O Kalikantzaros, um monstro grego natalício

O Kalikantzaros é talvez a menos conhecida das figuras dos mitos gregos que já passaram por estas páginas. Isto porque, se a sua origem até está ligada à Grécia e ao período do nosso Natal, esta não se trata de uma criatura que vem dos tempos da Antiguidade Clássica, mas sim uma que foi surgindo ao longo dos séculos, podendo – ou não – estar relacionada com monstros Antigos como os Centauros, os Faunos e os Sátiros. E não é fácil sabê-lo, porque é muito provável que tenha sido, originalmente, uma lenda oral que se foi cristalizando na forma escrita, mas sem que hoje se consiga perceber que elementos nasceram dessa oralidade e quais os que já faziam parte das histórias originais.

Os Kalikantzaros No Natal

Assim, esta belíssima imagem capta aquela que parece ser a principal lenda da espécie do Kalikantzaros. Ela diz que estas criaturas vivem no interior da terra, onde tentam cortar uma árvore que suporta todo o nosso mundo, e que eles gostam muito da escuridão nocturna. Então, por volta dos dias do ano em que a noite se apresenta como mais longa – a lenda atribui-lhes, em específico, as datas entre 25 de Dezembro e 6 de Janeiro – eles escapam de esse local em que vivem e vêm ao nosso mundo, causando toda a espécie de (pequenos) problemas e fazendo (pequenas) maldades aos seres humanos. Depois da data da Epifania cristã, eles voltam rapidamente para o interior da terra… altura em que se apercebem que todo o trabalho que tinham feito para cortar a árvore desapareceu por magia, tendo eles de o recomeçar mais uma vez do seu princípio, numa espécie de eterna comédia de erros.

 

Toda esta ideia relativa à espécie dos Kalikantzaroi é perfeitamente captada ali na imagem, contrastando a branca pureza do Natal – com Maria, José e o Menino Jesus quase ao centro – com a castanha forma do interior da terra, onde se diz que esta espécie de monstros habita. Eles tentam sair por um poço da cidade, talvez ainda a 24 de Dezembro, enquanto tudo parece estar em ordem no mundo superior. Irão sair? Não conseguirão fazê-lo? As histórias que os referem indicam sempre a primeira resposta, porque nos relatam, talvez mais que tudo, algumas das maldades que eles fazem quando vêm ao nosso mundo, um conjunto de coisas que – e para recorrer à nossa sabedoria popular – nunca matam mas moem.

Por isso, se nesta altura natalícia estiverem por terras da Grécia, ou em alguns dos países vizinhos, e virem algumas estranhas criaturas a saírem do interior da terra, talvez até por via de um poço local, não é preciso terem-lhes muito medo, mas convém que tenham algum cuidado, porque o Kalikantzaros não tende a apresentar-se como muito ameaçador, mas sim como uma pequena chatice, com os nossos duendes ibéricos, que faz mais traquinices do que verdadeiras maldades…

O Caganer e o Tió de Nadal, tradições da Catalunha

Começamos este mês de Dezembro com algumas tradições natalícias menos conhecidas em Portugal, as do Caganer e do Tió de Nadal, que em ambos os casos provêm da Catalunha. São figuras e tradições independentes, pelo que as introduzimos aqui a dois momentos, cada um reservado para uma das duas figuras.

Um Caganer tradicional da Catalunha

O Caganer, como esta imagem bem ilustra, aparenta representar um homem com o traje tradicional da Catalunha. O que o torna especial é o facto de ter parte das suas calças para baixo, de forma a expor o seu rabo a quem o vê, com uma intenção de cagar no chão (i.e. e da qual recebeu o seu nome). Poderia, nesse seguimento, perguntar-se o que tem esta inesperada figura a ver com o Natal… e se não fomos capazes de descobrir a sua derradeira origem – existem demasiadas teorias, mas também muito poucas certezas – o que se sabe é que ele começou a ser representado entre as figuras do presépio de Natal por volta de finais do século XVII. É hoje tradição colocá-lo entre as outras figuras do presépio natalício, num papel raramente principal. Acredita-se que essa acção dá boa sorte a quem a realiza.

