Origens dos nomes dos meses do ano

Como muitas outras coisas na nossa cultura ocidental, as origens dos nomes dos meses do ano provêm também do tempo dos Romanos. Recorde-se que, no início, o ano começava ainda no mês de Março, sendo que só mais tarde viria a ter a sua configuração e ordem actuais. Autores como Macróbio, entre vários outros, contam-nos as razões por detrás dos seus respectivos nomes, mas há que ter em conta que, como o mesmo também nos reporta, muitas destas origens eram disputadas por várias razões, não sendo totalmente certas. Assim, se no tempo de Rómulo os meses ainda eram apenas dez, estas eram as origens dos nomes dos meses do ano:

Origens dos nomes dos meses do ano

Março – em homenagem ao próprio pai do herói, o deus latino Marte.

Abril – em homenagem à mãe de Eneias, Vénus, que em grego se chamava Afrodite, gerando esse nome depois o do mês por alterações fonéticas. Também podia dever-se ao reflorescimento da natureza.

Maio – através do nome de uma divisão de classes feita pelo irmão de Remo, devido a um dos títulos de Júpiter, ou – mais frequentemente – devido a uma deusa de nome Maia, cuja identidade real também era disputada por vários dos autores que trataram este tema.

Junho – através do nome de uma divisão de classes por parte de Rómulo, ou em honra a [Lúcio] Júnio Bruto, primeiro cônsul de Roma.

Julho – originalmente obteve o seu nome pela sua posição como quinto mês, mas mais tarde foi associado a Júlio César, que tinha nascido nesta altura.

Agosto – primeiro derivado da sua posição como sexto mês (algo que agora é menos evidente), mas depois em homenagem a [César] Augusto.

Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro – estes meses obtiverem os seus nomes das suas posições no calendário, respectivamente, desde o sétimo até ao décimo.

 

Se esta era, como já foi dito, a configuração do ano na altura de Rómulo – “dez meses, e de 304 dias; seis meses de 30 dias, quatro de 31” – Numa Pompílio foi-lhe depois adicionando 57 dias. Em seguinda, atribuiu os seguintes nomes aos novos meses:

 

Janeiro – consagrado a Jano, deus de duas faces, para que este pudesse então ver o final do ano anterior e o princípio do novo. Por essa mesma razão este também foi tornado o primeiro de todos os meses.

Fevereiro – em honra a Fébruo, um (mais) antigo deus associado à morte e purificação, sendo que o número (inferior) de dias do mês era considerado apropriado para ele, por se tratar de um deus dos infernos.

 

Foram depois, por diversas razões, sendo feitas diversas alterações ao número de dias de cada ano, o que, a longo prazo, acabou por originar a situação que temos nos dias de hoje, em que Fevereiro continua a ter um menor número de dias, enquanto que os outros têm sempre 30 ou 31. E assim se explica as origens dos nomes dos meses do ano.

O Pokémon e a criação de uma mitologia

Uma das mais interessantes discussões a que já assistimos passa pela criação literária dos deuses gregos. Como será que alguém, um dado dia, pensou que existia no Olimpo um Zeus, uma Atena nascida da cabeça deste, um deus disforme que trabalhava no fogo, ou uma figura que usava um tridente para causar terramotos? Esse é, infelizmente, um debate que raramente dá frutos palpáveis, mas em tempos de “Pokémon Go” podemos mostrar como se cria uma mitologia. Vejam este fantástico exemplo, fruto da imaginação de algum anónimo:

Criação do Pokémon

fonte

 

Se alguém estiver curioso, devemos acrescentar que algumas destas figuras já são capturáveis no “Pokémon Go”, mas seria o escritor desta história um novo Homero? Dificilmente, mas por uma qualquer razão tentou sintetizar um conjunto de mitos numa história contínua, como a que se atribui, famosamente, a Hesíodo.

Histórias do Zodíaco #13 – Ofiúco

Há alguns anos e por razões que aqui não são de especial importância surgiu a ideia de um décimo-terceiro signo do zodíaco, Ofiúco. Este representa uma figura humana em pleno combate com uma cobra, mas a identidade dos dois envolvidos parece variar mediante as fontes consultadas.

