Onde nasceu Jesus Cristo?

Na verdade, onde nasceu Jesus Cristo? A localização desse local parece ser um dos grandes mistérios do Cristianismo. Quem for ler o Novo Testamento depressa conseguirá concluir que esta famosa figura nasceu em Belém, na Judeia, mas informações mais precisas não parecem estar verdadeiramente disponíveis no texto. Será, por isso, que ele nasceu numa casa, num estábulo, numa caverna, ou até num qualquer outro local?

 

Quem conseguir recordar a trama de toda a história poderá lembrar-se que, aquando de uma sua viagem, Maria e José tentaram dormir numa espécie de pousada, mas foram informados de que não havia qualquer lugar livre – logo, torna-se improvável que ele tenha nascido numa casa, ou num qualquer local em que fossem alugados quartos. Mas, então, onde foi que este famoso evento teve lugar?

O texto latino diz-nos que este filho de Maria nasceu e foi colocado in praesepio, ou seja, numa manjedoura. Naturalmente que este é o nome dado a um local onde os animais comem, dando a sugestão de um nascimento num local indeterminado mas onde podiam até existir animais. Mas, ao mesmo tempo, isto não descarta a possibilidade de que ele tenha nascido noutro local e, posteriormente, tenha sido colocado numa manjedoura. As fontes, pura e simplesmente, não nos dão esta informação de forma clara, como já cá discutimos o ano passado.

Onde nasceu Jesus Cristo?

Depois, quando o episódio começou a ser representado na arte – acima, pode ser visto uma representação do século IV, possivelmente a mais antiga que nos chegou – deve ter surgido um problema. Se Jesus Cristo fosse apresentado somente numa manjedoura, como seria possível reconhecer de quem se tratava? É provável que, para facilitar esse reconhecimento, tenham sido adicionados à representação dois animais – um burro e uma vaca – dando um maior crédito à ideia de que se tratava de uma espécie de estábulo. Caso contrário, o que fariam os dois animais numa caverna? Mesmo que se queira acreditar que o burro era aquele que transportava Maria na longa viagem, e que por isso pernoitava próximo do casal, de onde apareceu toda a figura do bovino?

 

Este problema levanta uma possibilidade intrigante, quando inquirimos sobre o local onde nasceu Jesus Cristo – será que ele não nasceu numa caverna que estava a ser reutilizada como estábulo? É uma possibilidade como qualquer outra, sendo apenas apoiada num conjunto de provas circunstanciais, como o facto de textos apócrifos mencionarem esse local, ou a Igreja da Natividade, em Belém, ter sido construída sobre uma caverna – e porque estaria uma manjedoura nesse local? Ou a caverna, como supomos nestas linhas, estava mesmo a ser usada como estábulo, ou Maria e José conseguiram obter, talvez por empréstimo, essa peça de mobília onde colocar o menino, como o Corão parece indicar, ao nos dizer que existia uma palmeira por perto – estaria ela imediatamente fora da caverna, levando o casal a entrar para descansar durante a noite? São apenas suposições…

Viajemos então ao local dos acontecimentos, de um forma completamente virtual. Quem olhar pelo local acima, presente na Basílica da Natividade, poderá aí ver aquele que poderá ser um dos locais mais sagrados do Cristianismo, o suposto local do famoso nascimento, onde um dia se acreditou que esteve a manjedoura. Mas será que foi mesmo este o local dos acontecimentos? Temos a certeza? Na verdade não sabemos, nem podemos ter a certeza. As fontes literárias que temos não nos são suficientes para o podermos afirmar – mas é o que a tradição do Cristianismo, a mesma que nos transmitiu muitas outras ideias relativas à mesma religião, como o do local em que esta figura veio a falecer e ressuscitar, nos diz, quer queiramos, quer não!

