O mito de Gleipnir

O Gleipnir do mito

Sucintamente, nos mitos nórdicos Gleipnir era uma espécie de trela que prendia o lobo Fenrir (visto acima já agrilhoado), até ao momento do fim dos tempos. É esse o significado da palavra Gleipnir, e isto absolutamente nada teria de especial, nem sequer seria mencionado por cá, não fossem os estranhos ingredientes com que ela foi construída:

 

  • O som da queda de um gato;
  • A barba de uma mulher;
  • As raízes de uma montanha;
  • Os nervos de um urso;
  • A respiração de um peixe;
  • O cuspo de uma ave.

 

A dificuldade de arranjar todos estes ingredientes até é parcialmente gozada no Gylfaginning, dando-nos a entender a falta de realismo de todos estes pedidos, mas acaba por ser mesmo esse aspecto invulgar que merece referência aqui. Se a barba de uma mulher, ou os nervos de um urso, nem são hoje assim tão difíceis de arranjar, fica aqui um pequeno convite aos leitores – como conseguiriam arranjar os restantes ingredientes? Alguma ideia?

A morte de Baldur – como morre um deus nórdico?

Baldur, também conhecido como Baldr ou Balder, poderá até ser um dos deuses mais famosos do panteão da Mitologia Nórdica, na medida que a sua morte acabou, de alguma forma que não é muito explícita, por levar ao Ragnarök, o fim do mundo. Mas como morreu este deus Baldur?

 

A história começa com Baldur a ter um conjunto de sonhos alusivos à sua própria morte. Assustado com essa possibilidade, confrontou os outros deuses com o que se passava e estes fizeram com que (quase) tudo o que existia prometesse não magoar este deus. Depois, de uma forma que devemos considerar hoje um pouco absurda, juntaram-se todos e, numa espécie de brincadeira festiva, decidiram atirar coisas a Baldur, já que este não poderia vir a sofrer qualquer mal.

 

Entretanto, o traiçoeiro Loki investigou tudo isto e acabou por descobrir uma pequena falha nas promessas dos seres vivos – uma pequeníssima planta, o visco [mais conhecida entre nós pelo seu nome inglês, “mistletoe”], nada tinha prometido, por parecer demasiado inofensiva. De uma forma dificil de perceber, este deus fez então uma lança com essa planta e entregou-a a Hoder, o cego irmão de Baldur, para que este a atirasse, tal como os outros deuses estavam a fazer. Quando o fez, matou, acidentalmente, o próprio irmão.

Mas a história não termina por aqui. Dirigindo-se à deusa dos mortos, Hel, Odin pediu que Baldur fosse trazido de volta ao mundo dos vivos. Esta aceitou o pedido, pondo apenas uma pequena condição – todos os seres vivos teriam de chorar pelo deus. E (quase) todos o fizeram, salvo uma única excepção, a de uma velhota que pareceu preferir afastar-se de todo o assunto (mas que até poderá ter sido Loki disfarçado). Por isso, Baldur iria continuar morto.

A morte de Baldur

Este mito nórdico apresenta-nos algo de muito invulgar, a morte de um deus, episódio sem paralelo nos mitos dos gregos e romanos. De facto, a trama até nos permite compreender um conjunto de características dos deuses nórdicos, entre elas a sua mortalidade, o facto de não serem omnipotentes nem omniscientes, mas, talvez mais que tudo o resto, o facto de serem tão falíveis e imperfeitos como os próprios mortais. Posteriormente, até acabarão por se vingar de Loki, mas essa é uma espécie de sequela deste mito que ficará para outro dia.

O mito nórdico de Yggdrasil

Na Mitologia Nórdica, Yggdrasil era o nome dado à árvore que constituía o eixo de todo o mundo. Como pode ser visto em muitas imagens disponíveis online (podem até ver um exemplo abaixo), este elemento natural do Yggdrasil ligava os nove mundos apresentados nessa mitologia, apresentado um importante papel em grande parte dos seus mitos.

Yggdrasil

Porém, também há que mencionar que esta curiosa palavra, Yggdrasil, é usada em muitos outros contextos nos nossos dias, e raramente em referência a esta gigantesca árvore. Contrariamente ao que sucede a elementos mitológicos como Excalibur, o famoso escudo de Atena, ou a Caixa de Pandora, cujas características são constantemente mantidas, este nome é usado para denominar os mais diversos objectos, frequentemente com características místicas, sem qualquer respeito pela sua função original.