 

Seriam eles Apolo e a serpente de Delfos, que o deus teve de derrotar para tomar posse do local do futuro oráculo? Tratar-se-ia do troiano Laocoonte, a ser atacado por uma serpente enviada pelos deuses, que acabaria por levar à sua destruição? Ou seria uma representação de Esculápio, figura muito associada às serpentes, que foi morto pelo rei dos deuses do Olimpo por repetidamente ter trazido de volta à vida aqueles que já tinham passado o seu tempo mortal?

Muitas poderiam ser as hipóteses, mas é inegável que este signo e constelação pareciam representar uma serpente (“ophis”, em Grego) em combate com uma figura humana.

Histórias do Zodíaco #12 – Peixes

Este décimo-segundo dos signos do zodíaco tem uma história interessante, mas que também é muito pouco conhecida pela grande generalidade dos leitores.

 

O seu mito conta-nos como, um dia, durante a enorme guerra que recebeu o nome de Gigantomaquia (uma espécie de sequela da Titanomaquia) surgiu o mais horrendo de todos os monstros, Tífon. Num primeiro momento este monstro atacou os deuses do Olimpo e forçou-os a fugir do local onde residiam; parte do relato pode ser encontrado nos livros iniciais da Dionisíaca de Nono. Nessa sua fuga, algumas das fontes dizem que os deuses se forem refugiar em terras do Egipto, nas quais tomaram a forma de diversos animais, assim justificando as invulgares formas dos deuses representados nesse país.

Entre esses figuras estavam Afrodite e Eros. Mãe e filho decidiram transformar-se em peixes e escapar por um curso de água próximo, mas dada a tenra idade do segundo a sua mãe decidiu que deveriam unir-se por um pequeno fio, de forma a que não se perdessem um do outro, uma ligação que ainda pode ser hoje vista na representação típica deste signo.

Tífon acabaria por ser derrotado com o auxílio de Dioniso e Héracles, sendo depois colocado por baixo do vulcão Etna, mas a transformação de Afrodite e seu filho acabaria por ficar imortalizada neste signo.

Porque os Papas mudam de nome quando são eleitos?

É daquele tipo de questões que as pessoas por vezes se colocam – porque os Papas mudam de nome quando são eleitos?

Porque mudam os Papas de nome quando são eleitos?

Há uns dias foi-nos feita esta pergunta. Queriam saber a razão pela qual os Papas mudam de nome quando são eleitos; recorde-se, por exemplo, que João Paulo II se chamava antes Karol Wojtyła, que Bento XVI já teve o nome de Joseph Ratzinger, e que aquele que ocupa agora o trono de S. Pedro tem o nome de Francisco, mas já se chamou Jorge Bergoglio. Mas porque têm estas alterações lugar, sabem? Afinal, porque mudam eles de nome quando são eleitos?

 

Então, o primeiro Papa a mudar de nome foi João II, no já-distante ano de 533 d.C. Segundo nos conta a história ele chamava-se originalmente Mercúrio – como o deus latino, o Hermes dos Gregos – razão pela qual pensou tratar-se de um nome completamente inapropriado para a posição que ia ocupar. Depois, esta alteração de nomes foi muito pouco usada até cerca do ano de 1009, altura em que surgiu um tal Pietro Buccaporci (algo como “Pedro Boca-de-Porco”), que optou pelo nome de Sérgio IV.

Assim, porque os papas mudam de nome quando são eleitos? Talvez para evitar que um problema semelhante voltasse a alguma vez tomar lugar, os sucessores de Pietro Buccaporci optaram todos por mudar de nome. De facto, se antes a maior parte dos papas até tinha optado por manter os seus nomes (por exemplo, o quarto papa de nome João tornou-se João IV, o segundo Pelágio tornou-se Pelágio II, o terceiro Félix foi Félix III, etc.), depois deste Sérgio IV os papas parecem ter alterado o seu nome, com, por exemplo, Teofiláto a tornar-se Bento IX, ou o hispânico Pedro Julião a tornar-se João XXI, tradição que se manteve até aos dias de hoje, talvez mais por hábito e tradição do que por uma necessidade real.