Um Tió de Nadal da Catalunha

Uma outra tradição natalícia da Catalunha é o chamado Tió de Nadal, que é como quem diz um “tronco de Natal”. Não é como o nosso bolo, que tanto pode ser visto nas lojas por esta altura do ano, mas um verdadeiro tronco de madeira, com um tamanho mais ou menos convencionado, a que em tempos mais recentes foram adicionados alguns elementos antropomórficos (como uma cara e umas perninhas). De onde vem a tradição? Provavelmente de tempos já muito antigos, em que as crianças de regiões frias como estas não tinham muito com que brincar, levando-os à ideia de o fazerem com os troncos que, posteriormente e como é muito natural, depois eram queimados para aquecer a casa. Poderá ter sido dessa espécie de brincadeiras que nasceu a ideia de o aquecer com uma mantinha e um chapéu tradicional (compare-se com o do Caganer, na imagem anterior).

Mas em que consiste esta outra tradição? Na sua forma mais conhecida, esta era uma figura que se acreditava que trazia alguns pequenos presentes às crianças no dia de Natal, como frutos secos ou guloseimas (os presentes “maiores” ficavam para o dia 6 de Janeiro, como é comum em Espanha e em algumas outras tradições europeias, e.g. a Befana italiana). Para que tal acontecesse, elas tinham de cuidar bem deste Tió de Nadal, cantar-lhe algumas canções tradicionais (que, importa frisar, têm o seu quê de picante), bater-lhe com paus, e outras coisas que tais, levando-o depois à metafórica acção de “cagar presentes” para os mais novos…

 

Claro que ambas estas tradições foram sofrendo alterações ao longo do tempo, mas há que frisar que tanto o Caganer como o Tió de Nadal se mantêm muito populares na Catalunha dos nossos dias, mesmo que nem sempre com todos os seus contornos tradicionais, e.g. o tronco passou a ter um peso mais simbólico, em vez de ser queimado após o dia 25 de Dezembro…

A horrenda historia dos Gémeos Reimer (e John Money + Alfred Kinsey)

A historia dos Gémeos Reimer, nascidos Brian e Bruce, é algo de tão horrendo que normalmente não abordaríamos o tópico aqui. Ela é, sem qualquer dúvida, completamente inapropriada para quem tiver menos de 18 anos – e, para esses possíveis leitores, pedimos, imploramos, que evitem a leitura do tema de hoje. Debatemos até, uma e outra vez, se sequer deveria ser contada por aqui, mas ao longo do tempo acabámos por decidir que sim, apenas com o objectivo de alertar as pessoas para algo muitíssimo problemático nos cultos da transfilia, mas que, como é conveniente, eles optam sempre e de forma muito deliberada por nunca contar às pessoas.

Os Gémeos Reimer, ou David Reimer

Os Gémeos Reimer nasceram em 1965 e foram, durante cerca de sete ou oito meses, crianças como as outras. Depois, por razões médicas, os pais decidiram circuncisar os filhos. O procedimento correu muitíssimo mal para Bruce (o que levou a  que não tivesse lugar com o irmão), e o órgão sexual deste menino ficou completamente destruído. Então, os pais, com poucos estudos mas que tinham visto um suposto especialista num programa de televisão, levaram-lhe este menino. E ele, de nome John Money, vendendo-lhes todo um conjunto de fantasias irreais, sugeriu transformar o pseudo-pénis desse menino numa espécie de vagina, dizendo igualmente a estes pais que nunca deveriam contar à criança o que se passou e que deveriam criá-lo apenas como menina. E então, este Bruce Reimer passou a ser Brenda Lee Reimer, que podem ver na primeira das duas fotografias ali em cima. E viveu… com depressões, com muita confusão e coisas que nunca conseguia compreender*, até que os pais lá foram obrigados a contar-lhe o que se tinha passado, e depois dos 15 anos ele passou a (tentar) viver como sempre se tinha sentido, como nasceu, como uma pessoa do sexo masculino com o novo nome de David Reimer, que pode ser visto ali na segunda fotografia, por volta dos 18 anos. Mas sofreu de problemas psicológicos toda a vida, acabando por se suicidar aos 38 anos; o irmão, Brian, tinha morrido de uma overdose de drogas uns anos antes.

