Luís de La Penha: A Morte pela Reincidência, Não pela Bruxaria

Já aqui anteriormente falámos sobre Luís de La Penha, em particular quando sugerimos uma possível associação à chamada “Bruxa Évora“. Porém, ele também pode ser brevemente (re-)apresentado nestas linhas como o mais famoso de todas as figuras relacionadas com a bruxaria e feitiçaria que já viveu em terras de Portugal (o chamado “Bruxo de Fafe” teria de ficar, pelo menos, em terceiro ou quarto lugar). E, de facto, foi até ele – aparentemente – o único praticante destas artes que alguma vez foi condenado à morte no nosso país nos tempos da Inquisição. Infelizmente, o seu processo legal é demasiado longo para ser apresentado aqui de uma forma breve – tem mais de 1100 páginas – mas podemos apresentar aqui a sua sentença numa forma quase completa:

Luís de La Penha face à Inquisição

Acordam os Inquisidores, porque se mostra, que sendo não benzido, obrigado a se benzer, e que tal ensina a Santa Igreja de Roma, ele o fez pelo contrário. Se prova que de doze anos a essa parte, [?] por arte do demónio, e benzia os enfermos, dizendo acções e palavras em voz baixa, de modo que se não podiam ouvir, e tinha um livro de quiromancia, por qual vendo a mão a muitas pessoas, dizia que adivinhava coisas que estavam por vi, e não podiam ser sabidas senão pela mesma arte do demónio, como foram as mortes de algumas pessoas, e perigos que a coisas haviam de acontecer, e outras coisas, que sucederam tão longe dessa cidade, que naturalmente não podia sabê-las no tempo que as dizia. E tinha muitos papéis [?] de sua letra, nos quais se continham invocações do demónio, sortes para adivinhar, caracteres incógnitos, e muitas orações supersticiosas, e coisas tocantes à danada arte de magia, ou feitiçaria. E tinha muitas cartas de tocar, as quais dizia, que se havia de meter debaixo da pedra de ara, e sobre elas mandar dizer missas, e no tempo que se diziam, saindo-se do corpo, haviam de invocar a Satanás e Barrabás, dizendo mais que lhe haviam de dar sem sangue, jurando-lhe as vozes, e juntamente com os nomes do demónio invocar os nomes de Deus [?], e da Virgem N[ossa] S[enhora], das quais o réu usou, e as deu a muitas pessoas, e fez muitas vezes as sortes das favas, da tesoura, da farinha, e do pão, com invocações, e palavras supersticiosas, para saber e adivinhar o que queriam e lhe perguntavam. E sendo ensinado por certa pessoa, fez por muitas vezes uma devoção para invocar o demónio, e em uma noite estava fazendo, lhe apareceu uma visão negra, em figura de mulher, que o assombrou, e o réu caiu em cima sem lhe falar coisa alguma, e na noite seguinte, estando deitado em sua cama, ouviu uma vez, sem ver cuja era, que lhe disse o seguinte – “eu sou o espírito que te apareceu, e te digo que se quiseres adivinhar tudo quanto de perguntarem, hás-de deitar três pedras em meu nome em um poço, e quando elas saírem dele, e as tornares a ver na tua mão, então não adivinharás.”

 

[página 2]

 

Dizendo-lhe mais, que se lhe não deitasse as pedras no polo, o havia de atormentar, pois espera a dita devoção. E que dissesse sempre que adivinhava por ordem de Deus, e não desse diabo que isto lhe dizia, e que o não confessasse aos confessores, porque o não absolviam. E ele deitou as pedras no poço em sinal do pacto, e concerto que com o demónio fez, no qual o mesmo demónio lhe prometeu que lhe faria tudo o que o mesmo demónio lhe pedisse, assim de adivinhar as coisas futuras, como as que tinham acontecido longe, e que se não pudesse ainda saber, e faria vir pessoas de longe em breve espaço de tempo, e que o faria grande profeta, e andaria todo o mundo após ele, e que creriam que o que dissesse, e fizesse, era por virtude divina, e que esse demónio se chamava Asmodeus, e o réu lhe prometeu que o veneraria dali por diante. O demónio lhe disse mais, que quando quisesse saber alguma coisa, nas noites de terças e quartas feiras, se deitasse na cama de bruços com as mãos, e pés em cruz, e estando assim, chamasse ao demónio que lhe tinha aparecido na figura negra de mulher, e que ele apareceria, e se revelaria tudo o que quisesse saber, e que quando ele queria saber algumas coisas, que se não podiam alcançar por meios humanos, se punha na tal forma de bruços, e os braços em cruz, e invocava o demónio, dizendo “eu te conjuro da parte de Barrabás, Santanás, Caifás e Lucífer, que tu me apareceste em figura de mulher negra, me apareças aqui, e digas o que te quero perguntar”, e feita essa invocação, se tinha candeia, lhe apareceria algumas vezes uma figura de mulher formosa, e outras de anjo, e se estava às escuras, não via figura, e lhe dizia à orelha o que lhe perguntava, e queria fazer, como eram as doenças que algumas pessoas tinham, se eram causadas de feitiços, ou não, e onde estavam os feitiços, e como os curaria. E por essa [?] do demónio, adivinhava o que queria, dizendo sempre que sabia as tais coisas por ordem de Deus. E que por outra vez, lhe apareceu o mesmo demónio, e lhe dissera que se queria por amor dele fizesse o que lhe tinha prometido, ele se havia de sair meia légoa fora da dita cidade, e se havia de sentir em uma parte de seu corpo, o derramar algum sangue, lançando-o em uma cova na terra, e oferecer-lho a esse demónio,e seria em final de pacto de familiaridade, que ficaria entre ambos, pelo qual o demónio seria obrigado a fazer o que ele lhe quisesse, e que renegasse da fé de Jesus Cristo o Salvador,

 

[página 3]

 

