A teoria das ideias, e das formas, de Platão

Falar da teoria das ideias, e das formas, de Platão não é fácil, mas podemos apresentar aqui um resumo interessante. Os textos deste autor são, demasiadas vezes, tão crípticos que se torna difícil compreender as muitas teorias que o autor, através da voz de Sócrates, tenta transmitir, e disso são um perfeito exemplo a teoria das ideias e das formas. Porém, nas suas Epístolas Morais a Lucílio, Séneca o Jovem dá uma pequena ajuda, que aqui cito em tradução inglesa:

 

This “idea”, or rather, Plato’s conception of it, is as follows: “The ‘idea’ is the everlasting pattern of those things which are created by nature.” I shall explain this definition, in order to set the subject before you in a clearer light: Suppose that I wish to make a likeness of you; I possess in your own person the pattern of this picture, wherefrom my mind receives a certain outline, which it is to embody in its own handiwork.  That outward appearance, then, which gives me instruction and guidance, this pattern for me to imitate, is the “idea.” Such patterns, therefore, nature possesses in infinite number – of men, fish, trees, according to whose model everything that nature has to create is worked out.

(…)

If you would [like to] know what “form” means, you must pay close attention, calling Plato, and not me, to account for the difficulty of the subject. However, we cannot make fine distinctions without encountering difficulties. A moment ago I made use of the artist as an illustration.  When the artist desired to reproduce Vergil in colours he would gaze upon Vergil himself. The “idea” was Vergil’s outward appearance, and this was the pattern of the intended work.  That which the artist draws from this “idea” and has embodied in his own work, is the “form.” Do you ask me where the difference lies?  The former is the pattern; while the latter is the shape taken from the pattern and embodied in the work.  Our artist follows the one, but the other he creates.  A statue has a certain external appearance; this external appearance of the statue is the “form.” And the pattern itself has a certain external appearance, by gazing upon which the sculptor has fashioned his statue; this is the “idea.” If you desire a further distinction, I will say that the “form” is in the artist’s work, the “idea” outside his work, and not only outside it, but prior to it.

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Existiam dinossauros na Antiguidade?

A resposta à questão Existiam dinossauros na Antiguidade? poderia parecer muitíssimo óbvia, mas, não obstante, parecem existir autores que parecem querer fazer coexistir humanos e dinossauros. Como evidência, usam imagens como a seguinte:

Parte do Mosaico do Nilo

Provinda do chamado “Mosaico do Nilo”, de Palestrina (em Itália), alguns parecem argumentar que a criatura aqui representada nas margens do Nilo é um dinossauro, enquanto que outros escritores dizem tratar-se de uma lontra. Quem terá razão?

 

Mais do que responder a essa difícil questão sobre a possibilidade de dinossauros na Antiguidade, parece-me é importante constatar um aspecto muito importante da iconografia dessa altura; visto já não termos um acesso total ao ambiente cultural em que este mosaico foi produzido, um observador dos nossos tempos pode aí ver tudo o que queira ver, mesmo face a enormes evidências em contrário. Veja-se outro exemplo:

Um dinossauro na Antiguidade?

Hércules pode ser aqui visto a combater o Monstro de Tróia e a salvar Hesíone. A criatura mitológica está do lado esquerdo, mas quem olhar com atenção poderá ver que a sua face se assemelha muitíssimo a um fossíl de dinossauro carnívoro. Seria deliberado, ou será outro desses exemplos em que até podemos estar a ver na imagem algo que, originalmente, não era suposto? Não sabemos, mas é certamente possível que o facto de se encontrarem esqueletos de dinossauros na Antiguidade possa ter inspirado a ideia de que monstros gigantes já tinham existido em outros tempos…

Da origem histórica do xadrez

A origem histórica do xadrez tem muito que se diga. Por isso, esta é uma história tão interessante que me pareceria absurdo não a deixar por cá. É a de um segredo deste jogo no Libro de los juegos. Um qualquer jogo, ao ser criado, é-o com um conjunto de regras, que estipulam o que pode, ou não, ser feito no decurso mesmo. São regras, é esse o objectivo, e creio que poucos se interrogarão sobre o porquê de cada uma delas, da mesma forma que poucos se interrogarão sobre o porquê de cada uma das regras de trânsito dos automóveis.

