O local de Santa Ninfa

Existe, na Sicília, um local de Santa Ninfa, que dizem supostamente tratar-se de uma santa mártir do século IV, que, como é natural, teria esse nome… mas, até devido à singularidade do nome, tudo fará mais sentido se se tiver em conta que o mesmo local, anteriormente, tinha o nome de Ad Nymphas devido às suas belas águas, e que a existência dessa santa não é atestada em qualquer fonte credível da Antiguidade.

 

Trata-se, portanto, de uma situação em que uma santa foi inventada para dar o nome a um dado local, que então se passou a chamar o local de Santa Ninfa, e se a vida (que nada tem de histórica, note-se isso) da mesma santa até menciona a localidade em causa, esta não é uma daquelas muitas situações em que uma santa deu nome a um local, mas sim uma curiosa excepção em que o local veio a dar o seu nome a uma (muito potencialmente falsa) “santa”.

Onde ficava Tróia?

Hoje fui confrontado com uma questão que achei que não podia ignorar, quando alguém se perguntou “Onde ficava Tróia?”, referindo-se, sem dúvida, à Tróia dos poemas de Homero.

 

De uma forma muito simples, eu poderia, simplesmente, dizer que não sabemos onde ficava a Tróia de que nos fala Homero. Mesmo na Antiguidade, muitos já eram os autores que debatiam esse tema, e se muitos foram aqueles que davam as suas opiniões, parece-me também que não existia nenhuma opinião totalmente convicente, a que todos eles aderissem de uma forma una.

 

Agora, se num século muito mais recente Heinrich Schliemann “descobriu” (as aspas são intencionais) Tróia, essa é uma possível “descoberta” cujo caminho não é simples, e que pode ser explorado na sua obra Troja und seine Ruinen (em Português, algo como “Tróia e as suas ruínas”). Caberá ao leitor, com base no conteúdo da mesma, avaliar se os argumentos de Schliemann são convincentes, ou se apenas serviram para esse autor ver o que queria ver. Se nos poderá parecer, à primeira vista, que essa segunda opção é a mais lógica, ao mesmo tempo também não podemos descurar o facto de, nessa sua obra, o autor tirar várias elações que fazem muito sentido, muito mais sentido do que poderíamos pensar antes de a ler.

 

Serão, então, a Tróia de Schliemann, localizada na turca Hisarlik, e a de Homero, uma só? Essa é uma questão à qual eu dificilmente saberia responder, mas convido todos os interessados no tema a lerem a obra de Schliemann e, com base no que ela lhes disser, formarem as suas próprias conclusões.

Dos deuses gregos aos anjos e santos

Numa obra, cuja referência infelizmente perdi, encontrei um elemento que me pareceu interessante o suficiente para merecer uma menção por cá:

 

Quando Constantino I visitou um templo chamado Sosthenion, onde habitava uma divindade alada, considerou-a como sendo um anjo cristão. Durante uma noite passada nesse templo, foi-lhe então revelado, em sonhos, que esse anjo era São Miguel, e o imperador viria então a transformar esse templo numa igreja cristã, consagrada a esse anjo.

 

Essa igreja, que infelizmente não sobreviveu até aos dias de hoje, bem como a história que levou à sua criação, prova então uma inegável ligação entre os deuses gregos e a religião cristã, até porque os milagres associados à antiga divindade passaram depois a sê-lo a S. Miguel . É provável que algo de semelhante se tenha passado até com muitos santos, já que figuras como São Jorge apresentam elementos semelhantes aos de mitos como o de Perseu, mas tanto quanto me foi dito por quem percebe dessas coisas, não há uma relação totalmente atestada entre os deuses gregos do Politeísmo e os santos do Monoteísmo cristão.

A lenda da Boca da Verdade (em Roma)

A lenda da Boca da Verdade, em Roma, remete-nos para um local muito específico da Cidade Eterna. Muitos são, sem qualquer dúvida, os monumentos de Roma que poderiam ser mencionados por cá, mas creio que a Bocca della Verità, conhecida em Português como a Boca da Verdade, tem um interesse muito especial.

A Boca da Verdade

Esta Boca da Verdade, que provavelmente se tratava de uma representação do deus Oceano nos tempos romanos, obteve este seu nome através de um mito medieval segundo o qual a mão de um mentiroso seria cortada ao ser colocada na boca da figura. Infelizmente, apesar de existirem múltiplas teorias sobre a proveniência deste disco, a sua utilidade original, ou mesmo qual a figura que representa, não existe ainda qualquer conclusão real. Ainda assim, sempre achei muito curiosa a forma como este disco se popularizou, de há uns anos para cá – sob a forma de máquinas de leitura de sina, ainda hoje chamadas Boca da Verdade, numa quase perfeita fusão entre a Antiguidade e o nosso século, como o vídeo abaixo nos demonstra:

Museu do Teatro Romano – vale a pena visitar?

Há uns dias atrás tive finalmente a oportunidade de ir visitar o Museu do Teatro Romano, em Lisboa (já anteriormente mostrado por cá em vídeo), mas creio que posso classificar essa visita como uma completa desilusão. Por isso, lança-se uma questão fundamental – será que vale a pena visitá-lo, ou nem por isso?

 

Eu já conhecia o Teatro Romano em si mesmo, e este até pode ser visitado gratuitamente a qualquer hora do dia ou da noite na lisboeta Rua de São Mamede, mas quanto ao museu a que serve de pano de fundo, este tem muito pouco para se ver. Como se isso não fosse suficiente, o pouco que ainda tem para ver (maioritariamente elementos arquitectónicos retirados do próprio Teatro Romano, algumas moedas, etc.) parece-me estar apresentado de uma forma bastante rudimentar, muito desinteressante excepto para um público muito específico, como o de estudantes universitários da área. Para os restantes, toda a visita a este pequeno espaço é muito pouco interessante.

O Museu do Teatro Romano de Lisboa, como está hoje

Também, os vários elementos multimédia do Museu do Teatro Romano não estavam disponíveis na altura (será que alguma vez o estão? A experiência em espaços semelhantes diz-nos que não…), e as funcionárias do museu eram tudo menos simpáticas, como se o visitante estivesse a fazer-lhes um favor com a sua presença. Normalmente esse aspecto não seria importante, mas quando nos é indicado que devemos pedir um dado suporte a uma funcionária e depois esta parece mais interessada em nos despachar rispidamente do que em nos ajudar, creio que passa a ser bem mais relevante.

Em termos de aspectos positivos, creio que o mais importante é mesmo o facto de este Museu do Teatro Romano ser gratuito para todos os públicos, ou pelo menos era-o ainda na altura da minha visita. O site deste museu pode ser encontrado aqui, mas acaba por ser um pouco irónico que este tenha mais para explorar que o próprio museu, em si.