E se apartasse dela, e renunciasse o baptismo, e não cresse nos mistérios da missa, e que cresse nesse demónio, e o venerasse como a Deus, pondo-se de joelhos diante dele. O que, persuadido ele, réu, do que o demónio lhe disse, o prometeu, se saiu para outro lugar, fora dessa cidade, onde o demónio lhe apareceu em figura de anjo resplandecente, em sua presença, com uma faca, se feriu no dedo mínimo da mão esquerda, e tirou sangue, e o enterrou em uma cova em final do pacto, e se pôs de joelhos diante do demónio, e disse que renegava de N. S. [?] e renunciava a água do baptismo, que tinha recebido, e os mistérios da missa, e que cria nesse demónio, e o tinha e venerava como a Deus, e em seu coração se apartou de N.S.J.C. E fiou logo vendo no demónio, adorando-o, e venerando-o como a Deus, e renunciou a água do baptismo, e mistérios da missa, e vendo que o demónio lhe poderia fazer tudo o que quisesse, e por sua honra e veneração, queimou alecrim, incenso, e outros perfumes, e em virtude destes pactos, que com o demónio fez, o invicou muitas vezes, e ele lhe apareceu, e dizia as coisas que pretendia saber, e adivinhar, e teve com ele familiaridade, e pacto expresso, por muito tempo, e deixava de ir às igreas, por comprazer ao demónio, e cumprir o que lhe tinha prometido, e também por estar apartado da fé de Jesus Cristo Nosso Senhor. E não confessava esses erros a seus confessores, por o demónio lhe dizer [que] os não confessasse, a qual crença e erros lhe duraram até fazer sua confissão na mesa deste ofício. E tudo visto com o mais que dos autos consta, declarava que o [?] foi herege, apóstata de N. S.J. Cristo, e como tal incorreu em sentença de excomunhão maior, e em confiscação de todos seus bens aplicados o fisco, e e câmara real [?], como usando a [?] confessou suas culpas e recebeu o [?] a prémio de união ou que lhe mandava o anjo da fé, na forma costumada de abjuração, em forma cárcere de hábito perpétuo, absolvido da exomunhão.

 

 

[Assinatura]

 

 

Depois tornou esse réu a desprezo na mesma Inquisição, por semelhantes culpas, das quais confessou algumas, e neste segundo lapso se tomou o assento seguinte:

 

[Página 4]

 

Assento do segundo lapso de Luís de La Penha

 

 

Foram lidos na mesma desta Inquisição aos tantos e tal mês e ano, esses autos do segundo lapso, e as culpas, e confissões, de Luís de La Penha, que fez o mourisco desta cidade, neles concluído, esse viram outros os anos do segundo lapso, e as confissões que nele fez, [?] e abjuração que fez em forma por virtude da Santa Igreja domingo tantos de tal mês. E pareceu a todos os nossos, que assim da prova da Inquisição, como da confissão do réu, consta invocar ele o demónio depois de sua abjuração, pois assim o depõem as três [?] que parece que concordam nas invocações que pôs no eirado das casas do [?] que concorda com a mesma [?] nas invocações, que fez em casa de [?], que concorda com os [?], e todos dizem que viam sombras, e [?] que devia ser o efeito da invocação, [?] que o não tivesse dar-lhe [?] e haver o que levavam. E assim mais destas [?] e de outras consta curar o [?] de feitiços, fazer sortes para adivinhar, e outras coisas das ordenadas para a invocação do diabo, e ofereceu-lhe virgindades, e o demónio vestido de negro, disse-lhe tudo e do mais dos outros parece, ser ele [?] suspeito de o adornar, e ter ainda por Deus, como confessou antes da sua abjuração. E estando apartado da Santa Igreja, e cometer as muitas culpas, agravando os primeiros erros, pois foram os mesmos deste segundo processo. E que o não desculpa dizer em sua confissão, que [?] as tais invocações, e mais coisas, estando bêbado, e com medo das ditas pessoas lhe fizessem, porque não prova essa qualidade das confissões, antes se mostra o contrário do muito tempo que por se ver ou a fazer, e [?] os outros tantas vezes, indo a casa destas por sua livre vontade, e o medo que diz que teve em casa de H., e se lhe fez, foi depois de na [?] o casar-lhe a filha. E o mesmo foi da ferida que H lhe fez na cabeça, queixando-se que os havia enganados, além do que o réu confessa coagidos os [?], de [?] depõem, e assim mais da cabra, que pareceu no que mostra, que elas lhe não impõem as culpas falsamente, e se mostra destas invocações, e mais coisas. A suspeito [?], como assim se diz, e como tal incorre na culpa e relapsia destes erros, conforme a mais [?], e provável opinião dos doutores, e como tal deve por

 

[Página 5]

 

havido, o que como herege consistente, relapso, [?] fosse entregue à Justiça Secular, servatis servandis, o que incorreu com sua excomunhão maior, e em pena de confiscação de seus bens para o fisco, ou câmara real, e nas mais penas com direito contra as [?] estabelecidas, visto ou [?], como se não mostra coisa, que desculpe da sua pena, por haver sido preso legitimamente, por prova que para isso tenha, e ele é homem de bom entendimento, e fez a confissão sabendo muito bem que havia sido reconciliado, nas [?] de fé [?] por esse assento, seja levado com os processos ao [?], na forma do regimento [?]

 

 

Sentença de relapsia

 

 

Acordam os Inquisidores em referência às culpas do processo, contidas nas [?] que fica atrás, pelas quais culpas foi o réu declarado por herege, e apóstata de nossa santa fé católica, e como tal, incorre em [?] de excomunhão maior, e em pena de confiscação de todos os seus bens, para o fisco e câmara real, e nas mais em direito contra o semelhantes estabelecidas. E porque o réu pediu perdão das santas culpas com mostras e sinais de arrependimento, [?] dizer daí em diante verdadeiro cristão, parecendo que estava verdadeiramente convertido à nossa santa fé católica, usando com ele da misericórdia, que a igreja costuma dar aos que a ela se convertem, foi recebido a uma reconciliação da mesma igreja com cárcere e hábito perpétuo no Auto de Fé que se celebrou na praça dessa cidade domingo, tantos e tal mês do ano, onde publicamente fez abjuração em forma, e prometeu com juramento de nunca em algum tempo reincidir nas ditas culpas, nem em outra alguma de heresia, e apostaria, sujeitando-se em tudo ao rigor dos sagrados cânones, e foi instruídos nas coisas da fé, necessárias para salvação de sua alma, e absolvido da excomunhão em que havia incorrido, e lhe foram impostas penitências espirituais; E porque depois de passar o sobredito, foi o autor denunciado na mesma deste ofício, por [?], que esquecido de sua obrigação e do que tinha prometido com juramento, tornava a cair nas mesmas culpas de se tornar e sujeitar ao demónio seu familiar

 

[Página 6]

