O Jogo Real de Ur

No vídeo abaixo pode ser visto o Jogo Real de Ur, um dos jogos mais antigos que ainda podem ser jogados nos nossos dias:

Para quem estiver curioso sobre as regras deste jogo e como ele deve ser conduzido, o Museu Nacional de Arqueologia tem um documento que as explica e que pode ser acedido aqui.

Um segredo da Notre Dame de Paris

Certamente que a catedral Notre Dame de Paris é uma das mais famosas construções religiosas de toda a Europa, mas nem por isso acolhe menos segredos do que, por exemplo, a Sé de Lisboa. Conta-nos então a história que por volta de 1710 estavam a ser feitas uma obras no interior da catedral, com o objectivo de construir uma cripta, quando foi encontrado algo de inesperado.

 

Hoje chamado o “Pilar dos Navegantes”, que pode ser visto parcialmente reconstruido na imagem acima, contém referências a deuses gauleses como Cernuno e Esmértio, juntamente com figuras romanas como Castor e Vulcano, e até uma dedicatória ao Imperador Tibério. Mas como terá este pilar ido parar ao subsolo da Notre Dame? Muitas poderão ser as respostas, mas é possível que tenha existido nesse local um antigo templo religioso de alguma importância, sobre o qual posteriormente foi construída uma igreja cristã (recorde-se que também em Lisboa a Sé foi construída sobre um antigo templo religioso islâmico), ou que ao longo dos séculos a pedra de que era feita este pilar tenha sido simplesmente reutilizada para outros propósitos, sem qualquer valor dado à sua anterior função religiosa.

 

Ainda assim, acabou por nos preservar a única menção indisputada a Cernuno, um cornudo deus gaulês aqui identificado pelo nome e que na imagem acima pode ser visto do lado esquerdo (segunda representação a contar do topo).

Jesus no Corão, um breve resumo

A figura de Jesus no Corão islâmico é pouco conhecida na cultura ocidental, pelo que decidimos falar um pouco sobre este curioso tema, sob a forma de um breve resumo. Assim, como é provável que muitos já saibam, o Corão (e a própria religião islâmica) surgiu inicialmente como uma espécie de continuação do Cristianismo, como esta religião era, também ela, uma espécie de continuação do Judaísmo. Por isso, Jesus Cristo (como, acrescente-se, algumas das principais figuras do Antigo Testamento) também aparece nesta fonte literária, mas com algumas divergências face à sua visão cristã. De forma breve, aqui ficam as principais diferenças apresentadas pela figura de Jesus no Corão:

Uma imagem de Jesus no Corão

  • Jesus não é filho de uma entidade divina. É um profeta (como o foi anteriormente Moisés, e como voltará a sê-lo Maomé), e nasceu do ventre virgem de Maria, mas é repetidamente mencionado que Deus/Alá nunca teve nenhum filho;
  • Jesus não foi crucificado. Não é explicado concretamente o que lhe terá acontecido, mas é dito que ele apenas pareceu ter sido crucificado, uma ideia derivada de uma seita gnóstica;
  • A ideia da Trindade é completamente negada (até porque, como já referimos acima, Jesus era um profeta, mas não era filho de Deus/Alá);
  • Se a sequência do nascimento desta criança até começa com o próprio nascimento de Maria, em relação ao primeiro é dito que nasceu numa manjedoura e ao pé de uma palmeira. Pouco depois, Jesus – ainda recém-nascido! – fala miraculosamente, revelando parte da sua missão futura;
  • Enquanto criança criou alguns pássaros de barro e deu-lhes vida. Esse milagre não aparece no Novo Testamento, mas já ocorria, pelo menos, num dos evangelhos (apócrifos) da infância;
  • Para alimentar uma multidão (talvez a mesma para quem multiplicou os pães e peixes nos quatro evangelhos?), Jesus fez com que uma mesa com comida descesse miraculosamente dos céus.

 

Se esta figura de Jesus no Corão tem certamente um fundamento bíblico, também parece ter sido influenciado por algumas ideias apócrifas e gnósticas. Não é, contudo, muito diferente da figura do Cristianismo, salvo a excepção de existir uma recorrente (mas necessária, no contexto islâmico) negação da sua divindade.

A misteriosa pergunta de Perceval

Perceval e o Santo Graal

Conta-nos uma das histórias medievais do Rei Artur que, numa dada altura, Perceval foi o primeiro dos cavaleiros a ver o Santo Graal. Porém, pela sua juventude, ou quiçá pela sua falta de experiência, acabou por não conseguir atingir esse seu objectivo. Disseram-lhe, posteriormente, que para salvar o rei e obter o Graal ele deveria ter feito “(um)a pergunta”. Mas que pergunta era essa? O texto nunca é muito claro nesse ponto, até porque o autor original, Chrétien de Troyes, parece ter falecido antes de completar a sua história, mas a nossa pesquisa revelou uma potencial resposta – Perceval deveria ter inquirido sobre a natureza e a proveniência do estranho prato/cálice. A curiosidade do cavaleiro face à estranha procissão seria, nesse ponto, a do próprio leitor; sem a sua pergunta, também a nossa ficaria sem resposta – e ficou, recorde-se, no texto de Perceval, ou o Conto do Graal, como já cá discutimos há uns anos.

 

P.S.- Para quem não estiver familiarizado com estas histórias, mas até quiser saber mais sobre elas, pode ver este pequeno vídeo (em Inglês). Também podemos falar mais sobre esses temas no futuro, caso hajam vários interessados.

O que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

É uma questão que parece assolar a mente da humanidade há já vários milénios – o que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

Afinal de contas o que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?!

Como parecerá óbvio à maioria dos leitores, não seremos nós a descortinar esse enome mistério, mas o que pretendíamos apontar aqui é que essa questão, da proverbial escolha entre o ovo e a galinha, é, de facto, tão antiga como as próprias obras literárias que nos foram chegando. Já aparecia nas obras de Aristóteles, mas também em obras latinas como as de Plutarco e de Macróbio, em que normalmente até são expostos diversos argumentos em relação aos dois lados da questão. Um dos autores menos conhecidos que falou sobre esta mesma questão, Censorino, até dá uma possível solução – diz-nos então que as coisas que existem nunca tiveram um princípio e jamais terão um fim. Não era caso único – outros diziam que a primeira galinha não nasceu de um ovo, mas que foi pura e simplesmente criada pelos deuses.

 

Portanto, permanece a questão – quem nasceu primeiro, afinal de contas? Fica, como sempre, o convite para que partilhem as vossas opiniões nos comentários!