Foi Maria perpetuamente virgem?

Uma das mais invulgares histórias do Cristianismo é a de como Maria, mãe de Jesus, se manteve perpetuamente virgem, ao ter concebido o mais famoso dos seus filhos sem qualquer espécie de pecado. Mas, assumindo a veracidade completa do texto bíblico, será que isso aconteceu mesmo?

 

A resposta é bem mais simples do que séculos de história e de pesquisa nos possam fazer crer. Quando Maria concebeu Jesus, era suposto que isso cumprisse uma profecia apresentada no Antigo Testamento relativa a uma עלמה, “almah”. Essa profecia, apresentada em Isaías 7:14, dizia algo como “uma almah conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu filho Emanuel”. Mas o que significa essa palavra? Não é, como se poderia pensar, uma virgem, mas tão e somente uma jovem capaz de conceber um filho. Mais tarde, quando o mesmo Antigo Testamento foi traduzido para Grego (e subsequentemente para Latim, etc), essa palavra foi traduzida como parthenos, que significa, efectivamente, “virgem”.

 

Não sabemos porque terá ocorrido este erro, mas a verdade é que a palavra original nada inferia sobre as experiências sexuais da jovem Maria, o que nos transporta para três questões – primeiro, era Maria virgem aquando do nascimento de Jesus? Segundo, depois desse nascimento Maria teve alguma experiência sexual com José? Terceiro, e último, será que Jesus teve irmãos?

 

Sobre a primeira, nada de conclusivo sabemos. Se Jesus foi concebido “sem pecado” (ou seja, sem a existência de uma relação sexual) é meramente uma questão de fé. Difícil seria, no entanto, é que Jesus saísse do ventre de Maria sem romper o hímen da mesma. Claro que se poderia dizer, e bem, que a mera destruição de um hímen não implica a perda de virgindade, e daí a questão seguinte.

De um ponto de vista exclusivamente humano, faria todo o sentido que José, sendo casado com uma mulher e independentemente da idade de ambos, quisesse ter relações sexuais com ela – o Antigo Testamento parece em nada se opôr a isso, pelo menos entre os membros de um casal. Mas, se isso acabou por acontecer ou não, é algo que também não podemos saber.

O que nos leva ao terceiro ponto, sobre se Maria teve outros filhos após Jesus. E a mais pura verdade é que não sabemos! Se o texto até refere irmãos e irmãs de Jesus, nunca é muito claro sobre se se tratam de filhos de José (mas não de Maria, fazendo-os meio-irmãos de Cristo), se foram gerados por este casal, ou até se são apenas irmãos num sentido mais metafórico, da forma que tendemos a chamar “irmão” àqueles por quem temos uma grande afinidade. O que sabemos, sem qualquer dúvida, é que Maria nunca teve qualquer outro filho de Deus (ou do Espírito Santo) – Jesus era único!

 

Claro que estas respostas nos podem parecer muito pouco satisfatórias, mas também são as únicas respostas que podemos inferir através do próprio texto bíblico. Tudo o resto é especulação ou fruto de uma tradição que foi sendo desenvolvida ao longo dos séculos.

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2 comentários em “Foi Maria perpetuamente virgem?”

    • Caro Manuel, existe uma teoria famosa sobre isso, que diz que Jesus Cristo terá, supostamente, sido um mito, ou uma confluência de mitos pagãos. Porém, ao mesmo tempo, existem provas não-cristãs de que ele existiu, e até algumas provas de alguns actos que ele terá feito em vida – ter sido crucificado é uma das evidentes. Portanto, sabemos que Cristo existiu, não sabemos é onde terminam os factos da sua vida e começam as lendas.

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