 

que dizia chamar-se Asmodeus, invocando e esconjurando com palavras que lhe dizia, usando de caracteres, círculos, em que se deitava de braços estendido em cruz, fizendo que lhe daria parte de seu sangue, oferecendo-lhe pessoas para fazerem pacto com ele, e virgindades de moças donzelas para [?]; E o dito familiar aparecia a ele réu, em vultos extraordinário de homens, mulheres, cabra, e outras figuras, aosque também viram algumas [?] pessoas, que o acompanhavam, e assim mais usava de fontes e servedores para adivinhar coisas ocultas, que naturalmente se não podiam saber, e fazer vir pessoas de lugares remotos, para se efectuarem casamentos, que se pretendiam, e para outros efeitos, pelas quais culpas foi preso segunda vez nos cárceres do Santo Ofício, e pedindo na mesa dele audiência, confessou que invocava por muitas vezes o dito Asmodeus, e outros demónios, para o efeito de curar enfermidades, e outros feitiços [?], que dizia estavam enfeitiçadas, e se achar [?], dizendo que o fazia por virtudade divina e ciência infusa que tinha. E guardados os termos de direito, e estilo deste ofício, se processou com sua causa até final conclusão.

 

 

O [?], e bem examinado, bem como assim esta prova, e [?] notificadas, como pela própria confissão do mesmo autor judicialmente recebida, se mostra que ele réu, depois da sua abjuração, tornou a reinicidr nos mesmos erros, que tinha abjurado, com o mais, que dos autos consta, sendo somente [?] diante dos olhos, a inegável vontade da fé, e a [?] dos hereges, per nomine invocato, julgam o [?] ao réu Luís de La Penha, por [?] relapso, convito e confesso no crime de heresia, e apostasia, e por tal o declaram, e que incorreu em [?] maior, e confiscação de todos seus bens aplicados para o fisco, e câmara real, e nas mais penas em [?] contra os semelhantes estabelecidas; O [?] mais que fazer, por usar mal da misericórdia, que no primeiro lapso lhe foi concedida, e se fazer indigno dessa, [?] o zelaram à Justiça Secular, a que pedem com muita circunstância se haja com ele benigna e piedosamente.

 

 

 

Agora, o que esta história tem de particular interesse é que nos permite compreender o porquê de ele ter sido condenado à morte – isso aconteceu não pela sua associação à bruxaria ou feitiçaria, mas porque num primeiro momento ele se pareceu arrepender do que andava a fazer, acabou por ser perdoado pelos seus actos, e depois voltou a insistir nos mesmos. Isto pode ser contrastado com outras figuras que também passaram pela Inquisição no nosso país – elas foram acusadas, admoestadas, e não tornaram a repetir os seus actos. Se Luís de La Penha foi morto, foi-o pela repetição dos seus actos, e não por andar em bruxarias e feitiços…

 

 

Outro elemento interessante deste processo de Luís de La Penha é que ele nos preservou, em folhas infelizmente (hoje) já bastante danificadas, alguns dos feitiços que ele utilizava no seu trabalho. Nunca os vimos publicados de forma completa em lado nenhum (mas já aqui mostrámos alguns), pelo que podemos aqui apresentar mais um, a título de pura curiosidade:

 

 

fazer uma figura de mulher onde homem

 

em um joelho novo furtado com tinta no-

 

va posta em tinteiro novo e com pena nova.

 

Então fazer a figura e em cada leva

 

estes nomes escritos: “Zuba chaim”. E na testa leva

 

este nome escrito “Biball” e na barriga “Asmo-

 

deus” e aos pés o nome da tal pessoa e de sua mãe,

 

sendo mulher, e sendo homem o da tal pessoa cada

 

seu pai então formar tudo com esta [?] em

 

nome das tais pessoas que quiserem fazer o que qui-

 

serem e então fazei [?] com [?]

 

[?] pessoas só de meter

 

o [?] para o fogo da [?] em digo que há-de [?]

 

a imagem com o rosto para o fogo e dirão três vezes

 

o seguinte “conjuro os espíritos infernais que

 

escritos estais nesta imagem por deus que dize

 

e foi feito pelo temeroso dia de juízo que uma

 

fulana, filha de fulana ou fulano, filho de fu-

 

lano, [?] e por meu amor amor o peido

 

e o [?] lhe aquietais que não possam des-

 

cansar nem nem o outra coisa fazer até que venham

 

A fazer tudo o que eu quiser, dizendo tudo

 

o que querem que lhe façam e há-de ser feito

 

Isto aqui na quinta[?] ou sexta se for [?]

 

[?] feito na hora de Júpiter e se acerta na hora

 

de Vénus e há-de ser em a lua crescente.

 

Farão isto duas outras vezes com mais segredo.

 

 

Assinatura de Luís de La Penha

 

Este parece ser uma espécie de feitiço de amor, com contornos semelhantes ao que alguns séculos mais tarde se pôde encontrar no Livro de São Cipriano, mostrando que a tradição mágica nacional se parece ter mantido relativamente estável ao longo dos séculos, tanto nas figuras demoníacas e divinas que vai evocando, como na sua associação aos astros celestes.

 

 

A história de Luís de La Penha convida-nos então a repensar os limites entre fé, superstição e justiça num Portugal do século XVII, onde os pactos com demónios podiam condenar, não apenas pela crença, mas pela reincidência. Foi essa reincidência, esse seu desinteresse em emendar o que fazia, e não propriamente a bruxaria ou feitiçaria em si mesmas, que o conduziu à fogueira — e hoje, apesar disso, o seu nome é em Portugal quase apenas murmurado na cidade de Évora, estando ele esquecido no resto do nosso país.

Qual é a Origem dos Palhaços?

Falar-se aqui sobre a origem dos palhaços vem de uma pequena coincidência que tomou lugar há algumas semanas. Por vezes contactam-nos em privado para nos pedirem uma opinião sobre determinados livros. Isso aconteceu, recentemente, com uma obra chamada The Nephilim Looked Like Clowns. Já cá falámos antes desses tais Nefilins, como eles são chamados em Português, mas iremos então aqui começar pelo livro, antes de avançar para o tema principal a ele associado…

Qual a origem dos Palhaços?