 

A uma primeira vista, os apoiantes da transfilia poderão não querer ver nada de mal em tudo isto. Até poderão querer encontrar, aqui e ali, razões para apoiar a sua causa. Mas, se tiverem lido as teorias científicas propostas pelo tal John Money, vêem que ele propunha precisamente o contrário do que isto prova – que o sexo não existe, existe é “identidade de género”, e que esta última é determinada apenas pela forma como uma criança é criada. Ou seja, que se no caso específico dos Gémeos Reimer, Brian Reimer foi criado como rapaz, e Bruce / David Reimer foi criado como a rapariga Brenda Reimer, segundo as teorias deste senhor… o primeiro viria a ser um rapaz, e o segundo seria verdadeiramente uma rapariga, algo que a abominável experiência prática, que violou todas as regras de ética, provou ser completamente mentira. E durante anos o doutor foi escondendo essa verdade, afirmando que a experiência provava o que ele tinha postulado, quando factualmente não o fazia de todo… *

 

E isto, queiramos ou não, levantou-nos um conjunto de questões importantes. Se este John Money é, hoje, conhecido como o primeiro e principal proponente da ideia de uma distinção entre sexo e género – o que, na verdade, são uma e a mesma coisa… – onde mais estaria ele errado? Fomos então ler algumas das pesquisas dele, que por sua vez nos levou às pesquisas de um seu antecessor – um tal Alfred Kinsey – e o que fomos encontrando, aqui e ali, é completamente chocante. Por exemplo, voltando-se ali ao caso dos Gémeos Reimer, entre os supostos “tratamentos” sugeridos por este “especialista”, contava-se um que passava por – e acreditem em nós, sentimos enorme dificuldade em escrever as palavras da publicação de hoje – colocar duas crianças, dois irmãos, a treinarem posições sexuais um com o outro, quando tinham apenas seis anos de idade, entre outras coisas tão loucas que preferimos não repetir aqui*. Para um ser humano normal, para alguém mentalmente sano, isto soaria incrivelmente mal… porque é errado, excepto se se explorar o que este Money, e o seu comparsa mais antigo Kinsey, acreditavam. E em que era? Atenção, se leram a publicação de hoje até aqui, fica a sugestão, uma segunda advertência, de que este tema não é, de todo, para menores de idade. É um tema horrendo, que desaconselhamos até aos mais sensíveis, e devemos deixar isso muitíssimo claro antes de continuar. Considerem-se avisados!

Alfred Kinsey e John Money

Voltando-se então ao tema, em que acreditavam Alfred Kinsey e John Money, os dois senhores na imagem acima…? Essencialmente, que desde a mais tenra idade que as crianças, e até os bebés, são “seres sexuais” (as palavras são deles, não nossas). Em ambos os casos, eles mostraram muita apetência para a pedofilia, pretendendo até normalizá-la na sociedade em que viviam. A ideia chegou à loucura do primeiro conduzir experiência sexuais em crianças e bebés, e do segundo dizer em entrevistas que nada via de mal em relações sexuais tidas entre – e é uma citação – “um rapaz de 10 ou 11 anos (…) e alguém na casa dos seus 20 ou 30 anos”.

 

Se a história dos Gémeos Reimer é horrenda – e presumimos que ninguém sano o negue – ela ainda se mostra mais problemática ao ser inserida no contexto cultural que a gerou, que inclui muitos outros casos como este, e que passa por uma tentativa abominável de normalizar a pedofilia… ou, como alguns adeptos da transfilia insistem em chamar-lhes, a sexualidade de “pessoas atraídas por menores”. Muda-se a palavra para uma expressão com conotações menos previsivelmente más, mantém-se a ideia… e esconde-se-a por detrás do “+” dos LGBTQ+. E o que significa esse tal “+”, na verdade? É uma espécie de compressão de algo que, numa das muitas versões que agora existem, se chama “LGBTT2QQIAAP“. E de que é esse tal “P”? É para “pansexual”… o que, como dissemos quando cá falámos sobre uma estranha infidelidade de Penélope, significa “tudo” ou “todos”, referindo-se a um grupo de pessoas disposta a ter relações sexuais com… bem, digamos que para quem é bom entendedor meia palavra basta.

