Viagem (virtual) às Ruínas Romanas de Conímbriga, Portugal

Conímbriga

De entre os locais que nos ligam à Antiguidade Clássica em Portugal, é possível que as ruínas da antiga cidade de Conímbriga sejam um dos mais notáveis. Portanto, nada como fazer uma pequena viagem virtual a esse local. A cerca de 20 Km da cidade de Coimbra, mais precisamente em Condeixa-a-Nova, os visitantes podem encontrar um pequeno museu e estas famosas ruínas.

O que é curioso, neste caso em particular, é que tanto esse pequeno museu, como grande parte das próprias ruínas, estão disponíveis para uma visita virtual. Acima, por exemplo, pode ser vista a bilheteira e loja do museu, mas se carregarem nas portas do lado esquerdo e do lado direito poderão explorar todo o espaço, e inclusivé ver as muitas coisas que foram sendo encontradas no local. Isto acaba por ser um tanto ou quanto inesperado, na medida que muitos museus internacionais permitem este tipo de visita, mas em Portugal já não é algo assim tão frequente. Fica, por isso, esse convite à exploração pessoal.

Agora, se são muitas as ruínas que podem ser vistas no local, a mais famosa de todas elas é provavelmente a chamada “Casa dos Repuxos”. Porém, o mais digno de nota neste segundo recinto é o facto da visita virtual até permitir algo que um passeio físico não permite, por evidentes razões de conservação, que é uma exploração mais directa do espaço. Na verdade, na imagem acima poderão ver, do lado esquerdo, o passadiço por onde é feita a visita, mas explorando, desta forma virtual, o espaço poderão “caminhar” sobre os mosaicos, vendo-os de uma forma muito mais íntima.

O último espaço de hoje mostra-nos parte das ruínas de um antigo anfiteatro da cidade. Se parece já não ter muito para ver, a colocação de bancos modernos não pode deixar de nos recordar o espírito que o recinto teve em outros tempos.

 

Em suma, Conímbriga é um local que merece uma visita física (se possível, até num formato guiado), até porque não está assim tão longe da maioria dos leitores portugueses. Fica o convite a essa visita, quando tal voltar a ser seguro para todos.

Viagem (virtual) ao Palácio de Minos, em Cnossos (Creta)

Vivemos num mundo crescentemente tecnológico, mas há alguns meses que nos apercebemos que as pessoas tendem a tomar muito pouco partido dessas novas oportunidades. Por exemplo, as tecnologias de hoje permitem-nos visitar locais por todo o mundo sem sair de nossa casa, mas raramente as pessoas o fazem. Então, decidimos tomar partido dessas novas oportunidades para tentar “visitar” alguns locais, começando pelo chamado “Palácio de Minos”, em Cnossos (Creta), assim conhecido por uma (falsa) associação com um famoso rei dos mitos gregos. Os mais interessados nestes temas já conhecerão alguns dos frescos presentes neste local, mas o que mais pode ser visto por lá?

Este primeiro local, que podem explorar à vossa vontade, é mesmo em frente ao acesso ao palácio. Do lado direito têm um parque de estacionamento e uma paragem de autocarros, enquanto que do lado esquerdo pode ser vista uma longa recta de lojas e restaurantes. Esta é uma face de todos os monumentos de que raramente nos falam. Mas, depois, foquemo-nos é no próprio palácio.

Aqui tem-se acesso a uma panorâmica generosa do local. Quase ao centro pode ser visto uma espécie de recanto rectangular cuja cor destoa em toda a paisagem branca e verde. Se ampliarem a imagem poderão ver uma pintura no seu interior. Não é, naturalmente, a única que existe em todo este recinto!

Por isso, neste fragmento interior podem ser vistas mais algumas pinturas. Quem decidir prestar alguma atenção extra pode ver, ao fundo da imagem, o famoso fresco de um touro a ser saltado por alguém – e quão pequeno ele é! Existem outras neste mesmo local, se decidirem explorá-lo um pouco mais.

Mas esta pequena visita virtual não poderia terminar sem uma fotografia que vimos e que nos pareceu igualmente digna de nota:

Aqui, outra parte do Palácio de Cnossos pode ser vista num momento em que o sol a toca de uma forma especialmente bela.

 

Claro que esta visita virtual não substitui completamente uma presença física no local, mas dá-nos a possibilidade, agora que muitos de nós estão de quarentena em casa, de aceder a uma pequena parte de um local longínquo sentados no proverbial conforto do nosso sofá. Que vos parece toda esta ideia?

A lenda de Santiago de Compostela

Recentemente alguém aqui quis saber a lenda de Santiago de Compostela *. A tradição atribui a essa cidade de Espanha a presença do túmulo de São Tiago**, um dos apóstolos de Jesus Cristo, mas que lenda aí se esconde?

Catedral de Santiago de Compostela

Resumidamente, após a morte e ressurreição de Jesus Cristo os diversos apóstolos – com a evidente excepção de Judas, o traidor – foram pregar a mensagem do seu Salvador por todo o mundo. Nesse seguimento, a tradição medieval diz-nos que São Tiago veio para a Ibéria, onde pregou a sua mensagem divina aos habitantes locais, antes de retornar a terras de Jerusalém, onde – como nos é dito nos Actos dos Apóstolos, por contraste com as fontes apócrifas do resto da mesma lenda – acabaria por ser decepado por ordem de Herodes Agripa.

