O mito de Nyx, deusa grega da noite

O mito de Nyx, figura também conhecida como Nix ou a Noite, é o de uma deusa da Mitologia Grega associada à noite mas sobre a qual, realisticamente, muito pouco alguma vez nos é dito. Na verdade, a principal fonte de informação sobre ela é o poeta Hesíodo, que na sua famosa Teogonia nos diz, essencialmente, que esta figura nasceu do Caos, antes de se unir a Érebo, seu irmão. Autores posteriores foram-lhe dando os mais diversos filhos, mas salvo uma breve aparição na Dionisíaca de Nono de Panopólis, Nyx é um conceito disforme, mais do que uma deusa antropomórfica que tenha participado em diversos mitos.

Nyx, a noite

Contudo, uma falta de informação real em relação a esta deusa da noite levou a um desenvolvimento inesperado nos nossos dias – se ela raramente aparece de uma forma palpável nos mitos gregos ou latinos, mas o seu nome até aparece frequentemente em rituais mágicos da Antiguidade, surgiu a necessidade de lhe dar uma forma palpável. Essa ideia de magia, de uma potencial ligação ao oculto (que, deixe-se claro, não acontecia em nenhum dos nos mitos originais), associada à escuridão e ao seu carácter de deusa da noite, leva a que ela seja – hoje – representada com um aspecto gótico, como se de uma feiticeira nocturna se tratasse, que são características que ela não tinha originalmente. Na verdade, tentar representar a deusa Nyx seria o mesmo que tentar fazer um desenho da Paz, da Dor ou da Felicidade – dificilmente o podemos fazer, porque são meros conceitos sem uma forma humana, vindo a ideia de que são do sexo feminino somente do facto de serem palavras femininas – e pouco ou nada mais!

 

Por isso, quem quisesse representar Nyx, a Noite, deveria fazê-lo como uma mera folha completamente pintada de preto, porque era assim que os Antigos a viam. Tudo o resto é pura e mera imaginação dos nossos dias, e nada mais!

“Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” e as características de um messias

Uma pequena curiosidade – quando, na cruz, Jesus gritou “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”, não estava tanto a admitir, de uma forma muito explícita, que o Pai o tinha abandonado de uma qualquer forma, mas a ecoar as palavras iniciais do 22º salmo provindo do Antigo Testamento. Isto acaba por ser de alguma importância já que permitiria identificá-lo como uma das características que, supostamente, um messias deveria vir a ter. O problema, no entanto, é que não existe – ao contrário do que se poderia pensar – qualquer espécie de lista das características de um messias no Antigo Testamento.

 

Pode até parecer uma ideia estranha para quem perceber menos do assunto, mas o que tende a suceder no Novo Testamento é que quando Jesus faz algo, isso é normalmente visto como uma espécie de alusão a algum elemento do Antigo Testamento. Não são sinais de um messias, pelo menos não de uma forma totalmente explícita, até porque nenhum autor dos primeiros séculos da nossa era listou as características que este deveria ter, limitando-se a dizer que Jesus, supostamente, as cumpriu a todas. É portanto natural que os Judeus não o tenham aceite como messias – se existisse um conjunto fixo de regras a cumprir, seria muito fácil dizer que Jesus as cumpriu (ou não), e portanto aceitá-lo (ou rejeitá-lo) nessas bases. Isso não aconteceu porque não era possível acontecer.

O mito de Marsias

O mito de Marsias é constituído por duas partes, ambas tão intimamente ligadas que só poderão ser tratadas em conjunto.

 

É-nos dito que Atena inventou o aulo, uma espécie de flauta dupla*, mas que rapidamente ficou descontente com a forma como tocar esta invenção inchava as suas bochechas, o que – segundo algumas versões – também a tornava motivo de chacota entre os deuses. Assim, descartou o instrumento, que rapidamente foi apanhado por Marsias, um sátiro.

 

Mais tarde, Marsias usou este mesmo instrumento para desafiar Apolo para um concurso de música. Como é comum nesses desafios, o deus conseguiu derrotar o seu opositor. Depois, castigou-o, prendendo-o a uma árvore e arrancando-lhe a pele ou os membros, dando o sangue desta figura o nome a um curso de água próximo.

 Apolo e Marsias

Não é totalmente claro o porquê específico desta horrenda vingança por parte do deus, mas quase todas as versões do episódio mencionam-na, deixando claro que era um elemento muito famoso do mito de Marsias. Outras versões dizem, por exemplo, que um dos juízes do concurso foi o Rei Midas, levando-o a obter as famosas orelhas de burro, mas o cerne estático do episódio é como descrito acima, com alguns autores a adicionarem diversos elementos à história.