Sobre o livro “The Nephilim Looked Like Clowns”

 

A uma primeira vista, este livro e toda a ideia que ele defende pode parecer uma loucura. O próprio autor o admite, num dos seus seus primeiros capítulos. E depois, à medida que vai apresentando a sua teoria, surgem pelo caminho algumas coisas mais malucas do que outras. Nem todas têm um suporte forte e credível, mas de uma forma muito simplificada toda a ideia passa pelo seguinte – os tais Nefilins, segundo este autor, foram os descendentes de Caim, aquela figura bíblica que matou o próprio irmão (i.e. Abel), e causaram muitos problemas à humanidade até ao Dilúvio Universal. Depois, nessa altura morreram fisicamente, evoluíram para terem formas mais espirituais e animalescas, e foram adoptando as mais diversas formas. Tornaram-se, por exemplo, Sereias, Sátiros, e outros seres que tais, por temerem os humanos começaram a viver em locais de difícil acesso, etc. Sob a forma de demónios ou seres da floresta, inspiraram a criação da figura de Arlequim, que por sua vez inspirou a maquilhagem dos palhaços nos nossos dias, e portanto… segundo a ideia defendida neste livro The Nephilim Looked Like Clowns, ao longo dos tempos umas figuras pré-bíblicas hoje já quase esquecidas foram, diz-nos o autor, a derradeira origem por detrás dos nossos palhaços.

 

Mas será verdade? Ou é tudo uma fantasia louca do autor, um tal Paul Stobbs? A resposta parece passar mais pelo segundo do que pelo primeiro caminho, já que quem perceber dos temas que vão sendo citados poderá notar, aqui e ali, falhas importantes. Por exemplo, segundo o autor, os nossos palhaços têm essa sua maquilhagem branca porque ela deriva da “Marca de Caim”, a identificadora de prole desse vilão, que recorrendo a este e aquela fonte, quando lida de uma forma muito oblíqua, lá revelam esse suposto facto. E talvez a ideia convença quem percebe menos dos assuntos em apreço? É provável, mas não é uma obra muito fiável, já que o autor até tem de citar diferentes traduções para as mesmas sequências e obras de forma a tentar encontrar alguma que lá sugira o que ele quer. E portanto, deixando então este livro The Nephilim Looked Like Clowns de lado, qual é mesmo a verdadeira origem dos palhaços?

 

 

Qual é (mesmo) a Origem dos Palhaços?

 

Sabemos que, de facto, no seu cerne a represenção física dos palhaços vem da tal figura de Arlequim da “Commedia dell’arte” italiana, mas ela só se tornou muito mais comum já em inícios do século XIX, com um senhor inglês de nome Joseph Grimaldi e o seu alter-ego, um palhaço de nome “Joey”. Mas o porquê de ambos se representarem com uma pele muito branca não é fácil de perceber… talvez tenha sido uma mera convenção pictórica, ou pelo facto, se considerarmos que aquela primeira figura era originalmente um emissário do Diabo, ele provavelmente vivia na escuridão e obteve, como é natural, uma pele pouco ou nada queimada pelo sol. Faz um certo sentido.

 

Ao mesmo tempo, a outra metade que compõe a origem dos palhaços, i.e. as suas acções divertidas, parece vir ainda de tempos da Grécia Antiga, dos chamados “dramas satíricos”, em que os Sátiros tinham uma espécie de papel de divertidores do público, quanto mais não fosse pelo seu aspecto animalesco.

 

Portanto, se pensarmos bem no assunto, parece que a Origem dos Palhaços vem de uma tentativa de representação do “outro”, daqueles figuras que são invulgares nas nossas sociedades, seja pela sua forma física ou pelas suas acções fora do comum. Agora, se isto quer dizer que é mesmo possível ligá-los aos Nefilins mencionados na Bíblia… não, nem por isso, já que o caso apresentado no livro que mencionámos acima tem imensas fragilidades. Talvez seja, portanto, mais correcto dizer-se que este é um daqueles temas para os quais existem várias teorias mas poucas certezas comprováveis…

O mito da liberdade eleitoral — um caso prático português nas eleições legislativas de 2025

Na semana passada celebrou-se mais um 25 de Abril. E se há palavra que se repete todos os anos é “liberdade”. Liberdade de expressão, liberdade de voto, liberdade de escolha, entre outras tantas “liberdades”. Mas raramente se fala da forma como essa liberdade nos continua a ser condicionada. Porque sim, podemos (supostamente) dizer o que quisermos e votar em quem quisermos — mas esse processo não é, de todo, neutro.

 

Quando falamos em liberdade eleitoral, importa refletir sobre o que realmente está em causa. Há formas subtis (e outras nem tanto) de influenciar o sentido de voto. Escolher quais notícias destacar, repetir continuamente escândalos de uns e ignorar totalmente os de outros, manipular a ordem dos temas no telejornal — tudo isso molda o nosso julgamento. Trata-se de uma forma sofisticada de manipulação mediática, ainda mais perigosa por ser disfarçada de “informação imparcial”.

O mito da liberdade eleitoral — um caso prático português nas eleições legislativas de 2025

Mas hoje não iremos ficar por generalidades. Vamos a um caso concreto: a cobertura mediática durante as eleições legislativas de 2025, nomeadamente o tratamento dado pelo Polígrafo no seu “Especial Legislativas 2025”. Entre 7 e 25 de abril, o Polígrafo analisou 57 declarações individuais feitas por líderes partidários em debates. Abaixo, apresentamos a tabela com os dados recolhidos, que dizem muito sobre o viés da comunicação social em Portugal:

 

 

TOTAL –VERDADEIRO –FALSO –IMPRECISO –DESCONTEXTUALIZADO –
Paulo Raimundo (PCP)66000
Luís Montenegro (AD)55000
André Ventura (CH)154821
Pedro Nuno Santos (PS)52300
Nuno Melo (AD)42110
Rui Rocha (IL)63120
Rui Tavares (L)43010
Inês Sousa Real (PAN)64200
Mariana Mortágua (BE)53020
Joana Mortágua (BE)11000

 

 

À primeira vista, parece tudo neutro. Mas depois nota-se um padrão. Por exemplo: André Ventura foi o político com mais declarações analisadas — 15 no total — e mais de metade foram consideradas falsas. Já Pedro Nuno Santos, do PS, teve apenas 5 declarações verificadas — e 3 delas também foram classificadas como falsas. Mas isso passa despercebido porque… foram só 5. Aqui entra o fator de quantidade e visibilidade, que afeta diretamente a perceção pública.

 

 

Se o objetivo fosse realmente descobrir quem mente mais, então haveria uma análise proporcional entre todos. Mas não é o caso. Por que motivo são umas figuras políticas analisadas três vezes mais do que outras? Isso não distorce inevitavelmente a imagem que o público cria de cada candidato?