 

Pergunte-se, então e para concluir, onde nasceu Jesus Cristo… sabemos que, segundo as fontes literárias, foi na povoação de Belém, na Judeia. Sabemos, igualmente, que após o nascimento o recém-nascido foi colocado numa manjedoura. Mas, admita-se sem qualquer dificuldade, não sabemos é se ele nasceu numa caverna ou num estábulo, sendo essa primeira possibilidade mais aceitável e conhecida somente com base nas tradições mencionadas acima. E, por vezes, em situações como estas é importante saber admitir isto mesmo, que existem coisas que sabemos e coisas que, aparentemente, ficarão desconhecidas para o futuro e no segredo dos deuses…

“Obras de Santa Engrácia”, origem e significado

Falando das famosas Obras de Santa Engrácia, há alguns dias podia ser visto um pequeno anúncio nesta página, criado por uma companhia de seguros, que dizia que “encontrar um seguro para a casa não tem de ser uma…” Infelizmente não fomos pagos para lhes fazer esta publicidade adicional, nem sabemos de que companhia se tratava, mas o seu uso da expressão não poderia senão inspirar-nos a escrever estas linhas. Portanto explique-se, em que consistiram essas famosas obras? Qual a origem e significado dessa conhecida expressão? Tratando-se de uma das mais famosas expressões e lendas portuguesas, achámos que poderíamos contar a sua origem e significado, bem como a sua história essencial:

Obras de Santa Engrácia

Entre as muitas freguesias da cidade de Lisboa contava-se, anteriormente, uma chamada “Santa Engrácia”. Tinha esse nome porque aí estava localizada uma pequena igreja à mártir do mesmo nome, onde supostamente estavam alojadas as suas relíquias. Depois, ao longo dos anos esse espaço religioso foi caindo no esquecimento, até que em 1681 já estava muito degradado. Por isso, no ano seguinte decidiu-se construir uma nova igreja para a santa, e a sua primeira pedra foi lançada logo em 1682. Porém, naquele que será talvez o mais clássico de todos os exemplos do “adiar, adiar, adiar” sempre tão presente no povo português, a sua construção só foi terminada em 1966, ou seja, quase 300 anos depois!

Porque demorou tanto tempo? Como é comum no povo português, existiram desculpas de todo o tamanho e feitio. Desde maldições lendárias* até ao terramoto de 1755, passando por mudanças políticas, foram surgindo sucessivamente um conjunto de razões que pura e simplesmente levaram ao adiamento da sua conclusão. E então, tudo foi sendo adiado, adiado e adiado, uma e outra vez…

 

Hoje, a Igreja de Santa Engrácia já pode ser visitada em Lisboa, mas é mais conhecida sob outro nome, o de Panteão Nacional. Não é, na nossa opinião (fomos visitá-la há já uns anos), um local muito interessante para visita – o Mosteiro de São Vicente de Fora, localizado relativamente perto, é muito melhor, apesar de ser, hoje, muito menos conhecido. Mas estamos a escapar um pouco ao tema – quem nunca tiver visto esta igreja pode agora visitá-la, de uma forma completamente virtual, abaixo (o 4º piso, por exemplo, permite uma bela panorâmica sobre parte da cidade):

Mas volte-se é ao tema principal de hoje. A expressão “Obras de Santa Engrácia” teve a sua origem, naturalmente, no tempo quase infindável que levou à sua conclusão. E o seu significado parte da mesma razão, sendo a expressão normalmente utilizada quando nos queremos referir a algo que ou é muito difícil de terminar, ou demora muito tempo (como no anúncio que referimos acima). Esperemos, no entanto, que já ninguém a utilize com o significado de se demorar os literais 300 anos a concluir algo…

 

 

*- Para quem tiver essa curiosidade, podemos também contar aqui essa pequena lenda, outrora famosa, através da inesperada voz da mãe do mitologista Consiglieri Pedroso:

No século passado [i.e. XVII] existia uma freira – de nome Violante – no convento que ficava junto ao edifício então em construção para a igreja matriz de Santa Engrácia. Namorou-se essa freira de um rapaz – de nome Simão Pires Solis – e conseguiu que ele lhe fosse falar ao convento, deitando para isso todas as noites uma corda de seda pelo muro da cerca, por onde ele às escondidas subia. Vinha o mancebo a cavalo e para não ser pressentido envolvia as patas do animal em algodão em rama. Aconteceu que por essa ocasião houve na igreja do convento um desacato. Foi roubado o sacrário com as sagradas partículas, e ao outro dia um carro ia a passar pelo Campo de Santa Clara, os bois recusaram-se a andar num certo sítio, chegando mesmo a ajoelhar. Descoberta a causa disto viu-se que eram as hóstias, que os ladrões tinham roubado, que estavam ali enterradas. Foram novamente recolhidas à igreja, e houve uma procissão de desagravo, (nome que depois ficou ao convento) e outras cerimónias expiatórias. Os vizinhos, porém, que tinham descoberto os amores do mancebo com a freira, foram denunciá-lo ao Santo Ofício, e uma noite, quando vinha segundo o seu costume a descer pelo muro da cerca, foi preso e conduzido ao cárcere, tendo-se-lhe encontrado as patas do cavalo forradas de algodão. A freira apenas soube da prisão do seu namorado, e aflita com medo de alguma indiscrição que causaria a sua perda, mandou-lhe dois melões, um inteiro e outro «calado» (com uma pequena abertura que se costuma fazer para a prova) dizendo-lhe ao mesmo tempo que “o calado era o melhor”. O mancebo compreendeu a advertência e guardou um silêncio absoluto a todos os interrogatórios. Foi por isso condenado a morrer pelo crime do desacato e profanação da igreja. No momento porém de ir para o suplício, voltando-se para a igreja então em construção, disse: «Morro inocente! E é tão certa a minha inocência como é certo que nunca se hão-de acabar aquelas obras por mais que façam!» Dito isto foi a morrer sem proferir mais uma palavra. Desde então nunca mais foi possível acabar as ditas obras. Sempre um incidente imprevisto as tem vindo suspender. A igreja não se fez, e hoje as obras de Santa Engrácia, ainda por acabar, são um depósito de material de guerra [ou eram, no século XVIII]. Cumpriu-se a maldição do inocente!

Mas… falta ainda aqui uma pequena curiosidade sobre estas “Obras de Santa Engrácia” – uns anos mais tarde foi apanhado um homem por roubo, e se o tempo já parece ter esquecido o seu nome, crê-se que terá sido ele o verdadeiro ladrão das tais hóstias, isentando postumamente este Simão Pires Solis, cristão-novo, das culpas que outrora lhe tinham sido imputadas!

A lenda do Cavalum

Falando sobre esta incomum lenda do Cavalum, por todo o território de Portugal existem locais com nomes pouco vulgares e certamente intrigantes. Já cá falámos de alguns, mas talvez poucos sejam tão curiosos como as “Furnas do Cavalum”, na Madeira, até porque nos instam a perguntar de onde virá um tão singular nome. Um nome, note-se, que nem sequer aparece nos dicionários portugueses. Portanto, como é a sua história?

Lenda do Cavalum

Conta-se que a 9 de Outubro de 1803 a ilha da Madeira sofreu uma das maiores cheias da sua história. Isso é completamente factual, mas segundo esta lenda a tragédia deveu-se a um monstro como nunca visto até então. O seu nome era Cavalum, e ele era essencialmente um enorme cavalo negro, a que o povo depois foi adicionando outras características – asas de morcego, um corno no meio da cabeça ou até a temível capacidade de cospir fogo. Então, numa confiança inabalável, a monstruosa criatura até destruiu uma igreja local (que na altura tinha o nome de “Capela de Cristo”), atirando a imagem de Jesus para os mares próximos, como que desafiando Deus a que o parasse.

Mais tarde, Deus lá decidiu intervir e fê-lo capturando o monstro, que encerrou no interior de umas cavernas próximas, onde este deixou de poder causar mais problemas – mas ainda hoje não deixa de o tentar fazer, e então os seus relinchos furiosos podem ser ouvidos no local nas manhãs de tempestade. Quanto à imagem de Jesus, essa, foi recuperada e levada para aquela que é agora conhecida como a Capela do Senhor Bom Jesus dos Milagres.

