Lenda de Santo Domingo de la Calzada – o galo e a galinha miraculosos!

Há algumas semanas que aqui nos apontaram uma possível ligação entre o “nosso” Galo de Barcelos e um milagre semelhante que teve lugar em Espanha, mais precisamente na localidade de Santo Domingo de la Calzada. Seria verdade? Será que copiámos os Espanhóis, será que foram eles que nos roubaram este famoso milagre nacional, ou será a resposta a toda esta questão algo de totalmente diferente?

Cruzeiro do Senhor do Galo

Não é fácil apurar qual a mais antiga referência literária que temos à lenda do Galo de Barcelos – já por volta de 1867 A. M. do Amaral Ribeiro, na sua Noticia Descriptiva da Muito Nobre e Antiga Villa de Barcellos, dizia que na altura não havia, “que nos conste, nada escrito a tal respeito”. Segundo o autor, a história era apenas composta por “episódios que andam na boca do vulgo”, e que parecem ter nascido do cruzeiro de “muita antiguidade” – ele “devia ter custado bastante dinheiro (…), não sendo por isso de crer que fosse erecto para outro fim senão para memorar o facto (…) de ter cantado um galo assado, etc.” Não encontrámos, de facto, essa lenda em quaisquer fontes literárias até meados do século XIX. Por isso, que o foco caia então na lenda do galo e da galinha de Santo Domingo de la Calzada!

Segundo aquela que parece ser a mais famosa versão da história, na Idade Média um casal e o seu filho iam em peregrinação a Santiago de Compostela. Em dada altura pararam na povoação de Santo Domingo de la Calzada, a cerca de 530 Km de distância, e decidiram pernoitar numa pousada. Foi nesse local que uma jovem, a filha do estalajeiro, se apaixonou pelo filho do casal… mas este, talvez movido pelo sentimento religioso da sua viagem, recusou completamente a jovem. Zangada, ela decidiu vingar-se escondendo uma travessa de prata na mala desse viajante. Depois, os locais acusaram o jovem de lhes ter roubado uma travessa, que lhe foi encontrada na mala, e então ele foi rapidamente condenado a uma morte na forca.

Diz depois a lenda que o casal, muito triste, foi a Compostela e voltou… e quando o fez, ainda encontrou o filho na forca, miraculosamente vivo por intervenção de São Domingo (religioso falecido em 1109), que lhes pediu que o retirassem do local, para ir para casa com eles. Quando o foram pedir ao juíz local, este disse-lhes que o filho estaria certamente tão vivo como o galo e galinha que lhe tinham posto a ele no prato. Então, os dois animais recriaram penas, voltaram à vida, e cantaram… salvando a vida do jovem e levando à expressão local “Santo Domingo de la Calzada, donde cantó la gallina después de asada.

As vagas semelhanças entre esta lenda de Santo Domingo de la Calzada e a do nosso Galo de Barcelos são evidentes… mas quando aparece esta história atestada na literatura? Encontrámo-la na obra Historia de la vida y milagros de Santo Domingo de la Calzada, escrita por Luis de la Vega e datada de 1606. A mesma obra também diz que a casa em que tomou lugar este milagre foi comprada por um mosteiro local em 1439 – e parece ainda existir hoje, sob o nome de “Casa de la Cofradía del Santo y albergue de peregrinos“. E ainda, noutras fontes fala-se de uma suposta bula papal de 1350, que já referia a presença contemporânea de um galo e um galinha na Catedral del Salvador de Santo Domingo de la Calzada, mas não conseguimos verificar a existência ou conteúdo desse texto latino em tempo útil. O certo é que o hábito de ter um galo e uma galinha no interior dessa catedral já existia na Idade Média e prolongou-se até aos nossos dias. Isso suporta a ideia de que “algo” aconteceu mesmo no local – possivelmente por volta dos séculos XII ou XIII –  para gerar uma tão incomum tradição. Na altura, os peregrinos até tinham por hábito levar penas dos dois animais para casa, dizendo-se que as aves ainda descendiam das miraculosas!

