Histórias do Zodíaco #4 – o Caranguejo

As histórias da colocação do Caranguejo entre as estrelas apresentam-no sempre como o mesmo animal que, a mando de Hera, atacou Héracles durante o seu segundo trabalho; quando este herói se preparava para combater a Hidra de Lerna, o crustáceo incomodou, de alguma forma, o filho de Zeus. Nenhuma versão do episódio lhe dá um papel muito grande, o pequeno animal é sempre facilmente derrotado, acabando depois por ser colocado nos céus, seja por intervenção de Hera ou pelo simples facto do herói o atirar para esse local, de onde nunca tornou a descer.

Histórias do Zodíaco #3 – os Gémeos

Os dois gémeos colocados no zodíaco poderiam tratar-se de diversas figuras, todas elas caracterizadas por uma relação de alguma importância entre duas figuras masculinas, nem sempre unidas por laços de sangue. Contudo, na versão mais famosa da história eles tratam-se mesmo de dois irmãos, Castor e Pólux (ou Polideuces).

 

Seria dificil recontar todas as suas aventuras em algumas poucas linhas, pelo que para o contexto da sua colocação entre as estrelas bastará recordar a parte final do mito que os une. Segundo a versão mais famosa, um dos irmãos era mortal e o outro imortal; quando um deles faleceu, o outro (quase sempre Pólux) pediu que o seu dom fosse partilhado com o falecido. Assim, desfrutavam da companhia dos deuses em dias alternados, mas a terna amizade desta partilha levou a que também fossem imortalizados nos céus.

Histórias do Zodíaco #2 – o Touro

O touro representado no Zodíaco é, muito provavelmente, o mesmo que transportou Europa para a ilha de Creta. O mito que o envolve é talvez um dos mais famosos da cultura ocidental – quando a jovem apanhava flores numa zona costeira viu um enorme e belo touro. Por razões pouco claras decidiu subir para o dorso deste; quando isso teve lugar o touro pôs-se a correr sobre as águas, transportando-a para Creta, onde lhe revela a sua divina identidade, fazendo depois amor com a princesa e gerando o rei Minos.

 

Porém, esta versão da história põe-nos um problema – se este touro era uma das metamorfoses de Zeus, se não tinha uma existência real, como poderia ele ser colocado entre as estrelas? É para colmatar essa dificuldade que alguns autores dizem tratar-se não de uma só e única figura, mas de duas – o touro que transportou a princesa fenícia era um mero animal, enquanto que Zeus apenas aguardava por este (e pela convidada por ele transportada) para consumar a sua paixão. Seja como for, se este animal foi colocado entre as estrelas, não creio ter lido qualquer autor que diga que a figura celeste se tratava do próprio deus.

 

Outras hipóteses para a história deste signo poderão ser a figura de Io, uma das muitas jovens amadas por Zeus e que acabou por ser transformada em vaca para a ocultar da ira da esposa do deus, ou até o Touro de Creta, defrontado por Héracles num dos seus famosos trabalhos.

Quem foi o discípulo amado de Jesus Cristo?

O quarto evangelho do Novo Testamento faz múltiplas referências a um apóstolo que Jesus amou. Mas, na verdade, quem foi esse discípulo amado de Jesus Cristo? A ligação desta figura com João só foi feita de uma forma directa já no século IV por Eusébio de Cesareia, que na sua História da Igreja menciona uma epístola de Polícrates de Éfeso (século II) na qual João era referido como o apóstolo “que se reclinou no seio do Senhor” (V.24). Além desse elemento não há qualquer prova mais conclusiva de que o autor do quarto evangelho, esse agora-famoso discípulo amado, tenha realmente sido João.

O Discípulo Amado

Pessoalmente, e na senda de alguns estudiosos, sempre pensei que esta figura se tratava de Lázaro. Foi trazido da sua morte de volta à vida, fazendo dele um ser humano bastante especial mesmo no contexto dos milagres bíblicos (a filha de Jairo é referida como estando apenas a dormir, não constituindo uma verdadeira ressurreição). Além disso, esta figura é referida a Jesus como “aquele que amas” na sequência 11:3 desse evangelho. Em terceiro lugar, a famosa fórmula associada ao autor do evangelho nunca é mencionada até ao episódio de Lázaro e a sua respectiva ressurreição. E, ainda, o Evangelho Secreto de Marcos parece indicar-nos esse mesmo sentido.

Para terminar, só nesse mesmo evangelho é que nos é dito que os sacerdotes decidiram matar Lázaro juntamente com Jesus (sequência 12:10-11), mas sem que a morte do primeiro alguma vez torne a ser mencionada; Jesus deixa claro que o autor do evangelho, o discípulo amado, até poderia não vir a morrer (sequência 21:21-23), levando-nos novamente a uma ligação importante entre as duas figuras.

 

Se ouvi falar de outras teorias relativas à autoria deste evangelho específico, esta sempre me pareceu a mais convincente. O ponto a reter, no entanto, é que nem os autores mais antigos tinham a certeza absoluta da identidade deste apóstolo que Jesus amou, ou discípulo amado. Porém, tenha ou não sido ele o autor, a menção a João como aquele que “se reclinou no seio do Senhor” parece ter tido bastante importância, já que, muitos séculos mais tarde, Da Vinci representou na sua Última Ceia uma figura muitas vezes identificada como João numa posição semelhante a esta…

Origem da expressão “Pomo da discórdia”, e seu significado

A expressão Pomo da discórdia advém de um famoso mito grego. Segundo nos contavam, originalmente, os agora perdidos Poemas Cíprios, numa dada altura teve lugar o casamento de um mortal com uma deusa, Peleu com Tétis, que acabaria por gerar Aquiles. Todos os deuses foram convidados, com excepção da Discórdia (i.e. “Éris”); esta, para se vingar, fez entregar no local uma maçã de ouro na qual estava inscrito “Para a mais bela”. Afrodite, Atena e Hera disputaram o invulgar fruto, o que levou depois ao Julgamento de Páris e à Guerra de Tróia, ambos temas que já cá foram tratados múltiplas vezes.

 

O “pomo da discórdia” é então esta invulgar maçã, um metafórico fruto ou elemento que gera algum tipo de incompatibilidade entre aqueles que o disputam, sejam eles as deusas do Olimpo ou simples mortais. É esse o significado da expressão, a ideia de que “algo” pode gerar enorme confusão entre diversas pessoas.