O triste destino do Palácio de Cristal, no Porto

Quem, na cidade portuguesa do Porto, procurar o Palácio de Cristal já não o encontra. Foi triste, o seu destino. Nesse sentido, se muitos dos monumentos que cá referimos ao longo dos anos já desapareceram há séculos e séculos, ainda nos é difícil compreender como alguém poderá ter destruído algo que, a nós, nos parece tão belo. Mas, ao mesmo tempo, existem exemplos muito mais recentes e igualmente difíceis de explicar, como o que aqui apresentamos hoje.

 

Quem for à cidade do Porto, como apontado acima, poderá visitar o Jardim do Palácio de Cristal. O jardim está por lá, mas o Palácio de Cristal que lhe deu o nome já há muito que desapareceu. O seu nome remete-nos para uma estrutura muito particular, feita quase completamente de vidro, permitindo a entrada da luz no seu interior, como pode ser visto nestes postais retirados da Biblioteca Nacional:

Palácio de Cristal, entrada

Palácio de Cristal, parte frontal

Palácio de Cristal, parte traseira

Ainda existem outros palácios de cristal pelo mundo fora (e.g. em Madrid), mas o que aconteceu a este Palácio de Cristal da cidade do Porto? Foi destruído em nome do progresso, o seu monumental órgão martelado até à mais completa ruína, no ano de 1951, sendo substituído poucos anos depois por uma estrutura semi-circular que não pode deixar de nos parecer abominável, e que hoje ocupa o mesmo espaço visto acima.

O nome do jardim mantém-se, possivelmente em virtude da grande oposição que os portuenses levantaram aquando da destruição do palácio. Mas, na verdade, assim se perde não só a história e beleza do passado, mas também a razão de ser do nome de muitos locais…

Viagem (virtual) ao Templo de Artémis em Éfeso

Como já bem se sabe, o Templo de Artémis em Éfeso foi outrora considerado uma das sete grandes maravilhas do mundo. Quando aqui falámos dele anteriormente, até o definimos assim:

Originalmente consagrado à famosa deusa da caça, apresentava mais de uma centena de colunas de uma altura mítica e uma lindíssima estátua da deusa. Segundo os relatos da época, o magnífico templo dava a sensação de chegar aos céus, sendo considerado por alguns como a mais bela de todas as Maravilhas.
Após sobreviver a séculos de conflitos, e por estranho que pareça, este templo foi destruído por um único homem, que em busca de fama eterna lhe pegou fogo. Assim, hoje em dia só os vestígios de uma única coluna do templo podem ser vistos no local.

O Templo de Artémis em Éfeso, reconstrução

Porém, se nos nossos dias é relativamente fácil encontrar reconstruções 3D do Templo de Artémis em Éfeso como a acima, ou até infindáveis fotografias do seu local, há algo de especial em ver o (pouco) que resta do original no seu contexto real.

Ao fundo pode aqui ser vista a famosa coluna que ainda nos chegou deste templo. Por perto existem, aqui e ali, algumas outras breves memórias do mesmo recinto. Porém, o que poucos nos dirão é que o local está hoje perigosamente perto de um parque de estacionamento, o mesmo onde hoje páram os seus transportes todos aqueles que quiserem ir “visitar” este espaço. Quanto tempo restará até que algum turista mais apalermado decida levar algumas recordações para casa?

 

Mas, enquanto dura, a beleza e a altura do Templo de Artémis em Éfeso original ainda pode ser contemplada bem de perto, com o local em que a deusa da caça foi venerada a ser hoje ocupado por cabras berrantes, num misto de ironia curiosa e sinais dos tempos…

Viagem (virtual) ao local da morte e ressurreição de Jesus Cristo

Jesus a sair do túmulo

Neste estranho Domingo de Páscoa achámos que nada seria mais indicado do que uma breve visita virtual a dois locais da história de Jesus Cristo, nomeadamente aqueles em que se diz que ele morreu e ressuscitou. Porém, há uma questão que se impõe, que tem de se impor, quando se fala de temas como estes – serão mesmo estes os locais, temos alguma certeza real disso? Na verdade… não, não temos, mas explicar o porquê implica contar uma breve história de outros tempos.

 

Quando no século IV Constantino se converteu ao Cristianismo, numa dada altura a sua mãe, hoje conhecida como Santa Helena, foi a Jerusalém em busca dos locais significativos da vida de Jesus Cristo. Entre outras coisas menos importantes para este tema, numa dada altura encontrou um túmulo e três cruzes. Pensou, naturalmente, que o túmulo seria o de Jesus, mas qual das três cruzes tinha sido a dele? Segundo a mesma história, a mãe de Constantino testou-as de alguma forma e descobriu que uma delas tinha propriedades miraculosas (e.g. a cruz verdadeira cura algum doente); logo, só poderia ser essa a do Filho de Deus, não é…?

