“Twisted: The Untold Story of a Royal Vizier”

Um dos aspectos mais interessantes dos mitos gregos passa, frequentemente, pelo facto de nem sempre ser totalmente claro quem são os “bons” e os “maus”, se é que até faz sequer qualquer sentido referirmo-nos à questão nessas linhas. Pensemos, por exemplo, no brutal assassinato de Agamémnon; não nos parece ele muito mais aceitável se tivermos em conta a forma como matou a própria filha? Ou uma figura como Ulisses, uma espécie de herói disposto a tudo para atingir os seus objectivos, como saber aceitar os seus episódios menos bons? Ou até, para dar um terceiro e último exemplo, como ver em Tideu uma só figura, digna tanto da glória como do repúdio dos deuses?

 

É essa a ideia que trazemos hoje – nem tudo é o que parece. Twisted: The Untold Story of a Royal Vizier é um musical que conta a história do Aladino da Disney, mas vista pelo olhos daquele que é considerado o vilão. E nem tudo é tão simples como parece. Fica o convite para que vejam o musical em versão completa abaixo – até podem ser activadas legendas em Português! – e tirem as vossas próprias conclusões: afinal de contas, quem é o herói e quem é o vilão?

 

Origem da expressão “Nadar contra a corrente”

“Nadar contra a corrente” tem por significado, como muitos já saberão, debater-nos – frequentemente com pouco ou nenhum sucesso – contra as adversidades que a vida nos vai apresentando. Mas esta curiosa expressão parece já ter uma origem de quase mais de 2500 anos – aparece não só nos textos platónicos, mas também nos trabalhos de Ovídio, de Santo Agostinho e de São Gregório, o último dos quais até lhe dá o reconhecido estatuto de “provérbio”.

Peixes a nadar contra a corrente

Com esta outra expressão termina então a sequência que viemos a conduzir nas últimas semanas, relativa à origem de muitas expressões que ainda estão em uso nos nossos dias. Mais virão no futuro!

O que aconteceria se o Rei Midas fosse sair com a Medusa?

Midas e Medusa: uma relação muito breve!

O Rei Midas e a Medusa

Neste Dia de São Valentim trazemos, como já é uma espécie de costume, uma pequena brincadeira – o que aconteceria se nesta data o Rei Midas, que numa dada altura transformava tudo aquilo em que tocava em ouro, fosse sair com a Medusa, cujo olhar transformava as pessoas em pedra? A imagem acima traz-nos uma possível resposta, esse possível “encontro mais rápido da história”, mas quem quiser partilhar a sua poderá sempre fazê-lo! E, para quem quiser saber mais sobre os mitos destas duas figuras da Mitologia Grega, já cá falámos da Medusa e do Rei Midas em artigos individuais!

A cidade da não-comunicação

Esta história é-nos contada por Cláudio Eliano. Segundo ele, existiu em tempos uma cidade em que um tirano tinha imenso medo de conspirações e potenciais atentados à sua vida. Então, decidiu impor uma lei segundo a qual os habitantes não poderiam falar uns com os outros, fosse em público ou em privado.

Desconhecemos como o tirano poderá ter assegurado a segunda parte dessa sua lei, mas a população acabou por aceitá-la. Em alternativa, os cidadãos começaram então a comunicar através de gestos, resolvendo as suas necessidades diárias como se de charadas se tratassem. Mas, inesperadamente, este bloqueio de comunicação verbal ainda não era suficiente para o tirano – ele passou a pensar que, mesmo através de gestos, ainda seria possível aos cidadãos conspirarem contra si. E então, decidiu criar uma outra lei, esta que impedisse qualquer espécie de gestos corporais.

Visto que seria (quase) impossível aos cidadãos viverem desta forma, um deles, potencialmente deprimido, dirigiu-se para o mercado e começou a chorar. Um segundo juntou-se a ele. Um terceiro, e assim por diante. Logo que soube do que se passava, o tirano dirigiu-se ao mercado com alguns soldados, para tentar matar os culpados de um tão estranho evento. Contudo, os cidadãos revoltaram-se, agiram primeiro, e mataram o tirano, recuperando toda a sua liberdade original!

 

Esta história, que até poderá ter um pequeno fundo de verdade, atesta-nos a capacidade humana para se adaptar face às adversidades. Como comunicar, quando não é possível fazê-lo da forma que mais esperávamos? Fica essa breve questão em que se pensar.

Jesus no Corão, um breve resumo

A figura de Jesus no Corão islâmico é pouco conhecida na cultura ocidental, pelo que decidimos falar um pouco sobre este curioso tema, sob a forma de um breve resumo. Assim, como é provável que muitos já saibam, o Corão (e a própria religião islâmica) surgiu inicialmente como uma espécie de continuação do Cristianismo, como esta religião era, também ela, uma espécie de continuação do Judaísmo. Por isso, Jesus Cristo (como, acrescente-se, algumas das principais figuras do Antigo Testamento) também aparece nesta fonte literária, mas com algumas divergências face à sua visão cristã. De forma breve, aqui ficam as principais diferenças apresentadas pela figura de Jesus no Corão:

Uma imagem de Jesus no Corão

  • Jesus não é filho de uma entidade divina. É um profeta (como o foi anteriormente Moisés, e como voltará a sê-lo Maomé), e nasceu do ventre virgem de Maria, mas é repetidamente mencionado que Deus/Alá nunca teve nenhum filho;
  • Jesus não foi crucificado. Não é explicado concretamente o que lhe terá acontecido, mas é dito que ele apenas pareceu ter sido crucificado, uma ideia derivada de uma seita gnóstica;
  • A ideia da Trindade é completamente negada (até porque, como já referimos acima, Jesus era um profeta, mas não era filho de Deus/Alá);
  • Se a sequência do nascimento desta criança até começa com o próprio nascimento de Maria, em relação ao primeiro é dito que nasceu numa manjedoura e ao pé de uma palmeira. Pouco depois, Jesus – ainda recém-nascido! – fala miraculosamente, revelando parte da sua missão futura;
  • Enquanto criança criou alguns pássaros de barro e deu-lhes vida. Esse milagre não aparece no Novo Testamento, mas já ocorria, pelo menos, num dos evangelhos (apócrifos) da infância;
  • Para alimentar uma multidão (talvez a mesma para quem multiplicou os pães e peixes nos quatro evangelhos?), Jesus fez com que uma mesa com comida descesse miraculosamente dos céus.

 

Se esta figura de Jesus no Corão tem certamente um fundamento bíblico, também parece ter sido influenciado por algumas ideias apócrifas e gnósticas. Não é, contudo, muito diferente da figura do Cristianismo, salvo a excepção de existir uma recorrente (mas necessária, no contexto islâmico) negação da sua divindade.