 

O local em que, segundo a lenda, este monstro foi encerrado é, naturalmente, o das furnas que tomaram o seu nome de Cavalum. Mas este desfecho, apesar de pouco vulgar, não é um caso único – recorde-se, por exemplo, o mito grego de Tífon, em que Zeus prendeu esse seu opositor debaixo de um famoso vulcão. Será que esse mito grego, ou um outro semelhante a ele, inspirou toda esta lenda nacional? Não podemos ter a certeza, mas mitos e lendas como estas, que existem igualmente por todo o mundo, servem para explicar um elemento místico e misterioso muito presente nesses locais, que certamente não podiam deixar de causar um grande espanto aos visitantes de outros tempos.

 

 

P.S.- Posteriormente, foi-nos perguntado qual a fonte literária para esta lenda madeirense. Se originalmente ela era apenas oral, a mais antiga versão escrita que encontrámos é a de Alfredo de Freitas Branco e foi recolhida na Madeira, entre muitas outras da mesma ilha, possivelmente entre os anos de 1924 e 1955. Desconhecemos, contudo e no seguimento desta lenda, que nome tinham as furnas antes do ano de 1803, ou se já existia, anteriormente às cheias, uma outra lenda associada a esta criatura lendária.

P.P.S.- Alguns parecem chamar a esta criatura “o Cavalo do Pensamento”. Não encontrámos nenhuma relação real entre os dois, podendo a associação dever-se apenas ao facto de ambos serem cavalos; exisem, no entanto, histórias ficcionais em que o herói é instado a escolher entre “o Cavalo do Vento e o Cavalo do Pensamento”, e o nome em questão poderá vir daí.

Duas lendas da Dama dos Pés de Cabra

Existem, em Portugal, pelo menos duas lendas associadas a uma Dama dos Pés de Cabra. Uma é mais famosa que a outra – na verdade, até foi preservada por Alexandre Herculano – mas achámos que se íamos recordar uma delas também o poderíamos fazer para a outra.

O Castelo de Marialva

A primeira lenda de uma Dama dos Pés de Cabra vem da Beira Alta, de uma vila chamada Marialva, e fala-nos de uma mulher que viria a dar o nome a esse local. Ela vivia num pequeno castelo, e a sua beleza sempre atraiu uma infinidade de pretendentes, mas a cada um deles ela repetia sempre a mesma coisa – “Só caso com quem me trouxer uns sapatos que me sirvam.”

Um dado cavaleiro, querendo então casar com ela, contactou um sapateiro local… mas como podia este fazer sapatos para alguém cujos pés nunca viu? Com ajuda externa de uma aia da desejada, decidiu espalhar farinha no quarto da jovem; depois, quando esta acordou pela manhã, saiu da cama e a forma dos seus pés ficou marcada no chão, possibilitando a criação de um sapato com essa forma.

Depois, o cavaleiro ofereceu esses estranhos sapatos à sua amada Maria Alva… mas esta, horrorizada pelo facto das pessoas já conhecerem o seu segredo, atirou-se da torre do castelo e desapareceu misteriosamente!

Pés de Cabra

Já a segunda lenda de uma Dama dos Pés de Cabra é muito mais famosa, pelo que apenas será aqui apresentada de uma forma muito breve. Segundo ela, enquanto um nobre caçava pela floresta encontrou uma mulher lindíssima e apaixonou-se instantaneamente. Querendo casar com ela, pediu-a automaticamente em casamento, e ela aceitou-o com uma única condição – que o futuro marido jamais voltasse a fazer o sinal da cruz.

Casaram e tiveram filhos. Anos mais tarde, enquanto estavam a jantar, um dos cães do casal matou o outro, em disputa por um pedaço de javali. Chocado com toda a situação, o nobre bateu três vezes num pedaço de madeira e fez o sinal da cruz. Nesse momento ouviu-se então um grito horrendo e a estranha esposa desapareceu… e se se seguiram outras aventuras, ela nunca mais voltou aos braços do seu marido!

 

O que podemos acrescentar sobre estas duas lendas da Dama dos Pés de Cabra? Se no primeiro caso Maria Alva tinha pés de cabra, esse facto é tratado apenas como um defeito genético, sem nada de sobrenatural. Já no segundo caso, que até é o de uma lenda medieval, tudo é diferente – essa Dama dos Pés de Cabra, que prima pela ausência de um nome mais real, é efectivamente uma criatura das trevas, o Diabo ou um dos seus demónios, sem qualquer dúvida. Por isso, apesar de serem lendas que partilham um mesmo nome, elas são muito diferentes, referindo-se quase certamente a figuras distintas com uma única característica que as une.