 

Imagine-se que o leitor pretende saber quem mente mais: Pessoa A ou Pessoa B. Para isso, segue A 24 horas por dia e B apenas durante uma hora. Objectivamente, quem é que vai parecer mais desonesto? Este é um exemplo claro de como a falsa neutralidade jornalística pode ser usada para manipular resultados eleitorais — mesmo sem recorrer à censura direta.

 

 

E mais: se o objetivo for criar a imagem de um candidato “puro”, um já primeiro ministro, bastava verificar apenas as suas afirmações verdadeiras. “Vejam como ele é honesto, Ecce Homo!” O mecanismo é simples e eficaz: usa-se a verificação de factos como ferramenta de persuasão política.

 

 

Aliás, num artigo intitulado “Luís Montenegro vs. André Ventura: Quem faltou mais à verdade?”, o mesmo Polígrafo conclui que Montenegro nunca mentiu — quanto muito, foi apenas e somente “impreciso” três vezes. Interessante como certas palavras são escolhidas com muito cuidado, não é? A linguagem é moldada para suavizar uns e condenar outros, criando assim um viés político que não é assumido — mas está lá.

 

Sapo.pt a tentar manipular eleitores

Voltando à tabela apresentada ali em cima, e a segundo exemplo retirado do portal Sapo que reproduzimos acima, percebe-se a narrativa implícita e apresentada repetidamente: mostrar o Chega como o grande mentiroso, e o Bloco de Esquerda — a alternativa que se pretende vender ao eleitor indeciso, ou a alguém desiludido com o Chega — como um partido ocasionalmente “impreciso”, mas essencialmente sincero e digno de voto (shhh, não se lembrem de eles terem despedido grávidas, isso não importa nada). Este tipo de narrativa mediática é reforçada pelo uso seletivo de termos como “extrema-direita”, que aparece constantemente nas notícias, ao passo que “extrema-esquerda” é praticamente tabu na imprensa portuguesa. Essa assimetria linguística também é uma forma de manipulação ideológica.

 

 

É fundamental dizer: este texto não está aqui para dizer em quem o leitor deverá votar. Está apenas — e tão só — para lembrar que quem controla a informação, controla a narrativa. E quem controla a narrativa, controla o voto. Se um órgão de comunicação social supostamente “isento” escolhe a dedo o que verifica — e como apresenta os seus resultados — então não estamos a fazer uma escolha livre. Estamos a ser conduzidos. Acreditamos que estamos a exercer a nossa liberdade eleitoral, mas estamos simplesmente a caminhar por um trilho já traçado.

 

É assim que se manipula uma eleição — com dados, com palavras, com escolhas subtis, e com uma censura moderna que não se faz tanto pela proibição, mas pela omissão.

São Malaquias e a Profecia do Último Papa

A profecia do último papa é um tema que muitos consideram intrigante — e, com o falecimento do Papa Francisco ocorrido hoje, achámos que era apropriado abordá-lo com respeito e sobriedade. Ao longo dos anos, fomos recebendo várias perguntas sobre os contornos desta curiosa previsão atribuída a São Malaquias. Por isso, decidimos revisitá-la.

 

 

São Malaquias foi uma figura religiosa irlandesa do século XII. Apesar de não lhe serem conhecidas obras literárias com autoria indiscutível, no final do século XVI surgiu um texto que lhe foi atribuído: a Prophetia Sancti Malachiae Archiepiscopi, de Summis Pontificibus (ou, em português, A Profecia do Arcebispo São Malaquias, dos Sumos Pontífices). Essa obra apresenta uma lista de papas, começando em Celestino II, no século XII, e supostamente quase que terminando com o Papa Francisco — cada um acompanhado por um breve lema simbólico, como “Ex castro Tiberis” ou “Gloria olivae”.

 

O que torna esta lista especialmente relevante hoje é o facto de, após a referência ao Papa Francisco, aparecer uma secção final que tem sido amplamente interpretada como a profecia do último papa. Reproduzimos aqui o trecho final da obra, tal como publicada pela primeira vez em 1595:

São Malaquias e a Profecia do Último Papa

 

[…]
De labore solis.
Gloria olivae.
In psecutione. extrema S.R.E. sedebit.
Petrus Romanus, qui pascet oves in multis tribulationibus: quibus transactis civitas septicollis diruetur, & Iudex tremendus iudicabit populum suum.
Finis.

 

 

Traduzido, este trecho anuncia: “Na perseguição final da Santa Igreja Romana se sentará. Pedro Romano, que apascentará as ovelhas em muitas tribulações: após as quais a cidade das sete colinas será destruída, e o grande juiz julgará o seu povo.”

 

Este momento, associado ao juízo final, dá força à ideia de que São Malaquias teria previsto não apenas todos os papas até ao presente, mas também o derradeiro papa da história. Daí o nome com que este episódio é frequentemente conhecido: a profecia do último papa.

 

Mas será que essas últimas frases da lista – uma frase contínua, ou duas separadas por um inexplicável ponto – representam uma ou duas figuras distintas? Estão a concluir a sequência iniciada com os papas anteriores, ou são uma nota à parte, relativa apenas a um distante fim dos tempos, em que um tal Pedro Romano (ou Pedro de Roma), virá a ocupar a cadeira papal? São estas as perguntas que têm alimentado o debate em torno desta profecia.

 

 

Diz-se que São Malaquias teve uma visão mística em que lhe foram revelados todos os papas da história da Igreja — e que, por isso, a sua profecia termina apenas com o fim dessa sucessão. Se assim for, o Papa Francisco terá sido o antepenúltimo… ou mesmo o penúltimo papa, dependendo de como se lê tudo isto. Inquietante!

 

Mas será esta antiga profecia do último papa verdadeira? Ou não passará tudo de uma criação muito posterior à vida de Malaquias, de finais do século XVI, sem qualquer fundamento profético? Hoje, mais do que nunca, essa pergunta volta a ecoar. E talvez o tempo, como sempre, nos traga a resposta…

Algumas curiosidades dos Reis de Portugal!

