Qual o significado dos nossos sonhos?

Uma pergunta que nos costuma ser feita regularmente prende-se com o significado dos sonhos, aqueles que costumamos ter durante a noite. E, por muito que até a queiramos deixar de parte, é também uma coisa sobre a qual todos nós nos interrogámos pelo menos uma vez na nossa vida. Infelizmente, seria difícil expor o significado de todos os sonhos já alguma vez tidos num punhado de linhas, mas podemos fazer uma breve introdução ao tema.

 

Essencialmente, os nossos sonhos podem ser divididos em duas categorias. A primeira delas destina-se a colmatar uma qualquer dificuldade presente na nossa vida. Se, para dar alguns exemplos, tivermos fome, poderemos ter um sonho em que comemos muito; se estamos a passar frio, poderemos ter um sonho em que nos aquecemos perto de uma lareira; se sentimos falta de uma pessoa em particular, iremos sonhar com ela; se sentimos falta de ter relações sexuais, poderemos ter um sonho em que as temas; e assim sucessivamente.

 

A segunda categoria prende-se com sonhos que têm outro tipo de significado. A eles, autores como Artemídoro chamavam oneiros, de onde provém o nome dado à arte da sua interpretação. Segundo eles, esse tipo de sonhos tem um qualquer significado (quase) místico. Se, por exemplo, sonharmos que alguém vai morrer, isso tende a significar que iremos ter uma alteração crucial na nossa vida, mas não necessariamente que alguém irá morrer. Curiosamente, o que acontece nesta categoria de sonhos, contrariamente ao que se passava com a anterior, nada tem de relação explícita com a sua interpretação directa – por exemplo, se sonharmos que estamos a ser atacados por santolas, dificilmente isso terá lugar na vida real; em alternativa, tanto esse ataque como as próprias santolas são uma espécie de metáfora para “algo”.

 

Mas que “algo” é esse? Será que os sonhos, como diziam Aristóteles, Artemídoro ou Cícero, têm uma função de prever o futuro? Ou será que, como debatia Freud numa época bem mais recente, todo o tipo de sonhos se destinava a colmatar necessidades – muitas vezes psicológicas ou sexuais – que temos? A resposta não é simples. E por isso, fica um convite aos leitores – quando tiverem um sonho, escrevam-no num papel tão detalhadamente como possível. Depois, interpretem-no (poderemos tentar ajudar). Vejam em que medida é que o seu conteúdo se aplica, ou não, à vossa vida. Finalmente, tentem perceber porque terão tido esse sonho, e deixem algum feedback sobre os resultados finais da experiência.

“Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” e as características de um messias

Uma pequena curiosidade – quando, na cruz, Jesus gritou “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”, não estava tanto a admitir, de uma forma muito explícita, que o Pai o tinha abandonado de uma qualquer forma, mas a ecoar as palavras iniciais do 22º salmo provindo do Antigo Testamento. Isto acaba por ser de alguma importância já que permitiria identificá-lo como uma das características que, supostamente, um messias deveria vir a ter. O problema, no entanto, é que não existe – ao contrário do que se poderia pensar – qualquer espécie de lista das características de um messias no Antigo Testamento.

 

Pode até parecer uma ideia estranha para quem perceber menos do assunto, mas o que tende a suceder no Novo Testamento é que quando Jesus faz algo, isso é normalmente visto como uma espécie de alusão a algum elemento do Antigo Testamento. Não são sinais de um messias, pelo menos não de uma forma totalmente explícita, até porque nenhum autor dos primeiros séculos da nossa era listou as características que este deveria ter, limitando-se a dizer que Jesus, supostamente, as cumpriu a todas. É portanto natural que os Judeus não o tenham aceite como messias – se existisse um conjunto fixo de regras a cumprir, seria muito fácil dizer que Jesus as cumpriu (ou não), e portanto aceitá-lo (ou rejeitá-lo) nessas bases. Isso não aconteceu porque não era possível acontecer.

Existe alguma ninfa do fogo?

Recentemente, alguém procurou neste espaço informação sobre uma possível ninfa do fogo. Será que elas existem? Aparecem em muitos videojogos, mas tanto quanto se sabe não existia nenhuma nos mitos da Antiguidade; as ninfas, no seu geral, estão associadas a determinados espaços naturais, como rios ou árvores, mas em relação ao fogo, em si, este é considerado como uma entidade totalmente distinta, que não era habitada por qualquer divindade. Até existem deuses associados ao fogo – Hefesto, por exemplo – mas nenhum deles é considerado como a própria representação do fogo, enquanto elemento natural.

 

Então, porque foi feita esta pergunta? Muitas poderão até ser as razões, mas uma das mais óbvias prende-se com o facto de diversos jogos de computador terem como personagens “ninfas do fogo”, entre variadíssimas outras criaturas mitológicas. Porém, essas figuras não advêm dos mitos antigos, tratando-se de simples readaptações de figuras já conhecidas a novos contextos. Entre muitas outras, figuras como Cérbero, as Erínias, a Medusa, a Quimera, também tendem a surgir nesses jogos, em formas nem sempre consistentes com as dos antigos mitos.

Uma invulgar estratégia que teve lugar na Batalha de Pelúsio

Polieno, na sua obra Estratagemas, conta-nos uma invulgar estratégia que teve lugar na Batalha de Pelúsio. Segundo este autor, os Egípcios tinham para essa batalha associado um exercíto vastamente superior, pelo que Cambises, que atacava a cidade, decidiu usar alguns dos animais sagrados destes como escudos – cães, ovelhas, gatos, os ibis, etc. – colocando-os na linha da frente de combate. Os Egípcios, numa tentativa de bondade, pararam completamente o seu ataque, levando a uma vitória estratégica muito importante por parte de Cambises.