 

Se existiam outras mulheres e histórias semelhantes nas lendas da Idade Média (recorde-se, por exemplo, o mito de Melusina), porque têm estas duas figuras pés de cabra? Não é fácil explicá-lo horizontalmente, mas, muitas vezes, as figuras medievais com pés de cabra são transformações do Diabo ou alguma outra figura demoníaca, como os eventos da segunda lenda facilmente nos mostram. A ideia geral vem até de tempos da Antiguidade – o Diabo tem pés de cabra por relação com o deus Pã, os Sátiros e os Faunos, que habitavam nas florestas e também tinham essa forma grotesca – e continua a ser reutilizada até aos nossos dias, em que figuras demoníacas como Baphomet continuam a ser representadas com diversas características caprinas. Mas, pelo menos em relação a Maria Alva, sabemos que essa característica não se devia ao oculto, mas a um mero defeito congénito, cuja razão de presença em toda a história já não nos parece ter chegado…

Já viram o Castelo de Coimbra?

“Coimbra não tem castelo”, poderão querer dizer alguns dos que forem ler estas linhas, mas por alguns momentos deixem essa ideia de lado. Já lá iremos (!), por agora vejam esta imagem da cidade dos estudantes em outros tempos, há cerca de 400 anos.

Castelo de Coimbra

Aqui podem ser vistos os pontos mais elevados da cidade de Coimbra em 1598. É provável que até já tenham visto esta gravura antes, mas consultando-se a obra original, Civitates orbis terrarum, existe uma pequena legenda que identifica os vários locais presentes na ilustração. Assinalámos alguns deles acima – “A” são as universidades, “D” o aqueduto mandado construir por D. Sebastião, “E” a Sé de Coimbra, “H” a chamada Porta da Almedina, “L” a Escola dos Jesuítas… e o “B”? A obra original chama-lhe apenas antiquum castrum, “castelo antigo”, denotando que mesmo há cerca de 400 anos já se considerava que o Castelo de Coimbra era (ainda mais) antigo, uma espécie de monumento quase esquecido de tempos há muito passados.

 

Mas continue-se então a busca pelo castelo. Quem procurar, na cidade, os locais acima não terá qualquer dificuldade em encontrá-los. Ainda permanecem mais ou menos no mesmo sítio, sendo fácil identificá-los. Mas o chamado Castelo de Coimbra, assinalado como “B”, naturalmente que já não está no local. Porém, quem, partindo mais ou menos desse local, descer pela Rua do Arco da Traição, entrar pelo Jardim Botânico e for acompanhando o caminho pelo lado direito poderá, eventualmente, encontrar um breve vestígios das muralhas vistas na imagem:

Muralha do Castelo de Coimbra

Nada de muito impressionante, “é uma parede”, mas é um dos poucos vestígios da muralha do antigo Castelo de Coimbra que ainda chegou aos nossos dias, e que sabemos que se encontrava inserido no complexo defensivo original. Por muito que se fale de locais como a Porta da Almedina, entre outros locais indubitavelmente antigos da mesma cidade, não parece ser possível saber como eles se inseriam no panorama original – note-se que mesmo na imagem acima, essa famosa porta de entrada já se encontrava numa espécie de vácuo contextual, rodeada apenas de casas, sem que se saiba a forma como fazia parte, originalmente, da construção defensiva da cidade.

 

Por isso, não, (já) não há Castelo em Coimbra, mas por toda esta cidade ainda podem ser encontrados vestígios com centenas e centenas de anos. Como as águas do Mondego – a que em 1598 ainda se recordava o nome Illunda – também o tempo vai passando, mas existem momentos e espaços que vão ficando, e outros que se vão extinguindo. O Castelo de Coimbra parece preso entre ambos, na medida em que já desapareceu quase por completo mas, ao mesmo tempo, não deixa de continuar a fazer parte do grande imaginário da cidade…