 

 

*- Uma versão muito pouco conhecida de toda esta história adiciona que a deusa inventou este instrumento para assim poder imitar as horrendas vozes das Górgones.

Foi Maria perpetuamente virgem?

Uma das mais invulgares histórias do Cristianismo é a de como Maria, mãe de Jesus, se manteve perpetuamente virgem, ao ter concebido o mais famoso dos seus filhos sem qualquer espécie de pecado. Mas, assumindo a veracidade completa do texto bíblico, será que isso aconteceu mesmo?

 

A resposta é bem mais simples do que séculos de história e de pesquisa nos possam fazer crer. Quando Maria concebeu Jesus, era suposto que isso cumprisse uma profecia apresentada no Antigo Testamento relativa a uma עלמה, “almah”. Essa profecia, apresentada em Isaías 7:14, dizia algo como “uma almah conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu filho Emanuel”. Mas o que significa essa palavra? Não é, como se poderia pensar, uma virgem, mas tão e somente uma jovem capaz de conceber um filho. Mais tarde, quando o mesmo Antigo Testamento foi traduzido para Grego (e subsequentemente para Latim, etc), essa palavra foi traduzida como parthenos, que significa, efectivamente, “virgem”.

 

Não sabemos porque terá ocorrido este erro, mas a verdade é que a palavra original nada inferia sobre as experiências sexuais da jovem Maria, o que nos transporta para três questões – primeiro, era Maria virgem aquando do nascimento de Jesus? Segundo, depois desse nascimento Maria teve alguma experiência sexual com José? Terceiro, e último, será que Jesus teve irmãos?

 

Sobre a primeira, nada de conclusivo sabemos. Se Jesus foi concebido “sem pecado” (ou seja, sem a existência de uma relação sexual) é meramente uma questão de fé. Difícil seria, no entanto, é que Jesus saísse do ventre de Maria sem romper o hímen da mesma. Claro que se poderia dizer, e bem, que a mera destruição de um hímen não implica a perda de virgindade, e daí a questão seguinte.

De um ponto de vista exclusivamente humano, faria todo o sentido que José, sendo casado com uma mulher e independentemente da idade de ambos, quisesse ter relações sexuais com ela – o Antigo Testamento parece em nada se opôr a isso, pelo menos entre os membros de um casal. Mas, se isso acabou por acontecer ou não, é algo que também não podemos saber.

O que nos leva ao terceiro ponto, sobre se Maria teve outros filhos após Jesus. E a mais pura verdade é que não sabemos! Se o texto até refere irmãos e irmãs de Jesus, nunca é muito claro sobre se se tratam de filhos de José (mas não de Maria, fazendo-os meio-irmãos de Cristo), se foram gerados por este casal, ou até se são apenas irmãos num sentido mais metafórico, da forma que tendemos a chamar “irmão” àqueles por quem temos uma grande afinidade. O que sabemos, sem qualquer dúvida, é que Maria nunca teve qualquer outro filho de Deus (ou do Espírito Santo) – Jesus era único!

 

Claro que estas respostas nos podem parecer muito pouco satisfatórias, mas também são as únicas respostas que podemos inferir através do próprio texto bíblico. Tudo o resto é especulação ou fruto de uma tradição que foi sendo desenvolvida ao longo dos séculos.

Santo padroeiro… do quê?

Afinal, São Valentim é santo padroeiro… do quê? Claro que o conhecemos do dia 14 de Fevereiro, vulgo “dia dos namorados”, mas como surgiu a associação deste santo, em particular, ao amor? Pense-se no que é dito na imagem abaixo:

São Valentim

Esta pequena brincadeira, que nos remete de volta para o dia de São Valentim da semana passada, deve lembrar-nos de uma forma, muitas vezes até irónica, como as religiões evoluem. Isidoro de Sevilha, um exemplo avassalador, é considerado o santo padroeiro dos estudantes (o que é aceitável e fácil de justificar), mas também da internet, numa altura em que nem sequer se imaginaria o que isso viria a ser. Como é então feita a associação de antigos santos a novas coisas? Por exemplo, pensando no nome de Santo Ovídio, somos automaticamente levados ao poeta latino (a que um dia foi chamado São Naso), mas como se decidiu que era ele padroeiro, ou uma figura completamente associável, ás doenças e maleitas dos ouvidos? Originalmente não sabíamos, posteriormente até viemos a descobrir, mas há que admitir que todo o processo de associação gera, em muitos casos, ligações tão estranhas como a apresentada acima.