Ao longo dos anos já muito aqui foi falado sobre os reis de Portugal, desde os seus cognomes até algumas das suas histórias hoje pouco conhecidas (como a do castigo do bispo). Porém, quem tiver estudado as suas desventuras ao longo dos séculos também já terá encontrado, aqui e ali, algumas outras histórias verdadeiramente caricatas. Aqui ficam algumas delas:

Algumas curiosidades dos Reis de Portugal

D. Afonso Henriques

 

    1. Medo de galinhas – O primeiro rei de Portugal tinha um medo inexplicável de galinhas. Acreditava que elas traziam má sorte, e então evitava ter qualquer contato com elas.

       

 

    1. Espada imbatível – Reza a lenda que a “Espada de Afonso” era tão pesada que ninguém, além dele, poderia ergui-la. Se existem reproduções, a espada verdadeira apenas foi encontrada recentemente na Sé de Braga.

       

 

    1. Excomunhão secreta – Documentos perdidos sugerem que D. Afonso Henriques teria sido excomungado pelo Papa, mas essa carta foi misteriosamente retirada dos arquivos do Vaticano.

       

 

 

D. Sancho I

 

    1. Canhoto disfarçado – Sancho I era canhoto, mas devido às normas da época treinou-se para ser destro, adoptando uma postura diferente da sua natureza.

       

 

    1. Coleção de pedras raras – O rei colecionava pedras de todas as localidades que visitava e algumas ainda podem ser encontradas em arquivos antigos.

       

 

    1. Um mapa secreto do Algarve – Há uma teoria de que D. Sancho I escondeu um mapa secreto indicando planos de expansão do reino para o sul, que nunca foram levados a cabo.

       

 

 

D. Afonso II

 

    1. Alergia a tinta – D. Afonso II tinha uma reação alérgica severa à tinta utilizada na época, o que o obrigava a assinar documentos de forma indireta, utilizando um assistente.

       

 

    1. Visões místicas – Relatos históricos afirmam que o rei teria tido visões proféticas, especialmente sobre a destruição de Lisboa, que coincidem com o grande terramoto e incêndio de 1755.

       

 

    1. O figo fatal – Alguns historiadores acreditam que a causa da morte do rei foi o consumo excessivo de figos secos, devido ao seu vício por essa iguaria.

       

 

 

D. Sancho II

 

    1. Dormia de olhos abertos – De acordo com os relatos dos seus servos, o rei sofria de um raro distúrbio do sono e frequentemente dormia com os olhos abertos, o que assustava a corte.

       

 

    1. Fuga disfarçada – Quando foi deposto, D. Sancho II fugiu disfarçado de camponês, escondido numa carroça carregada de feno.

       

 

    1. Castelo de Leiria e o túnel perdido – Existe uma lenda de que o Castelo de Leiria escondia um túnel secreto, que ligava a fortaleza à igreja local, mas esse túnel nunca foi encontrado.

       

 

 

D. Afonso III

 

    1. Anões e gigantes na corte – D. Afonso III mantinha uma coleção de pessoas de estaturas extremas, incluindo anões e gigantes, para entreter a corte real.

       

 

    1. Primeiro rei a usar lentes – Embora os óculos como os conhecemos hoje não existissem, há registros históricos que sugerem que D. Afonso III usava lentes rudimentares para leitura.

       

 

    1. Tesouro enterrado em Tavira – Diz-se que o rei escondeu uma fortuna de ouro na cidade de Tavira, que nunca foi encontrada, apesar das várias tentativas de escavações.

       

 

 

D. Dinis

 

    1. Conversava com as árvores – D. Dinis, também conhecido como o “Rei Poeta”, passava horas no futuro Pinhal de Leiria, acreditando que as árvores lhe falavam ao vento.

       

 

    1. Código secreto nos seus poemas – Escrevia poemas que, à primeira vista, pareciam inofensivos, mas escondiam mensagens políticas secretas sobre a corte.

       

 

    1. O túmulo misterioso – Durante uma investigação arqueológica em 1938, os pesquisadores encontraram sinais de que o caixão de D. Dinis havia sido mexido do seu local original, sem explicação aparente.

       

 

 

D. Afonso IV

 

    1. Sonambulismo de guerra – Diz-se que D. Afonso IV, em algumas noites, caminhava sonâmbulo pelos corredores do castelo, murmurando estratégias militares.

       

 

    1. Silêncio voluntário – Para demonstrar disciplina, o rei fez um voto de silêncio por 30 dias, comunicando apenas por gestos durante esse período.

       

 

    1. A caveira perdida – No momento da exumação de D. Afonso IV, foi notado que o crânio no túmulo não correspondia ao esqueleto do monarca.

       

 

 

D. Pedro I

 

    1. O coração perdido – Após a sua morte, o coração de D. Pedro I foi retirado e enterrado secretamente num local desconhecido.

       

 

    1. A última carta de Inês – A famosa carta de despedida de Inês de Castro nunca foi encontrada, e muitos acreditem que ela foi queimada pela corte.

       

 

    1. Execução dupla – Uma história controversa sugere que D. Pedro I mandou executar o mesmo homem duas vezes, depois de este ter sobrevivido à primeira tentativa.

       

 

 

D. Fernando I

 

    1. O oráculo veneziano – D. Fernando confiava cegamente nas previsões de um astrólogo veneziano, que, segundo relatos, ajudou a tomar decisões importantes para o reino.

       

 

    1. O leão do Palácio – Durante o seu reinado, D. Fernando mantinha um leão vivo nos jardins do Palácio Real para simbolizar poder e coragem.

       

 

    1. O retrato desaparecido – O retrato mais fiel de D. Fernando desapareceu misteriosamente da coleção real, com rumores de que foi roubado por um membro da corte.

       

 

 

D. João I

 

    1. Nunca foi visto descalço – Há relatos de que D. João I nunca foi visto sem calçado, até mesmo nas situações mais informais, devido a uma superstição de que a terra poderia roubar o seu poder.

       

 

    1. Medo de espelhos – Curiosamente, D. João I tinha um medo irracional de espelhos, e evitava olhar para eles, acreditando que os reflexos lhe poderiam trazer má sorte.

       

 

    1. Livro secreto de poesia – Supõe-se que D. João I tenha escrito um livro de poemas secretos, contendo códigos políticos e planos de batalha, que nunca foram revelados ao público, mas que ainda existem na Torre do Tombo.

       

 

 

D. Duarte

 

    1. Vidente do futuro – Alguns relatos afirmam que D. Duarte possuía uma habilidade rara para prever o futuro, o que o ajudou a tomar decisões durante crises.

       

 

    1. Escrevia em segredo – O rei escrevia diários secretos sobre a política do reino, que só foram descobertos muito tempo depois da sua morte.

