Senhor, onde vais tu?”

Jesus responde-lhe então que ia a Roma, para ser novamente crucificado para benefício de toda a humanidade. Pedro, triste, entendeu as palavras do seu mestre e arrependeu-se do seu acto de grande cobardia. Decidiu então voltar à cidade, onde depois acabará por ser crucificado de cabeça para baixo.

 

Nesse local lendário, nessa rua onde Pedro um dia perguntou Quo Vadis? a Jesus Cristo, viria a ser construída, séculos mais tarde, a pequena igreja Chiesa di Santa Maria delle Piante, mas isso já são histórias que ultrapassam o tema de hoje. A expressão Quo Vadis? tem um significado simples, mas nem por isso menos repleto de simbologia, como a lenda recordada acima facilmente nos permite compreender…

A origem e significado da “alma gémea” (e o seu mito)

A origem e significado da alma gémea, enquanto uma expressão ligada ao tema do amor, é um tema interessante, porque também tem uma face muito significativa de que raramente ouvimos falar, e que até nos pode, e deve, demonstrar que todo o conceito é muito menos verdadeiro e digno de crédito do que nos pode soar.

A origem da alma gémea?

A origem da alma gémea é uma lenda, ou mito, que vem do Simpósio de Platão. Nessa obra, e como já contámos cá em parte anteriormente, diversas figuras discursam sobre o tema do amor. Entre elas conta-se Aristófanes, que conta uma espécie de mito grego em que os seres humanos, originalmente, eram compostos por um único corpo com ambos os sexos. Depois, os deuses decidiram separá-los em duas formas, em dois géneros diferentes, e então essas duas partes daquele que era originalmente um só ser estavam como que condenadas a procurar a sua outra metade até a encontrarem, altura em que eram levadas à maior das felicidades.

 

É essa a origem e significado da expressão alma gémea, mas contar esta história raramente é complementado com alguns elementos que lhe dão um tom bem diferente. Recorde-se então que Aristófanes era um autor de comédias, de pequenas peças de teatro com temas jocosos e apresentadas para se rir, o que só por si dá a entender que esta ideia, apesar de muito romântica, é meramente ficcional e deve ser tomada como uma mera brincadeira – e nada mais! O facto de quem contou a história na obra platónica estar parcialmente bêbado quando o faz é, ainda mais, uma grande prova nessa mesma direcção. E que tal o facto de ela ser recebida pelos demais participantes do simpósio com muita risota?

 

Então, será que a alma gémea existe mesmo? Não mais que Hipalectrion ou os Centauros, figuras ficcionais que caracterizam muitas das histórias – meras histórias, relembre-se – da Antiguidade e da Mitologia Grega. E é perigoso vê-las como algo mais que isso, porque demasiadas vezes implica tomar por verdadeiro algo que claramente não o é.

“Ars longa, vita brevis” – origem e significado

A expressão ars longa, vita brevis é frequentemente citada em Latim, mas também pode ser traduzida para português dos nossos dias como “A arte é longa, [e/mas] a vida é breve”. Na verdade, esta é uma ideia que foi popularizada por Séneca, que a menciona no seu tratado Sobre a Brevidade da Vida sob a forma de vitam brevem esse, longam artem. Porém, a sua verdadeira origem também antecede esse autor em alguns séculos, com os Aforismos de Hipócrates a começarem com uma frase e ela muito semelhante:

A vida é breve,

A arte [é] longa,

A ocasião passageira,

A experiência perigosa,

O julgamento difícil.

Ars longa, vita brevis

Esta ars longa, vita brevis trata-se então de uma ideia que foi passando de mão em mão ao longo dos séculos, e que nos remete, entre outras coisas, para a impossibilidade de se vir a saber tudo, dado que o nosso tempo de vida para isso seria mais que insuficiente.

“Calcanhar de Aquiles” – origem e significado

A expressão Calcanhar de Aquiles tem um significado muito claro no contexto do mito deste herói da Mitologia Grega, na medida em que ainda hoje é usada para designar uma qualquer fraqueza particular em alguma coisa. Assim, ao dizer-se que o de uma determinada equipa é a defesa, pretende dizer-se que o seu grande ponto fraco é a incapacidade para defender correctamente. Muito simples, até porque esta expressão nos é sobejamente conhecida nos dias de hoje, mas de onde vem ela, qual é a sua verdadeira origem?

O mítico Calcanhar de Aquiles

Descortinar essa história do Calcanhar de Aquiles é muito menos simples do que nos poderia parecer a uma primeira vista. Na Ilíada não existe qualquer referência a uma especial vulnerabilidade que este herói possa ter tido, até porque este herói é aí ferido e até sangra. Saltando alguns séculos mais à frente, é somente já no início da nossa era que um primeiro autor, Estácio, alude a uma pequena história na qual o filho de Tétis, ainda muito jovem, tinha sido banhado pela mãe no rio Estige; isto deveria torná-lo invencível, mas como a deusa o segurou por um dos calcanhares, a figura teria sempre essa vulnerabilidade. Poderíamos então pensar que teria sido Estácio, na sua incompleta Aquileida, a originar a expressão relativa ao Calcanhar de Aquiles, mas a verdade é que nos muitos séculos que separam os Poemas Homéricos desta criação latina existem múltiplos vasos que têm representados alguma sequência da morte de Aquiles, com o herói a ter, muito frequentemente, uma flecha a trespassar um dos pés.

 

Teria ele morrido dessa ferida? Estaria a flecha de alguma forma envenenada? Era o Calcanhar de Aquiles verdadeiramente uma fraqueza do herói? Muitas poderiam ser as questões relativas ao episódio mitológico, mas seriam um pouco secundárias para o tema aqui em discussão. Nas fontes literárias a que ainda temos acesso, a ideia de uma vulnerabilidade do herói só aparece, como já dito, no primeiro século da nossa era, vindo depois a ser popularizada não através de uma única obra – como poderíamos crer – mas de todo um conjunto de obras que, ao longo dos séculos, a foram repetindo das mais diversas formas. Esta é, portanto, uma ideia de um autor desconhecido, que a cultura popular foi disseminando com o decorrer do tempo.