O mito de Marsias é constituído por duas partes, ambas tão intimamente ligadas que só poderão ser tratadas em conjunto.
É-nos dito que Atena inventou o aulo, uma espécie de flauta dupla*, mas que rapidamente ficou descontente com a forma como tocar esta invenção inchava as suas bochechas, o que – segundo algumas versões – também a tornava motivo de chacota entre os deuses. Assim, descartou o instrumento, que rapidamente foi apanhado por Marsias, um sátiro.
Mais tarde, Marsias usou este mesmo instrumento para desafiar Apolo para um concurso de música. Como é comum nesses desafios, o deus conseguiu derrotar o seu opositor. Depois, castigou-o, prendendo-o a uma árvore e arrancando-lhe a pele ou os membros, dando o sangue desta figura o nome a um curso de água próximo.

Não é totalmente claro o porquê específico desta horrenda vingança por parte do deus, mas quase todas as versões do episódio mencionam-na, deixando claro que era um elemento muito famoso do mito de Marsias. Outras versões dizem, por exemplo, que um dos juízes do concurso foi o Rei Midas, levando-o a obter as famosas orelhas de burro, mas o cerne estático do episódio é como descrito acima, com alguns autores a adicionarem diversos elementos à história.
*- Uma versão muito pouco conhecida de toda esta história adiciona que a deusa inventou este instrumento para assim poder imitar as horrendas vozes das Górgones.
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin "O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos.jpg)