       

 

    1. O esconderijo no Mosteiro de Batalha – Dizia-se que D. Duarte possuía uma passagem secreta dentro do Mosteiro de Batalha, onde guardava objetos pessoais e documentos secretos.

       

 

 

D. Afonso V

 

    1. Medo de cavalos – Apesar de ser um grande conquistador, D. Afonso V tinha um medo secreto de cavalos, o que o fazia preferir viajar em carroças.

       

 

    1. A obsessão pelo ouro – O rei era tão obcecado pelo ouro que tentou descobrir uma mina de ouro nas montanhas da Beira Alta, mas nunca encontrou nada de significativo.

       

 

    1. A carta de excomunhão – Durante o seu reinado, uma carta de excomunhão foi descoberta em sua posse, mas foi imediatamente destruída pelo Vaticano.

       

 

 

D. João II

 

    1. O homem das sombras – João II era conhecido por andar às escondidas pela corte, vestindo-se com roupas comuns para ouvir as conversas dos seus súbditos sem que eles soubessem.

       

 

    1. A prisão secreta – O rei mandou construir uma prisão secreta no Alentejo, onde mantinha prisioneiros que considerava “perigosos” para a sua autoridade.

       

 

    1. A obsessão pela matemática – D. João II tinha uma obsessão por cálculos e astrologia, e acreditava que a posição dos astros controlava o destino de todos.

       

 

 

D. Manuel I

 

    1. O rei dos azulejos – D. Manuel I foi o responsável por encomendar a criação dos primeiros azulejos portugueses, acreditando que as suas cores ajudariam a proteger os edifícios reais.

       

 

    1. A obsessão pelo ouro – Durante as suas viagens ao Oriente, o rei desenvolveu uma obsessão pelo ouro, levando-o a decretar a “corrida ao ouro” nas suas colónias.

       

 

    1. O misterioso legado de Tomar – Acredita-se que D. Manuel I tenha escondido um valioso manuscrito nos arquivos do Convento de Cristo, mas nunca foi encontrado.

       

 

 

D. João III

 

    1. O rei que falava com animais – Diz-se que D. João III tinha uma habilidade rara de comunicar com animais, principalmente aves, e passava longas horas a interagir com os papagaios na sua corte.

       

 

    1. Visões sobre a América – D. João III teria tido visões sobre o continente americano, que ele acreditava ser um novo lugar para expandir o império, muito antes das grandes navegações de outros países.

       

 

    1. O segredo de suas roupas – Usava semore roupas muito simples, mas com um tecido secreto feito de um material raro, que, segundo ele, o protegia de qualquer mal. O tecido nunca foi identificado por especialistas.

       

 

 

D. Sebastião

 

    1. O rei sonhador – D. Sebastião era obcecado por profecias, e muitos acreditam que sua famosa expedição ao Norte de África, que terminou tragicamente na Batalha de Alcácer-Quibir, foi impulsionada por um sonho que ele acreditava ser uma mensagem divina.

       

 

    1. Desaparecimento misterioso – Existem teorias de que D. Sebastião nunca morreu na batalha e teria fugido para um lugar secreto, onde viveria até hoje, aguardando o momento certo para retornar e restaurar a glória de Portugal.

       

 

    1. O elixir da juventude – O rei tinha uma receita secreta de um elixir de juventude, supostamente feita com ingredientes raros, que ele acreditava ser a chave para prolongar a sua vida.

       

 

 

D. Henrique

 

    1. O monarca alquimista – D. Henrique era fascinado pela alquimia e passava longas horas nos seus aposentos realizando experimentos com metais preciosos.

       

 

    1. A coroa encantada – Diz-se que a sua coroa real tinha um poder místico que o protegia de perigos iminentes, mas foi perdida após a sua morte.

       

 

    1. Comerciantes invisíveis – Durante o seu reinado, havia rumores de que D. Henrique negociava com mercadores invisíveis, cujos negócios eram feitos através de mensagens secretas.

       

 

 

D. Filipe I (Felipe II de Espanha)

 

    1. O rei que queria ser português – D. Filipe I tinha o desejo secreto de ser mais português do que espanhol, e tentou adotar costumes e tradições portuguesas, o que gerou controvérsias na corte.

       

 

    1. Estátuas de cera – Para se manter oculto durante as reuniões secretas, D. Filipe I fazia estátuas de cera de si próprio para enganar os seus inimigos.

       

 

    1. O pergaminho perdido – Diz-se que D. Filipe I encontrou um pergaminho com instruções para a criação de uma nova dinastia, mas o documento foi misteriosamente perdido.

       

 

 

D. João IV

 

    1. O rei músico – D. João IV era um compositor talentoso e, segundo fontes antigas, escrevia música nas suas horas livres, embora as suas composições nunca tenham sido publicadas.

       

 

    1. Visões de um império global – Durante o seu reinado, D. João IV acreditava que Portugal poderia dominar não só o Brasil e as colónias africanas, mas também a Ásia, e tinha planos secretos para expandir os domínios portugueses.

       

 

    1. A chave dourada – D. João IV tinha uma chave dourada, que ele afirmava ser a chave para o “centro do poder” de Lisboa, onde um tesouro imenso estava escondido. Até hoje, a chave nunca foi encontrada, mas alguns dizem que o respectivo cofre esteve muitos anos escondido em casa de José Sócrates.

       

 

 

D. Afonso VI

 

    1. O rei invisível – D. Afonso VI era tão recluso que raramente era visto por aqueles que o rodeavam, levando muitos a acreditar que ele não era o verdadeiro rei, mas sim um impostor.

       

 

    1. O retrato da verdade – Durante o seu reinado, D. Afonso VI mandou pintar um retrato dele em que aparecia com uma coroa invertida, considerado um símbolo de um reino em desordem.

       

 

    1. A busca por um livro perdido – O rei teria passado anos a procurar um livro misterioso que, segundo a lenda, continha todos os grandes segredos do império português.

       

 

 

D. Pedro II

 

    1. O rei jardineiro – D. Pedro II tinha uma paixão secreta por jardinagem e passava horas em jardins privados do Palácio de Mafra, criando espécies de plantas raras que nunca foram vistas antes.

       

 

    1. Comerciantes fantasmagóricos – Havia rumores de que D. Pedro II negociava com mercadores fantasmas de terras distantes, cujas transações jamais foram confirmadas.

