Quem estiver habituado a incursões pela internet provavelmente já terá visto uma fotografia do Mosteiro dos Jerónimos destruído. Repetimo-la abaixo, para quem nunca a tiver visto antes, mas recordamos também este tema dada a gravidade do que aconteceu em Paris recentemente.
No já-distante século XIX o agora-famoso Mosteiro dos Jerónimos tinha estado abandonado durante vários anos, após a expulsão das ordens religiosas de Portugal. Depois, numa dada altura decidiu começar-se a utilizá-lo para outros fins, e então tentou-se renovar e melhorar toda a estrutura do edifício. Mas depois, na manhã de 18 de Dezembro de 1878, aconteceu o seguinte:

Como podem ver nesta imagem, o mosteiro estava a ser parcialmente reconstruído quando choveu bastante durante a noite, o que levou a um grande acidente, na sequência do qual acabaram por falecer oito trabalhadores. Nos dias seguintes acabou por se votar contra a reconstrução do edifício como este estava planeado, mas a realidade é que o Mosteiro dos Jerónimos, com ligeiras alterações, ainda chegou aos nossos dias e é famoso entre todos nós – na imagem seguinte até pode ser vista a mesma entrada deste mosteiro, tal como ela é nos nossos dias, o que permite ver algumas das alterações que estavam a ser implementadas e que, no entanto, acabaram por não ter lugar – por exemplo, acima da janela do piso superior ia ser colocada uma estátua de um santo, e esta parte do edifício também ia ter um pináculo na sua parte superior…

Como este nosso Mosteiro dos Jerónimos nacional, é possível que também a bela Catedral de Notre-Dame (de que até já cá falámos de um segredo) volte a ter vida um dia. Claro que já não será como antes, mas… há que ter esperança no futuro!
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos-300x199.jpg)





tb me lembrei dos nossos e de outros incêndios quase fatais e de como renasceram das cinzas. Mas nada será igual ao antes.
Cara leitora, isso é verdade, sim. Mas ao mesmo tempo, pensamos que é melhor esse “renascimento das cinzas” do que um desaparecimento completo.
Para darmos um exemplo, é provável que já tenha ouvido falar das Sete Maravilhas do Mundo [Antigo]. Quem escreveu sobre elas dizia que a mais bela de todas era o Templo de Artémis em Éfeso – parafraseando, “quando vi o Templo de Artémis que chega ás nuvens, todas as outras [maravilhas] foram postas à sombra, pois o próprio sol nunca olhou para um seu igual fora do Olimpo” – e dele hoje apenas nos chegaram duas pequenas colunas de mármore. Quão triste seria se o mesmo acontecesse à Notre-Dame de Paris!
E o “nosso” incêndio do Chiado em 1988. Já não se lembram. Levou muito tempo a reconstruir, ficou diferente, perdemos lojas riquissimas mas a Rua do Carmo ficou no seu espaço melhor do que era!
Sinceramente, não achamos que seja comparável. Se o Chiado foi, com certeza, uma perda significativa para a cidade de Lisboa, em nada se compara com o valor artístico, cultural e religioso de um local como a Notre-Dame.