“Primeiro nasceu o Caos”…

Após o seu proémio, a Teogonia de Hesíodo começa com uma frase emblemática, “Primeiro nasceu o Caos”, uma espécie de divindade da qual depois irá, progessivamente, nascer tudo aquilo que existe. E, considerado puramente assim, num vazio cultural, poderá parecer-nos uma criação que tem uma certa lógica… isto, até considerarmos o mesmo problema que, segundo reza a história, levou Epicuro a dedicar-se à filosofia – de onde nasceu esse Caos? O poeta grego nunca responde à questão, mas pelos versos que se lhe seguem compreendemos que terá de ter nascido de alguém, de alguma coisa, de algum lado. Mas de onde? De um nada tão grande que nem tinha um nome? A ideia de que somente já existia, desde o início dos tempos, não faz sentido, pelo facto de nos ser dito que ele “nasceu”. Por isso, fica a questão!

A história de Menécrates de Siracusa

 

 

Da vida deste médico de Filipe de Macedónia sabemos, essencialmente, duas coisas, ambas igualmente curiosas.

 

Se, por um lado, ele era bom na sua profissão, curando até aqueles que sofriam da “doença sagrada” (hoje conhecida como “epilepsia”), por outro também parecia ser um pouco louco, insistindo em que o tratassem por Zeus e associando àqueles que curava os nomes das outras divindades do Olimpo. Além disso, segundo um dos relatos a que temos acesso parece que até fazia dos pacientes curados seus escravos pessoais.

 

Terá sido, presumimos, devido a essa potencial loucura que o próprio Filipe da Macedónia o convidou para jantar, servindo-lhe depois uma jocosa “dieta” de incensos e libações enquanto argumentava que um deus – como o seria Zeus – não tinha necessidade de comida. O seu séquito, esse, foi bem alimentado, levando a que Menécrates tenha saído do repasto zangado. Terá sido este o episódio que curou a sua potencial loucura? Não sabemos, mas dada a ausência de mais elementos sobre a sua vida é até possível que sim.

O Evangelho Secreto de Marcos, ou Carta de Mar Saba

O Evangelho Secreto de Marcos, ou Carta de Mar Saba, tem uma história incrível. Vale a pena contá-la aqui. Por volta do ano de 1973 um professor (agora já falecido), Morton Smith, supostamente encontrou uma epístola perdida, da autoria atribuída a Clemente de Alexandria (o tal autor que um dia revelou os Mistérios de Elêusis…), que, de alguma forma, argumentava que dois pequenos episódios tinham sido removidos do Evangelho de Marcos, um dos quatro evangelhos canónicos que hoje estão no nosso Novo Testamento.

O Evangelho Secreto de Marcos, ou Carta de Mar Saba

É verdade que alguns episódios parecem estar em falta nesse evangelho em particular, e esta descoberta até poderia ser completamente verdade, mas cedo começaram a surgir diversos problemas.

Primeiro que tudo, a epístola em questão nunca foi testada de nenhuma forma, apesar de alguns estudiosos até a terem visto – e fotografado – após a sua descoberta original por Morton Smith. Neste momento a epístola já foi removida da sua localização original e está, muito convenientemente, em parte incerta.

Segundo, as linhas em falta pareciam argumentar que Jesus possa ter tido uma relação potencialmente homossexual com Lázaro – o que nos pareceria muito mais fascinante não se tratasse da enorme coincidência do própriodescobridor da epístola ser, também ele, homossexual.

Em terceiro lugar, a epístola parece terminar no exacto ponto em que Clemente de Alexandria ia explicar ambas as passagens. Seria como se, numa qualquer telenovela dos nossos dias, um homem deitado cama de hospital dissesse “Todo o meu tesouro está escondido em…” mesmo antes de falecer.

 

De uma forma geral, essa sucessão de coincidências é o grande obstáculo a que possamos acreditar na completa veracidade das linhas deste Evangelho Secreto de Marcos, ou Carta de Mar Saba. Até poderão ser completamente verdadeiras, estamos abertos a essa possibilidade, mas… as razões para um cepticismo justificado são também muitíssimo claras.

Os três machados

Um homem que cortava lenha ao pé de um rio deixou cair o seu machado nesse curso de água. Triste com essa perda, chorou, até que lhe apareceu o deus Hermes. Comovido com a situação, o ajudante divino retirou das águas um machado de ouro e perguntou ao homem se este lhe pertencia. Negou-o. Depois, o deus retirou das águas um segundo machado, este de prata. O homem também negou que esse lhe tenha pertencido. Finalmente, o deus retirou das águas um terceiro machado – o original – que o homem confirmou ser o seu. Então, pela sua honestidade, Hermes permitiu-lhe que ficasse com todos os três machados.

 

Mas esperem, a história ainda não terminou! Voltando à sua aldeia, este homem contou aos seus companheiros o que se tinha passado. Alguns acreditaram no que lhes era dito, enquanto que outros não. Assim, um dos que pertencia ao segundo grupo decidiu repetir a experiência – foi ao rio, atirou o seu machado para as águas e chorou. Surgiu novamente Hermes, a quem esse segundo homem contou o que se tinha passado. O deus recuperou, como antes, um machado de ouro e perguntou-lhe se era o instrumento que procurava. Movido pela avareza, confirmou imediatamente que sim – mas o deus, sabendo que era mentira, não só lhe negou este machado como nem recuperou o original, punindo as más acções como antes tinha recompensado as boas!

 

Esta espécie de fábula esópica ensina-nos, essencialmente, a importância da honestidade. Que mais dizer sobre isso, além do que a própria história nos pode ensinar?

Quem quer ver algumas relíquias sagradas?

Quem nunca quis ver as mais sagradas relíquias da sua religião? Pensamos que muitos responderiam positivamente a um tal convite, pelo que decidimos contar aqui esta pequena curiosidade – no Palácio de Topkapi, em Istambul (Turquia), podem ser encontradas diversas relíquias religiosas, como a espada do Rei David, o bastão de Moisés, o manto de José (será o tal das mil cores?), pêlos da barba de Maomé ou até a espada desse profeta. Se todas estas relíquias são as verdadeiras, isso já é algo que não podemos opinar.

 

Mais informação sobre o local pode ser facilmente encontrado através de uma pesquisa online – por exemplo, este breve artigo pareceu-nos uma introdução interessante.