Mas a lenda não fica por aqui. Ela também nos diz que após a morte de São Tiago alguns anjos transportaram o corpo deste mártir para um barco – uma ocorrência comum nas lendas da época – e fizeram com que, pelo que apenas pode ser considerado um completo milagre, este fosse parar à costa noroeste de Espanha. Em seguida, as mesmas entidades divinas levaram-no para uma caverna e taparam a entrada com uma enorme pedra. E depois, já em inícios do século IX, o local foi descerrado pelo bispo Teodomiro de Iria – uma estrela miraculosa conduziu-o ao local, segundo a história local – levando às grandes peregrinações agora associadas à cidade de Santiago de Compostela.

 

Será tudo isto verdade? Ou será que, pelo menos, tem um fundo de verdade? Há quem jure eternamente que sim. Há quem o negue repetidamente. Mas, ao fim ao cabo, como é muito comum nestas circunstâncias, trata-se tudo de uma grande questão de fé.

 

*- Uma curiosidade adicional, sobre “Compostela” – segundo a lenda, a cidade obteve esse nome através do Latim campus stellae, “o campo da estrela”, em honra da estrela que se afirma que conduziu o bispo Teodomiro até ao local de enterramento do santo.

**- Na verdade, e como apontado por Pedro Oliveira nos comentários, o nome original deste santo não era “Tiago”, mas sim “Iago”. O seu nome na versão grega do Novo Testamento era Ἰάκωβος (algo como “Jacobo” ou “Jacó”), mas ao longo dos séculos parece ter sido corrompido para “Iago”, e pela forma “Sant’Iago” levou ao Santiago dos nossos dias. Assim, usamos aqui o nome de “São Tiago” não porque ele esteja completamente correcto, mas porque é a forma mais comum adoptada nos nossos dias, salvo em excepções como “Sant’ Iago da Espada” (i.e. o “Mata-mouros”).

Em busca da lenda da Cruz de Popa

Para a última história portuguesa deste mês decidimos falar de algo muito pouco vulgar, a lenda da Cruz de Popa, na zona de Alcabideche (Cascais). Ou, para sermos mais correctos, uma não-lenda que tomaria esse nome. E temos de lhe chamar isso porque, infelizmente, o local até deve ter uma razão real para esse nome, mas já não conseguimos recontá-la por cá. Passe-se a explicar.

A lenda da Cruz de Popa?!

Há uns meses pássamos por um local chamado “Cruz de Popa”. Numa das ruas próximas encontrámos uma representação antiga de uma poupa – o pássaro, deixe-se claro – poisada próxima de uma fonte e de um edifício potencialmente religioso, mas já ninguém nos soube falar dessa história ou dizer de onde vinha o nome do local. Na verdade, pouco mais nos souberam informar do que “eu vivo aqui há mais de 80 anos e sempre conheci o local por esse nome”. Insistimos. “Sim, havia ali umas ruínas, mas a gente não ligava a nada disso”. Só isto.

 

O mistério desta Cruz de Popa, como já é costume, não pôde deixar de nos fascinar bastante. A representação próxima do local deixa clara a existência de um pássaro (com a penugem acima da cabeça que é bem característica à poupa), por oposição a uma “popa” de qualquer outro tipo (e.g. a parte frontal de um navio, como no caso de Nuestra Señora de la Candelaria de la Popa). Deixa igualmente clara a existência de um cruzeiro, talvez até inserido num espaço religioso maior, que ainda hoje está presente no local. E deixa ainda clara a presença de uma fonte, mas que já não existe, e da qual nem parecem existir, hoje, quaisquer vestígios.

 

Esta seria, normalmente, a altura em que contávamos como descobrimos a resposta, e qual era, afinal de contas, esta lenda oculta da Cruz de Popa, mas neste caso especifico não foi mesmo possível encontrá-la. Segundo apurámos, em inícios do século XX o cruzeiro estava parcialmente destruído, mas ainda existia uma mina de água no local, onde os habitantes locais tinham por hábito apanhar agriões, levantando a possibilidade da existência anterior de uma fonte, desaparecida em data incerta. Se a lenda original unia, de alguma forma muito significativa, o pássaro à cruz e à fonte, é possível que o desaparecimento parcial destes últimos elementos tenha levado ao esquecimento progressivo de toda a trama. O que, para nós, é muito triste, porque representa a perda de um património cultural irrecuperável, como aquele que algumas vezes ainda tentamos preservar por cá, e que em casos como o da Arranca-Pregos também já se perdeu…

Quem quer dormir dentro do Cavalo de Tróia?

Um hotel em forma de Cavalo de Tróia

Poderia até parecer uma brincadeira de Carnaval, mas já é mesmo possível dormir dentro de uma espécie de Cavalo de Tróia.

O Hotel La Balade des Gnomes, em Heyd (comuna de Durbuy, na Bélgica), tem diversos quartos temáticos, entre eles um que, exteriormente, se assemelha muito ao Cavalo de Tróia dos mitos. O preço por noite, para quem tiver curiosidade, é de 260€ para duas pessoas. Para mais informação, e algumas imagens extra, bastará carregar na imagem acima.