O primeiro acidente de carro do mundo conta-se entre muitas outras histórias que ainda podem popular as nossas estradas de hoje. Já aqui falámos, por exemplo, tanto do sinal de trânsito mais antigo do mundo, como do de Lisboa, e portanto sentimos que para abordar este tema, o deveríamos fazer não só num sentido mundial, mas igualmente para o território nacional, falando do primeiro acidente de carro que teve lugar em Portugal. Assim seja.

Na imagem acima pode ser visto uma espécie de carro a vapor da segunda metade do século XIX. Não é uma fotografia real – não conseguimos encontrar informação muito mais concreta sobre esse primeiro veículo envolvido num acidente – mas capta relativamente bem a ideia aqui relevante, de um veículo movido a vapor sem grandes condições de segurança. Diz então a história que a 31 de Agosto de 1869 Mary Ward, uma cientista irlandesa, seguia com o marido e alguns amigos numa estrada da actual cidade de Birr, na Irlanda, quando, talvez por excesso de velocidade e de uma forma difícil de precisar, foi de alguma forma projectada do mesmo e atropelada. Morreu no local, constituindo este o primeiro acidente de carro do mundo.
Mas… e o primeiro acidente de carro de Portugal? Conta-se que D. Jorge d’Avillez, também conhecido apenas por “Conde de Avillez”, adquiriu o primeiro carro de Portugal em 1896, da marca “Panhard et Levassor”, e quando se dirigia do Barreiro para Santiago do Cacém (a sul do Tejo), na zona de Palmela atropelou um burro, matando-o. Viria a pagar dezoito mil reis pelo animal, aparentemente quase o quádruplo do preço de um animal destes na altura. Talvez quisesse calar o dono do animal, como é comum em casos semelhantes?
Estes dois episódios, embora separados por quase 30 anos, recordam-nos que a história da mobilidade está profundamente ligada à da própria sociedade: cada avanço tecnológico traz consigo novos riscos, responsabilidades e até curiosidades que hoje nos parecem insólitas. Tanto a tragédia de Mary Ward na Irlanda, como o insólito acidente do Conde de Avillez em Portugal, revelam como o automóvel, desde o seu início, não foi apenas um meio de transporte, mas também um agente de transformação cultural, social e histórica, deixando marcas que ainda continuam a ecoar nas estradas que percorremos todos os dias, a cada novo acidente de carro do mundo e de Portugal.
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos-300x199.jpg)