Agora, comparando esta história com a de Barcelos, é certo que o cruzeiro parece atestar uma lenda local, mas mais nada no local o faz. Se a lenda já existisse na Idade Média, e fosse bem conhecida, esperaríamos encontrar mais referências a ela, mas nada conseguimos localizar nesse sentido. Até o próprio monumento não apresenta qualquer inscrição ou texto explicativo, sendo difícil determinar o que ele representava mesmo. Pode representar uma forma da lenda de Santo Domingo de la Calzada, ou algum evento que tomou (mesmo) forma no local português… mas disso não encontrámos qualquer prova real, ficando a leitura do monumento para quem o olhar!

Mas atenção… Isto não quer dizer que as duas lendas estão mesmo ligadas! É provável, de facto, que exista alguma ligação entre elas, mas outros milagres semelhantes também se atribuem a outros locais europeus na Idade Média, muitas vezes com ligação ao Caminho de Santiago. O elemento mais digno de nota, no final deste breve artigo, é que se o suposto milagre de Barcelos não está bem atestado na literatura, existe um semelhante em Espanha que o está, e que partilha, de facto, alguns elementos curiosos com a nossa lenda nacional. Por isso, seja qual for a origem do “nosso” Galo de Barcelos, a lenda mantém-se viva, encantando e suscitando perguntas séculos depois…

 

[Adicionado posteriormente:] Descobriu-se, mais recentemente, num livro da primeira metade do século XVI uma referência curiosa a este milagre – ou, para sermos mais precisos, uma referência a como realizar o “milagre”. Ela sugeria obter algum pão, meter aipo e aguardente no interior, e dá-lo de comer ao galo. Ele irá cair adormecido, e durante esse período pode ser depenado. Deverá então ser untado com mel e açafrão, para passar a ter um aspecto “cozido”. Depois, já na mesa, se o bico for untado com algum vinagre forte, o animal acabará por acordar, e uma situação semelhante à dos milagres aqui contados irá tomar lugar… interessante, não é?!

Cinco perguntas a… #6- Peter Pringle

Após alguns dias de ausência em virtude dos temporais que têm tido lugar em Portugal, voltamos então hoje com uma nova entrevista de cinco perguntas, desta vez a Peter Pringle, um bom músico que parece ser muito pouco conhecido nos países lusófonos. Deixemos a entrevista falar por si mesma:

 

1. Para os leitores em Portugal e no Brasil que possam estar a descobri-lo pela primeira vez, como se descreveria Peter Pringle e o que faz na vida?

Antes de mais, deixe-me dizer que é uma honra dirigir-me às pessoas de língua portuguesa em todo o mundo, uma vez que já visitei tanto Portugal como o Brasil no passado e adorei o tempo que passei nesses países. Vivi na Índia durante algum tempo na década de 1960 e aproveitei a oportunidade para visitar Goa, que, como os leitores provavelmente sabem, foi uma colónia portuguesa durante vários séculos. Hoje, existe uma mistura única de cultura indiana e portuguesa em Goa, embora faça parte da Índia desde 1961.

As pessoas perguntam-me o que faço atualmente na vida, e normalmente digo que passo o meu tempo a construir instrumentos musicais que não existiam há milénios, e que os uso para me acompanhar a cantar em línguas mortas que ninguém fala ou compreende!

 

2. A sua carreira tomou, ao longo dos anos, vários caminhos muito diferentes. Olhando para trás, o que inspirou essas mudanças e como as entende hoje?

Quando era mais jovem, eu tinha de ganhar a vida. Como cantor e músico, isso significava que tinha de funcionar dentro do sistema tal como este existia na altura. A internet não existia, e teria sido impossível para mim fazer vídeos a cantar em egípcio antigo ou sumério, mesmo que tivesse querido. A indústria musical estava totalmente controlada pelas discográficas, que não estavam inclinadas a apoiar projetos demasiado distantes do mainstream popular.