Origem histórica do xadrez

Porém, nesse sentido, o Libro de los juegos, escrito na Idade Média através da voz de Afonso X, diz-nos algo que poucas vezes pensaríamos sobre essa origem histórica do xadrez. Entre os muitos jogos explicados pelo autor contam-se um curioso jogo astronómico, uma versão deste jogo que só se jogava na Índia e em que as principais peças eram animais (um deles o sempre-presente unicórnio), e aquele a que ainda hoje damos o nome de xadrez. Agora, se nessa altura as peças em jogo ainda não eram totalmente coincidentes com as modernas, aquilo que me parece mais importante frisar é mesmo o facto de o autor dar explicações para o movimento de cada uma das peças, bem como de várias características do jogo.

 

Em relação ao cavalo, por exemplo, o autor justifica o seu movimento equiparando-o ao de um cavalo no campo de batalha, que vai correndo em frente, mas pontualmente se desvia para a esquerda e para a direita. Do elefante, a peça que ocupava a posição do moderno bispo, é dito que o seu movimento era como o dessa criatura nos campos de batalha, atacando pelos flancos. O rei, esse, tem o seu ténue movimento justificado pela prudência de um monarca em batalha, que deveria pensar bem cada um dos seus movimentos antes de os realizar.

A peça que ocupava o lugar da rainha, que me parece correcto identificar como sendo um porta-estandarte, tinha a capacidade de longos movimentos para assim melhor anunciar a presença do seu rei. E, quando os peões, aqui identificados com simples combatentes, atingiam o lado oposto do tabuleiro, tinham a possibilidade de se transformar num novo porta-estandarte, como até poderia acontecer, na vida real, a todos aqueles combatentes anónimos que se distinguissem nas artes da guerra.

 

Parece-me fantástica, esta analogia estabelecida por Afonso X entre o campo de batalha e o campo do jogo, fazendo do xadrez um jogo tanto intelectual como uma virtual experiência das artes da guerra. Esta é, infelizmente, uma analogia que se parece ter perdido na versão moderna do jogo (pense-se nisso, o que faria uma singela rainha no campo de batalha?), mas que muito poderia ser ainda mencionada em conjunção com a base teórica e origem história do xadrez, até porque torna muito mais simples a aprendizagem das funções de cada uma das peças.

A disputa de Corinto

É famosa a disputa de Poseidon e Atena pela cidade de Atenas, mas, aparentemente, essa não foi a única disputa a ter lugar nos mitos da altura. Favorino e Pausânias, por exemplo, mencionam também que Poseidon e Hélio disputaram a cidade de Corinto, e até que Briareu foi o juíz dessa outra grande disputa, acabando por dar parte da cidade a cada um desses dois deuses, com Hélio a ficar com as partes mais elevadas, enquanto que Poseidon ficou com o resto da região.

Existem mitos com pombos?

Surgiu a questão, hoje, sobre a possibilidade de existência de mitos relacionados com pombos, da mesma forma que existem várias outras metamorfoses em pássaros.

 

Bem, se as pombas brancas aparecem muitas vezes associados ao amor, ao culto de Afrodite (em obras sobre animais são vistas como exemplos da fidelidade), e esses animais até têm alguma relevância noutros cultos do Mediterrâneo, não conheço qualquer mito grego ou latino em que exista uma transformação de uma figura humana em pombo (ou pomba). É provável que até existam noutras culturas. Muitas poderiam ser as razões para essa ausência, mas por não ter quaisquer certezas convincentes não me atrevo a falar sobre elas.