 

Já voltaremos um pouco mais a essa história, mas agora vejamos o local onde se diz que teve lugar a crucificação de Cristo (como sempre, podem explorar esta fotografia, o tecto é particularmente interessante):

Pode ser visto aqui um altar, a marcar o local da suposta crucificação, mas o que é igualmente digno de nota é o facto de em ambos os lados desse altar estarem localizados dois vidros, no interior dos quais podem ser vistas as rochas em que se acredita que foi colocada a cruz de Jesus. Porquê estas, e não outras do mesmo local? Não sabemos, mas é certamente possível que Santa Helena tenha encontrado as três cruzes nesta zona.

Já neste segundo local pode ser visto o túmulo de Cristo. Note-se que ele não foi sepultado no edifício quadrado no centro da imagem; esse edifício, mais tardio, tem é no seu interior o local onde ele foi sepultado, que normalmente não está acessível ao público mas que pode ser visto de forma parcial neste vídeo.

 

Supondo que existiam vários túmulos neste local, como é que Santa Helena descobriu que este é que era o de Jesus Cristo? É possível que se tenha devido a um segundo milagre, mas apenas temos a vaga memória de uma história que dizia que os deuses pagãos tinham mandado construir um templo no local, de forma a conspurcar o local de tão grande milagre cristão. O que sabemos, isso sim, é que quando em 2017 foi feita a datação da cobertura de mármore deste túmulo, descobriu-se que ele era de meados do século IV, apenas alguns anos após a altura em que se diz que Santa Helena descobriu o local.

Será tudo isto verdade, ou uma mera fábula para enganar os crentes? É, como sempre, tudo uma grande questão de fé…

Viagem (virtual) ao Museu Nacional de Arqueologia (Portugal)

O Museu Nacional de Arqueologia

Outro espaço português que pode ser visitado virtualmente é o Museu Nacional de Arqueologia, tanto através de uma exposição temporária (que até já terminou), como de algumas das suas várias colecções permanentes.

 

Esta primeira exposição, intitulada Loulé: Territórios, Memórias e Identidades terminou a 23 de Junho de 2019 mas ainda pode ser visitada nesta forma completamente virtual. Nela, podem ser vistos muitos dos vestígios arqueológicos encontrados no concelho algarvio.

A segunda é a exposição de Antiguidades Egípcias. Também pode ser vista de uma forma completa e com imagens de alta resolução, permitindo-nos visitar o local quase como se lá estivéssemos presencialmente. É, tanto quanto sabemos, uma das poucas exposições de arqueologia egípcia existentes em Portugal.

Esta terceira, é a exposição Religiões da Lusitânia. A entrada é feita pelo lado direito, mas aí podem ser vistos muitos dos vestígios arqueológicos da Antiguidade existentes no nosso país, com uma evidente ênfase nos de carácter religioso, entre os quais podem ser encontrados alguns “velhos amigos” a que já dedicámos algum tempo anteriormente.

 

Infelizmente, a exposição Tesouros da Arqueologia Portuguesa não pode ser vista neste formato virtual. Desconhecemos se isso se deve a razões de segurança, ou ao facto desta ter estado em reformulação na altura em que muitas destas imagens foram gravadas, mas claro que é sempre melhor podermos aceder a três das exposições do que não conseguir fazê-lo para nenhuma delas. E, se nos permitem um breve instante de informalidade, isto foi divertido, esta possibilidade de, aqui na sala de casa, irmos vendo as exposições à distância, discutindo o que estamos a ver de uma forma que nem sempre é possível num ambiente mais físico.

Viagem (virtual) ao Museu Nacional do Brasil

Incêndio no Museu Nacional do Brasil

Como é bem sabido, em Setembro de 2018 o Museu Nacional do Brasil sofreu um incêndio que levou à perda de muita da sua vasta colecção. Infelizmente, já não é possível visitá-lo de forma física, com o respectivo site a informar-nos de que “Nossas exposições estão fechadas ao público por tempo indeterminado em virtude do incêndio que destruiu grande parte de nossas coleções”. Porém, o próprio Museu foi parcialmente indexado aos sistemas do Google no mês de Março de 2017, o que nos permite fazer isto:

Claro que, como já insistimos anteriormente, isto não é o mesmo que visitar o museu fisicamente, mas neste caso específico o que é muitíssimo interessante é a possibilidade de ainda se visitar um espaço que já não pode ser visitado e que jamais voltará a ser visitável nesta mesma forma. E, por isso, deixamos uma sugestão – carreguem ali no botão para ver estas imagens em ecrã completo e divirtam-se a explorar parte destas colecções hoje perdidas. É o que também nós faremos, este domingo.