Quanto ao que faço hoje, o que inspirou a mudança foi o surgimento da internet e de plataformas como o YouTube, que deram aos artistas a capacidade de alcançar diretamente um público “de nicho” a nível mundial.

 

3. No seu trabalho recente com canções antigas e medievais, muitos ouvintes descrevem um impacto emocional profundo — um dos nossos colegas chegou mesmo a chorar com a sua obra “The Death of King Arthur” [visível acima]. Costuma interpretar utilizando instrumentos raros ou de construção própria. O que permitem estas canções e instrumentos juntos expressar agora, algo que sente ser essencial para si?

Se os músicos querem ter um “impacto emocional profundo” nos seus ouvintes, a música deve primeiro ter um impacto emocional profundo nos próprios músicos. Devo acrescentar que cresci com as lendas do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, por isso estas histórias são algo com que me identifico há mais de setenta anos.

Sempre me interessei por instrumentos invulgares, antigos e exóticos, mas até agora nunca tinha tido realmente oportunidade de os usar. Como mencionei, vivi algum tempo na Índia, em meados da década de 1960, a estudar um instrumento conhecido como “surbahar” com o falecido virtuoso de sitar Ravi Shankar. Raviji costumava dar aulas a cerca de seis ou sete alunos de cada vez, e muitas vezes tocava uma frase musical no sitar e depois pedia aos alunos que cantassem o que ele acabara de tocar. Um dia chegou a minha vez, e cantei o que ele tinha tocado o melhor que pude. Raviji pareceu impressionado e perguntou-me se podia cantar de novo. Eu cantei novamente. “Deves estudar VOZ!” exclamou. “Vou enviar-te à minha cunhada Lakshmi. Ela vai mostrar-te como desenvolver o instrumento vocal que tens!”

Lakshmi Shankar, que faleceu há vários anos com a venerável idade de 87 anos, era esposa do irmão de Raviji, Rajendra, e uma das melhores cantoras clássicas da Índia. Estudar com ela foi uma honra e também uma grande diversão. Mais tarde, viveu no sul da Califórnia, tal como eu, e continuou a ser amiga e mentora musical. Lakshmi foi a única pessoa com quem estudei voz.

Quanto aos vários instrumentos que toco, há algo muito primal numa corda vibrante. Grande parte da música que ouvimos hoje é produzida eletronicamente, e pelos comentários que recebo sobre o meu trabalho, penso que muitas pessoas acham refrescante ouvir algo diferente.

 

4. Costuma envolver-se com mitos e textos lendários, como “O Hino de Caedmon” [visível acima] ou o “Épico de Gilgamesh“. O que nos ensinam ainda hoje estas histórias antigas — e, talvez, o que lhe ensinam pessoalmente?

Creio que a razão pela qual as pessoas hoje parecem ressoar com as canções e mitos antigos é que essas canções e mitos falam de nós.

 

5. Após uma vida tão longa e variada na música, o que sente ser mais essencial agora — algo que gostaria que as pessoas compreendessem, lembrassem ou levassem consigo?

Ocasionalmente recebo e-mails de jovens músicos que querem saber como fazer o que eu faço. Explico-lhes que não há fórmula. Recordo-me das palavras da falecida Clara Rockmore, uma das pioneiras da música eletrónica e a melhor tocadora de theremin que já existiu. Muitas pessoas queriam tocar o theremin (que é um instrumento extremamente difícil) tão bem como Clara, e queriam conhecer o segredo da sua técnica. Não há segredo. É preciso encontrar o seu próprio caminho, por isso Clara dizia simplesmente: “Primeiro, tenha música na alma. Se tiver isso, encontrará uma forma de fazer.”