Uma citação de um site...

Claro que, a uma pessoa mentalmente sã, isto poderá parecer completamente grotesco, mas a verdade é que a ideia de um apoio constante entre estes verdadeiros cultos e a sexualização de crianças é hoje conhecido e quase constante. Basta ver o exemplo acima, retirado de um site de transfilia em território português [que, curiosamente, plagiou o nosso artigo sobre Santa Vilgeforte, como apurado em inícios de Dezembro de 2023], em que referências à sexualidade com crianças se misturam, quase lado a lado, com temas plenamente sexuais e impróprios para crianças.

 

Agora, quem quiser discordar, quem quiser achar que isto não é verdade, fica a sugestão de lerem as pesquisas dos tais John Money e Alfred Kinsey. Não leiam o que terceiros vos dizem sobre eles, nem leiam as versões sanitizadas de sites como a Wikipedia, mas sim o que eles verdadeiramente escreveram. E quando pararem de vomitar – como aconteceu a um colega nosso, que preferiu nem discutir mais este tema – talvez entendam a gravidade destas estranhas ideias americanas, que pouco destoam de algumas experiências nazis com gémeos durante a Segunda Guerra Mundial. Se os Gémeos Reimer foram mártires de um conjunto de ideias maluquíssimas, as ideias de Kinsey e Money continuam, de forma dissimulada, muito presentes nos nossos dias, e a sua tentativa de normalização de algo que é completamente criminoso, uma tentativa de sexualização de crianças e jovens, é muitíssimo perigosa… excepto, claro, se pertencerem a um verdadeiro culto em que tudo isso é muito bom e fantástico e inquestionável!

 

 

*- Para quem quiser saber mais sobre esta primeira parte do tema, relativo especialmente aos Gémeos Reimer e tudo aquilo por que Brian Reimer e Bruce / David Reimer passaram, poderá ler o livro As Nature Made Him: The Boy Who Was Raised as a Girl, de John Colapinto. É um livro bom para quem quiser conhecer melhor o caso, mas somos obrigados a deixar claro que é uma obra profundamente inquietante, sendo possível que se encontre entre as três obras literárias mais perturbadoras que nos passaram pelas mãos.

Quem foi o dragão do País de Gales?

Começou ontem o Campeonato Mundial de Futebol, e entre as bandeiras dos países participantes conta-se a do País de Gales. Se muitas das outras até têm alguns elementos que remetem para as culturas locais (relembre-se, por exemplo, a simbologia da nossa bandeira portuguesa), já esta tem um claríssimo elemento mitológico, um dragão vermelho, mesmo no seu centro. O que, para qualquer pessoa com um mínimo de curiosidade ou de cultura geral, não pode senão levar a que se pergunte que estranha criatura é esta, ou que importância terá tido na cultura galesa para ter sido homenageada de uma forma tão notável na bandeira do seu país.

País de Gales e o seu dragão vermelho

Infelizmente, o tempo parece ter feito esquecer aquela que poderá ter sido a verdadeira origem do dragão do País de Gales – terá sido um símbolo de um antigo exército romano, como dizem alguns? – mas na Historia Regum Britanniae, um texto medieval que é um misto de lendas e histórias locais, existe aquela que parece ser a mais antiga, e igualmente mais significativa, referência a este dragão vermelho. No decorrer das muitas aventuras que nos reconta, é em dada altura dito que Ambrósio Aureliano, um líder guerreiro dos anglo-saxões (e, para alguns, igualmente tio do super-famoso Rei Artur), pediu a Vortigern, rei dos bretões, que desenterrasse dois dragões de um local próximo de um castelo. Um deles era vermelho, o outro branco, como pode ser visto na pintura ali em cima. As duas criaturas depressa se envolveram num combate assustadora, em que o segundo saiu vitorioso por diversas vezes, mas o primeiro acabou por conquistar a derradeira vitória*…

