Um segredo da Notre Dame de Paris

Certamente que a catedral Notre Dame de Paris é uma das mais famosas construções religiosas de toda a Europa, mas nem por isso acolhe menos segredos do que, por exemplo, a Sé de Lisboa. Conta-nos então a história que por volta de 1710 estavam a ser feitas uma obras no interior da catedral, com o objectivo de construir uma cripta, quando foi encontrado algo de inesperado.

 

Hoje chamado o “Pilar dos Navegantes”, que pode ser visto parcialmente reconstruido na imagem acima, contém referências a deuses gauleses como Cernuno e Esmértio, juntamente com figuras romanas como Castor e Vulcano, e até uma dedicatória ao Imperador Tibério. Mas como terá este pilar ido parar ao subsolo da Notre Dame? Muitas poderão ser as respostas, mas é possível que tenha existido nesse local um antigo templo religioso de alguma importância, sobre o qual posteriormente foi construída uma igreja cristã (recorde-se que também em Lisboa a Sé foi construída sobre um antigo templo religioso islâmico), ou que ao longo dos séculos a pedra de que era feita este pilar tenha sido simplesmente reutilizada para outros propósitos, sem qualquer valor dado à sua anterior função religiosa.

 

Ainda assim, acabou por nos preservar a única menção indisputada a Cernuno, um cornudo deus gaulês aqui identificado pelo nome e que na imagem acima pode ser visto do lado esquerdo (segunda representação a contar do topo).

Quem quer ver algumas relíquias sagradas?

Quem nunca quis ver as mais sagradas relíquias da sua religião? Pensamos que muitos responderiam positivamente a um tal convite, pelo que decidimos contar aqui esta pequena curiosidade – no Palácio de Topkapi, em Istambul (Turquia), podem ser encontradas diversas relíquias religiosas, como a espada do Rei David, o bastão de Moisés, o manto de José (será o tal das mil cores?), pêlos da barba de Maomé ou até a espada desse profeta. Se todas estas relíquias são as verdadeiras, isso já é algo que não podemos opinar.

 

Mais informação sobre o local pode ser facilmente encontrado através de uma pesquisa online – por exemplo, este breve artigo pareceu-nos uma introdução interessante.

A Árvore Que É Dona de Si Mesma

A Árvore Dona de Si Mesma, de que aqui falamos hoje

O tema de hoje é tão singular que até sentimos alguma dificuldade em tentar introduzi-lo como fazemos habitualmente. Refere-se a uma árvore – a chamada Tree That Owns Itself – que ainda hoje existe na cidade de Athens, no estado americano da Geórgia, e que tem uma característica muitíssimo invulgar – ela possui-se a si mesma, em vez de pertencer a uma qualquer pessoa que é dona dos terrenos em redor, como é muito habitual. Mas como é que uma coisa assim tão estranha aconteceu?

 

Numa data que o tempo já há muito fez perder, este carvalho foi plantado no local em questão. Depois, a propriedade foi passando por diversas pessoas diferentes, até que chegou à posse de um coronel, um tal William H. Jackson, que viveu em finais do século XVIII, inícios do XIX. Por volta da terceira década do século XIX, este homem pensou então em fazer algo nunca visto – tendo em mente que gostava bastante desta árvore e de todo o espaço em redor, decidiu escrever uma espécie de testamento em que deixava o próprio carvalho, bem como uma pequena porção da propriedade em redor, a si mesmo. Parte das palavras desse testamento ainda podem ser encontradas numa pequena placa no local, assinalada na imagem acima, que na sua versão mais recente diz o seguinte:

For and in consideration of the great love I bear this tree and the great desire I have for its protection, for all time I convey entire possession of itself and all land within eight feet [i.e. 2.44 metros] of the tree on all sides.

 

Por esse seu antigo e conhecido proprietário, esta árvore também é hoje distinguida pelo nome de Jackson Oak (i.e. o “Carvalho de [William H.] Jackson”), e ela quase que chegou aos nossos dias, com uma pequena e inesperada diferença… Em Outubro de 1942 ela já parecia ter morrido, e então foi substituída por uma nova árvore (hoje conhecida por Son of The Tree That Owns Itself), supostamente nascida de uma das bolotas da original, transplantada para o mesmo local em finais de 1946. Portanto, se a original já há algumas décadas que desapareceu, esta sua “herdeira” mantém-se no lugar… e se não sabemos até que ponto o suposto testamento ainda tem uma verdadeira validade legal, pelo menos os cidadãos locais parecem ter indo respeitando toda esta incomum ideia, até porque a árvore é um famoso ponto turístico local.

“Descoberto esqueleto de rapaz que pode ter sido sacrificado a Zeus”

Um esqueleto descoberto entre cinzas de animais sacrificados no Monte Lykaion, na Grécia, no santuário descrito como o local do nascimento de Zeus, está a intrigar os cientistas e pode ser a prova que faltava para comprovar os sacrifícios humanos ao deus grego.

(…)

 

O resto da notícia pode ser lida aqui. O que dizer sobre ela? É verdade que existem nos mitos gregos diversas menções ao sacrifício de humanos – na tragédia Ifigénia na Táurida, para dar um exemplo bastante conhecido, Orestes e Pílades quase são sacrificados à divindade local – mas é quase sempre no contexto de uma abolição dessas mesmas tradições, então já vistas como tão bárbaras quanto horrendas. Se até nos parece provável que tais rituais tenham tomado lugar na Grécia, só poderão ter ocorrido em tempos mais remotos; nos poemas de Homero ainda existiam, aqui e ali, referências a sacrifícios humanos – pense-se nos casos de Ifigénia e Políxena – mas sempre como uma conotação negativa e com os deuses a castigarem frequentemente quem ainda os realizava. Tanto Agamémnon como Neoptólemo, figuras ligadas a essas duas mortes, acabam por ser punidos, como o são várias outras figuras que sacrificaram humanos (Tântalo, o Licáon mencionado no artigo, etc).

 

Somos então levados à ideia crucial de que esses sacrifícios humanos só poderão ter sido vistos como aceitáveis numa idade muito anterior à de Homero. Isto justifica as vagas alusões que lhes são feitas nos séculos mais próximos da nossa era – sabia-se que tinham sido realizados, sim, mas em épocas remotas, já difíceis de datar para os poucos autores que sobre eles ainda nos escreveram, e que dificilmente os terão testemunhado na primeira pessoa.