Se quer aprender um instrumento tradicional, como o violino ou o piano, existe um percurso estabelecido e muitos professores competentes. Se quer fazer algo não convencional, terá de abrir o seu próprio caminho. Pode até ter de construir os seus próprios instrumentos. Não se vai a uma loja de música e compra uma lira suméria ou uma harpa arqueada egípcia!

Seja verdadeiro consigo mesmo e mantenha os olhos na MÚSICA e não no sucesso.

 

Como é habitual, esperamos que tenham gostado desta viagem pelo mundo musical único de Peter Pringle. Que a sua história inspire cada leitor a explorar novas sonoridades, a valorizar a riqueza dos instrumentos e línguas antigas, e, acima de tudo, a encontrar o seu próprio caminho na música e na vida!

Uns versos gregos entregues a Dom Sebastião

O tema de hoje, de uns versos gregos que outrora foram entregues ao rei Dom Sebastião, têm uma breve história por detrás deles. Eles encontram-se atestados entre as muitas anedotas – no sentido de breves histórias – da história de Portugal encontradas em diversos manuscritos do nosso país, e que neste caso em particular foram coligidas pelo Professor José Hermano Saraiva. Segundo a fonte em questão, os versos abaixo foram encontrados em Grego num monte da ilha do Chipre e depois enviados para Dom João III, cuja esposa posteriormente os entregou ao nosso “Desejado“. Eles continham as seguintes palavras, uma espécie de recomendação que o falecido deixava àqueles que vieram depois dele:

— O que pude fazer por bem, nunca o fiz por mal;
— O que pude alcançar com paz, nunca o tomei com guerra;
— O que pude vencer com rogos, nunca o espantei com ameaças;
— O que pude remediar em segredo, nunca o castiguei em público;
— Os que pude emendar com avisos, nunca os castiguei com açoites;
— Nunca castiguei em público, o que primeiro não avisasse em segredo;
— Nunca consenti à minha língua que dissesse mentira; 
— Nunca permiti a meus ouvidos que ouvissem lisonjeios;
— Refreei meu coração, para que não desejasse o alheio, e acabei com ele que se contentasse com o seu próprio;
— Velei por conservar os meus amigos, e desvelei-me por não ter inimigos;
— Não fui pródigo em gastar, nem tive cobiça em receber;
— Nunca de coisa fiz castigo, q não perdoasse quatro;
— Do que castiguei tenho paixão, e do q perdoei alegria;
— Nasci homem entre os Homens, portanto comem os bichos as minhas carnes;
— Vivi virtuoso com os virtuosos, portanto descansará a minha alma com Deus.

Parecem palavras que continuam a ser apropriadas para estes dias de hoje, sobre a forma como todos nós devíamos viver as nossas vidas…

A curiosa experiência do Senhor Godfrey

Nathaniel Stedman Godfrey não é, de todo, uma figura muito conhecida nos nossos dias. Bastará dizer, por exemplo, que à data de escrita nestas linhas o seu nome nem parece surgir numa popular enciclopédia online. Mas, em outros tempos, de meados do século XIX – o livro ao qual dedicamos as linhas de hoje data de 1853 – ele conduziu uma experiência muito curiosa. Não é tão estranha como, por exemplo, as de Giovanni Aldini, mas dá que pensar, em particular em relação às crenças religiosas e místicas existentes na sua época.

Já aqui falámos sobre a origem do Espiritismo, e se este era ou não verdade para autores como Houdini, mas por muitas provas em contrário que até pudessem existir no seu tempo, este reverendo decidiu ainda tentar uma experiência muito inesperada.

O livro de Nathaniel Stedman Godfrey aqui em questão

Conforme nos conta na sua obra de título Table-Turning, the Devil’s Modern Master-Piece, este Reverendo Godfrey decidiu, como muitas outras pessoas no seu tempo, colocar questões aos alegados espíritos por intermédio de uma mesa. O livro apresenta-nos muitas das suas questões, no geral relativamente simples, e às tantas apercebeu-se de algumas claras inverdades. Perguntou, então, aos espíritos se estes lhes estavam a mentir, e eles admitiram-lhe que sim, não se coibindo de confessar dezenas de mentiras… e isto poderia levantar algumas questões filosóficas bastante interessantes, mas infelizmente o livro não se dedica a elas.