 

E o que tem tudo isto a ver com a bandeira do País de Gales e o seu próprio dragão vermelho? O estranho episódio é, mesmo na obra literária em questão, interpretado como uma metáfora para os antigos combates entre os anglo-saxões e os bretões celtas, com o sentido de que os primeiros iriam ganhar diversas batalhas mas os segundos, os habitantes nativos deste país, no final iriam ganhar toda a guerra e conquistar para si mesmos a terra que lhes pertencia… e o resto é história, como se costuma dizer, com o monstro simbólico da lenda a se tornar, ao longo dos séculos, um dos grandes símbolos da nação galesa.

 

*- E quanto ao dragão branco, para quem tiver ficado com essa derradeira curiosidade, após a derrota que sofreu nesta pequena guerra parece ter desaparecido, para não mais voltar a ser visto…

Maria Pacheca, uma transexual do século XVI

Visto que os temas da transexualidade andam hoje em dia muito na baila, decidemos falar de Maria Pacheca, provavelmente um dos mais famosos casos de Portugal. Pelo contexto, podemos depreender que o caso dela se passou em meados do século XVI, mas parece que tudo o que nos chegou sobre esta figura é o relatado por Amato Lusitano, médico que nasceu e faleceu nesse mesmo século. Recordamos aqui as breves linhas sobre o caso, tal como aparecem em Amato Lusitano e as problemáticas sexuais, de Isilda Teixeira Rodrigues:

A igreja da Esgueira, onde viveu esta Maria Pacheca

Em Portugal, na freguesia da Esgueira, a nove léguas de Coimbra, cidade ilustre, havia uma rapariga, fidalga, cujo nome, se não me engano era Maria Pacheca. Chegada à idade em que as mulheres costumam ter pela primeira vez a menstruação, em vez desta, principiou a aparecer-lhe e a desenvolver-se um pénis que até esse tempo estivera interiormente oculto. Desta forma transitou de mulher ao sexo masculino, vestiu fato de homem e foi baptizada, com o nome de Manuel. Foi à Índia, tornou-se famoso e rico, e, ao voltar à pátria, casou. Ignoro, porém, se teve descendência. Todavia estamos cônscios de que ficou sempre imberbe.

 

Pouco ou nada mais se parece hoje saber sobre esta Maria Pacheca – ou Manuel Pacheco, se assim o preferirem – mas o que o relato tem de mais notável é provavelmente o facto de referir, aqui e ali, um construto sexual relativamente simples e que continua a fazer sentido até aos nossos dias de hoje – se tem pénis é homem, tal como se tende a considerar como homens aqueles que têm barba. Isso leva a um certo feiticismo corporal, que também se mantém nos dias de hoje, e a casos como os de Santa Vilgeforte, de que cá falámos anteriormente, e em que pela presença de um (suposto) vestido uma representação de Jesus Cristo passou a ser vista como apenas podendo pertencer ao sexo feminino.

 

Mas a história desta Maria Pacheca não fica por aqui. Como Isilda Teixeira Rodrigues dá a pensar no seu artigo, se tudo isto foi real – e não temos provas reais que o neguem, já que Amato Lusitano parece ter considerado o caso credível – é provável que a mulher que se tornou Manuel Pacheco tenha vivido alguns tempos bastante confusos após a sua transformação. Poderá ter sido isso que levou à sua ida para o além-mar, em busca de novas aventuras e de novas pessoas, porque nas terras em que sempre viveu teria alguma dificuldade em seguir a sua vida como antes, numa outra espécie de tradição que, até certo ponto, também ainda se mantém muito nos nossos dias de hoje. Terá, um dia, tido filhos da pessoa com quem veio a casar…? É um daqueles muitos segredos da História que, provavelmente, nunca se conseguirão desvendar…