       

 

    1. A invenção do “aquecedor solar” – Durante o seu reinado, D. Pedro II desenvolveu um protótipo de aquecedor solar, mas o projeto foi abandonado por motivos desconhecidos.

       

 

 

D. João V

 

    1. O tesouro secreto – D. João V escondeu um enorme tesouro de ouro e pedras preciosas em Lisboa, mas até hoje ninguém conseguiu descobrir onde ele está guardado.

       

 

    1. A obsessão pela relojoaria – O rei mandou construir relógios complicadíssimos para os palácios reais, acreditando que o controle do tempo era o segredo para governar bem.

       

 

    1. O pacto com as estrelas – D. João V acreditava que, por meio de uma série de rituais astrológicos, ele poderia controlar o destino do império. Os resultados, porém, nunca foram documentados.

       

 

 

D. José

 

    1. Os passeios secretos – D. José gostava de se disfarçar de plebeu e andar incógnito pelas ruas de Lisboa, observando a vida comum, o que gerava grande confusão entre os habitantes.

       

 

    1. A máquina do tempo – Diz-se que D. José possuía um dispositivo antigo, de origem misteriosa, que ele acreditava ser capaz de prever o futuro.

       

 

    1. O terramoto previsto – Há quem diga que D. José sabia do grande terramoto de 1755, mas manteve a informação em segredo para não causar pânico.

       

 

 

D. Maria I

 

    1. A rainha que lia mentes – D. Maria I era considerada uma verdadeira “leitura de mentes”. Muitos acreditam que ela possuía uma habilidade paranormal que lhe permitia saber exatamente o que os outros pensavam.

       

 

    1. O espírito do Palácio de Queluz – Reza a lenda que, durante a sua regência, D. Maria I teve visões de fantasmas do passado que a guiavam nas suas decisões.

       

 

    1. A coroa de cristal – D. Maria I teria mandado construir uma coroa de cristal, que, segundo ela, trazia sabedoria eterna, mas desapareceu misteriosamente.

       

 

 

D. João VI

 

    1. O rei escritor – D. João VI escreveu vários livros secretos sobre governação e filosofia, que nunca foram divulgados, mas estão guardados em arquivos secretos no Brasil.

       

 

    1. O fim da monarquia? – Há rumores de que D. João VI sabia que a monarquia em Portugal estava condenada e, por isso, fez acordos secretos para garantir a preservação de sua família.

       

 

    1. A fuga para o Brasil – Quando fugiu para o Brasil, D. João VI alegadamente escondeu o verdadeiro motivo de sua saída, afirmando que era por questões de saúde, quando na verdade se tratava de uma tentativa de salvaguardar a monarquia.

       

 

 

D. Pedro IV

 

    1. Revolução silenciosa – D. Pedro IV, além de ser conhecido pela sua coragem, também teve um talento oculto: escreveu discursos revolucionários secretos que foram lidos apenas por algumas pessoas próximas dele.

       

 

    1. A espada mágica – Segundo relatos, D. Pedro IV possuía uma espada lendária que, se usada corretamente, poderia invocar protecção divina.

       

 

    1. Visões de exílio – Quando se exilou no Brasil, D. Pedro IV alegadamente teve visões do futuro de Portugal e do Brasil, prevendo momentos cruciais para ambos os países.

       

 

 

D. Miguel

 

    1. O rei dos enigmas – D. Miguel adorava enigmas e desafiava os membros da corte a resolverem charadas complexas antes de tomar decisões importantes.

       

 

    1. O cetro perdido – Durante sua breve estadia no trono, D. Miguel escondeu um ceptro real, acreditando que ele possuía poderes mágicos, mas nunca foi encontrado.

       

 

    1. A cidade subterrânea – D. Miguel teria construído uma cidade subterrânea no Palácio de Mafra, onde se refugiava para escapar das intrigas da corte.

       

 

 

D. Pedro V

 

    1. O rei filósofo – D. Pedro V era obcecado por filosofia e passava horas a debater ideias com pensadores da época, acreditando que as suas decisões políticas seriam mais sábias com essas influências.

       

 

    1. O relógio do destino – D. Pedro V usava um relógio de bolso especial que acreditava ser capaz de manipular o tempo, embora nunca tenha explicado como.

       

 

    1. A flor rara – D. Pedro V mandou cultivar uma flor rara no Jardim Botânico de Lisboa, acreditando que ela traria prosperidade ao país, mas a flor morreu repentinamente.

       

 

 

D. Luís

 

    1. O inventor do “dólar português” – D. Luís inventou, como parte de um plano secreto, um sistema de moedas chamado “dólar português”, mas a ideia foi descartada sem explicações.

       

 

    1. A arte perdida – D. Luís era também pintor amador e teria pintado várias obras, algumas das quais desapareceram misteriosamente depois de sua morte.

       

 

    1. A coroa de ferro – Durante o seu reinado, D. Luís possuía uma coroa de ferro, que ele acreditava ser capaz de trazer estabilidade ao seu governo.

       

 

 

D. Carlos I

 

    1. O monarca entusiasta – D. Carlos I tinha um interesse peculiar pela fotografia e adorava capturar imagens da vida da corte, que mais tarde se tornaram documentos históricos valiosos.

       

 

    1. O castelo invisível – Existem lendas de que D. Carlos I mandou construir um castelo secreto em algum ponto remoto do país, mas ninguém jamais conseguiu encontrar a sua localização.

       

 

    1. A escrita cifrada – Durante os últimos anos de seu reinado, D. Carlos I usava uma escrita cifrada para se comunicar com aliados secretos, e os documentos nunca foram totalmente decifrados.

       

 

 

D. Manuel II

 

    1. O último rei e o relógio quebrado – D. Manuel II teria tido um relógio de ouro que parou no momento da sua abdicação, simbolizando o fim da monarquia em Portugal.

       

 

    1. O diário perdido – D. Manuel II escrevia diários secretos, e um deles, onde confessava os dilemas que enfrentava sobre a abdicação, foi perdido pouco depois de sua morte.

       

 

    1. O rei que pintava – Além de ser monarca, D. Manuel II tinha grande paixão pela pintura, e algumas de suas obras estão escondidas em coleções privadas.

       

 

 

 

 

P.S.- Caso não seja óbvio, este artigo tratou-se de uma mera brincadeira do Dia das Mentiras. Se algumas das informações acima até têm um certo fundo de verdade, no seu geral são falsas e não devem ser tomadas a sério!