Em vez disso, numa sessão posterior, em vez de prosseguir esse tema, o mesmo autor e os seus companheiros decidiram tentar algo de diferente. Ele notou, quase por acaso, que quando colocava uma Bíblia na mesa, os espíritos deixavam de conseguir exprimir-se por intermédio da mesma. Por exemplo, em determinada altura pediu-lhes que contassem até 100 (por intermédio de repetidos batuques com os pés da mesa), e essa contagem seguia sempre de uma forma ritmada até ele colocar este livro – ou um pequeno papel com o nome de Cristo, virado para baixo – na mesa… e a contagem parava, e nunca continuava até ele o levantar. E então, ele decidiu perguntar aos espíritos se somente conseguiam mover as tais mesas por meio do poder do Diabo, tendo eles admitido que sim, e… o Senhor Godfrey acreditou completamente nessa informação e em outras dadas na mesma altura, como nos conta no decurso da sua obra!

De um ponto de vista filosófico, este é claramente um tema que daria imenso pano para mangas, e ele também aparece nas obras de Allan Kardec, mais ou menos na mesma época histórica. Alerta-se, repetidamente, nas obras de diversos autores sobre uma necessidade de ter muito cuidado com os tais espíritos, fala-se das inverdades dos mesmos, mas os autores em questão também acreditam na verdade do que lhes é dito quando isso lhes é conveniente. Portanto, como seria suposto às pessoas saberem quando é que os espíritos falavam verdade, e quando mentiam…?

Questões como esta, entre muitas outras, mostram bem as ambiguidades do Espiritismo no século XIX – entre crença, dúvida e a constante busca por sinais do divino, do demoníaco, ou de algo mais. Por isso, é uma resposta que fica para os leitores pensarem…

A lenda da Anta Gorda (em Rio Grande do Sul)

Anta parece ser uma daquelas palavras que tem significado diferente em Português de Portugal e do Brasil. Para nós, deste lado do Oceano Atlântico, uma “anta” é um monumento megalítico, como o de Adrenunes, em Sintra. No entanto, no Brasil ela é essencialmente um animal, aquele a que aqui nós vulgarmente damos o nome de tapir, e que pode ser visto na imagem abaixo.

A lenda da Anta Gorda (em Rio Grande do Sul)

Dada esta breve introdução, somos então levados à povoção de Anta Gorda, no estado brasileiro de Rio Grande do Sul. Existe nessa localidade uma estátua de uma grande anta – referindo-se aqui, como é natural, ao animal – que deu o nome à povoação, e que até nos pode relembrar a nossa Porca de Murça. Segundo a lenda local, o município tem esse nome porque no tempo dos seus primeiros colonos aí existia uma Anta Gorda, talvez com os 200 ou 300 Kg que a espécie pode alcançar. Ela acabou por ser morta em inícios do século XX, talvez por causar muitos problemas, e em sua memória o sítio onde foi encontrada passou a chamar-se Local ou Passo da Anta Gorda, que posteriormente veio a ter o seu nome simplificado para o actual, como também aconteceu com muitas outras terras aqui em Portugal.

A lenda da Anta Gorda é, assim, um curioso exemplo de como o imaginário popular dá vida e permanência ao que a natureza oferece. O animal, transformado em símbolo (mas que, curiosamente, não aparece no brasão local), acabou por marcar a identidade de uma comunidade inteira, atravessando gerações e fronteiras de significado. Tal como as nossas antas de pedra guardam segredos de tempos remotos, também esta anta de carne e osso se tornou guardiã de uma memória – a de um Brasil ainda selvagem, onde a lenda e a realidade se confundem na mesma paisagem.